sexta-feira, 2 de maio de 2014

O QUE ESTÁ POR TRÁS DA VIOLÊNCIA CONTRA INDÍGENAS NO BRASIL?

Indígenas são alvo da ofensiva do agronegócio, diz relatório da Comissão Pastoral da Terra



Segundo a jornalista Mayrá Lima, em reportagem no site Brasil de Fato, o número de conflitos no campo registrados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) em 2013 tiveram uma pequena redução em relação à 2012, foram 1266 conflitos, ao passo que no ano anterior chegaram a 1364. Na soma de todos os 1266 conflitos de 2013, contabilizam-se 1007 por disputas de terra, 154 questões trabalhistas e 104 discussões por água, de acordo com o relatório Conflitos no Campo de 2013, divulgado pela CPT nessa virada de mês. Em relação a incidentes de violência contra a pessoa, incluindo o número de assassinatos, ameaças de morte, prisões ou intimidações, a população indígena é a mais afetada. Dos 34 assassinatos registrados, 15 foram contra algum índio. São também contra índios 10 das 15 tentativas de assassinato e 33 das 241 pessoas ameaçadas de morte.  Segundo a Pastoral da Terra, não se tem registro de situação semelhante em 29 anos de publicação do relatório. "Já há especialistas que falam até em um genocídio contra os povos da floresta, esta situação mostrada pela CPT é uma das faces mais cruéis da realidade brasileira hoje em dia", comenta aqui no blog Folha Verde News o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha ao editar aqui estas informações: "Elas dimensionam a necessidade de mudanças urgentes no país". De acordo com o presidente da CPT, Dom Enemésio Lazaris, tanto indígenas quanto quilombolas, os povos da floresta ocupam territórios que atualmente são considerados estratégicos. “São terras disputadíssimas, mas as comunidades indígenas estão acordando, estão se organizando mostrando que tem voz e vez, com consciência ecológica muito maior que muitos outros setores da Nação" afirmou Lazaris. Para Cleber Buzatto, do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), a ofensiva contra os indígenas tem explicação. “O modelo de desenvolvimento implantado no país tem uma dependência extrema da exploração e exportação de commodities agrícolas e minerais. Isto se traduz em financiamento de setores econômicos do país e isto incentiva e pressiona para o acesso a novos territórios. O território indígena é uma espécie de barreira para o avanço do agronegócio, buscando novos territórios de exploração para transformar bens naturais em mercadorias”, disse Buzatto. Os estados de Mato Grosso do Sul e Bahia, lugares de forte atuação do agronegócio, são os que lideram o ranking da violência contra indígenas. Foram 15 ameaças de morte, sete tentativas de assassinatos e três assassinatos no MS. Já na Bahia, dos seis assassinatos, quatro tiveram como vítimas, indígenas. E o pior, os primeiros números de 2014 já mostram que esta tendência continua, por enquanto no mapa da violência no Brasil. "As riquezas naturais das terras indígenas são o foco da violência e só uma gestão de desenvolvimento sustentável junto à natureza e ao meio rural poderá mudar isso, a agroecologia e o turismo ecológico. também o cultural podem vir a ser alternativas para uma nova realidade para os povos da floresta", acredita o ecologista Padinha, divulgando este problema que exige um novo diálogo nacional: "O momento é mais que  oportuno com os debates do Brasil para os próximos anos agora com a proximidade das eleições presidenciais no país, é uma situação urgente".

Índios de variadas etnias têm alertado sobre o aumento da violência contra os povos da floresta

As crianças e adolescentes dos povos da floresta são as maiores vítimas

As terras indígenas são o foco dos conflitos mas poderiam ser a solução...

O Cimi já informou esta situação ao Papa Francisco


Fontes: www.brasildefato.com.br
             www.folhaverdenews.com


7 comentários:

  1. Este relatório da Comissão Pastoral da Terra que estamos conhgecendo agora já é do conhecimento do Papa Francisco. as informações foram levadas a ele pelo presidente do CIMI, conforme divulgamos dias atrás aqui neste blog, por uma questão também humanitária.

    ResponderExcluir
  2. Esta situação-limite dos indígenas e povos da florestas preocupa também a Anistia Internacional, analisando os números e os focos da violência no Brasil agora.

    ResponderExcluir
  3. O movimento ecológico, científico e de cidadania precisa levantar esta questão dos índios e dos povos da floresta porque está claro que a violência contra os indígenas deverá atingir a nossa última natureza, de que eles são o principal guardião.

    ResponderExcluir
  4. É urgente a necessidade de um novo diálogo nacional diante deste impasse e desta situação limite. E existem alternativas, como as indicadas no texto desta postagem para o foco de toda esta violência se transformar num avanço de desenvolvimento sustentável.

    ResponderExcluir
  5. Um detalhe mais que preocupante do relatório da CPT é que o poder público aparece como protagonista em 90 ocorrências de violência registradas mediante ordens de despejo, beneficiando proprietários de terras, ou mesmo grileiros, invadindo terras indígenas históricas...Um novo modelo de desenvolvimento urge ser criado e implantado no Brasil, para ele vir a ter liderança mundial na sustentabilidade para o que tem todo o potencial. Mas fica a pergunta: haverá essa mudança de rumo?...

    ResponderExcluir
  6. Mande você também a sua informação, comentário ou opinião sobre esta pauta para o e-mail do nosso blog: navepad@netsite.com.br

    ResponderExcluir
  7. "Precisaria inverter as prioridades no Brasil, não a política e sim à cidadania, não tanto ao país e mais ao povo, a Nação, os índios também, não tanto só pela economia, mas para a ecologia": foi a msm que nos enviou nosso editor Padinha. Comente vc tb esta pauta, mande o e-mail para navepad@netsite.com.br

    ResponderExcluir

Translation

translation