quarta-feira, 25 de junho de 2014

AO CONTRÁRIO DE NEYMAR 80% DOS JOGADORES DO BRASIL GANHAM MENOS DE DOIS SALÁRIOS MÍNIMOS

Outra minoria: quase não há jogadores índios registrados na CBF como o Paulinho da Seleção, que é descendente dos Xucurús, da Serra de Ororubá, no nordeste do Brasil

A seleção verde-amarela, começando a conquistar o Brasil e a reconquistar o mundo nessa Copa de 2014 da Fifa por aqui no país do futebol, motivou fotos e reportagens de Mariana Ceratti, no site internacional do Banco Mundial, por representar a ponta mais visível de um esporte tão desigual quanto a população brasileira na sua realidade socioeconômica e cultural. Também, o site brasileiro Uol realizou matéria bem interessante sobre as origens indígenas de José Paulo Bezerra Maciel Filho, o volante Paulinho, da atual Seleção. Na reportagem do portal do worldbank  se compara o status de Neymar com o perfil da maioria dos jogadores de futebol aqui no país da bola e agora da Copa do Mundo da Fifa: 8 em cada 10 jogadores sobrevivem com menos de 1.460 reais em média, por mês, é a informação sendo divulgada em vários países. "É um outro lado positivo da grande exposição de mídia por causa da Copa, todo mundo, os brasileiros também, começam a investigar ou a debater a nossa realidade no futebol e na vida, isso pode levar a mudanças e avanços, aqui e em todo lugar, a informação sempre ajuda a evoluir", comenta por aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News o nosso editor, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha. A elite da bola é jovem e globalizada: 17 dos 23 atletas da Seleção Brasileira estão disputando o torneio pela primeira vez e 18 jogam fora do país. A equipe também tem o maior valor de mercado de todas as participantes do torneio (1,6 bilhão de reais ou 703 milhões de dólares, segundo dados da consultoria Pluri). Por tudo isso, histórias como as Neymar Jr. e Daniel Alves – entre outros que nasceram pobres e enriqueceram jogando bola – inspiram milhares de meninos a trilhar o mesmo caminho. Mas aí há um problema. “Para quem tem talento e sorte, o futebol certamente é um caminho para fugir da pobreza. Só que apenas uma minoria da minoria consegue”, avalia o jornalista esportivo colombiano Luis Fernando Restrepo, ex-BBC, atualmente na DirecTV.  No Brasil, uma minoria de "grandes jogadores" – que ganha mais de 20 salários mínimos mensais, ou 6.380 dólares– soma exatos 2% dentre os quase 31.000 jogadores hoje registrados pela Confederação Brasileira de Futebol, CBF. E, a 82%, cabe um rendimento mensal de no máximo dois salários mínimos. Por outro lado, no resto da sociedade, a proporção de pessoas com menos de dois salários mínimos é de 68%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “A renda do brasileiro em geral ainda é baixa. Mas, no caso dos jogadores de futebol, chama a atenção o fato de ela ser ainda menor”, comenta Cláudia Baddini, especialista em proteção social no Banco Mundial.

Neymar brilha que nem ouro e as aparências do futebol iludem a garotada boleira
 

 Outra minoria na terra do futebol são os jogadores indígenas

Alguns na atual Seleção Brasileira têm traços caiçaras ou de ascendência indígena ou miscigenada com parentes índios, negros ou europeus, como Neymar, Daniel Alves, Hulk, entre outros citados em matérias fora do Brasil. Mas Paulinho é o caso mais explícito. Ainda agora recentemente, os índios Xucurus, que sobrevivem no município de Pesqueira (PE), vivendo na Serra de Ororubá, um dos últimos rincões indígenas de Pernambuco, fizeram um ritual de Toré (uma dança mágica e ancestral na tribo) para mandar energias para o segundo volante Paulinho, filho de Jose Paulo Bezerra, índio Xucurú, que foi visitar o jogador em Recife, quando o jogador à época ainda no Corinthians, foi atuar lá diante do Náutico. Os índios de Ororubá também sugeriram agora, depois de ouvir pelos rádios de pilha (não têm televisão) que Paulinho não estava bem no jogo contra Camarões, que ele deveria comer mais memengo. Cá entre nós, mais feijão. "Paulinho, que chegou a ter entre boleiros o apelido de Boliviano, por causa de suas feições, ainda não assumiu publicamente a sua condição de indígena, deveria fazer isso, só vai aumentar o seu sucesso na Europa", comenta ainda aqui no blog da ecologia nosso editor Padinha. Ele lembra que o grande Garrincha bicampeão mundial e um dos maiores ídolos do futebol mundial foi o primeiro craque brasileiro assumidamente índio, depois que isso foi divulgado no livro "Estrela Solitária", de Ruy Castro, ainda em 1995. Nos registros atuais da CBF, segundo levantamentos feitos pelo Banco Mundial nos últimos 10 anos, só 20 entre os mais de 30 mil atletas de futebol brasileiro são registrados como indígena. Minoria da minoria da minoria, apesar de os índios serem os pais do nosso país.

Neymar capa de revista na Europa é o ícone do futebol do Brasil


Paulinho é descendente direto dos Xucurus, Hulk mestiço de índio e caboclo

O povo da Serra de Orurubá numa festa dos índios Xucurús em Pesqueira (PE)
 


O ídolo nacional e mundial da arte da bola Garrinha assumiu ser indígena


Fontes: http://www.worlbank.org
             www.uol.com.br
             www.folhaverdenews.com


 

7 comentários:

  1. Uma das fotos ilustrando hoje este post aqui em nosso blog mostra o Neymar Júnior brilhando que nem ouro, esta imagem dourada (que estará também nas chuteiras do jogador agora na 2ª fase da Copa) é bem a imagem que a garotada tem deste cara, exceção no mundo da bola.

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  2. A regra geral é bem outra, desde criança os adolescentes ralam para conseguir um espaço no mercado profissional dificílimo da bola, ainda mais nestes tempos de futebol businees, como detalha esta postagem.

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  3. Nosso editor Padinha tem ligações com alguns jogadores do Corinthians e ficou sabendo por eles que esse assunto de filiação é delicado para Paulinho: realmente, ele assume que seu pai biológico é José Paulo Bezerra, da aldeia Xucurú, porém ele foi criado por um padrasto (Maciel) que o criou e a quem respeita muito, devido a isso, tem sido muito discreto quando fala sobre seus pais.

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  4. Porém, Paulinho sabe de suas origens indígenas e se orgulha do povo Xucurú, soube pelo site Uol que na aldeia fizeram um ritual de Toré (uma dança mágica) para energiza-lo e fiqcou agradecido pelo apoio e carinho.

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  5. Soube também que as lideranças Xucurus não quiseram dar entrevistas nem em sites nem nas TVs sobre a origem indígena de Paulinho porque estariam "torcendo contra" a Seleção, a CBF e o Brasil por conta da violência que vem acontecendo com os índios no país. Isso atrapalhs um aprofundamento deste tema neste momento, mas em outra ocasião, Paulinho poderá levantar melhor a bola de sua origem indígena, ajudando assim também um avanço do seu povo nativo, um dos pais do nosso país.

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  6. Mande a sua opinião sobre os dois pontos desta pauta diferente sobre os bastidores da Copa, enviando a sua msm para o e-mail do nosso blog: navepad@netsite.com.br

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  7. "Estou curtindo este outro lado da Copa nessas postagens aqui nesse blog, acho que a mídia deveria fazer mais coisas assim": A gente agradece a identificação e o apoio do Renato, estudante de Direito da São Francisco em São Paulo. Ele acredita que o nacionalismo nessa Copa pode ajudar o movimento de cidadania depois, nas Eleições, que ele considera "o acontecimento do ano no Brasil".

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