quarta-feira, 11 de junho de 2014

ATÉ A ONU (UNICEF) E O BANCO MUNDIAL ALERTAM CRIANÇAS E ADOLESCENTES SOBRE AS DIFICULDADES DO MERCADO DA BOLA

Aqueles que não se chamam Neymar...80% dos jogadores brasileiros ganham menos de 1.460 reais por mês e esta questão foi também levantada no Bom Senso FC movimento dos atletas profissionais do futebol que vem sendo bombardeado pela CBF e pela Fifa 

Histórias como as Neymar Jr. e Daniel Alves – entre outros que nasceram pobres e enriqueceram jogando bola – inspiram milhares de meninos, comenta o site da ONU, que divulga também um alerta do Banco Mundial. “A renda do brasileiro em geral ainda é baixa. Mas, no caso dos jogadores de futebol, chama a atenção o fato de ela ser ainda menor”, afirma Claúdia Baddini, especialista que debate este problema. Nós aqui do blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News, que estamos enfocando a Copa do Mundo no Brasil por ângulos diferentes da mídia tradicional, mostrando outros desafios da realidade por ocasião do Mundial agora, "com a expectativa ou no mínimo, a esperança, de que a exposição nacional e internacional da mídia termine por estimular mudanças e avanços nesta situação também por aqui no país da bola", diz aqui o nosso editor Padinha.

 
Um enfoque mais real do sonho do futebol para a garotada brasileira...

A Seleção Brasileira estréia amanhã pela Copa do Mundo 2014 na Arena Corinthians (que era antes o antigo Terrão, onde treinavam garotos sonhando em virar jogadores profissionais, alguns deles, na verdade, uma grande minoria, conseguiram, como Willian e Jô, hoje reservas do selecionado de Felipão): no estádio Padrão Fifa ali na zona leste de São Paulo em Itaquera, ergue-se uma das 12 arenas construídas no Brasil especial para o Mundial agora: "São estruturas que parecem até aumentar o sonho das crianças e dos adolescentes em relação ao mercado potencialmente milionário do futebol mas é bom que a garotada sonhe mas com a informação de que a realidade é um pouco menos feliz do que mostram estes estádios espetaculares, em contraste com o dia a dia da educação, da saúde, do transporte e da condição de vida da maioria dos brasileiros e brasileiras", comenta o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha, ao editar esta postagem da ONU aqui no nosso blog. Confira que a boa matéria que nos foi enviada por e-mai pela Unic (assessoria de comunicação das Nações Unidas) que tem como um dos principais enfoques que o jogo nessa quinta do Brasil contra a Croácia representa a ponta mais visível de um esporte tão desigual quanto a própria sociedade brasileira. A elite da bola é jovem e globalizada: 17 dos 23 jogadores convocados estão disputando o torneio pela primeira vez e 18 jogam fora do país. A equipe brasileira é a que tem o maior valor de mercado de todas as participantes do torneio – 1,6 milhão de reais ou 703 milhões de dólares, segundo dados da consultoria Pluri. Por tudo isso, histórias como as Neymar Jr. e Daniel Alves – entre outros que nasceram pobres e enriqueceram jogando bola – inspiram milhares de meninos a trilhar o mesmo caminho. Mas aí há um problema, avalia o jornalista colombiano Luís Fernando Restrepo, ex-BBC, atualmente trabalhando na DirecTV.: "Para quem tem talento e sorte, o futebol certamente é um caminho para fugir da pobreza, só que apenas uma minoria consegue”. No Brasil, os jogadores de grandes clubes (a tal minoria) – que ganha mais de 20 salários mínimos mensais, ou 6.380 dólares – soma exatos 2% dos quase 31 mil jogadores registrados pela Confederação Brasileira de Futebol, a CBF, em 2012. Para a maioria do jogadores no país do futebol, para 82% deles, segundo este levantamento, cabe um rendimento mensal de no máximo dois salários mínimos. Por outro lado, no resto da sociedade, a proporção de pessoas com menos de dois salários mínimos é de 68%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): “A renda do brasileiro em geral é ainda  baixa do que no caso geral do futebol, que com todos erros estruturais do país e da CBF, continua mesmo assim, sendo uma alternativa de mercado de trabalho. Este tipo de problema e de contradição que levou a especialista em proteção social no Banco Mundial, Cláudia Baddini a realizar este estudo. Os jogadores também têm mais dificuldade de fazer valer seus direitos trabalhistas. Um deles é o seguro-desemprego, algo extremamente necessário para a categoria: cerca de 80% dos jogadores brasileiros ficam parados durante pelo menos seis meses por ano, depois que os campeonatos estaduais acabam. O dado é do Bom Senso Futebol Clube – entidade ou movimento de jogadores que se dedica a dar mais transparência ao esporte e melhorar as próprias condições de trabalho: “Com tal calendário, muitos jogadores assinam contratos curtos. Quando eles terminam, os atletas estão na rua e sem seguro-desemprego”, conta o ex-goleiro Rinaldo Martorelli, hoje advogado e presidente da Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf), ligada ao FIFPro, sindicato global dos esportistas da bola. O seguro só é dado a quem foi demitido sem justa causa, não a um profissional cujo período de trabalho simplesmente acabou, explica ele, um dos raros jogadores que tiveram sucesso na passagem dos campos para uma carreira mais duradoura. Como fazer essa transição, por sinal, é um dos muitos temas que ficam esquecidos na formação dos atletas. No Brasil – e especificamente em São Paulo –, muitos clubes têm convênios com escolas. Por meio deles, o jogador só consegue entrar em campo se estiver com o boletim em dia. “O problema é que, com a rotina de treinos necessária para se profissionalizar, dificilmente os atletas conseguem prestar atenção às aulas. Para não atrapalhar a carreira dos meninos, as escolas acabam aprovando-os sem que os alunos saibam interpretar um texto ou fazer uma conta corretamente”, critica Martorelli. Tão ruim quanto terminar a escola sem realmente ter aprendido é ficar sem usufruir das oportunidades de estudo disponíveis hoje para os jovens de baixa renda. “Há programas do governo que dão acesso a cursos profissionalizantes e a bolsas parciais ou integrais em universidades. Não sabemos se os atletas conhecem ou têm como usufruir dessas alternativas”, diz ainda Cláudia Baddini. “Os clubes e as escolinhas formam o esportista em si, não uma pessoa integral. É importante insistir mais no tema da educação”, analisa o jornalista colombiano Luis Fernando Restrepo. Diversos temas sociais tornaram-se mais visíveis a partir do momento em que uma das sociedades mais desiguais do mundo conquistou o direito de sediar a Copa. Merecem atenção, em particular, as necessidades de quem decidiu adotar o esporte como meio de vida. O desafio do Brasil é não se esquecer dessas pendências uma vez que o torneio acabe, conclui a pesquisa do Banco Mundial. "Temos colocado direto aqui na nosso blog Folha Verde News, em vários posts cobre a Copa do Mundo agora, que o Brasil precisa vencer os desafios dentro de campo e também, fora dele, nas periferias e na realidade do país carente de mudanças, para que este evento mundial da Fifa se transforme num marco da história brasileira contemporânea.
 
A Copa da Fifa e da CBF entusiasma e desperta a garotada para o futebol

Muito poucas meninas conseguem se profissionalizar como Mariana (do São José FC)
 
O Brasil vencerá a Copa só se vencer desafios de cidadania também
 
Só uma nova estrutura do futebol no país da bola dará mais chances aos sonhos da garotada
 
 
                              www.folhaverdenews.com
             

6 comentários:

  1. Uma pauta meio óbvia mas complexa ao mesmo tempo, a questão do sonho e da realidade do futebol no Brasil, em especial sob o enfoque da garotada que quer ser um novo Neymar da vida...

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  2. Com liberdade de informação, esta matéria distribuída pela Unic da ONU nos dá a chance aqui no blog da ecologia e da cidadania de levar adiante este debate, que já havíamos iniciado aqui, quando os jogadores brasileiros lançaram o Bom Senso FC, sob a liderança de Paulo André (que acabou indo embora para a China, dizem que para neutralizar o movimento).

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  3. Estas informações e dados com certeza ampliam o debate e a possibilidade de mais matérias investigativas e críticas sobre o sonho e a realidade do futebol no país da bola e da Copa.

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  4. Mande vc tb a sua mensagem ou opinião e comentário sobre esta pauta de hoje, enviando o e-mail para navepad@netsite.com.br

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  5. "Creio estar havendo uma espécie de congestionamento em alguns sites e setores da Internet no Brasil por causa da dimensão que tem a Copa do Mundo, digo isso, por causa de dificuldades de acessar o Facebook, onde vejo sempre chamadas para as postagens deste blog aqui: espero que este blog não tenha problemas e continue no ar porque as matérias estão entre as melhores que tenho acessado nestes dias por aqui no Brasil. Isso se repete agora neste post positivo debatendo a realidade do futebol para a garotada": esta é a mensagem muito interessante que recebemos em nosso e-mail e enviada por José Santos Pereira, ex-atleta, hoje atuando no mercado financeiro em São Paulo (SP).

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  6. "Levei um susto com a imagem da Presidenta Dilma com a taça do Hexa, mas a legenda foi du caramba e esclareceu, realmente, o Brasil só ganha a Copa do mundo se vencer o desafio da cidadania, se houver avanços e mudanças no país. Parabéns pelo enfoque": é a mensagem que nos mandou por e-mail Patrícia Soares, radialista de Vitória (ES). mande vc tb a sua msm para a gente aqui no blog da ecologia e da cidadania: navepad@netsite.com.br

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