sábado, 26 de julho de 2014

CIENTISTAS E ECOLOGISTAS ALERTAM SOBRE IMPACTOS AMBIENTAIS DA MINERAÇÃO NO MAR

No Brasil a próxima fronteira da mineração é o fundo do mar

Desde já a exploração de recursos minerais oceânicos não é vista com bons por grupos de defesa do meio ambiente, apoiados também por cientistas que alegam que a exploração pode trazer prejuízos para ecossistemas marinhos, bem como, para a busca do equilíbrio ecológico fundamental para existir chance de futuro na vida no país. Um protocolo para minimizar o impacto ambiental ainda está sendo estudado. "O desafio que se apresenta é se os pesquisadores conseguirão extrair os minerais do fundo do Oceano Atlântico sem destruir a ecologia marítima de vez, temos que considerar que já existem outros problemas, como a poluição que chega pelos rios que desaguam no mar e por programas de exploração econômica tipo pré-sal", comenta por aqui no Folha Verde News o nosso editor Antônio de Pádua Padinha, repórter e ecologista, resumindo informações que captou em sites como BBC, EcoDebate e Terra, postando aqui no blog comentários de especialistas como do  biólogo marinho Jon Copley, da Universidade de Southampton: ele vem monitorando a mineração nas chamadas dorsais oceânicas, nome dado às cadeias de montanhas submersas que se originam do afastamento de placas tectônicas.  “Cerca de 6.000km de dorsais oceânicas, ou 7,5% do total, são exploradas hoje por seu potencial mineral”, afirma Copley. “Essas dorsais são um dos três locais do fundo do oceano em que há depósitos minerais que cada vez mais atraem o interesse de países e empresas. Mas também vivem nestes locais colônias de espécies que não são encontradas em outras partes do oceano e podem ser suscetíveis a impactos ambientais gerados pela mineração". Já representantes do serviço geológico brasileiro, a CPRM, diz que isso será levado em conta no caso brasileiro, a responsável brasileira pela mineração afirma que fará um estudo de impacto ambiental junto com o de potencial econômico, ponderando os riscos e os ganhos, comentando ainda que esta ponderação fez com que o pedido à ONU para exploração submarina tenha sido muito elogiado, na aprovação preliminar. Estas são também informações de uma grande reportagem de David Shukman, editor de ciência da BBC News e Rafael Barifouse, repórter desta mesma empresa de comunicação aqui no Brasil. De toda forma, mesmo com todos os alertas e ponderações, é polêmica no portal de assuntos socioambientais EcoDebate um fato que nos preocupa, a informação que nosso país foi autorizado por um braço da ONU a explorar recursos minerais em águas internacionais do Oceano Atlântico, levantando tanto potenciais vantagens para a economia quanto preocupações ambientais. Essa mineração submarina é considerada uma nova fronteira na busca por metais preciosos, como manganês, cobre e ouro, que se tornaram essenciais na economia mundial moderna. A permissão foi concedida pela Autoridade Internacional de Fundos Marinhos (Isba), órgão vinculado à Organização das Nações Unidas e confere ao Brasil o direito de atuar por 15 anos em uma área de 3 mil quilômetros quadrados na região do Atlântico conhecida como Elevação do Rio Grande, localizada a cerca de 1,5 mil km da costa do Rio de Janeiro no litoral sudeste brasileiro. O pedido foi feito em dezembro pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) em nome do Ministério de Minas e Energia, depois do investimento de R$ 90 milhões ao longo de quatro anos de estudos sobre o potencial geológico desta área.  Estão liberados os estudos das chamadas crostas ferromanganesíferas ricas em cobalto em projetos de mineração submarina. Segundo o CPRM, esses depósitos foram identificados como os de maior potencial econômico e estratégico do mundo em levantamentos realizados em expedições a essa região. “Nestes 15 anos, mapearemos o que existe lá e avaliaremos seu potencial econômico. Depois, podemos entrar com um novo pedido para explorar economicamente”, afirmou Roberto Ventura Santos, diretor de geologia e recursos minerais deste serviço: “As possibilidades são interessantes, porque é uma região rica em elementos químicos usados na indústria, especialmente nas de alta de tecnologia, na produção de chips, por exemplo". Falou que estes minerais serão importantes na produção de peças de usinas eólicas e carros elétricos: "Falou nisso para atenuar a reação contrária dos ambientalistas à mineração oceânica?", questiona o editor do nosso blog Padinha. A CPRM afirma ainda que neste processo o Brasil ampliará seu conhecimento técnico sobre este tipo de mineração submarina, formará profissionais capacitados a trabalhar nesta área e criará tecnologia para tal: “Somos o primeiro país da América Latina a conseguir essa permissão e, assim, entramos no seleto grupo de países que fazem este tipo de exploração, como Japão, Estados Unidos e China”, diz Roberto Ventura Santos. Mas a questão que não pode ser calada é se todos estes eventuais progressos e processos compensam diante dos impactos socioambientais que podem ser causados na ecologia do mar e até mesmo no turismo no litoral brasileiro, bem como, na qualidade de vida no país, um dos que tem maior chance de vida futura na Terra. Nestes 15 anos, o desafio dos cientistas, pesquisadores e ecologistas é encontrar ou indicar um caminho de desenvolvimento sustentável para esta provável exploração, equilibrando as vantagens para a economia com a proteção de nossa última ecologia, a bem do Brasil. "Só se os brasileiros descobrirem uma tecnologia sustentável, a mineração submarina realmente será benéfica para nossa população e para o futuro no planeta", pondera ao final deste post nosso editor Antônio de Pádua Padinha, em nome do bom senso e da vida, como argumenta aqui.  

 
O Brasil precisa aprofundar o debate e as soluções sustentáveis para a exploração dos recursos submarinos


Além do Pré-Sal já havia também a preocupação com a exploração do gás de Xisto e...


...agora está em questão o programa de mineração oceânica....
 
...em meio a todo um contexto de problemas socioambientais hoje...

...vale a pena a exploração nesse momento das riquezas minerais submarinas do Brasil?

Fontes: BBC
             www.ecodebate.com.br
             www.terra.com.br

9 comentários:

  1. O tom desta postagem é de alerta sobre os riscos da exploração mineral submarina, neste processo de estudos do projeto, que deve ser feito em mais de uma década, é urgente definir se existe ou não uma forma sustentável e ecológica de fazer esta exploração econômica.

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  2. Da mesma forma e com a mesma intensidade com que estão sendo financiados os estudos e as prospecções deste projeto econômico, é fundamental que sejam incentivadas e financiadas as universidades brasileiras para que os pesquisadores venham eventualmente ter a chances de encontrar a sustentabilidade neste projeto, que assim seria 100% viável, o que não é, neste momento.

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  3. Realmente, a corrida por mineração no fundo do mar gera polemica e muita preocupação entre cientistas e ecologistas. As perspectivas de uma "corrida do ouro" nas profundezas do mar, abrindo um polêmico caminho para a mineração no leito oceânico, estão agora mais próximas do que a estrutura brasileira para executá-la.

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  4. A ONU recém-publicou seu primeiro plano para o gerenciamento da extração dos chamados "nódulos" - pequenas rochas ricas em minerais - do fundo do mar. Um estudo técnico promovido pela Autoridade Internacional do Leito Oceânico (ISA, na sigla em inglês), o órgão da ONU que controla a mineração nos oceanos, diz que as companhias interessadas podem pedir licenças a partir de 2016. A ideia de explorar ouro, cobre, manganês, cobalto e outros metais do leito oceânico foi considerada por décadas, mas só recentemente se tornou factível, por conta do alto preço das commodities e de tecnologias mais modernas.
    Especialistas em proteção ambiental vêm advertindo há tempos que a mineração no leito oceânico pode ser altamente destrutiva e poderia ter consequências de longo prazo desastrosas para a vida marinha. O próprio estudo da ONU reconhece que a mineração provocará "danos ambientais inevitáveis para a atual tecnologia".

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  5. Nosso desafio é buscar uma nova tecnologia capaz de tornar sustentável e ecológica esta nova fronteira de exploração dos recursos da natureza do Brasil, agora, até no fundo do mar, "onde está a alma da nossa Nação", fala em tom poético em sua advertência o ecologista Padinha, que edita esta blog.

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  6. Mande vc tb a sua opinião, comentário ou mensagem para o e-mail do nosso blog de ecologia e de cidadania, o endereço da nossa web redação é: navepad@netsite.com.br

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  7. "Além do incentivo à pesquisa e do financiamento das universidades brasileiras para esta nova fronteira de exploração e desafios, creio que deveria ser feito aberta e publicamente um debate com a população, com a participação por exemplo de pesquisadores como os que são ligados ao IPT da USP ou ao centro tecnológico da federal de São Carlos, todos precisam ser alertados e acionados neste processo destes próximos 15 anos": é o que comenta aqui o geólogo italiano Manoel Bianchi, de passagem pelo Brasil e por Franca (SP).

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  8. "Pelo valor para a cidadania, para a economia e para a ecologia este tema deveria ter mais espaço na mídia": é em resumo a opinião de José Almeida, engenheiro agrônomo que fez uma especialização na Unesp em geologia. Envie sua mensagem para navepad@netsite.com.br

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  9. Um dos comentários hoje no Facebook sobre esta postagem. Nosso desafio é cobrar agora do país recursos para a pesquisa de uma nova tecnologia capaz de tornar sustentável e ecológica esta nova fronteira de exploração dos recursos da natureza do Brasil, no fundo do mar pode estar o equilíbrio e o futuro da nossa vida.

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