quarta-feira, 20 de agosto de 2014

2014 JÁ É UM ANO PERDIDO E A SAFRA DO CAFÉ 2015 SERÁ PIOR AINDA

Setor cafeeiro do Brasil vive graves danos em 2014: eles serão maiores ainda na safra 2015

 
Já em março deste ano as jornalistas Alexa Salomão e Márica de Chiara faziam projeções pessimistas no jornal O Estado de São Paulo, que se confirmaram agora em agosto. Com este conteúdo, aqui no blog Folha Verde News apresentamos um resumo de informações postadas nos sites Ambiente Brasil, Noticias Agrícolas, UDOP e G1. O estrago que a seca agora do Centro-Sul provoca em lavouras permanentes, como a do café, da cana, da laranja, deve ir além desta safra. No caso do café, a falta de chuvas derruba as folhas que vão gerar os frutos da safra de 2015. A falta de chuvas nas áreas produtoras do sul de Minas Gerais e na região Mogiana Paulista deve levar à perda de rendimento e à má formação do fruto. "Os efeitos da seca são variados. Em algumas regiões, a perda é de 15%, no cerrado mineiro oscila entre 20% e 25%", afirma o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria do Café, Nathan Herszkowicz. Ele calcula que as perdas devem atingir entre 5 milhões e 6 milhões de sacas da safra, inicialmente estimada entre 46,5 milhões e 51 milhões de sacas. Com isso, pode ocorrer queda de R$ 2,280 bilhões na receita. Já Silas Brasileiro, presidente do Conselho Nacional do Café, crê que o maior estrago deve ocorrer em 2015: redução de 7 milhões a 8 milhões de sacas. "Por aqui entre o nordeste paulista e sudoeste mineiro, o café da Alta Mogiana, considerado um dos melhores do mundo, não escapa deste contexto de crise do clima e deste setor, o mesmo se pode dizer do subsetor café orgânico: outro ponto de discussão são os preços para o consumidor e a questão da exportação, num segundo post estaremos detalhando mais informações, aqui" comenta o editor do nosso blog Folha Verde News, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha, que já está pautando ouvir sobre tudo isso Maurício Miarelli, engenheiro agrônomo e presidente da Cocapec. "Normalmente nosso tema é ecologia ou cidadania, mas vamos discutir a questão do Café, também como um efeito colateral da crise ambiental e climática", explica Padinha.
“A próxima safra vai acabar muito seriamente comprometida”, diz o professor José Donizete Alves, especialista em café da Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais, apontando para um ramo atrofiado e com um fungo atípico. Ele estima que o Brasil produzirá entre 24 milhões e 27 milhões de sacas de café arábica em 2015 e que a florada possa ocorrer várias vezes nesta temporada, impedindo a realização da colheita de uma só vez no próximo ano. A florada fragmentada e também as previsões pessimistas poderiam reacender as preocupações que dois meses de calor extremo representaram para a produção de grãos arábica de alta qualidade no Brasil deste ano, potencialmente aumentando ainda mais os preços, prejudicando os lucros dos pequenos agricultores e forçando torrefadores a buscar novas fontes ou a contar com o café robusta, de menor qualidade. A safra de café arábica brasileiro não cai abaixo de 24 milhões de sacas desde 2005. O Governo previu uma safra de 32 milhões de sacas de arábica em 2014, em maio, ante 38 milhões de sacas em 2013. Uma safra ruim em 2015 ocorreria em um momento de oferta baixa no maior produtor global. O Centro do Comércio do Café do Estado de Minas Gerais alertou na semana passada que os estoques de passagem do Brasil estão se esgotando. Luiz Reis, agrônomo da empresa de assistência técnica do governo, a Emater, em Varginha, chamou a florada em agosto de “altamente prejudicial”, devido à probabilidade de que as flores caiam em vez de produzir frutos. Qualquer grão de café que vingue provavelmente será desperdiçado diante da inviabilidade econômica de colher uma quantidade tão limitada de grãos fora da temporada. “A florada está antecipada e esse café vai chegar muito cedo, café verde, café cereja e café seco”, confirmou Carlos Paulino, presidente da maior cooperativa do Brasil, a Cooxupé. Tanto as cooperativas como os pesquisadores falaram de cafezais em plena floração em Boa Esperança e Campos Gerais, municípios do sul mineiro, região que produz um quarto de café do Brasil, bem como na região denominada Cerrado. Para o agrônomo Antonio Wander, de um grupo local de pesquisadores, "a florada precoce é apenas o começo dos problemas para a safra 2015 porque as plantas sofreram mudanças fisiológicas por causa da falta de água". As árvores estão neste tempo desenvolvendo apenas 8 a 10 internódios, que seguram as cerejas em seus galhos, disse ele, quando deveriam desenvolver cerca de 15 por ano. Além disso, os produtores não aplicaram os fungicidas e fertilizantes mais cedo no ano, disse Reis, da Emater, porque eles estavam esperando as chuvas que nunca vieram para aplicar os tratamentos. Agora, as folhas estão manchadas com pontos escuros do fungo da ferrugem, o que normalmente é apenas uma preocupação em março. Viajando entre centros produtores de Minas Gerais, desde Varginha a Três Pontas, entre 11 e 14 de agosto, repórteres da agência de notícias Reuters também viram campos cheio de árvores sem folhas, um sinal de que muitos produtores estão optando pela poda das plantas para economizar custos em vez de colher uma pequena safra em 2015. O impacto da seca não foi uniforme no país ou mesmo em Minas Gerais. A estiagem poupou amplamente a safra de robusta, café de menor qualidade cultivado sobretudo no Espírito Santo. Mas o Conselho Nacional de Café do Brasil já alertou que a safra total de 2015 pode vir abaixo de 40 milhões de sacas. O pior está por vir no país do Café.

No mapa brasileiro do Café nenhuma das regiões produtoras escapa da crise do clima agora...



...nem mesmo o nordeste paulista onde estão localizados alguns dos melhores cafezais do país

Fontes: Reuters
             G1
             www.ambientebrasil.com.br
             www.noticiasagricolas.com.br
             www.udop.com.br
              www.folhaverdenews.com


 

8 comentários:

  1. A falta de chuva, a seca é apenas o começo dos problemas do Café do Brasil para a safra 2015...

    ResponderExcluir
  2. Este resumo de informações dá bem a medida da atual crise do setor cafeeiro, desde já, a gente argumenta que na base dos problemas está a falta de água e para solucionar esta questão, só mesmo uma gestão publica de desenvolvimento sustentável.

    ResponderExcluir
  3. E assim como as perspectivas do setor cafeeiro para 2015 são ruins, as dos cientistas e ecologistas que lutam por um desenvolvimento sustentável no Brasil são piores ainda, não existe a sustentabilidade por aqui, o equilíbrio fundamental entre os interesses econômico e ecológico.

    ResponderExcluir
  4. Diante deste raio X a gente conclui que o Brasil dos próximos anos não depende só das eleições de agora, mas em especial das chuvas, da questão hídrica e da implantação do desenvolvimento sustentável, ou seja, é longo e árduo o caminho do nosso futuro.

    ResponderExcluir
  5. Coloque aqui também a sua opinião, informação, comentário, mandando a sua mensagem pro e-mail do nosso blog: navepad@netsite.com.br

    ResponderExcluir
  6. "O estrago da seca é muito grande no café, em toda economia e ecologia do país, pior que a falta de água está ligada a este problema mais profundo, não existir uma gestão política de desenvolvimento sustentável, capaz de planejar e criar outra realidade, acho que os programas eleitorais deveriam discutir mais estas coisas": esta é a opinião do técnico agrícola, José Albano, que se dedica ao mercado de laranja e de frutas em Bebedouro (SP).

    ResponderExcluir
  7. "Realmente, a falta de uma gestão pública mais do que São Pedro reponde por esta situação, que afeta o café, a cana, a laranja, toda economia e ecologia do país, no campo e nas cidades": é a msm que nos envia Valdirene Moreira, de São Paulo e da USP, que diz ter encontrado este blog numa chamada no Facebook.

    ResponderExcluir
  8. "A gente assiste o Horário Eleitoral e lá parece que estamos num outro país, lá ninguém falou dos problemas da seca, do Café, da Cana, da Laranja, da poeira em suspensão no ar espalhando doenças na população, ninguém discutiu uma solução sustentável para esse drama nordestino que já tomou conta também do sudeste do Brasil": este é um resumo do comentário que nos faz João Luís, de Belo Horizonte (MG), que estuda lá Jornalismo na PUC.

    ResponderExcluir

Translation

translation