quinta-feira, 21 de agosto de 2014

NÃO SÓ PROBLEMAS DO CLIMA PREJUDICAM CAFÉ DO BRASIL COM MUITOS CONCORRENTES NO MERCADO MUNDIAL

CNC critica lentidão na tomada de medidas governamentais na proteção dos cafeicultores

Ontem, postamos aqui um resumo de informações, dimensionando os estragos da seca ou da falta de chuvas regulares e desequilíbrio do clima nas regiões brasileiras que produzem café. Na sequência, poderemos mostrar essa questão como está na Alta Mogiana, nordeste paulista e sudoeste mineiro, zonas produtoras que ficam em torno de Franca (SP), tradicionalmente considerada como a terra do café, pela qualidade tipo exportação dos grãos dos seus cafezais. Agora, aqui com base em notícias, dados e comentários do Conselho Nacional do Café (CNC), em sites como o Café Point, aqui, mais informações no blog Folha Verde News. Nesta semana, através do próprio CNC foi destacado um relatório que ressalta o comprometimento da produção brasileira deste produto nas temporadas 2014/15 e 2015/16 pelo veranico do início do ano, estimando que a quebra da atual safra poderá atingir mais de 25%, agora a situação está mais grave com a falta de chuvas regulares e a seca que vem afetando toda a vida e economia do centro e do sudeste do país. O que se comenta é que embora o  disponha de café em níveis suficientes para honrar seus compromissos internacionais, as menores quantidades a serem colhidas resultarão na convergência entre as curvas de oferta e demanda mundiais, o que por outro lado pode estimular uma recuperação dos preços. Pesquisa realizada pela Agência Bloomberg junto a nove traders e analistas de mercado é um alerta, indica potencial de crescimento de 8,7% na safra vietnamita de café em 2014/15, para 31,17 milhões de sacas de 60 kg. A entrada em produção de áreas renovadas com cultivares mais resistentes a condições climáticas desfavoráveis e mais produtivas contribui para esse resultado. A pesquisa também mostra que a produtividade do café no Vietnã deverá passar de 44 para 47 sacas/ha, enquanto o crescimento da área cultivada é estimado em 10%, atingindo 660 mil hectares. Com certeza, a força do café brasileiro está na quantidade mas também na qualidade brasileira, mais na variedade arábica do que na conilon, porém, as condições adversas do clima estão afetando o produto e esta imagem mundial.

A florada precoce é um dos problemas para a safra 2015 do café brasileiro com chuvas irregulares em 2014

Há 72 países produzindo café  num mercado cada vez mais competitivo e qualificado

Além de preços mais competitivos, hoje os consumidores do chamado 1º Mundo buscam produtos que possuam características tais como bebida e aroma específicos e que agreguem em si os conceitos de ecologicamente corretos ou orgânicos e de "fair trade". Outro alerta está na informação do Cepea: a significativa queda da produtividade observada na atual safra resultará em baixa rentabilidade da produção do café em Minas Gerais, São Paulo, Paraná com tendência de piores resultados financeiros onde não há uso de irrigação e nem mecanização, algo que se verifica também no nordeste paulista e sudoeste mineiro, regiões em torno de Franca, a tradicional terra do café. Como os graves efeitos do veranico do início deste ano também se estenderão até a temporada 2015/16, a situação de fluxo de caixa dos produtores pode piorar. O café é fundamental para a economia e política de muitos países além do Brasil. Para muitos países com desenvolvimento mínimo, a exportação de café chega a contribuir com até 70% das divisas. Isso demonstra o quão importante é a atividade cafeeira no processo de estruturação das economias dos países produtores, a ponto de alguns deles poderem entrar em colapso, no caso de um grave desequilíbrio no mercado, como o caso da baixa permanente de preços, por exemplo, frente a um eventual excesso de oferta. Mesmo ainda sendo considerado uma commodity, o café vem ganhando status de speciality no mercado internacional, em razão das exigências cada vez maiores dos consumidores. Os países produtores, nesse contexto, correm contra o relógio a fim de manterem competitivos, principalmente em tempos de excesso de oferta ou de seca ou de geada. Ainda conforme dados da Organização Internacional do Café, existem cerca de 72 países produtores do grão no mundo. Essa multiplicidade de produtores, deve-se à extensa faixa apta à produção do cafeeiro, graças à sua versatilidade. A região apta estende-se dos Trópicos de Câncer e de Capricórnio, ultrapassando ligeiramente os paralelos 24° em ambos hemisférios. Essa variação das condições climáticas propicia a produção de blends de características peculiares, graças também a estilo diferenciados de tratos culturais. Os principais países produtores concentram-se na América do Sul (Brasil e Colômbia), América Central e Ásia (Vietnã). Apesar de ser o maior produtor mundial de café, e o segundo maior mercado consumidor, o Brasil ainda está longe de alcançar o nível da Itália e Alemanha, maiores exportadores do mundo, quando se trata de café industrializado. A Alemanha é também a maior compradora do café verde (em grãos) brasileiro. Importa o melhor café do mundo, agrega valor ao produto, torrando e moendo os grãos e vende para países da Europa, Ásia, África, América do Norte. A solução deste problema vem-se arrastando a mais de uma década e tem a ver com a falta de uma gestão pública de desenvolvimento sustentável, também neste setor. Também, a falta de sustentabilidade como um programa no planejamento governamental está entre as causas da escassez de chuvas neste ano extremamente seco na regiões cafeicultoras no Brasil. Medidas de proteção, inclusive preventivas em relação a problemas socioambientais, como os desmatamentos, que agravam a crise do clima, e mais, investimentos em toda a cafeicultura brasileira (irrigação, mecanização, produção orgânica, industrialização, design, comercialização) podem criar uma nova estrutura e com certeza trarão retorno aos produtores e ao país, que poderá então ter mais recursos para buscar alternativas sustentáveis e contemporâneas para os problemas brasileiros, que afetam a qualidade de vida da população. Estes argumentos são diariamente debatidos no CNC e também nos cafezais do Brasil, também por aqui nos morros e trumbucas das últimas fazendas de café de Franca, da velha Franca do café, uma economia que ainda sobrevive e resiste ao mar verde das plantações de cana por todo o interior do país. O café sobrevive e resiste na chamada Alta Mogiana graças em especial às condições de sua natureza, como o clima temperado. A crise climática deste ano desmente esta condição básica "e ainda por cima não há uma gestão governamental favorável no setor, que pode avançar muito com um programa sustentável de desenvolvimento, a bem da economia do café e da ecologia desta região, que é a base desta riqueza brasileira", conclui Padinha, aqui no nosso blog.


A previsão do tempo hoje tem sido a prioridade de informação no Brasil...
 
...também nestas regiões em vermelho que são points da produção cafeeira do país
 
Desde o começo deste ano os problemas do clima vem se agravando...

...agora em agosto no sudeste paisagem nordestina de rios secos...

...um contexto que aumenta os desafios da cafeicultura brasileira


Fontes: www.cafepoint.com.br
             http://sindicafe-mg.com.br
             www.folhaverdenews.com

8 comentários:

  1. Agora, na sequência, a gente espera ter um apoio de mais informações na região da Alta Mogiana, onde existe a Cocapec, que congrega a luta de 2070 cafeicultores cooperados e armazena cerca de 1,5 milhão de sacas de café produzidas na região de Franca e de outras 14 cidades do interior paulista e mineiro.

    ResponderExcluir
  2. Nossa proposta neste blog é conseguir ampliar o debate sobre o Café do Brasil, a partir da realidade das regiões produtoras, indo à luta por um desenvolvimento sustentável no setor, capaz até de prever e de atenuar as crises do clima, como a que está ocorrendo agora.

    ResponderExcluir
  3. O Brasil, mesmo sendo ainda o maior produtor do planeta, ainda está longe de alcançar a Itália e Alemanha, maiores exportadores do mundo, quando se trata de café industrializado. A Alemanha é também a maior compradora do café verde (em grãos) brasileiro. Importa o melhor café do mundo, agrega valor ao produto, torrando e moendo os grãos e vende para países da Europa, Ásia, África, América do Norte. O Brasil é que pode e precisa comandar este mercado internacional.

    ResponderExcluir
  4. Nosso enfoque não é defender o interesse desse ou daquele grupo ou cooperativa, dessa ou daquela região de cafeicultores ou de nenhuma marca de café e sim do sistema global desta produção e deste mercado, que poderá com sustentabilidade, equilibrando economia com ecologia, avançar o Brasil no setor e obter recursos para encarar os desafios dos país e os problemas de qualidade de vida da população.

    ResponderExcluir
  5. Nosso foco é defender e preservar a ecologia das regiões cafeeiras e a riqueza do café do Brasil, a bem de toda a Nação: mande você também a sua opinião ou comentário, envie a sua mensagem para o nosso e-mail navepad@netsite.com.br

    ResponderExcluir
  6. "Achei importante quando o texto diz que são "as últimas fazendas de café" resistindo à cana que prevalece por todo o interior, que conta só com a natureza, havendo um desgoverno no setor, a dano dos cafeicultores e da população": esta é a mensagem que nos envia um internauta que assina Pedro, que conta detalhes de como mantém o seu cafezal na região de Ibiraci (MG), próxima à divisa com Franca (SP).

    ResponderExcluir
  7. Estranhamos aqui no blog o fato de alguns dirigentes do CNC e também daqui do interior evitarem dar entrevistas e declarações sobre a realidade cafeeira do Brasil hoje. O silêncio seria omissão diante dos problemas? Ou é uma estratégia de comunicação?...O que há para se esconder?...Fizemos a nossa parte de buscar a informação e comunica-la aqui neste webespaço do movimento ecológico e de cidadania. levando em conta o interesse da população e da nação.

    ResponderExcluir
  8. "Importante d+ este blog, sempre levando pautas de interesse geral, no caso, o café, que pode vir ser vital para a economia brasileira do futuro, desde integrado à ecologia do nosso país": este comentário nos foi enviado por e-mail de Curitiba (Paraná), assinado por El Point, ao que parece nome de empresa e/ou profissional de de comunicação. Agradecemos o elogio e vamos juntos à luta, com paz.

    ResponderExcluir

Translation

translation