sábado, 30 de agosto de 2014

NOSSO BLOG DIVULGA NA ÍNTEGRA NOTA PÚBLICA QUE É UM SOS PELO SÃO FRANCISCO

                                   O RIO SÃO FRANCISCO ESTÁ MORRENDO
 
O Rio São Francisco sofre a pior seca dos últimos 100 anos e o problema não é só falta de chuvas: é o que explica o documento e o movimento hoje aqui no Folha Verde News
 
 
 
"A Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco passa por um momento extremamente grave – a pior seca em 100 anos. E a falta de chuvas não é a única culpada, como querem fazer crer os governantes. A crise hídrica se deve também e principalmente aos múltiplos, crescentes e conflitantes usos de suas águas, matas, solos e subsolos, decorrentes do modelo econômico predatório; agravou-se de tal forma que os danos e riscos aumentam e assustam. A seca deixa este quadro ainda mais evidente. Esta situação, apesar do espanto e comoção, há algum tempo vem sendo denunciada pelas organizações populares e pesquisadores comprometidos com a luta socioambiental e a defesa da vida. As intervenções degradantes na Bacia ao longo dos anos acumularam problemas que hoje “deságuam”, visíveis, no leito do Rio São Francisco. E mesmo assim não vemos os governantes movimentarem-se para enfrentar este desafio. Pelo contrário, anunciam como “crescimento” – nem é mais desenvolvimento – “benéfico” para todos, outros abusivos projetos econômicos, tais como as novas irrigações, transposições hídricas, várias  minerações, minerodutos, monoculturas, agrocombustíveis, parques eólicos, ferrovias, hidrovias etc. As águas hoje  minguadas do São Francisco podem ser notadas ao longo de todo o curso do rio e em afluentes grandes e pequenos, em muitos lugares já como calamidade. As reportagens mostradas pelos meios de comunicação e as imagens postadas nas redes sociais não deixam dúvidas: o Velho Chico apressa-se à morteRibeirinhos, pescadores, vazanteiros e moradores das cidades dizem que nunca presenciaram o Rio com tão baixo volume. Este fato também pode ser verificado nos dados do ONSOperador Nacional do Sistema Elétrico. A barragem de Três Marias estava com 7,88% da sua capacidade de armazenamento no dia 24 de agosto deste ano. Municípios como Pirapora e Jaíba estão com problemas de abastecimento humano, pescadores não encontram mais os cardumes, balsas param sem poder transportar carro e gente, ou têm que dar longas voltas nas “croas”, como são chamados os acúmulos de areia no leito do rio, e em vários locais as pessoas cortam o São Francisco a pé. A baixa vazão favorece a formação de cianobactérias (algas azuis), como já acontece no Rio das Velhas e nos próximos meses de seca aumentará a proliferação. Situações semelhantes ocorrem nas demais regiões, ao longo dos 2.830 km do rio, piorando a qualidade da água quanto mais se aproxima da foz, somando-se às baixas vazões e ao assoreamento as poluições doméstica, agrícola e industrial, num quadro angustiante. O que fazer? Esperar chover? Ações emergenciais quando as algas azuis se espalharem por todo o Rio? Carros-pipa para abastecer povoados e cidades ribeirinhas? Cestas básicas para paliar a fome do povo quando as lagoas não mais reproduzirem os peixes? Mais obras inacabadas e superfaturadas de saneamento? A tal de transposição do Rio Tocantins, para tapear as percepções do problema e potencializar mais usos degradantes das águas, matas e solos e exploração da população? As seguidas reduções das vazões dos reservatórios determinadas pela ANA – Agência Nacional de Águas não podem ser as únicas medidas possíveis. A CHESF já conseguiu prorrogar a diminuição da vazão da Barragem de Sobradinho, “coração artificial” do São Francisco, em 1.100 m3/s, o que significa que na foz deve estar bem abaixo dos 1.300 m3/s, vazão ecológica mínima fixada por lei. Além de terem um limite intransponível (qual é este limite?), as reduções priorizam o negócio da energia hidrelétrica e não os demais usos. Enquanto isso, o Programa de Revitalização, apresentado como contrapartida governamental para a Transposição, a quantas anda? Quem dá notícia?  
Os órgãos do governo, em todos os níveis, mobilizarão, como sempre, recursos para ações paliativas, ainda mais em época eleitoral...Ao mesmo tempo o setor privado, empresas mineradoras, siderúrgicas, metalúrgicas, energéticas, indústrias alimentícias e do agronegócio (este é responsável por quase 70% dos usos consuntivos das águas) continuarão a receber e usar suas outorgas sem restrição e efetivo controle do Estado. Órgãos e empresas do Governo responsáveis por promover o “desenvolvimento” – Ministério do Interior, CODEVASF, CHESF, DNOCS etc. – continuarão implantando a “política dos grandes projetos” – Jequitaí, Jaíba, Congonhas, Salitre, transposição para o Nordeste Setentrional e outros a beneficiar grandes empresas e expulsar camponeses e povos e comunidades tradicionais. Estes convivem há séculos com os limites e potenciais do Velho Rio da Unidade Nacional e, assim, sinalizam critérios fundamentais para que o desenvolvimento seja abrangente, integral, multidimensional e sustentável de verdadeO baixo volume de água do São Francisco não se deve apenas e  exclusivamente à falta de chuvas, mas está diretamente relacionado ao uso degradante das águas superficiais e subterrâneas e do espaço geográfico da Bacia. As águas que também deveriam correr nas veredas, encher lagoas marginais e molhar vazantes estão alimentando monocultivos de eucalipto, soja, cana de açúcar, sugadas por moto-bombas, poços tubulares e pivôs centrais, entre outros. São consumidas e contaminadas pelas mineradoras e siderúrgicas. Servem aos interesses lucrativos de empresas de energia. Os camponeses, povos ribeirinhos e comunidades tradicionais ou organizações populares lutam pra fazer a sua parte. Tal é o caso das revitalizações dos afluentes e subafluentes Rios dos Cochos, Peruaçú, Serra Branca, Verde, Mocambo, entre outros – alguns apoiados pelo Comitê da Bacia com recursos de cobrança de outorgas de água –, do Projeto de Assentamento Extrativista em Serra do Ramalho, de quilombos, terras indígenas e assentamentos de reforma agrária ao longo dos rios e em territórios da Bacia e tantas outras experiências importantes. Neste momento de gravidade e caos eminentes, exigimos que as instituições dos Governos Federal e Estaduais da Bacia e o Comitê da Bacia declarem MORATÓRIA PARA O RIO SÃO FRANCISCO: suspensão de novos licenciamentos e outorgas de água para grandes e médios projetos e revisão dos já concedidos na Bacia do Rio São Francisco. Propomos que, além de retomar e ampliar o relegado Programa de Revitalização, realizem em caráter de urgência uma avaliação hidro-ambiental integrada de toda a Bacia, por pesquisadores das Universidades Públicas e técnicos do Estado, e a partir destes dados e informações se definam novos e mais restritivos parâmetros de uso das águas, matas e solos da Bacia: 1º) em caráter de emergência, para as águas acumuladas nas barragens, para amenizar a situação atual; 2º) em caráter permanente, para garantir condição de vida para o Rio e o Povo do Rio e evitar a sua extinção. Conclamamos a população da Bacia do São Francisco, o povo brasileiro em geral e seus representantes a lutar por esta Moratória, a exigir seu imediato cumprimento, antes que seja tarde!

São Francisco Vivo, Terra Água Rio e Povo!
Articulação Popular São Francisco Vivo.

Bacia do Rio São Francisco, 27 de agosto de 2014"
 
 
O baixo volume e a poluição das águas do Rio São Francisco...

...desequilibram a ecologia e a economia de todo o interior do Brasil

Projetos mirabolantes ou ilegais como no caso de garimpos clandestinos...

...foi o que o Velho Chico encontrou canoando 100 dias pelo Rio São Francisco

 
Trata Brasil é um instituto pelo saneamento básico que se adapta a esta luta...
 

...O São Francisco só é íntegro assim perto daqui e de sua nascente na Serra da Canastra

Parece cena de filme faraônico mas é um projetos inúteis em torno do S. Francisco

             www.folhaverdenews.com
 
 

8 comentários:

  1. Com certeza, assim como a nossa equipe aqui do blog da ecologia e da cidadania, todo o movimento ecológico, científico e de cidadania estão escandalizado com esta situação do rio da integração nacional e ícone do interior do Brasil.

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  2. Divukge você também e informe algum detalhe que seja do seu conhecimento ou da sua pesquisa sobre a realidade atual e o potencial de futuro (ou de morte) do Rio São Francisco, enviando o seu e-mail para o webendereço do nosso blog: navepad@netsite.com.br

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  3. "O baixo volume de água do São Francisco não se deve apenas e exclusivamente à falta de chuvas, mas está diretamente relacionado ao uso degradante das águas superficiais e subterrâneas e do espaço geográfico de toda a sua Bacia Hidrográfica". Esta informação, segundo o engenheiro agrônomo João Pereira, que atua no norte de Minas Gerais, "já seria suficiente para uma moratória e um embargo total em todo o curso deste rio histórico, como base para se começar uma nova realidade ambiental e sustentável, que é possível, mas a mudança tem que ser radical".

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  4. "As águas que também deveriam correr nas veredas, encher lagoas marginais e molhar vazantes estão alimentando monocultivos de eucalipto, soja, cana de açúcar, sugadas por moto-bombas, poços tubulares e pivôs centrais, entre outros. São consumidas e contaminadas pelas mineradoras e siderúrgicas. Servem aos interesses lucrativos de empresas de energia": trecho do e-mail que recebemos do movimento Articulação Popular São Francisco.

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  5. "Vivemos um período eleitoral, mas esta tragédia do Rio São Francisco suplanta os limites do tempo, do espaço, do calendário político, é uma emergência que precisa ser vista como prioridade por toda autoridade, cientista, empresa e população brasileira", comenta por aqui o editor do nosso blog, o ecologista Padinha, solicitando que você também mande a sua opinião ou participe desta luta de cidadania: envie a sua msm, comentário ou informação para navepad@netsite.com.br

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  6. "Concordo com este movimento e também com o enfoque deste blog, que coloca o São Francisco como uma prioridade, que deveria estar acima das disputas políticas e eleitorais": é o comentário que nos enviou Armando, de São José dos Campos (SP) que pretende entrar na faculdade de Biologia na Unesp.

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  7. "Como Antônio Conselheiro pregava, o sertão vai virar mar, o mar sertão, muito vai mudar mas a gente bem que poderia dar um jeito de revitalizar o São Francisco": é a msm que manda Aparecida Galvão, de Maceió, Alagoas: "Não podemos aceitar em silêncio essa fatalidade".

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  8. "Gostaria de mais detalhes sobre o Velho Chico, que percorreu este rio por 100 dias de canoa": sugerimos à internauta Maria do Socorro, de Belo Horizonte (MG), ligada à PUC em BH que acesse o site www.ecodebate.com.br que tem mais informações sobre este projeto.

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