segunda-feira, 8 de setembro de 2014

EXTRAÇÃO ILEGAL DE MADEIRA RESPONSÁVEL TAMBÉM PELO CAOS DE VIOLÊNCIA CONTRA ÍNDIOS

Site Terra e blog indígena Apiwtxa denunciam mais quatro mortes de índios na Amazônia


Desde a semana passada já havia informações de que índios Kaapor, no Maranhão, estavam sitiados e ameaçados por madeireiros e na omissão da Funai e da Polícia Federal, estavam tentando por eles mesmos se defenderem. Agora, a notícia de mais violência vem do Acre, junto à fronteira com a Amazônia peruana, terra tradicional dos Ashaninkas: além de participar do movimento de defesa de suas vidas e da floresta contra grupos de madeireiros e narcotraficantes que estão instalados nos dois lados da fronteira Brasil - Peru, os índios vinham lutando há tempos para demarcar sua terra no Rio Tamya. Nessa terra sem lei, eles integravam um esforço conjunto de trabalho transfronteiriço, compostos por organizações indigenistas, ambientalistas e indígenas, pela proteção dos povos indígenas já contatados ou ainda não, que sobrevivem isolados na fronteira do Acre. E foi neste contexto que quatro líderes indígenas da Comunidade Nativa Alto Tamaya–Saweto, no Peru, foram assassinados a balas nesta semana quando se deslocavam dentro da floresta com destino a aldeia Apiwtxa, no Brasil, na fronteira dos dois países. Comunicada das mortes, a presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Maria Augusta Assirati, prometeu “tentar acionar” a Polícia Federal em Brasília. "Pegou mal demais esta declaração desta senhora, presidente da Funai, não é o caso de pedir um favor, tentar acionar a força policial, mas defender os direitos e a vida dos índios", comentou por aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News, o nosso editor Antônio de Pádua Padinha. Ele está reproduzindo aqui a informação de mais este fato violento, os indígenas Edwin Chota Valera, Jorge Ríos Pérez, Leoncio Quinticima Melendez e Francisco Pinedo, da etnia Ashaninka, foram os quatro assassinados, quando estavam a caminho duma reunião com as lideranças brasileiras da mesma etnia sobre estratégias de continuidade de ações de vigilância e fiscalização da fronteiriça, para impedir a ação de narcotraficantes e de madeireiras, que exploram ilegalmente a região.
O líder indígena peruano Robert Guimarães Vásquez, relatou que as vítimas foram assassinadas diante de vizinhos da comunidade de Saweto como vingança de madeireiros cujas atividades ilegais foram denunciadas às autoridades. "Os delinquentes agarraram as vítimas, as amarraram e balearam no campo de futebol", contou Vásquez. Ainda no domingo, Francisco Pyãnko, um dos líderes Ashaninka do lado brasileiro da fronteira, enviou à Funai, mensagem relatando que os indígenas não tem dúvidas de que as mortes foram uma reação de traficantes e madeireiros tentando manter-se na região. Piyãko declarou então que "o povo Ashaninka do Rio Amônia, no Acre, não vai se intimidar e as autoridades brasileiras e peruanas precisam apurar as mortes e a violência". Ele esclareceu ainda que esses assassinatos fazem parte da ofensiva contra o movimento de lideranças que não aceitam a presença de narcotraficantes e madeireiros na região. As lideranças se uniram contra as invasões de madeireiros e narcotraficantes peruanos e brasileiros nos dois lados da fronteira, reafirmou Francisco Pyãko, um líder Ashaninka, que ocupa cargo de diretor na secretaria estadual de Planejamento do Governo do Acre. Segundo a organização não-governamental Comissão Pró-Índio do Acre (CPI-AC), a "terrível notícia foi divulgada por radiofonia, cinco dias depois do ocorrido, quando do retorno do restante dos integrantes a aldeia de partida, Saweto, sendo ali muito grandes os problemas de comunicação também".  A CPI-AC tem constantemente relatado e alertado que a violência e toda situação de insegurança das comunidades Ashaninka é crescente e não pode ficar impune, também no caso de outros povos indígenas na fronteira Brasil-Peru, a perseguição aumentou após a mobilização de esforços conjuntos entre várias lideranças para deter as investidas de grupos criminosos sobre os  territórios indígenas. Os Ashaninka buscam apoio de organizações de defesa de direitos indígenas e da sociedade civil em Ucayali, no Peru, e no Acre. Explicam que é urgente o Estado peruano apurar imediatamente todos os casos, com rigor, não deixando se instalar a impunidade, comum em crimes contra os direitos indígenas. Os governos federal e estadual do Acre precisam ampliar a fiscalização da fronteira, com ações mais contínuas, apoiando as comunidades indígenas que nela habitam. Trata-se de uma questão de direito, de cidadania e até humanitária também. O indígena Edwin Chota era uma das lideranças mais respeitadas. Em rede social, a jornalista Maria Emília Coelho disse estar “muito triste e chocada" com a notícia do assassinato dele e de mais três lideranças: "Eles lutavam muito para demarcar seu território, enfrentando madeireiros e traficantes que estão instalados na região da fronteira Acre-Peru. Tive o prazer de conhecer Edwin Chota em 2012, quando viajamos juntos pelo Rio Amônea, até a aldeia Apiwtxa, do povo Ashaninka, no Brasil. Grande líder e guerreiro do seu povo. Perda enorme. Necessitamos urgente da apuração do caso pelas autoridades do Peru e Brasil", escreveu Maria Emília Coelho. Edwin Chota havia denunciado várias vezes os madeireiros para as autoridades peruanas. As denúncias não foram apuradas e desta forma continuam os casos de violência, os madeireiros continuam atuando  impunemente no Alto Tamaya. Já o líder
Isaac Piyãko, da aldeia Apiwtxa, considera que esse é uns dos maiores massacres na região contra o povo Ashaninka: "Sei que luta pela terra é uns dos grande motivos. Naquela fronteira vai ainda acontecer mais coisas se não for tomada nenhuma providência. As famílias Ashaninka do Saweto estavam lutando para sair do trabalho escravo. Agora, com a morte das principais lideranças da comunidade, vai piorar. Essa ação feriu a Apiwtxa diretamente. As pessoas mortas, suas famílias, moram na Apiwtxa. Nos vamos atá o final, tentar garantir nossa liberdade, nossa vida". O blog dos indígenas divulga que um fucnionário da Funai, que pediu para que seu nome seja omitido, alertou que a preocupação é que os próximos alvos sejam os Ashaninka do lado brasileiro.

Região onde aconteceram mais quatro assassinatos de indígenas no Acre

Comunidades de índios na fronteira Brasil - Peru ameaçadas por madereiros

As quatro mortes agora não são uma exceção...

Índios da etnia Ashaninka que vivem no lado peruano da fronteira
 
Ashaninkas do Brasil e do Peru ameaçados

Fontes: http://apiwtxa.blogspot.com.br
             www.terra.com.br
             www.folhaverdenews.com

 

8 comentários:

  1. Aumentam os casos de violência contra índios na Amazônia, seja no Maranhão (como entre os índios Kaapor), como em outras regiões do Amazonas, do Acre, do lado de cá de de lá na fronteira com países vizinhos, como agora no Peru.

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  2. Este fato é uma tendência e não resolve somente mais uma ação isolada ou da Funai (desaparelhada para esta ação) ou para a Polícia Federal (que precisa ampliar sua atuação nas fronteiras). Urge uma articulação dos governos do Brasil e destes países fronteiriços, bem como da ONU, para coibir o caos de violência que se instala.

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  3. Mande você também informações ou comentários sobre esta pauta de hoje aqui no Folha Verde News, abrindo espaço para a luta do blog indígena Apiwtxa também: envie seu e-mail para nossa redação navepad@netsite.com.br

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  4. "A Polícia Federal, juntamente com o IBAMA, o Exército Brasileiro, o ICMBio e a Funai, realizou, ainda em 2011, a Operação Copaíba, que contou com participação de aproximadamente 50 servidores de todos os órgão envolvidos. A operação visou apurar denúncia realizada pela Associação Apiwtxa da Comunidade Indígena da Aldeia Ashaninka de extração ilegal de madeiras em terras brasileiras, veiculada no site http://apiwtxa.blogspot.com/, bem como o patrulhamento aéreo da fronteira Brasil /Peru. Tendo em vista o teor da denúncia, o histórico de extração ilegal de madeiras na região e a necessidade de utilizar o elemento surpresa para eficácia da ação, foi adotada a estratégia operacional de infiltração terrestre da Equipe Operacional dos órgãos envolvidos, no local do suposto crime ambiental, realizada por caminhada na selva de aproximadamente seis horas"< é o que já informava há dois anos este blog indígena. Em vão.

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  5. "Esta Operação Copaíba contou também, além da infiltração de 50 homens por terra e por rios, com sobrevoo de helicóptero, aeronave fornecida pelo IBAMA, nas áreas objeto da denúncia e da fronteira Brasil/Peru": isso foi em 2011. Aglgo similar e mais intenso precisa ser realizado agora.

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  6. "É urgente também uma mudança cultural na forma como vemos o índio, as florestas, os governos precisam fazer valer os direitos dos indígenas às suas terras e proteger as suas vidas de madeireiros ou garimpeiros e outros invasores, enfim, um problema muito grave e com um alcance em várias áreas, como me disse um descendente de índios Kaiapós, Mariano, que atua como mateiro em São Luís, no Maranhão": ele foi entrevistado por um jornal local, segundo nos relata por e-mail a professora Maria Miranda, que conclui a sua mensagem: "É urgente mudar toda a realidade".

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  7. Sobre esta nossa pauta, Miguel Jorge comentou no Facebook que "A
    entrevista começa com uma pergunta sobre o conflito entre índios e madeireiros no Maranhão. Fotos desse embate foram mostradas pela imprensa. Sobre o assunto, Marina Silva diz que é preciso ter medidas preventivas que evitem o conflito. Segundo a candidata, tanto os índios, quanto os funcionários das empresas de madeira, estão em situação vulnerável e precisam de proteção. Marina diz que esses problemas são fruto da atuação de madeireiras ilegais. Marina foi então questionada sobre a eficácia da lei de manejo de florestas, aprovada quando ela era ministra de Meio Ambiente. Segundo ela, a lei é muito boa mas não é aplicada porque o governo não se empenha no combate ao desmatamento. Para Marina, o Brasil perde muito com isso porque há muita riqueza que poderia vir do manejo sustentável das florestas"...

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  8. "Concordo é com o ecologista Padinha que disse aqui no blog em outra matéria de violência contra indígenas, que os índios são os últimos guardiões das últimas florestas, se eles forem dizimados, extintos, isso acontecerá também com a nossa última natureza": é a msm que no envia o técnico agrícola e ecologista Valdivino Franco, que administra fazenda na região de Restinga (SP).

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