terça-feira, 16 de setembro de 2014

POBRES AINDA PAGAM O PREÇO DA COPA NO BRASIL DIZ A BBC AO MUNDO

ONG pede fim de incentivos à Fifa e a notícia se espalha por todo planeta por causa também das eleições na Fifa: no caso do Brasil, erros assim são um alerta para a Olimpíada de 2016


Bill Wilson está fazendo a BBC News ter muitos acessos a esta notícia em vários países, por aqui também no Brasil: uma importante entidade civil suíça está pedindo à Fifa e ao Comitê Olímpico Internacional que mudem a forma como fazem negócios nos esportes em todo o mundo. "Realmente, é uma luta de valor tentar controlar o futebol business, buscar nova estrutura e novos dirigentes nos esportes, que têm mais a ver com cidadania, saúde e ecologia do que somente com negócios", por sua vez comenta por aqui no blog Folha Verde News, o nosso editor, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha, selecionando esta matéria como a principal do dia em sua ótica. A informação é que a organização beneficente Terre des Hommes (do francês Terra dos Homens) dedica-se a combater a exploração de crianças em países em desenvolvimento, como é o nosso. Esta entidade quer quer, por exemplo, que a Fifa (Federação Internacional do Futebol), entidade que organiza as Copas do Mundo - um evento avaliado em bilhões de dólares, como foi por aqui - passe a seguir as mesmas regras de responsabilidade corporativa adotadas por todas as outras corporações internacionais: "Lojas de roupas têm responsabilidade sobre as condições de produção de seus fornecedores", disse a diretora da Terre des Hommes, Danuta Sacher: "Bem, o mesmo princípio deve se aplicar à Fifa e ao seu produto comercial a Copa do Mundo". "Dirigentes devem se assegurar de que um evento mundial esportivo seja produzido por eles de forma idônea e segura para crianças e suas famílias, sem problema e preservando o importante conteúdo do esporte". Confira a visão da Terre des Hommes.


Protesto contra Copa no Rio / Crédito: Getty
População que não se beneficiou com a Copa no Brasil se manifestou contra o Padrão Fifa...

De acordo com a entidade Terre des Hommes, 170 mil pessoas perderam suas moradias durante os preparativos para a Copa do Mundo no Brasil, em consequência de obras para construção ou reforma de estádios ou por causa de obras de infra-estrutura, como estradas e aeroportos. Segundo o balanço final do governo brasileiro, foram 35 mil famílias desapropriadas.
 
Esta ONG diz também que milhares de famílias foram retiradas de suas casas e instaladas, contra sua vontade, em cabanas sem água ou eletricidade. A entidade alerta que retirar famílias de suas comunidades aumenta drasticamente os riscos de que caiam na pobreza.


Seu Jerônimo, desapropriado em Pernambuco / Crédito: midiacapoeira.wordpress.com
Seu Jerônimo foi um dos 35 mil brasileiros desapropriados e que briga na Justiça por indenização

"Se você observar os efeitos de grandes eventos esportivos, verá que eles atingem os mais pobres de maneira desproporcional", disse Sacher. Ela tem consciência de efeitos positivos de grandes eventos a muita gente e a um país, até ao esporte. Mas deixa claro que não podemos nos silenciar diante das consequências de erros e limites estruturais destes eventos. Esta posição crítica serve de alerta já que o Brasil logo mais em 2016 estará promovendo por aqui a Olimpíada do Rio. "Países anfitriões pagam um custo social e também um alto custo financeiro, o que, por sua vez, acaba tendo um efeito dominó sobre a quantidade de ajuda social que a nação é capaz de oferecer". Ela disse que o custo total da Copa do Mundo para os cofres públicos brasileiros foi estimado entre RS$ 18,5 e RS$ 28,2 bilhões. Esse valor corresponde, aproximadamente, ao total que o Brasil gastou, em 2013, com o programa Bolsa Família, que atende a 50 milhões de pessoas, disse Sacher.  A diretora da ONG disse considerar injusto que a nação anfitriã tenha de arcar com o custo total da infraestrutura necessária para o evento, enquanto a Fifa, que se beneficia de isenções de impostos nos países anfitriões, arrecada bilhões de dólares com o evento. Outra questão que preocupa a ONG Terre des Hommes é a proibição da venda, pela população local, de comida, bebida e outros produtos nas imediações dos estádios. A Fifa exige que organizadores autorizem a venda apenas de produtos de patrocinadores que sejam oficiais. Sacher disse que a proibição gera pobreza para dezenas de milhares de famílias, que são impedidas de ganhar seu sustento, ainda que modesto, isso além de empobrecer o conteúdo de cidadania de eventos como este. "Estamos pedindo aos organizadores globais que levem em consideração a situação dos excluídos e pobres quando planejarem grandes eventos esportivos, para garantir que tragam benefícios para todos os setores da população", finalizou Sacher, ecoando a sua voz com a de vária entidades, como grupos de direitos humanos, sindicatos, esportistas e os vários  movimentos de cidadania. 


Fontes: BBC
              www.folhaverdenews.com
 

6 comentários:


  1. De acordo com a entidade Terre des Hommes, 170 mil pessoas perderam suas moradias durante os preparativos para a Copa do Mundo no Brasil, em consequência de obras para construção ou reforma de estádios ou por causa de obras de infra-estrutura, como estradas e aeroportos. Segundo o balanço final do governo brasileiro, foram 35 mil famílias desapropriadas e diretamente prejudicadas...

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  2. A Copa ainda não acabou. Isso, principalmente por estas 170 mil pessoas que ficaram até hoje no prejuízo.

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  3. Diante da grave denúncia da entidade civil Terre Des Hommes estamos voltando à pauta da Copa do Mundo, como um alerta para os próximos Jogos Olímpicos, que serão no Brasil e no Rio em 2016.

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  4. Outro objetivo é alertar a CBF que se orienta ainda pelo Padrão Fifa. E também para dar um espaço e voz aos milhares de prejudicados que entraram na Justiça.

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  5. Mande vc também a sua denúncia ou msm nesta pauta para navepad@netsite.com.br

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  6. "Não é só o Padrão Fifa nem será somente a Olimpíada de 2016, o país e a maioria dos países não tratam com justiça e humanidade os mais pobres da população, exatamente eles que têm se mostrado mais humanos que os mais poderosos": é o desabafo de Cleonice, que foi professora na rede pública em SP e hoje atua como cuidadora de idosos em Montes Claros (MG). "Graças a Deus tenho saúde mas tenho ainda que trabalhar mesmo aposentada, para dizer que ganho uma merreca ou que isso é uma sacanagem do estado". Força aí, Dona Cleonice, essa realidade toda tem mesmo que mudar, vamos à luta.

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