terça-feira, 2 de setembro de 2014

SÓ CORREDORES ECOLÓGICOS SALVARÃO RESERVA FLORESTAL DE PESQUISAS NA AMAZÔNIA

Subestação da Eletrobrás ameaça reserva florestal do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa): um conflito entre o interesse econômico e o ecológico, desafio bem atual

Texto de Luciete Pedrosa e fotos de Paulo Maurício, ambos ligados ao Inpa, alertam sobre ameaças que rondam a reserva florestal Adolpho Ducke, que já teve uma parte de sua área de 5.900 metros que foi desmatada pela Eletrobrás. O desmate teria sido ao que se sabe para abrir espaço para algumas linhas de transmissão de energia que vem da Hidrelétrica de Tucuruí (PA), no trecho da subestação Lechuga-Jorge Teixeira. Vários pesquisadores do Inpa se mostraram contrários ao corte de floresta. Eles temem pela fragmentação da reserva e propõem que sejam feitos dois corredores ecológicos, cada um cerca de mil metros de largura por quatro quilômetros de extensão, com o objetivo de manter a conectividade da reserva com a mata primária da área do Puraquequara. "A passagem do linhão e os desmatamentos já realizados pela Eletronorte ameaçam severamente a conectividade florestal", informam os pesquisadores. Com a interferência realizada pela Eletrobras, várias árvores da Reserva Ducke perderam suas copas nas margens do desmatamento. Segundo o pesquisador Paulo Maurício de Alencastro Graça, coordenador de Dinâmica Ambiental do Inpa, a desestruturação do dossel da floresta permite uma maior entrada de luz no interior da mata, o que a deixa mais sujeita a incêndios florestais: "Trabalhos publicado pelo Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF/ Inpa) mostram também que as árvores localizadas nestas bordas são por causa do desmate mais afetadas por vento, aumentando a queda de árvores". O Inpa constituiu uma comissão técnica para avaliar os impactos que o linhão de transmissão poderá vir a causar na reserva. Técnicos do Inpa e da Eletrobrás visitaram a reserva juntos para discutir a localização mais apropriada para os corredores ecológicos: "Importante esta notícia como um alerta para que todas as pesquisas que ali são feitas continuem e até aumentem de intensidade, agora que o assunto sai do anonimato, que é sempre perigoso", comenta por aqui no blog Folha Verde News, o nosso editor de conteúdo, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha: "A ligação da reserva com a mata ali perto, Puraquequara, é vital também para as espécies animais e vegetais nativas". Padinha teve um contato com pesquisadores do Inpa e colheu informações também no site de assuntos socioambientais EcoDebate para realizar este post, resumindo o problema e esclarecendo internautas e o movimento dos ambientalistas, dos cientistas e as lideranças de cidadania (que sempre acessam este blog). O que se informa é que o linhão da Eletrobrás, que é interligado à subestação de Lechuga-Jorge Teixeira, localizada no quilômetro 22 da rodovia AM-010 (Manaus-Itacoatiara), gerará energia de alta tensão com capacidade de 230 kV. Essa subestação afeta áreas de pesquisas e um dos três acampamentos da reserva, o Ipiranga, além das grades (áreas) de estudos permanentes da biodiversidade na reserva. A Reserva Ducke possui ainda os acampamentos Bolívia e Tinga. A obra do linhão é uma promessa para acabar com os problemas de energia elétrica no Amazonas e conectar a Região Norte ao Sistema Interligado Nacional (SIN), informa por sua a Eletrobrás. "Precisaria ser aberto um diálogo para encontrar a solução para o impasse entre o avanço energético, econômico e a luta pela preservação da ecologia, o que em suma é a base do desafio do Desenvolvimento Sustentável", é a visão do nosso editor Padinha. O pesquisador Paulo Maurício avalia que o linhão da Eletrobrás ameaça aumentar a vulnerabilidade da Reserva Ducke ao desmatamento e ao corte ilegal de madeiras com a presença de algumas estradas no interior da reserva: "O linhão está dando mostra que facilita o acesso à floresta para as práticas de crimes ambientais, como a caça, corte ilegal de árvores e ocupação irregular", ele assim alerta para a gravidade da ocorrência. Para a pesquisadora do Inpa e membro da comissão técnica, a bióloga e doutora em Ecologia dos Ecossistemas, Rita Mesquita, a intenção inicial da Eletrobrás era passar o linhão por fora da reserva. “Agora, a empresa informou ao Inpa, por meio de ofício, que o linhão já está passando por dentro da Reserva Ducke, não houve diálogo nem um estudo prévio nem uma busca conjunta da melhor alternativa de solução".  A Reserva Florestal Adolpho Ducke, localizada no quilômetro 26, da AM-010, é uma área de 10 mil hectares (como se fosse um grande quadrado no mapa de 10 km x 10 km) de mata de terra firme e serve como suporte para vários segmentos das pesquisas do Inpa e de outras instituições nacionais e internacionais. Ela está cercada pela cidade e sofre com a pressão urbana. A reserva abriga uma infinidade de plantas e animais e é uma das áreas com estudos mais aprofundados sobre a Amazônia brasileira. Dentre as espécies mais comuns encontradas na reserva estão Cutias (Dasyprocta leporina); Esquilos (Sciurusw aestuans), Veados (Mazama americana), Antas (Tapirus terrestri) e Furões (galictis vittata), além de Macaco-prego (Cebus apella), Saguim-de-coleira (Sagnus bicolor), Parauacu (Pitehecia pithecia), Guariba (Aloutta macconnelli), Cuxiú (Chiropotes sagulatus), Onça-pintada (Panthera onca), Onça parda (Puma concolor), Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), Raposas (Cerdocyon thous), Cachorro-do-mato (Speothos venaticus), Preguiça-real (Choloepus didactylus),  entre outras, além de espécies vegetais amazônicas.

Imagens de satélite sobre a reserva florestal do INPA


A reserva é também um centro de educação socioambiental

Possui espécies animais e vegetais de grande valor


Técnicos tentam delimitar linha de transmissão com corredor ecológico...
 


 
...para ligar a reserva ambiental à mata de Purequequara
Já acontecem invasões, queimadas e desmatamentos por conta das linhas da Eletrobrás
 
Fontes: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA)
 

5 comentários:

  1. Os fatos relatados pelos pesquisadores do INPA mostram que está havendo falta de diálogo da Eletrobrás, criando um impasse, que pode ser resolvido com bom senso e sustentabilidade, equilibrando os interesses econômicos e ecológicos neste caso.

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  2. O INPA constituiu uma comissão técnica para avaliar os impactos que o linhão de transmissão poderá vir a causar na reserva. Eles e os técnicos da Eletrobrás precisam analisar in loco a reserva juntos para discutir a localização mais apropriada para os corredores ecológicos.

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  3. O que informa a Eletrobrás o linhão da Eletrobrás, que é interligado à subestação de Lechuga-Jorge Teixeira, localizada no quilômetro 22 da rodovia AM-010 (Manaus-Itacoatiara), gerará energia de alta tensão com capacidade de 230 kV. A obra do linhão é uma promessa para acabar com os problemas de energia elétrica no Amazonas e conectar a Região Norte ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

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  4. Segundo os pesquisadores, o linhão da Eletrobrás ameaça aumentar a vulnerabilidade da reserva, desmatamento, queimadas, corte ilegal de madeiras, abrindo algumas estradas no interior da reserva.

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  5. "Me parece grave que ao invés de diálogo e consenso a Eletrobrás tenha tomado atitude de fazer ali o linhão de transmissão sem os cuidados ecológicos, sem consultar o INPA, avisando somente que a linha já estava passando pela reserva, uma atitude que não tem nada a ver com o estado de direito e da cidadania": é o comentário de nosso editor Padinha. Mande também a sua opinião, enviando a sua msm para o e-mail do blog: navepad@netsite.com.br

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