quarta-feira, 15 de outubro de 2014

O FATO DE DESMATAR 79% DOS MANANCIAIS SECOU SÃO PAULO, ANALISA ESPECIALISTA

Márcia Hirota mostra o que ocorreu na Cantareira e isso resume o caos ambiental desde Mato Grosso, Goiás, Minas, Paraná e todo o interior do país agora sofrendo uma seca nordestina


Uma imagem que sintetiza o caos da seca do momento


A seguir, um texto de Márcia Hirota, que está sendo postado também no Blog do Planeta e no site nacional de assuntos socioambientais EcoDebate: é um estudo da Fundação SOS Mata Atlântica, que também está sendo publicado na Revista Época, toda essa divulgação porque se trata de um artigo de grande valor "que se tornou um documento muito expressivo da realidade não só paulista e mineira, mas de todo o nosso país", comentou por sua vez o editor do nosso blog de ecologia e de cidadania, Folha Verde News, que tem feito vários posts sobre o caos da seca. Importante saber que a cobertura florestal nativa na bacia hidrográfica e nos mananciais que compõem o Sistema Cantareira, centro da crise no abastecimento de água que assola São Paulo, está pior do que se imaginava. Hoje, restam apenas 488 km2 (21,5%) de vegetação nativa na bacia hidrográfica e nos 2.270 km2 do conjunto de seis represas que formam o sistema. O levantamento avaliou também os 5.082 km de rios deste dramático ecossistema. Desse total, apenas 23,5% (1.196 km) contam com vegetação nativa em área superior a um hectare em seu entorno. Outros 76,5% (3.886 km) estão sem matas ciliares, em áreas alteradas, ocupadas por pastagens, agricultura e  silvicultura, entre outros usos. O estudo teve como base o último Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, que avaliou a situação da vegetação nos 17 Estados com ocorrência do bioma, no período 2012-2013. O Atlas, que monitora o bioma há 28 anos, é uma iniciativa da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com patrocínio de Bradesco Cartões e execução técnica da Arcplan.
Com base em imagens de satélite, o Atlas da Mata Atlântica utiliza a tecnologia de sensoriamento remoto e geoprocessamento para monitorar os remanescentes florestais acima de 3 hectares. Neste estudo sobre o Sistema Cantareira foram identificadas as áreas de até 1 hectare. As análises foram avaliadas em nível municipal, indicando os municípios com total de áreas naturais mais preservados. As cidades observadas foram: Camanducaia (19,6% de vegetação nativa), Extrema (15,2%), Itapeva (7,9%) e Sapucaí Mirim (42%), em Minas Gerais; Bragança Paulista (3,2%), Caieiras (50,2%), Franco da Rocha (40,8%), Joanópolis (18,8%), Mairiporã (36,6%), Nazaré Paulista (24,7%), Piracaia (17,7%) e Vargem (17,9%), em São Paulo. As florestas naturais protegem as nascentes e todo fluxo hídrico. Com esses índices de vegetação, não é de se estranhar que o Sistema Cantareira opere, atualmente, com o menor nível histórico de seus reservatórios, já que para se ter água, é essencial que haja florestas. E o que fazer diante deste quadro?
"O primeiro desafio é proteger o que resta de Mata Atlântica e manter, com rigor, o monitoramento e a fiscalização dessas áreas para evitar a ocorrência de novos desmatamentos, explica a especialista ao analisar esta situação dramática demais"
Importante lembrar que Minas Gerais, estado que reúne não apenas as nascentes de rios que formam o Sistema Cantareira, mas também das bacias dos rios Doce, São Francisco e Paraíba do Sul, entre outros, é a região recordista em desmatamentos, pelo 5º ano consecutivo, de acordo com os últimos dados do Atlas da Mata Atlântica. O segundo ponto é promover a recuperação florestal nessas regiões, incluindo-se aqui investimentos públicos e privados para restauração florestal e programas de Pagamentos Por Serviços Ambientais (PSA) voltados aos proprietários de terras, municípios e Unidades de Conservação que as preservarem. Com o objetivo de estimular esse esforço, a Fundação SOS Mata Atlântica lançará ainda neste mês um novo edital do programa Clickarvore, com apoio do Bradesco Cartões e Bradesco Capitalização, para a doação de 1 milhão de mudas de espécies nativas para restauração na Bacia do Cantareira. Essas mudas possibilitarão a recuperação de até 400 hectares de áreas, que por sua vez podem promover a conservação de 4 milhões de litros de água por ano. A ideia é que os projetos selecionados colaborem para conservar e proteger os recursos hídricos conectando, nessas regiões, os poucos fragmentos de mata que hoje encontram-se isolados. Pode parecer pouco, tendo em vista o tamanho do desafio, mas é um primeiro passo para trazer de volta as florestas e a água ao Sistema Cantareira. Esperamos que essa iniciativa contribua para um novo fortalecimento de políticas públicas efetivas e que possa marcar o início de esforços conjuntos da sociedade, iniciativa privada e do poder público para a recuperação desse importante manancial. Afinal, a grave escassez que enfrentamos neste ano reforça a necessidade do Estado promover a proteção dos mananciais e a gestão integrada e compartilhada da água. A restauração da cobertura florestal nas áreas de mananciais é o pontapé para a recuperação das reservas de água. No entanto, para que traga resultados efetivos, essa iniciativa  precisa ser somada a uma ação urgente e firme do Governo do Estado de São Paulo no sentido de implementar efetiva e finalmente alguns instrumentos econômicos como o PSA e a cobrança pelo uso da água a todos os usuários, o que garantirá a sustentabilidade do sistema e o acesso à agua em quantidade e qualidade para a população. (Artigo de Márcia Hirota).

As queimadas criminosas ou provocadas pela seca agravam o caos ambiental

A atuação mais uma vez do  Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) é valiosa 

O Sudeste do país está virando um novo Nordeste brasileiro










Urge recuperar rios e mananciais com revegetação nativa


Fontes: www.ecodebate.com.br
             Fundação SOS Mata Atlêntica
             Blog do Planeta
             Revista Época
             www.folhaverdenews.com

8 comentários:

  1. Já recebemos aqui na redação do blog mais 3 comentários sobre o desafio da Seca, mensagens e informações que estaremos postando logo em seguida, aguarde.

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  2. Envie você também o seu comentário, opinião sobre este post de hoje ou mensagem sobre este problema dramático de São Paulo e de todo o interior do país: mande seu e-mail para navepad@netsite.com.br

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  3. "Os vereadores e outras autoridades de Franca (SP) foram verificar as condições do Rio Canoas, na divisa com Minas Gerais, que abastece a cidade e vendo o volume tão baixo das águas, além de discursos, fizeram orações, como que reconhecendo a incapacidade de eles resolverem o problema, mas pelo menos tiveram humildade": é um trecho do comentário de Maria Ramos, de Claraval (MG) que trabalha em Franca e manda outros dados sobre a seca do Canoas, também.

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  4. "A falta de chuvas, o baixo volume das reservas de água e mais ainda os focos de queimadas que se multiplicam e isso está quebrando a normalidade do nosso clima": é a mensagem de Roberto, que pretende estudar Geografia ou Biologia numa universidade pública e mora em Ribeirão Preto: "Aqui está um deserto".

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  5. "Este comentário de Márcia Hirota sobre a situação dramática da seca, sobre o trabalho da SOS Fundação Mata Atlântica e do INPE, bem como a iniciativa de plantio de mudas nativas, isso mostra que a sociedade civil está alerta e tentando fazer algo, ao contrário de autoridades políticas, como do Estado de São Paulo, onde o pessoal de Alckminn está há 18 anos, sem tomar nenhuma providência. Só podem ter sonegado estas informações para ele se reeleger", protesta Antônio Bertoldi, de São José do Rio Preto (SP): "Aqui passam dois rios grandes que também estão com volume baixo nas suas águas, não chove e não há medidas do governo e da prefeitura".

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  6. "Importante este blog publicar estas informações, com base no excelente artigo de Márcia Hirota e anunciar o projeto com apoio da iniciativa privada ClickÁrvore: temos realmente que combater os desmatamentos e as queimadas, reflorestar com espécies nativas todo o país, é a única chance de se recompor o clima e a ecologia que agora chegam a uma situação terminal, infelizmente": é a msm do engenheiro florestal Tavares, de Jundiaí (SP), que manda informações sobre as queimadas que têm acontecido na região, na Serra do Japi, "uma das últimas reservas de Mata Atlântica".

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  7. "Pelo que entendi neste e em outros posts que tenho consultado, para recuperar o equilíbrio ecológico no país, regularizando o clima com um processo de plantio de árvores nativas, vai demorar mais uns 10 ou 20 anos, é um sintoma do tamanho do crime socioambiental das atuais autoridades políticas em várias regiões do Brasil": este é o trecho principal do comentário em tom de protesto do técnico em apicultura e ecologista Manuel Pereira, que informa atuar no Vale do Ribeira, vivendo também a maior seca da história regional ali.

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  8. Marli Moreira, de Brasília, nos mandou por e-mail notícia da Agência Brasil, em resumo: "O nível do Sistema Cantareira apresentou mais uma queda passando de 4,5% ontem (14) para 4,3% hoje (15), registrando a pior marca de sua história. Com temperaturas acima dos 40 graus Celsius (°C) nos últimos dias, fica ainda mais crítica a situação dos seis reservatórios do Sistema Cantareira, que abastecem 6,5 milhões na Grande São Paulo e em parte do interior. Esta situação mostra a tragédia que está o clima no Brasil".

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