terça-feira, 14 de outubro de 2014

SECA JÁ ESTÁ PREJUDICANDO ECONOMIA DO INTERIOR ALÉM DA ECOLOGIA E DA SAÚDE DA POPULAÇÃO

No interior clima quebra safras, para indústrias, encalha hidrovias, desabastece cidades, seca rios, causa problemas respiratórios e dissemina doenças: chuvas mais abundantes só mesmo pelo efeito do El Niño entre o final de 2014 e começo de 2015... Nós sobreviveremos até lá?...


 
Canaviais, cafezais, citriculturas do interior prejudicadas agora...


...e já na safra de 2015, como também no caso da soja

Rios secam em São Paulo, Minas, até o São Francisco....

A floração do café e a qualidade dos grãos afetadas demais
 

 
Desde o começo de 2014 cada vez mais José Maria Tomazela, do jornal O Estado de São Paulo vem advertindo sobre o perigo da seca, nestes últimos dias, atingindo o ápice de seus efeitos negativos sobre todo o centrol sul e sudeste do Brasil. "A massa de ar seco impede a penetração das frentes frias vinda do sul do continente e para agravar, por conta dos desmatamentos, os rios voadores ou os corredores de vegetação nativa destruídos ou neutralizados não são capazes de trazer as chuvas da Amazônia até por aqui no interior do país", comenta por sua vez Antônio de Pádua Padinha, ecologista que edita o nosso blog Folha Verde News. Ele diz isso depois de consultar especialistas, como Tomazella em seus textos e Marcos Antônio dos Santos, da Somar Meteorologia e de checar informações em sites como o udop,  da União dos Produtores de Bioenergia. A falta de chuvas espalha prejuízos por todo o interior. Com rios e mananciais quase secos, atividades agrícolas e industriais são suspensas e há quebra nas lavouras. O transporte de cargas pela Hidrovia Tietê-Paraná está paralisado em Araçatuba, noroeste paulista. Só na hidrovia o prejuízo direto chega a R$ 200 milhões, segundo o diretor Casemiro Tércio Carvalho. Com o baixo nível do Rio Tietê, as barcaças encalham em bancos de areia.  As cargas de grãos e outros insumos estão seguindo para Santos pelas rodovias. De janeiro a junho deste ano, o volume de cargas transportadas pela hidrovia caiu de 2,69 milhões para 2,33 milhões de toneladas. A diferença, de 360 mil toneladas, foi equivalente à carga de 10 mil caminhões.  A falta de água afeta diretamente a economia dos 19 municípios que estão oficialmente em racionamento. Desses, 12 ficam na região de Campinas. A região é abastecida pelas bacias dos Rios Piracicaba, Jundiaí e Capivari, que também cedem água para a Grande São Paulo, pelo Sistema Cantareira. Desde abril, pelo menos 3 mil postos de trabalho foram fechados, segundo o diretor de Meio Ambiente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Eduardo San Martin. Ele acredita que as dispensas têm relação com a crise hídrica. A emissão de outorgas para captação de água para uso industrial foi suspensa. Em Itu, região de Sorocaba, a prefeitura foi obrigada a suspender por 120 dias a autorização de novos empreendimentos imobiliários. A cidade está em racionamento severo desde o início de fevereiro e grupos do povo já se revoltam com a situação de seca. De acordo com o Sindicato da Construção Civil (Sinduscon) de Sorocaba, se a suspensão persistir, as empresas que estão construindo, e utilizariam a mão de obra em novos empreendimentos, terão de fazer demissões. Em Sorocaba, o racionamento atinge o distrito industrial e afeta mais de 200 indústrias. Conforme o vice-diretor regional do Centro das Indústrias do Estado (Ciesp), Erly Domingues de Syllos, ainda não houve paralisação, mas a escassez de água tem reflexo na atração de investimentos. A entidade fez um mapeamento para verificar a situação de cada empresa, a fim de evitar possível parada por falta de água.  Nas regiões agrícolas há escassez de água até para manter em operação os equipamentos de irrigação. O produtor José Luiz Confortini, de Capela do Alto, teve de adotar o racionamento na lavoura de milho verde. Em vez de irrigar uma vez por dia, normal nesse período seco, ele dividiu a área em talhões e aplica irrigação uma vez a cada três dias em cada área. No Estado de São Paulo, a estiagem prolongada causou perdas de até 25% na safra de café, de 10% nas plantações de cana e de 10% no trigo, segundo dados parciais da Secretaria de Agricultura. Em algumas regiões, as perdas foram mais severas. Na de Bragança Paulista, a quebra na safra de milho chegou a 50%. Na região de Itapeva, sudoeste paulista, os produtores de feijão têm dificuldade para manter irrigados 7 mil hectares da cultura. Os gastos com óleo diesel e energia elétrica elevaram os custos da produção. Produtores de tilápias da região de Avaré tiveram de remover as criações e reduzir o número de viveiros. E plantações de laranja não irrigadas perderam parte da florada, o que já indica quebra de produção agora e da safra de 2015.
 
Chuvas mais abundantes só em janeiro de 2015 graças à volta do fenômeno El Niño
 
Se além do El Niño houvesse gestão ambiental o ciclo de chuvas poderia ser reequilibrado
 
A falta de chuva no verão de 2014 gerou uma situação de seca nos reservatórios para geração de energia elétrica e para o abastecimento de água, em particular no Sudeste. Estamos agora, vivenciando o período normal de estiagem no Sudeste, quando a chuva depende da passagem de frentes frias. Quando a  frente fria passa provoca chuva, mas temporal de inverno não tem potencial para encher represas. Na região da Grande São Paulo, a situação do Sistema Cantareira só piora. O maior e principal reservatório para a abastecimento de água passou a operar apenas com a reserva técnica, o chamado “volume morto” desde julho.  Segundo informações da SABESP, a reserva do Cantareira já é de menos de 10%. A estiagem normal se prolonga ainda por mais dois meses.  Não chover agora estaria dentro da normalidade climática. A chuva para começar a sair desse “coma climático” precisa ser pelo menos frequente e volumosa.  A perspectiva de um El Niño para o segundo semestre dará um maior aquecimento, o que favorece a volta da chuva. Mas quando a chuva para reverter o quadro de seca vai começar? A meteorologista Patrícia Madeira fez uma análise da perspectiva de chuva no Brasil e para estas regiões mais afetadas pelo caos da seca, como não há nenhuma gestão sustentável ou de economia ecológica, chuvas mesmo só na virada de 2014 para 2015. E aí voltamos à pergunta da manchete deste post: nós sobreviveremos até lá? E neste nós, estamos todos, plantações, populações, criações, natureza, economia e vida do interior do país.
 
Desde já o Brasil precisa urgente de uma mudança radical e sustentável


Fontes: www.udop.com.br
             Jornal O Estado de São Paulo
             www.climatempo.com.br
             www.folhaverdenews.com
 

5 comentários:

  1. Se além do fenômeno natural El Niño, que felizmente volta a se manifestar, houvesse uma gestão ambiental e sustentável, o ciclo de chuvas poderia ser reequilibrado mais rapidamente, mas do jeito que vão as coisas, a seca de 2015 poderá ser pior do que em 2014.

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  2. No Estado de São Paulo, onde um mesmo grupo político predomina há 18 anos sem uma gestão ambiental e sustentável, a estiagem prolongada já causou perdas de até 25% na safra de café, de 10% nas plantações de cana e de 10% no trigo, um pouco mais na de laranja, segundo dados parciais da Secretaria de Agricultura. O rombo pode na realidade ser maior ainda do que indicam estes números oficiais.

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  3. Pior que chuvas mesmo só na virada de 2014 para 2015 e ainda estamos no meio de outubro. E aí reiteramos: nós sobreviveremos até lá? E neste nós, estamos todos, plantações, populações, criações, natureza, economia e vida do interior do país.

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  4. "Concordo com uma mensagem do editor deste blog no Facebook, quando ele disse que ao invés de uma guerra política e eleitoral entre Aécio Neves e Dilma Rousseff, todos nos país deveríamos guerrear contra a seca, o maior inimigo do Brasil hoje": é o comentário que nos envia Marta Silva, de Salvador, ligada à Universidade Federal da Bahia.

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  5. Envie você também a sua msm, informação ou comentário aqui pro nosso blog da ecologia e da cidadania, mandando o seu texto para o nosso e-mail: navepad@netsite.com.br

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