segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O QUE PODE SER FEITO PARA A CRISE DA ÁGUA NÃO VIRAR UM CAOS APOCALÍPTICO NO BRASIL?

Para o novo relator brasileiro de água na ONU a alternativa é a prevenção e o planejamento (tudo o que o nosso país não tem)

Leo Heller (Foto: Reprodução/TV Globo)
Pós-doutorado em Oxford o Professor Leo é ligado à UFMG
 
Falando ao vivo com Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York, numa entrevista que repercutiu no site G1 e no portal de assuntos socioambientais EcoDebate,  Leo Heller, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, informou que assume  em dezembro a função de Relator de Água de de Saneamento na Organização das Nações Unidas. O ambientalista Dr. Leo deixou claro que concorda com a relatoria feita por sua antecessora neste cargo, que ouvida pelo Ministério Público, culpou o Governo do Estado e o Governador Geraldo Alckminn pela falta de abastecimento de água e toda a crise hídrica em São Paulo, por falta de gestão ambiental. Isso gerou uma polêmica e uma disputa política entre a ex-relatora da ONU, Catarina de Albuquerque e governo paulista: Leo Heller disse concordar com a posição da portuguesa: "A posição dele não poderia ser diferente, Albuquerque se posicionou com fundamentos técnicos, o movimento ecológico, científico e de cidadania por sua vez fica tranquilizado, Leo Heller não está negando o óbvio e insiste que a solução para todo o problema da água é um planejamento sustentável, o que tem toda a base na realidade", comenta por aqui no blog Folha Verde News o nosso editor, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha. Ele ainda citou uma entrevista da ambientalista portuguesa Catarina Albuquerque ao jornal Folha de São Paulo, responsabilizando a administração pública estadual pela falta de água. “Eu concordo com a posição da Catarina. Nem achei correto o Governo de São Paulo mandar ofício para a ONU, reclamando, Catarina estava no papel dela e não exorbitou a função". O brasileiro Leo Heller vai agora assumir esta função difícil e estratégica, mantendo as mesmas diretrizes e princípios éticos e científicos. Ele pede uma atuação mais forte dos Estados para solucionar problemas de água e de saneamento, aqui e em outros países. A indicação do mineiro Leo Heller para o cargo foi confirmada nesta semana pela entidade mundial na sua sede nos Estados Unidos. O professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) vai então substituir Catarina de Albuquerque, que exercia o mandato desde 2008.  Aos 59 anos, Heller foi indicado ao cargo pelo presidente do Conselho de Direitos Humanos da ONU, Baudelaire Ndong Ella, não agora, com esta polêmica, mas antes, ainda no fim de setembro. Ele explica que o processo para escolha foi longo e que concorreu ao cargo com mais de 20 outros cientistas e ambientalistas de várias partes do mundo. O pesquisador nascido em Belo Horizonte conta que soube da notícia pela imprensa e por amigos, mas disse que ainda não foi formalmente comunicado pela ONU. Segundo ele, Catarina de Albuquerque também lhe escreveu para lhe dar apoio e cumprimentar. De acordo com Heller, entre as tarefas fixas do relator especial, está a realização de, no mínimo, duas missões oficiais em locais onde há indícios de violação de direitos humanos relacionados à água e saneamento. Ele deve também elaborar recomendações para governos, para as Nações Unidas e para outras entidades interessadas sobre o tema, em busca de soluções. Segundo o pesquisador, a previsão é que ele comece a atuar no cargo em dezembro deste ano. O mandato tem tempo máximo de seis anos. Leo Heller se formou, no ano de 1977, em engenharia civil pela UFMG. “O tema do saneamento é um dos ramos da engenharia civil. Já me formei atuando na área”. Também pela Universidade Federal de Minas Gerais, ele obteve o título de mestre em saneamento, meio ambiente e recursos hídricos e de doutor em epidemiologia. Na Universidade de Oxford, na Inglaterra, fez pós-doutorado. Agora, depois de se aposentar como professor universitário, ele passou a atuar como voluntário na UFMG. Atualmente, na universidade, Heller integra o Grupo de Pesquisa de Políticas Públicas e Gestão em Saneamento e também aguarda a nomeação como pesquisador na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Em sua entrevista à Rádio ONU, questionado sobre a crise hídrica pela qual passam cidades brasileiras, o novo relator especial desta área sinaliza um problema que pode ser observado em escala mundial: “Uma marca importante que tem explicado a falta de acesso à água é uma gestão com muito pouco planejamento. Muitos argumentam que são as mudanças do clima, mas a mudanças hoje devem ser incluídas no planejamento e não devem ser nenhuma surpresa.  Este é um setor, o da água e esgoto, que ainda requer muito aperfeiçoamento, uma área pouco valorizada, mas que, por outro lado, tem enorme impacto social e ambiental, a bem dos interesses de saúde e qualidade de vida da população, acima de outros interesses". No doutorado, este pesquisador mineiro realizou um estudo epidemiológico em que procurou identificar o impacto da carência de acesso ao saneamento no indicador de morbidade por diarreia infantil em uma cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Hoje, além de aspectos da saúde relacionados a água e esgoto, ele tem as políticas públicas como foco de seu trabalho. Ele assim está então na função certa, na hora exata. para fazer um gol da ecologia e da sustentabilidade no Brasil e em toda a Terra.

Esse é o cara da ONU e da ecologia para ajudar a criação do futuro no país e no planeta

 
 
seca
A crise hídrica brasileira tem solução mas exige mudanças em especial dos governos



Fontes: Rádio ONU
                               www.ecodebate.com.br
                         www.g1.globo.com
                                     www.folhaverdenews.com

 

9 comentários:

  1. Esta informação de hoje aqui no blog mostra que nem tudo está perdido mas que são fundamentais muitas mudanças e avanços no setor socioambiental do país e do planeta.

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  2. "Uma das questões centrais é adotar o planejamento como um meio de se pensar o futuro das ações de saneamento. Então, os problemas da mudança do clima, que aparentemente respondem, explicam parte do que está acontecendo em São Paulo hoje, se introduzidos em uma sistemática de planejamento de forma adequada, nós preveniríamos a ocorrência dos problemas ao invés de buscarmos soluções depois que eles acontecem" (Leo Heller).

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  3. Leo Heller destaca que a falta de acesso à água poderia ser evitada em parte, caso as soluções fossem pensadas com antecedência. O novo relator da ONU explica que a desigualdade no setor não é um problema apenas no Brasil: “A região nordeste-norte do Brasil tem índice de cobertura menor. A zona rural tem índice de cobertura menor do que a zona urbana. Então, essa desigualdade é uma marca da realidade e do desenvolvimento de um país como o Brasil como de outros. Uma política que trabalhasse com o conceito de direito humano à água deveria olhar com muita atenção para essas parcelas da população que são desassistidas e que têm menos capacidade econômica para arcar com as tarifas que as vezes podem ser elevadas para a capacidade de pagamento dessa população.”

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  4. Para tornar o acesso mais igualitário, Leo Heller sugere medidas como políticas de compensação e de subsídios. O novo relator da ONU para o direito à água e ao saneamento afirmou estar honrado com a nomeação, mas revelou que “será um trabalho desafiador”, já que problemas nas duas áreas afetam vários países em desenvolvimento e que são "dificílimos" de serem solucionados.

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  5. Envie para o e-mail do nosso blog o seu comentário ou a sua opinião, enviando a msm para navepad@netsite.com.br

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  6. "É um pesquisador brasileiro que está numa posição de grande valor hoje em termos internacionais, aqui dentro do nosso país, ele pode bater de frente com o próximo Ministro do Meio Ambiente, devemos dar força a ele desde já, para influir em mudanças positivas nas políticas públicas brasileiras neste setor": é o comentário que nos enviou José Alves, que estuda Direito na USP em São Paulo.

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  7. Dentro do tema desta matéria de hoje aqui no blog, a internauta Marta Ângela, de Brasília (DF), nos envia informação que captou na Agência Brasil (EBC - TV Brasil): "A presidenta Dilma Rousseff se reuniu com o Governador de São Paulo, Geraldo Alckminn, na capital paulista: apesar de ele ser do PSDB e ela do PT, ambos saindo de disputa eleitoral, na pauta, pedido de ajuda do governo federal ao estadual para verbas ligadas à questão do abastecimento de água". A fisioterapeuta Marta ainda comenta: "Mas, infelizmente, ele não tem nenhum plano de reflorestar as áreas de preservação como nascentes e beiradas de rios, o que é fundamental para melhorar a situação ambiental lá e em todo o país".

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  8. Erramos: no texto anterior, o original de Marta Ângela está assim; "...pedido de ajuda do governo estadual ao federal". OK, nem poderia ser diferente...Apesar das diferenças políticas...

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  9. "A escolha do Dr. Leo mostra que a ONU está muito preocupado com a alta de uma gestão sustentável na área ambiental no Brasil, que nesse setor influi em todo o planeta": É a msm que nos envia o estudante de Jornalismo na Unesp de Bauru, Áureo Borges, que é de Salvador (Bahia).

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