A tendência segundo os especialistas é o problema se agravar sem uma gestão sustentável 

Apesar de o problema da crise hídrica ser mais evidente em São Paulo, dados da Agência Nacional de Águas (ANA) indicam que 55% dos municípios brasileiros podem sofrer deficit de abastecimento até 2015. O alerta foi feito em audiência pública sobre a crise da água no Brasil, na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados. Os participantes chamaram atenção para outras bacias hidrográficas do país, como a do São Francisco. O Brasil já está até trabalhando um plano nacional de segurança hídrica. O documento está sendo elaborado pela Agência de Águas e pelo Ministério da Integração Nacional a partir de um diálogo com os estados mas só deverá ficar pronto entre 2015 e 2016. A expectativa do superintendente da ANA, Joaquim Guedes Corrêa Gondim Filho, é que "as ações comecem ser implementadas ainda no decorrer do processo, à medida que os problemas forem sendo identificados". O deputado Sarney Filho (PV-MA), que solicitou o debate, anunciou que vai trabalhar pela criação, na Câmara dos Deputados, de um comitê da crise hídrica. Ele pretende retomar o assunto no início da próxima legislatura, em fevereiro. “É preciso que se tomem medidas urgentes, porque sem água não tem como viver”, afirmou então o deputado Zequinha.  No caso dos problemas de abastecimento de água em São Paulo, situação mais comentada no debate, a percepção dos especialistas é que a crise pode ficar ainda pior se não chover em boa quantidade nos próximos meses. E o problema será agravado se o estado não contar com um plano de contingência dos recursos hídricos: "Se o período chuvoso deste ano se configurar como o do ano passado, essa água não será suficiente para o ano que vem. E uma coisa é certa desde já, independentemente de chover mais ou menos, nós estamos em uma situação bastante bem crítica", observou a especialista em gestão de Recursos Hídricos e Meio Ambiente do Instituto Socioambiental (ISA), Marussia Whately. Segundo ela, os sistemas que produzem água para a região metropolitana de São Paulo, como o Cantareira, encontram-se com níveis de armazenamento ainda muito baixos. “O Cantareira está hoje em torno de 8%, isso já considerando duas cotas do volume morto. Ou seja, ele está em um volume negativo, algo em torno de 20% negativo”, complementou a especialista Marussia Whately. A coordenadora do Programa Rede das Águas, ligada à  SOS Mata Atlântica, Maria Luísa Ribeiro, relatou que, em Itu, as pessoas ficaram de fevereiro até recentemente com racionamento de 100%, "sem nenhuma água na torneira, vivendo uma realidade de caminhões-pipa com água sabe-se lá de onde". Foi lamentada pelas lideranças do Partido Verde a ausência de representantes do Governo do Estado de São Paulo na reunião: um mau sinal para o problema...

O problema que virou um drama em 2014 poderá ser uma tragédia em 2015?...
 
Especialistas nos Estados Unidos, diante da situação dramática na Califórnia (similar à de São Paulo) relacionam o caos do clima com o desmatamento. No COP20 no Peru nestes dias agora foi alertado que o desmatamento em toda Amazônia cresceu 80% nestes últimos 13 anos. Cientistas brasileiros relacionam diretamente esta situação amazônica à irregularidade de chuvas e à seca no sudeste do Brasil. Em Brasília agora neste encontro, apontaram a política de gestão dos recursos hídricos como um dos principais problemas no processo. Como observou Marussia Whately, a gestão hoje se baseia na oferta de água, sem o devido cuidado com mananciais. Além disso, é preciso lidar com a falta de chuvas e de transparência no sistema. "Enquanto isso, o Brasil vem aumentando o consumo e isso é uma tendência que deve ser levada em consideração". À demanda crescente os governos respondem de uma forma: com a tentativa de aumentar a oferta. "Tenta-se resolver o problema com o aumento da oferta, sempre procurando novas fontes, mas isso tem limitações. Hoje a questão que se coloca é que, antes de procurar novas fontes, você atue na gestão da demanda, no controle de perdas, nessas ações mais fáceis e mais baratas", defendeu Joaquim Gondim Filho. Maria Luísa Ribeiro pediu aos parlamentares que coloquem a água em uma agenda estratégica. Ela defendeu ações integradas entre os estados e mais voz para os comitês de bacias hidrográficas e chamou a atenção para a necessidade de combater o desmatamento, que tem influência direta nas secas, fazendo coro com os cientistas que se reuniram em Lima no Peru na cúpula da ONU sobre o caos do clima na atualidade.


O problema se relaciona com o aquecimento planetário, o desmatamento e a falta de gestão pública


Comissão do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável em Brasília lamentou a ausência do Governo de SP


Fontes: Agência Câmara
             www.envolverde.com.br
             www.folhaverdenews.com