segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

JARDINS COMUNITÁRIOS DE NOVA IORQUE SÃO UMA ALTERNATIVA POR AQUI TAMBÉM ONDE HÁ VÁRIOS ESPAÇOS URBANOS VAGOS

Guerrilheiros Verdes de NY estão criando novo modelo de produção e consumo sustentável

 
 
Algumas comunidades nos Estados Unidos se organizam para enfrentar os desafios da indústria de alimentos, com a criação de hortas comunitárias: Carolina Caffé, socióloga, documentarista e repórter freelance em Nova Iorque faz um relato deste movimento em alguns sites alternativos no States e em outros países, em nosso país no portal Rede Brasil Atual e agora aqui no nosso blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News, sempre ligado nas lutas pela sustentabilidade e busca de novas formas de viver e de pensar, ligadas ao movimento ecológico, científico e de cidadania.
 
                                       
Guerrilheiros verdes
Carolina Caffé fez fotos como esta e um vídeo sobre este movimento alternativo
 
Em um mundo em que o número de pessoas cresce exponencialmente, junto aos danos ambientais e à saúde, procurar novos paradigmas de produção e consumo frente ao modelo de desenvolvimento urbano atual, deixou de ser uma escolha. É preciso atuar com urgência, estratégia e criatividade dentro e fora do sistema. No coração da rica ilha de Manhattan, brotaram hortas comunitárias que fizeram as pessoas parar sua correria diária e se perguntar: “Eu ainda sei o que é comer de verdade?”. Esses espaços verdes se multiplicaram na cidade e hoje representam não apenas um símbolo de resistência à privatização do alimento, mas também à mercantilização do espaço, das relações humanas e da vida. No início dos anos 1970, em Nova York, a artista Liz Christy juntou-se a Donald Loggins e outros vizinhos. E resolveram fazer algo em relação ao quadro de abandono.Misturaram sementes e fertilizantes dentro de bexigas e camisinhas e jogaram por cima das cercas de terrenos baldios. Plantaram girassóis nos cruzamentos mais movimentados do bairro, frutas e legumes no parapeito de prédios abandonados. Em pouco tempo, chamaram a atenção para um terreno na esquina das ruas Bowery e Houston: onde antes se via um terreno baldio cheio de entulhos, surgiu um enorme jardim comunitário. É assim, em 1973, nasceu o Liz ChristyCommunity Garden, a primeira das hortas comunitárias de Nova York, e os Green Guerrillas (Guerrilheiros Verdes). Não tardou para que este  movimento ganhasse novos ativistas e simpatizantes, entusiasmados com o poder de transformação urbana das hortas comunitárias. O projeto foi reconhecido como ferramenta para recuperar terras da metrópole dos USA, fortalecer laços de vizinhança, além de fornecer uma alimentação saudável.

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 A ecologista Liz Christy faz poda em 1973 num jardim público de Nova Yorque

"Aos poucos as pessoas começaram a pedir instruções de como fazer as granadas verdes e replicar a mesma experiência nos seus bairros, no Brooklyn, no Bronx, no Harlem", conta Donald Loggins, cofundador da comunidade: "As pessoas sentem a necessidade de fazer algo assim pelas suas vidas e pela cidade, só precisam de algo que desperte nelas esse movimento". O Liz Christy Community Garden hoje é um jardim com um lago de 2,5 metros de profundidade, onde convivem peixes e tartarugas. Bancos de madeira e um caramanchão coberto de uvas oferecem abrigo para o saborear dos figos, peras e maçãs colhidos direto das árvores. Dali se pode contemplar o bosque de bétulas chorando, e uma enorme metasequoia chinesa, além das flores silvestres. Na casa de ferramentas pode-se encontrar um glossário com informações dos tipos de pássaros que visitam o jardim. E na horta, legumes e ervas de tipos variados para levar para casa ou cozinhar ali mesmo, com a vizinhança nos finais de semana.  Nova York conta hoje com mais de 600 jardins comunitários. Na maioria, eram terrenos abandonados que foram apropriados e trabalhados de forma voluntária e colaborativa pelos moradores dos seus bairros. O movimento cresceu e hoje a cidade conta com programas, centros e fundos públicos dedicados à proteção e manutenção dos jardins. Judith Z. Miller é uma das mais fervorosas defensoras do Warren Street/St. MarksCommunity Garden, no Brooklyn.
O local tem 26 anos e, com o comprimento de um quarteirão inteiro, funciona como um verdadeiro oásis no meio do cenário urbano. Na horta é proibido o uso de pesticidas não-orgânicos, herbicidas ou fertilizantes. “Uma vez por mês todos vêm e trabalhamos juntos, no chamado work day. É ótimo, você acaba conhecendo seus vizinhos, sujando as mãos de terra, fazendo algo produtivo. Cada vez que a gente vem fica melhor e mais bonito”, conta Judith, que também usa o jardim para ler e meditar. "Nós, que vivemos em centros urbanos, estamos muito desconectados da terra. Crianças acham que comidas vêm das latas, caixas e sacolas plásticas. Há crianças que moram a três quarteirões daqui e nunca entraram nesse jardim, nunca viram uma cenoura sendo puxada da terra", diz a ativista. Judith diz acreditar que se elas não têm a experiência prática de, com as próprias mãos, tocar o alimento, nunca irão respeitar a comida e entender a importância de proteger o meio ambiente, além das demais questões, como a mudança genética do alimento, os pesticidas e venenos na comida, na água e no ar. "As crianças que tiverem essa experiência desenvolverão uma relação muito melhor com a alimentação". O professor Nicholas Freudenberg, especialista em saúde pública da Universidade da Cidade de Nova York, afirma que a maioria das doenças crônicas está ligada diretamente ao hábito alimentar. Essas doenças estão crescendo rapidamente e hoje representam mais de 50% das causas de mortes em todo o mundo. Cardiopatias, diabetes, câncer,  hipertensão, todas  elas relacionadas à ingestão de alimentos processados por uma indústria que lucra com produtos que possuem grande quantidade de açúcar, sal e gordura, além das substâncias químicas para realçar sabor e fazê-los durar mais tempo. Devemos pressionar o setor público responsável, pois apenas o governo tem a autoridade e os recursos para colocar a pressão sobre a indústria de alimentos e dizer: "Não, você não pode lucrar fazendo nossos filhos doentes, você não pode promover entre os pobres produtos que fazem mal à saúde lucrando sobre o fato de eles não terem os melhores alimentos", afirma o especialista. Freudenberg aponta também a criação e o fortalecimento de um sistema alternativo de produção de alimentos como o segundo caminho estratégico. Os mercados de pequenos agricultores locais, os green cards, bancos de moedas sociais, as cooperativas de alimentos e as hortas comunitárias são todas peças desse sistema alternativo que acaba também por pressionar as forças do mercado, além de dar às pessoas comuns, e consumidores de baixa renda, uma forma mais direta de garantir uma comida saudável na mesa. "Através da criação e da manutenção destes jardins comunitários alternativos, cada pessoa que participa está vivenciando uma nova realidade diferente da violência e do consumismo no dia a dia da vida, que então fica mais equilibrada e sustentável", comenta por aqui o editor de nosso blog, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha. Para a pesquisadora Ann Gaba, especialista em saúde pública da Hunter College, as hortas comunitárias oferecem uma alternativa positiva não apenas do ponto de vista nutricional, mas também social. É lugar onde o tempo desacelera, as relações humanas e coletivas acontecem sem a mediação dos aparelhos eletrônicos e do mass media, tudo isso acaba trazendo tantos benefícios quanto colher um alimento mais saudável., uma vida mais feliz.
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Aqui, um "work day" no Warren Street St. Marks, as pessoas doam um dia de trabalho para o seu jardim comunitário

 
Fontes: www.redebrasilatual.com.br
             www.folhaverdenews.com

5 comentários:

  1. Para só citar o caso de uma cidade média do interior, exemplificando o que acontece por todo o país, em Franca (SP) há vários espaços urbanos vagos, abandonados ou mal utilizados, que podem vir a ser transformados em jardins e hortas comunitárias ou áreas de lazer natural, algo de que a população carece.

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  2. "A transformação do problemático sistema alimentar atual deve começar pelo questionamento do próprio consumidor sobre os seus hábitos. As pessoas não prestam a atenção na qualidade do seu dia a dia”, observa Ann. “Muitas compram algo pronto pra comer e saem correndo, ou comem na frente da televisão ou do computador, e estão tão distraídas que nem prestam atenção no que estão comendo, nem ao menos se tem um gosto bom ou não" completa em Nova Iorque a pesquisadora Ann Gaba. Por aqui no Brasil, tudo isso tem a ver com o movimento ligado aos alimentos orgânicos e à cultura alternativa.

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  3. Os lotes abandonados da década de 1970, em uma cidade que ainda sofria pelos tempos das guerras mundiais e da Grande Depressão, passaram a ser os espaços mais disputados do mundo hoje. Os verdes oásis contribuem para a valorização do local, isso quando não são alvo dos interesses comerciais e imobiliários que pressionam o governo para retomar os espaços e erguer no lugar empreendimentos lucrativos. Muitas das hortas comunitárias, que começaram por um movimento de ocupação civil, ainda lutam para conquistar um status diferente de “invasores”. Algumas ganham, outras perdem essa batalha. “Esse é o grande problema, as pessoas querem construir aqui. Esse pedaço de terra vale hoje milhões de dólares”, afirma Judith Z. Miller. “Lugares como esse não são interessantes entre os desenvolvimentistas, mas são essenciais para a comunidade.”

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  4. Mande a sua opinião sobre esta pauta: aí em sua cidade há espaço em que você pode liderar pessoas a criarem Jardins Comunitários como estes de Nova Iorque?...Envie a sua msm ou comentário para o nosso blog, mande para navepa@netsite.com.br

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  5. "Acredito que nas chamadas cidades universitárias, onde tem mais faculdades e estudantes este projeto pode dar certo, no Brasil não é fácil organizar a população e os movimentos como este e quando são da iniciativa das prefeituras as pessoas não participam": José Ramon, de Ribeirão Preto (SP) comenta sobre o desafio de um projeto como este, ele que diz ter desistido de ser líder comunitário.

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