domingo, 14 de dezembro de 2014

JOVENS BRASILEIROS OBSERVAM, CRITICAM E AVALIAM O QUE FOI A COP20 DA ONU NO PERU E COMO MUDAR O CAOS DO CLIMA

Aqui no nosso blog um resumo da entrevista de Luciano Frontelle, do coletivo de jovens Clímax Brasil: índios, cientistas e ecologistas querem mudar o mundo e não só o sistema climático...


A conferência mundial da ONU sobre mudanças climáticas em Lima no Peru está acabando com mais dúvidas do que certezas de que os objetivos mais básicos serão atingidos: além de discursos, alguns bem contundentes, quais os avanços de verdade deste evento mundial? O que realmente vai mudar na estrutura da energia e da economia em cada nação e no planeta? Como poderá avançar a recuperação da ecologia, sem o que não há mudança nenhuma e nem chance de nossa geração criar o futuro? Foi positivo o acordo entre China e Estados Unidos, mas ele aconteceu antes da COP20. As discussões e os documentos preparatórios para a COP21 (em dezembro de 2015 em Paris na França) realmente agilizarão o processo de medidas que venham a evitar o caos do clima e o colapso da economia causado pelo desequilíbrio ecológico do sistema atual de vida na Terra? Vários dos representantes dos 195 países que participaram desta cúpula climática em Lima voltaram e foram embora antes do término do evento, isto é um sintoma do esvaziamento e da decepção quanto aos resultados também. Entre tantas dúvidas, informações e esperanças contraditórias, o movimento ecológico, científico e de cidadania no Brasil e em vários países está considerando como muito positivos entre os fatos que aconteceram nestes dias no Peru, a realização paralela às reuniões do COP20, do valioso Tribunal Internacional pelos Direitos da Natureza, que vamos enfocar em seguida, como também, a Marcha dos Povos, realizada esta semana lá, e a pressão das comunidades indígenas, que propõem não somente uma discussão acerca das mudanças climáticas, mas uma mudança sistêmica, criticando os mecanismos de financiamento que são tidos como uma alternativa ao enfrentamento das mudanças climáticas. Enquanto os países apenas se preocuparem com este detalhe e continuarem na prática a desrespeitar os direitos das comunidades indígenas e da natureza, de que adiantarão as negociações? É urgente que se superem (pelo menos até o COP21 em 2015) os limites da lógica do capital e os direitos das comunidades sejam preservados e haja realmente a chance de uma recuperação da ecologia perdida nos países e no planeta, sem o que (repetimos) não há futuro em nossa vida. Outro dado positivo do COP20 foi a participação de um coletivo de jovens e a gente aqui no blog Folha Verde News resumimos a visão deles, com informações que recebemos por e-mail e captamos em sites como o Envolverde ou o do IHU On-line (da Unisinos) e ainda via um link com o Linkedin. A gente resume a visão dos jovens, através do que falou um deles, Luciano Frontelle, que se identifica como um empreendedor social e faz parte do coletivo Clímax Brasil. Confira logo a seguir, aqui.


Luciano Frontelle falou em nome dos jovens...
 
...que foram observar o COP20 como o coletivo Clímax Brasil


Os índios, cientistas e ecologistas têm uma mesma posição diante da realidade

Mudemos todo o sistema para mudar o clima (ou...Os últimos hippies do mundo)

"Esta mensagem é em síntese o que pediam os participantes da Manifestação de 10 mil pessoas nas ruas durante a COP20 da ONU em Lima, com toda razão: eu só acrescentaria a isso: mudemos o ser humano também, para mudar o mundo", comenta por aqui no blog Folha Verde News o nosso editor, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha, divulgando as principais informações deste evento no Peru sob o enfoque da necessidade urgente de a gente mudar a realidade atual para que exista futuro na vida em cada um dos países e na Terra: "Outro fato, a mudança precisa ser prá ontem e não só para sabe-se lá quando, somente para... amanhã, os políticos sempre empurram as soluções para depois, por exemplo, agora, só a partir de 2015, quando acontecerá a próxima conferência mundial do clima. Há uma urgência extrema de mudar a realidade para se conter o caos do clima".


10 mil pessoas participaram da marcha dos índios, manifestação durante a COP20 em Lima
 
"A mensagem principal da marcha foi dada pelos indígenas, que têm se posicionado contra o mecanismo REDD plus. A proposta indígena é em torno de uma mudança sistêmica e não somente climática. Isso significa que eles são contrários ao mecanismo tem funcionado numa lógica em que os direitos das comunidades e dos povos tradicionais não estão sendo respeitados, porque se permite desmatar, por exemplo, e depois se compensa tal dano ambiental com um valor monetário, criando assim um precedente para que os países possam desrespeitar os direitos das comunidades. Eles estão preocupados porque as negociações entram somente na lógica do capital e não a dos direitos das comunidades", falou em sua entrevista ao IHU On-line o jovem brasileiro Luciano Frontelle. Ele informou que a marcha teve a presença das comunidades indígenas da Amazônia brasileira e peruana, além de ONGs ambientais:"Foi uma marcha plural, mas a mídia reclamou do trânsito ao invés de noticiar o conteúdo da manifestação; noticiou os incômodos que o protesto gerou, embora a marcha estivesse anunciada há mais de seis meses e Lima deveria estar organizada para recebe-la. De todo modo, a manifestação foi pacífica, com mais de 10 mil pessoas, certamente; as pessoas manifestaram que esperam mais ambições ou objetividade nas negociações, que se preservem os direitos dos setores que não são assim tão ouvidos, como os índios e ecologistas ou cientistas, além de criticarem a mercantilização das negociações, tendo em vista que participam da COP20 as grandes corporações do petróleo". Como há a urgente necessidade de se mudar a estrutura energética, dos combustíveis e a implantação de energias mais limpas, é realmente uma contradição a participação consentida pela ONU de empresas petrolíferas no evento em Lima sobre a luta planetária por mudanças climáticas.


Alguns cientistas da França alertaram sobre os riscos do gás de Xisto e do Petróleo

Como parte das atividades paralelas à COP20, uma delas, o Tribunal Internacional pelos Direitos da Natureza, teve um painel de juízes internacionais. Doze casos de violações ambientais e dos direitos indígenas em diferentes partes do mundo foram analisados por este tribunal, que tem um caráter ético. Empresas e Estados foram postos nos bancos dos réus. Em alguns dos casos foram emitidas sentenças e outros foram somente apresentados e decidiu-se continuar e aprofundar  as investigações nos próximos dias e meses. Em um dos casos apresentados ao Tribunal pelos Direitos da Natureza acusou-se a empresa petroleira argentina Pluspetrol pela contaminação que as suas atividades causam na Amazônia peruana, afetando severamente o meio ambiente e a vida das comunidades nativas. Em conversa com este jornal, Aurelio Chino Dahua, da etnia amazônica Quéchua que vive na zona de operações da Pluspetrol, falou da situação dos povos indígenas. “Nossos irmãos ficam doentes por consumirem a água dos rios e por comerem os peixes e animais que estão contaminados. Esta empresa não está cumprindo seu compromisso de resolver os danos ambientais. A contaminação prossegue e ninguém faz nada. Eles estão nos dando a entender que não querem se sentar para dialogar com os índios e outros prejudicados". Este tribunal paralelo condenou também transnacional Chevron Texaco pelos “danos irreversíveis” de suas atividades petroleiras no Equador. Também o próprio estado equatoriano foi condenado pela exploração petrolífera no Parque Nacional Yasuní. Outros condenados foram a British Petroleum, pelo vazamento de óleo no Golfo do México, considerado o pior da história, e o governo de Queensland (Austrália), pela destruição do Arrecife de Coral. Entre os casos aceitos por este tribunal figuram a morte de 33 pessoas em um protesto indígena na Amazônia peruana em junho de 2009 e o processamento judicial de 52 índios e outros participantes desses protestos; o questionado projeto mineral Conga, no Peru, contra o qual se levantaram as comunidades indígenas, protestos que deixaram então 5 mortos. Também foi tema do Tribunal Internacional dos Direitos da Natureza, organizado por advogados e líderes de cidadania, a construção da central hidroelétrica de Belo Monte na Amazônia brasileira, no Xingu. “Este é um tribunal ético; suas resoluções mantêm-se nesse nível, suas sentenças são um apelo ao mundo para defender a natureza. Viemos com uma mensagem que quer mostrar ao mundo a importância de proteger a natureza para a existência da humanidade”, resumiu o posicionamento desta iniciativa o equatoriano Alberto Acosta, presidente deste tribunal pela ecologia e pela ética, paralelamente aos discursos das autoridades governamentais no COP20 no Peru.


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Os direitos indígenas como dos Mundurukus do Brasil foram citados no Tribunal da Natureza em Lima


Fontes: IHU On-Line: www.ihu.unisinos.br
             www.envolverde.com
             www.folhaverdenews.com

 
 

7 comentários:

  1. Estes jovens de agora e estes índios que se manifestaram em Lima no Peru, enquanto rolava a cúpula da ONU sobre clima, mostram que os hippies estavam certos na prioridade que davam à natureza.

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  2. Mande a sua opinião sobre o que falam cientistas (do IPCC da ONU), bem como ecologistas, índios e estes jovens cabeça do coletivo Clímax Brasil que foram à Lima no Peru acompanhar e tentar influenciar de forma positiva a COP20 para mudar a realidade. Conseguiram? Ou...conseguirão?

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  3. Enfim, é preciso mudar todo o sistema ou mudar o mundo para a atual geração humana conseguir mudar o clima, que se aproxima de um caos na Terra?...

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  4. Mande a sua msm aqui pro blog via o e-mail navepad@netsite.com.br ou direto pro nosso editor padinhafranca@gmail.com

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  5. "Conheci este instituto a que estes jovens do Clímax Brasil estão ligados, o IHU, da Unisinos, quando buscava em qual universidade estudaria (acabei por optar pela Unesp de Botucatu, pela calma da cidade e meu interesse na vida e na ciência rural). Agora, vendo o que eles falam, me identifico com isso e creio que muitos jovens também, mas a gente não tem espaço na mídia, é raro um blog como esse dar este enfoque, a realidade sob o ponto de vista da juventude":.A msm nos foi enviada por Vitor Santos.

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  6. "O que mais me impressionou e agradou neste post é que vocês criticam o petróleo como gerador de efeitos negativos no ambiente e dão os nomes de algumas empresas petrolíferas e o que andam aprontando por aqui na América Latina". O comentário é de Alice Madeira, jovem portuguesa que estagia em uma empresa de marketing em São Paulo ma área de Comunicação Social.

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  7. "Na minha visão os hippies são pré-ecologistas e agora nessa geração de seres humanos, em meio à sociedade de consumo e da falta de valores éticos, espirituais ou culturais puros, a ecologia é a utopia de nossa época": este é em parte o comentário de Elizeu Flores, de Vitória (ES), professor e praticante de Yoga. Obrigado pelo elogio às postagens do nosso blog, vamos juntos à luta, com paz.

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