domingo, 21 de dezembro de 2014

KAXINAWÁ É UM DOUTOR ÍNDIO QUE LUTA PELA CULTURA INDÍGENA A PARTIR DO POVO HUNI KUIN DO BRASIL

Pesquisador é primeiro índio a receber título de Doutor em Linguística na Universidade de Brasília: exemplo de cidadania, ele é muito popular entre indígenas como Joaquim Maná


Um dos projetos de Joaquim Paulo de Lima Kaxinawá é que as línguas nativas de diferentes povos sejam ensinadas para crianças e estudantes, também os não índios que se interessarem, para preservar e abrir um futuro para a cultura indígena no Brasil. Nascido no município de Tarauacá, no Acre, na Terra Indígena Praia do Carapanã, Kaxinawá se tornou o primeiro índio no Brasil a fazer o doutorado em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB). Mais conhecido entre outros índios e entre estudantes e professores como Joaquim Maná, ele defendeu nesta sexta-feira a tese “Para uma gramática da Língua Hãtxa Kuin”. "Este índio doutor exemplifica bem o potencial dos indígenas brasileiros e seu doutorado pode ajudar na luta contra os preconceitos contra estes povos, que são os ancestrais da Nação brasileira", comenta por aqui no blog Folha Verde News o nosso editor de conteúdo, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha: "Cultuar a cultura e a vida dos nossos ancestrais é uma forma de ampliar nossa realidade e a chance de futuro pro nosso país".

Dr. Kaxinauá planeja agora ajudar o seu povo nativo na Terra Indígena Praia do Carapãnã no Acre e à toda cultura indígena no Brasil que não conhece o Brasil



Dr.Kaxinawá considera a luta pelas terras indígenas e pela cultura nativa fundamentais no país
 

O Brasil não conhece o Brasil nem valoriza a cultura indígena, diz Dr.Kaxinawá
        

Alfabetizado na língua portuguesa aos 20 anos em um programa alternativo coordenado pela Comissão Pró-Índio do Acre, ele fez o magistério indígena em seu estado e a graduação em um curso intercultural indígena na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. O mestrado e o doutorado foram feitos na UnB. Para ele, um dos maiores desafios durante o doutorado foi a indisponibilidade de pesquisas sobre a língua de seu povo, sobretudo em português. “Muitas pesquisas foram escritas em inglês, alemão, francês e espanhol e não foram apresentadas ao povo, ficaram guardadas mas desconhecida por todos".  Agora Dr. Joaquim Kaxinawá acredita que a tese não deve provocar muitas mudanças em tabus e preconceitos, mas espera que sirva de exemplo para a formulação de um programa de ensino da língua nativa aos diferentes povos do país. E também aos não indígenas que se ligam nas raízes culturais brasileiras. “Das 12 terras que nós temos, seis já estão com problemas. Os mais velhos falam na nossa língua e os jovens já não falam mais. Falam em português. Agora é preciso se aliar às secretarias municipais, estaduais, ONGs, entidades ecológicas que trabalham com os povos indígenas, para criar um programa e manter um curso de ensino de língua oral, língua escrita e produção de material didático”, defende Dr. Kaxinawá. Recentemente, a Agência Brasil publicou a reportagem especial Ixé Anhe'eng destacando que, nos próximos 15 anos, o Brasil corre o risco de perder até 60 diferentes línguas indígenas – o que representa 30% dos idiomas falados pelas etnias do país.
A coordenadora do Laboratório de Literatura e Línguas Indígenas da UnB, Ana Suelly Cabral, destaca a importância do estudo sobre os povos originais. “Se eu sou professora, ou fui, do Joaquim Maná, ele foi meu professor também. Trabalhar com eles é uma grande aprendizagem. Ao mesmo tempo em que eu passo esse conhecimento, eu estou aprendendo com eles, a língua deles, e também, mais importante, eu aprendo uma riqueza cultural incrível que índios podem passar para todos os brasileiros". A professora adianta que mais dois pesquisadores indígenas devem conquistar o título de doutor pela UnB em fevereiro e em maio do ano que vem. Ela espera que os estudantes se espelhem em Dr. Kaxinawá, que pretende voltar à Terra Indígena Praia do Carapãnã, para reforçar o ensino da língua Hãtxa Kuin, do povo Huni Kuín, entre crianças e adultos. "Preservar a cultura nativa é uma forma de criar o futuro dos variados povos que formam a nossa Nação", comenta ainda o ecologista Padinha ao editar aqui no blog estas informações da Agência Brasil e do site Vermelho.



Milhares de pessoas falam línguas indígenas no Brasil e você pode conferir mais detalhes sobre esta informação em nossos comentários, aqui no blog.


Fontes:  Agência Brasil

                  wwww.vermelho.org.br
                  www.folhaverdenews.com

9 comentários:

  1. Brasil tem cinco línguas indígenas com mais de 10 mil falantes cada uma, informam o site Vermelho e a Agência Brasil. Cinco das mais de 150 línguas indígenas faladas no Brasil têm mais de 10 mil falantes, segundo dados do Censo de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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  2. As 150 línguas indígenas do Brasil são um patrimônio cultural e histórico do nosso povo e da humanidade, embora em geral as pessoas em nosso país nem saibam disso. Por enquanto...

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  3. De acordo ainda com o censo do IBGE, que leva em consideração pessoas com mais de 5 anos de idade que usam o idioma em seu próprio domicílio, as línguas mais usadas no Brasil são o tikuna (com 34 mil falantes), o guarani kaiowá (com 26,5 mil), o kaingang (22 mil), o xavante (13,3 mil) e o yanomami (12,7 mil).




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  4. Para alguns pesquisadores especialistas têm ainda mais falantes do que o divulgado pelo Censo do IBGE, já que as línguas nativas do Brasil também por indígenas que vivem em países vizinhos, como Paraguai, Colômbia e Venezuela.

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  5. Mais sete idiomas superam a marca de 5 mil falantes no Brasil: guajajara (9,5 mil), sateré-mawé (8,9 mil), terena (8,2 mil), nheengatu ou língua geral amazônica (7,2 mil), tukano (7,1 mil), kayapó (6,2 mil) e makuxi (5,8 mil). Se o guarani nhandeva (com 5,4 mil falantes) e o guarani mbya (5,3 mil) forem considerados línguas distintas do kaiowá, o número chega a nove. Assim como no caso do guarani, nem sempre é fácil determinar quantas línguas existem no Brasil, já que isso varia de acordo com os critérios usados para definir o que é um idioma e o que é um dialeto. O especialista Wilmar da Rocha D'Angelis, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), estima um número entre 150 e 160.

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  6. O site Ethnologue.com, um banco de dados das línguas faladas no mundo, cita 170 ainda faladas. Já o Laboratório de Línguas e Literaturas Indígenas da Universidade de Brasília (UnB) lista, em seu site, 199. O Brasil é um repositório de grande variedade de línguas. O país é berço de pelo menos dois grandes troncos linguísticos: o tupi e o macro-jê. Troncos são a unidade mais ampla da linguística, que reúnem famílias de idiomas com uma mesma origem. Línguas de um mesmo tronco podem apresentar diferenças enormes entre si. O português pertence, por exemplo, ao tronco linguístico indo-europeu, o mesmo que o hindi (falado na Índia) e o curdo (falado no Iraque, na Síria e Turquia).

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  7. Ainda há várias famílias linguísticas (não pertencentes a nenhum tronco específico), como a aruak, a karib, a pano e a tukano, e também línguas isoladas (que não têm nenhuma língua similar hoje no mundo), como um dos mais populares idiomas indígenas brasileiros: o tikuna. “A forma do continente sul-americano favoreceu a entrada de diversas migrações vindas do norte, mas praticamente bloqueou-lhes a saída. Isso fez, dessa parte da América, uma espécie de laboratório linguístico, do qual ainda há muito por conhecer”, afirma D'Angelis, mestre da Unicamp.

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  8. Em meio a tanta variedade, o linguista destaca algumas singularidades encontradas em idiomas indígenas, como uma língua de sinais (usada pelos Urubu Kaapor), a comunicação por assovios na língua pirahã e línguas tonais (que usam o tom para dar diferentes significados à mesma palavra), como o tikuna e o suruí. D'Angelis também destaca que alguns fatos linguísticos foram observados pela primeira vez em idiomas indígenas da América do Sul: como a existência de duas formas para 1ª pessoa do plural (uma que inclui o interlocutor e outra que o exclui) em muitas línguas tupi-guarani. “Vale dizer que muitos estudos de línguas indígenas brasileiras e pesquisadores brasileiros são referência em discussões teóricas da linguística, embora poucos trabalhem no desenvolvimento de teorias linguísticas a partir de fatos novos e desafios trazidos pelo conhecimento de línguas indígenas”, afirma Dr. D'Angelis.

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  9. Por todas estas informações e pelo alcance de toda esta cultura nativa, nossos internautas podem entender o alcance dos estudos e dos projetos do Dr. kaxinawá. Envie sua msm ou opinião por e-mail do nosso blog navepad@netsite.com.br ou direto por nosso editor padinhafranca@gmail.com

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