sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O MUNDO SUBMARINO PODE VIRAR UM DESERTO SE CONTINUAR A PESCA SEM LIMITES EM ALTO MAR

Satélite ajuda flagrar e controlar pesca comercial em alto mar, explica Eduardo Pegurier  
  
A partir de uma reportagem de Eduardo Pegurier, postada no site O Eco, sobre uso de imagens com apoio da Google e da Nasa para monitorar e guiar a conservação dos peixes e da vida marinha em especial em alto mar, onde não há controle nem jurisdição de nenhum país, por exemplo, fora do limite das 200 milhas marítimas brasileiras a pesca comercial já se tornou excessiva e é urgente uma forma de resolver este problema: uma alternativa para isso é o protótipo do Global Fishing Watch  (Vigilância Global da Pesca), uma tecnologia que pode ajudar a virar o jogo a favor da criação de áreas protegidas em alto mar e da melhor regulação das frotas pesqueiras internacionais. Uma entidade não governamental e ecológica (funciona em um pequeno escritório na Virgínia do Oeste, a uma hora e meia de Washington D.C.), a Skytruth se notabilizou por usar imagens de satélites para denunciar acidentes ambientais no mundo inteiro, como os vazamentos de petróleo (foi assim no Golfo do México em 2010 ou o vazamento da Chevron, aqui no Brasil, na Bacia de Campos em 2011). As embarcações oceânicas hoje são obrigados a usar um AIS (Automatic Identification System, Sistema de Identificação Automática). O dispositivo manda informações sobre o barco, como a sua nacionalidade, e fornece a sua posição. A Skytruth criou um software que usa a informação do satélite e analisa o trajeto de cada barco que se utiliza de um AIS. Caso ele se mova pelo mar com um padrão característico de quem está pescando, o programa o identifica e o separa de navios e embarcações de transporte. Criado em parceria com a Google e a Oceana, os principais responsáveis pelo sistema na Skytruth são John Amos, geólogo e presidente da ONG, e Paul Woods, que desenvolveu o software e diretor de tecnologia da organização. Eles estão empolgados, e com razão. Usando as informações enviadas pelos dispositivos de identificação, a Skytruth identificou 3,7 bilhões de dados referentes ao movimento de embarcações oceânicas. O software separou o joio do trigo e marcou aquelas cujo comportamento indica pesca. Isso reduziu o número para (apenas) 35 milhões de dados. A Google ajudou a transformar isso em um mapa. O resultado é espantoso. De repente, ao mirar uma imagem, você descobre que os oceanos do planeta inteiro estão coalhados de pesqueiros de alto-mar, que antes  estavam invisíveis mas agora podem ser flagrados detonando as populações de peixes comerciais. “Nós detectamos um navio pesqueiro nas águas de Palau e avisamos o seu governo”, contou John. “Imediatamente, Palau enviou um barco-patrulha para interceptar o pesqueiro. E na hora que a patrulha partiu, vimos pelo satélite o pesqueiro dar meia-volta e partir para águas internacionais, além de, pouco depois, desligar o seu dispositivo de identificação”. O fim da história é que o navio pesqueiro infrator fugiu a tempo para águas sobre as quais ninguém tem jurisdição. Mas agora eles sabem que não passam mais despercebidos, que pode ser criado um sistema de vigilância ecológica em todos os pontos de todos os mares do planeta.


Mapas
As linhas brancas e claras sobre o Oceano Atlântico indicam as fronteiras das águas nacionais e os pontos amarelos, os navios pesqueiros em águas internacionais, onde a pesca não é controlada e já representa um problema gravíssimo
 
 
Na maior parte dos casos, os grandes navios pesqueiros respeitam as áreas marítimas de cada país. As imagens mostram como logo além dessas fronteiras abstratas, já em águas internacionais, a situação é outra, aglomeram-se para pescar pesqueiros da Coreia do Sul, Japão, Espanha e Rússia, para citar só algumas bandeiras mais comuns dessas embarcações. Por exemplo, na Ilha de Trindade, que pertence ao Brasil. No círculo de oceano sob jurisdição brasileira os pesqueiros não entram. O exemplo sugere que áreas protegidas marítimas podem contribuir e muito para impedir que a pesca sem limites arrase as populações de peixes e terminem por tornar o mundo submerso um deserto. "A tecnologia que faz uma Vigilância Global da Pesca, desenvolvida pela SkyTruth, é realmente uma alternativa para que se comece urgentemente a se resolver o excesso de pesca comercial em alto mar, que já depreda e desequilibra demais a vida marinha e poderá significar uma tragédia ambiental em pouco tempo", é o que comenta por aqui no Folha Verde News ó repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha, ao editar em nosso blog esta reportagem, que ele considera de grande valor para os que lutam pela vida: é urgente que oceanógrafos e ecologistas pressionem os governos dos países e alertem a ONU sobre o alcance deste problema ainda pouco conhecido no mar e na Terra. "Por ser desconhecido e até agora, incontrolável, o perigo aumenta de gravidade e já exige uma ação contrária", conclui aqui Padinha.


Ecologistas tem denunciado os navios proibidos e a pesca abusiva em alto mar


Fontes: www.oeco.org.br
             www.folhaverdenews.com

 

7 comentários:

  1. Extraordinária esta parceria com a Google e a Oceana, entre os dois responsáveis pelo sistema na Skytruth. o John Amos, geólogo e presidente da ONG, e Paul Woods, que desenvolveu o software e diretor de tecnologia da organização. usando as informações enviadas pelos dispositivos de identificação, eles podem contrubir para resolver o problema do excesso de pesca comercial em alto mar em todos os oceanos.

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  2. O excesso de pesca predatória também por aqui no Atlântico, segundo oceanógrafos, biólogos e ecologistas do mar, pode transformar os oceanos em desertos tal a intensidade deste problema.

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  3. Apenas com boa vontade política e com tecnologia, como a do Sistema de Vigilância por Satélite desenvolvido pela Skytruth, será possível policiar, controlar e diminuir a pesca comercial e predatória (a feita por arrasto, por exemplo) nas águas internacionais dos oceanos, em alto mar, que é um Deus dará.

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  4. Mande a sua opinião ou informação, enviando a sua mensagem pro e-mail do nosso blog navepad@netsite.com.br

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  5. "Fiquei surpresa com esta informação, triste pela condição dos oceanos, pelo extermínio dos peixes, feliz porém com o potencial de nova realidade que se abre com a tecnologia desenvolvida nos Estados Unidos pela Skytruth, ´urgente trazer este sistema para cá": a msm nos foi enviada ontem à noite por Rose Quirino, de Guarujá (SP), que é promoter na indústria de lazer no litoral paulista.

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  6. "Fora das 200 milhas marítimas que o Brasil procura proteger, em alto mar é um horror também por aqui no Atlântico, como demonstra o mapa de ocorrências da Skytruth: será que o Ministério da Pesca em Brasília não sabe disso?"...O comentário é de Cleacir Ribeiro (de Vitoria, ES), ele que é representante comercial capixaba e diz: "Minha vida é o mar desde criança e fiquei horrorizado com mais essa".

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  7. "A ONU precisa alertar os países para este problema que ainda está invisível na mídia mas que pode vir a ser fatal para o equilíbrio do ambiente marinho, acabando com a vida dos mares": é a msm que nos envia Rubens Amado, de BH, Minas Gerais, que deverá fazer uma Faculdade de Oceanografia em 2015.

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