sábado, 3 de janeiro de 2015

ÍNDIOS QUE VIVIAM ISOLADOS NA AMAZÔNIA CONTATAM A TRIBO DOS AWÁ-GUAJÁS

Os Awá-Guajás levam adiante contato e amizade com índios isolados de reserva maranhense
Estes povos nativos estão em três terras indígenas Alto Turiaçu, Awá-Guajá e Caru
    
Após décadas resistindo ao contato com pessoas das cidades e das fazendas, inclusive com outros indígenas e até de sua própria etnia, três índios Awá-Guajás que viviam isolados no interior da Terra Indígena Caru, na região oeste do Maranhão, na Amazônia aceitaram a aproximação de outros Awá-Guajás e seguiram com eles até aldeias onde vivem índios há tempos vivendo sem contato com os não índios. Segundo o coordenador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) naquela região, Daniel Cunha de Carvalho nesse caso se tratava de duas mulheres e de um adolescente da mesma família (mãe, filho e avó) que moravam sozinhos, isolados e que perderam outros parentes, possivelmente mortos em combates com madeireiros ou outros invasores da floresta. No último domingo de dezembro de 2014, índios Awá avistaram a família enquanto procuravam alimentos nas proximidades da Aldeia Tiracambu. As circunstâncias do encontro ainda não estão claras, mas é possível que ao aceitarem a aproximação do grupo, as duas mulheres tenham identificado algum laço de parentesco com eles, aceitando, assim, acompanhá-los até a aldeia, afinal são da mesma etnia. O fato é tão incomum que a Funai interrompeu as férias do responsável pela Coordenação-Geral de Índios Isolados e Recém-Contatados, Carlos Travassos, para que ele viajasse de Brasília para o Maranhão. Uma servidora da coordenadoria regional da fundação, que também estava de férias, teve que voltar ao trabalho e foi enviada à reserva indígena ainda na segunda-feira (29 de dezembro) a fim de verificar a situação no local dos acontecimentos: "Isso é um fato raro, já que há várias décadas esses grupos que vivem isolados, têm resistido a fazer contato até mesmo com outros Awás-Guajás. Inicialmente, chegamos a imaginar que pudesse ter acontecido algo grave – como um problema de saúde ou reflexo da presença de madeireiros que atuam ilegalmente na terra indígena – e que se tratasse de uma tentativa de pedir ajuda”, disse Travassos à Agência Brasil. De acordo com Carvalho, as duas mulheres e o adolescente passam bem. A Funai acionou o plano de contingência e pôs em prática as medidas necessárias à proteção dos índios isolados – suscetíveis a contrair alguma eventual doença contra a qual não tenham proteção imunológica. O coordenador garante que uma equipe da Secretaria Especial da Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, também já foi deslocada para o local. Habituada aos costumes dos Awá-Guajás, com quem trabalha há quase 25 anos, a missionária do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Rosana de Jesus Diniz disse ter ficado “muito surpresa” com o fato. Segundo ela, há tempos os índios das aldeias relatam encontrar vestígios da presença dos grupos isolados. Esta, no entanto, é a segunda vez em ao menos uma década que um contato entre grupos foi estabelecido espontaneamente. O outro caso ocorreu há aproximadamente dez anos, quando Awá-Guajás de uma aldeia da Terra Indígena Awá encontraram mulher e filho, hoje um adolescente, sozinhos em uma espécie de cabana. Os dois hoje vivem na Aldeia Tiracambu, mas, segundo a missionária Rosana, a mulher se mantém arredia e de pouca conversa até hoje. Daniel e Rosana acreditam que a curiosidade natural dos Awá-Guajás não explicaria que qualquer índio isolado deixasse sua comunidade e se aproximasse sozinho de outro grupo. Para ambos, a degradação florestal causada pela ação de madeireiros e a consequente desorganização da coesão interna dos agrupamentos indígenas podem ajudar a entender o desfecho deste encontro inédito: "Que este fato possa servir de alerta sobre os povos indígenas isolados que precisam ser respeitados como a própria floresta, eles são uma espécie de guardiões da últimas florestas mais remotas na Amazônia", opina por aqui no blog Folha Verde News o nosso editor de conteúdo, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha que há uns 6 meses havia postado aqui uma outra reportagem sobre estes índios, com um detalhe: "Até hoje, todos os contatos entre grupos se estabeleceram em virtude da destruição do território pela ação de não índios", ressaltou a ativista do CIMI, Rosana de Jesus Diniz: "Toda a região vem sofrendo com o desmatamento. Como, culturalmente, cada grupo Awá-Guajá delimita seu território de caça e coleta, a pressão que a presença de madeireiros e o desmatamento exercem pode estar contribuindo para que os grupos isolados percam a referência territorial e, sem outros meios de sobreviver, se aproximem cada vez mais uns dos outros e de grupos aldeados”, explicou Travassos, o coordenador regional da Funai. O estado brasileiro reconhece as terras indígenas Awá-Guajás há décadas. Mesmo assim, a extração ilegal de madeira continua e é objeto constante das denúncias de organizações ambientalistas e indigenistas e pelo Ministério Público (MP). Em janeiro, a pedido do MP, a Justiça Federal condenou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Funai e a União a instalarem postos de fiscalização para impedir a extração ilegal de madeira no interior das três terras indígenas existentes na região (Alto Turiaçu, Awá-Guajá e Caru). O juiz chegou a estabelecer prazo de 120 dias para que então os três órgãos públicos federais comprovassem ter adotado as necessárias medidas para garantir a efetiva proteção das áreas. Segundo o MP, as determinações não foram cumpridas. Das três reservas indígenas, a Caru é a que está mais desprotegida. Em razão disso, é a que mais tem atraído madeireiros. Ela foi reconhecida pela Funai em 1980, a partir do desmembramento da Reserva Florestal do Gurupi, que deu origem também à Terra Indígena Alto Turiaçu. Interligadas, as duas reservas (Caru e Turiaçu) formam, junto com a Terra Indígena Awá, homologada pelo governo federal em 2005, um complexo de áreas indígenas ocupadas principalmente pelos Awas-Guajás, mas também por índios Ka’apor e Guajajara, podendo haver ainda outros povos isolados ali a oeste do Maranhão. 2015 começa com esta notícia que vem da Amazônia, nativos da floresta continuam muito ameaçados pelos madeireiros e pelo desmatamento.


Os índios isolados sejam Awas-Guajás, Ka’apor ou Guajajara são guardiões da floresta

O Ministério Público já pediu ao estado brasileiro proteção a estes povos...

...alguns deles, isolados das aldeias, vivem como os seus ancestrais mais remotos

No caso anterior, foi uma criança, agora duas mulheres e um jovem



São povos de grande importância para a floresta e para o Brasil...
 












...que sobrevivem na região oeste do Maranhão
             

Fontes: Agência Brasil
              www.ambientebrasil.com.br
              www.folhaverdenews.com

 

8 comentários:

  1. A manchete desta notícias poderia ser também, nativos da floresta Amazônica continuam muito ameaçados pelos madeireiros e pelo desmatamento.

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  2. Há cerca de 6 meses havíamos feito aqui no blog da ecologia e da cidadania outra matéria sobre índios isolados em outra região da Amazônia.

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  3. 2015 começa para o movimento ecológico, científico, indígena e de cidadania com mais esta informação preocupante.

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  4. Mande você também a sua informação, comentário ou opinião aqui pro nosso blog navepad@netsite.com.br ou direto para o e-mail do nosso editor de conteúdo padinhafranca@gmail.com

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  5. "Realmente, como já escrever o Padinha, aqui e no Facebook, com toda razão, se os índios acabarem, será destruída a última chance da ecologia no Brasil, eles são os últimos guardiões da floresta, cada vez mais invadida por desmatadores, madeireiros e garimpeiros": quem comenta é o técnico agrícola e apicultor Valdivino Franco, que acessa constantemente o Folha Verde.

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  6. "Providência urgente, Ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, estes fatos não podem continuar impunes": é o que comenta Analy Moreira, de São Paulo (SP), produtora de arte que pesquisa a cultura indígena e alternativa.

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  7. A jornalista Luciana Vetorazzo cos contatou desde Brasília: foi um grande prazer pro nosso editor Padinha reencontrar sua ex´colega de trabalho em um jornal, anos atrás. Luciana, via o Facebook, sugeriu que ele faça um documentário sobre este povos indígenas ameaçados no Maranhão, na Amazônia.

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  8. "Curti muito esta matéria, mas duvido que as autoridades venham a tomar providências, como pediu o MP do Maranhão": é o comentário de Nilton Pereira, advogado em Pirassununga (SP) que diz que irá levar este post para a OAB de lá. A gente agradece.

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