quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

LIXÓLOGA DEFINE CATADORES E RECICLADORES COMO O EXÉRCITO VERDE DA VIDA

Banco Mundial calcula que 4 milhões de latino-americanos sobrevivem do lixo reciclado, sendo que 75% deste exército verde trabalham em condições insalubres, isso, também no Brasil 


Uma das chaves para que milhões de pessoas na América Latina tenham um trabalho mais digno pode se resumir em algo tão simples como em cada casa os cidadãos e cidadãs separarem o lixo “reciclável” do “não-reciclável”. Isso poderia melhorar a rapidez e a condição do trabalho de cerca de 15 milhões de pessoas que ganham a vida recuperando material reciclável no lixo em todo o planeta. De todos eles, 4 milhões estão na América Latina (1,5 milhão no Brasil) onde pelo menos 75% trabalham de forma insalubre, procurando em montanhas de lixo algo para vender. O que une ou iguala toda essa multidão são as condições desumanas em que trabalham e vivem esses catadores de lixo. Para o especialista em desenvolvimento social do Banco Mundial, Ricardo Schusterman, além das condições insalubres, há outros problemas relacionados a uma longa cadeia de intermediários, que resultam em exploração e crime. A promoção de empregos alternativos, que envolva ou não o manuseio de resíduos sólidos, em combinação com programas de apoio social aparece como uma solução para evitar a exclusão social. Uma opção é tratar os catadores como empresários de um setor alternativo. Em toda América,  existe um grande potencial econômico para desenvolver empresas que se dediquem à reciclagem. Um latino-americano produz em média entre 1 e 14 quilos de lixo por dia. Se fosse separado na fonte -ou seja, nas próprias casas onde os resíduos são produzidos e descartados, aproximadamente 90% poderia ser reconvertido em combustível ou reciclado. "Os catadores são um exército verde, porque trabalham pelo planeta mesmo sem saber disso, embora alguns tenham consciência do seu valor e do potencial deste negócio", explica Albina Ruiz, que se define como lixóloga e atualmente preside a Cidade Saudável, uma associação que busca uma mudança de atitude em relação ao problema do lixo sólido e que treinou e formalizou mais de 11.500 catadores no Peru. Para reverter esse quadro, em toda a América Latina surgiram associações e cooperativas na busca de condições dignas de trabalho e de maior rentabilidade, seja por meio da coleta porta a porta ou em fábricas de separação. De acordo com especialistas, algumas mudanças podem melhorar a vida dos catadores ou recuperadores informais, como eles são denominados oficialmente.  Uma delas é a separação na origem que facilita muito a vida dos catadores e dos recicladores. Tanto o Peru quanto o Brasil têm leis explícitas que exigem a inclusão social dos trabalhadores informais, como parte da modernização dos sistemas de resíduos sólidos. Outros países da região, como a Colômbia, já estão também apresentando projetos de lei em tramitação, com o objetivo de avançar este setor que se tornou um mercado de trabalho com grande potencial de crescimento e necessidade de melhorias. "A gente no Brasil vem acompanhando nos últimos 20 anos a aventura e a desventura dos catadores de lixo, bem como o mercado da reciclagem, já esteve melhor em termos de remuneração ou de retorno, mas com a criação de cooperativas por outro lado, o trabalho ficou mais organizado, se bem que ainda longe do seu maior potencial", comenta por aqui no Folha Verde News o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha: "Com uma retomada e uma ampliação da educação ambiental dos consumidores, com a concretização de alguns objetivos ainda não cumpridos da nova Lei dos Resíduos Sólidos, este mercado de trabalho vai crescer, vindo a ser mais sustentável do que é hoje, aumentando o seu valor econômico e a condição ecológica, a bem da saúde e da vida da legião dos catadores, além de beneficiar grandemente a recuperação do meio ambiente, hoje só apenas uns 20% das cidades não tem lixão, mantém um saneamento básico e podem implantar um processo de reciclagem melhor e mais produtivo", argumenta ainda Padinha, ao editar estas informações por aqui no nosso blog. É um setor ainda sendo implantado e portanto com chances de duplicar ou triplicar  este negócio que é ao mesmo tempo um mercado de trabalho e um exército verde (como muito bem definiu a lixóloga Albina Ruiz), tudo para recuperar a ecologia perdida por aqui e em todo o planeta.
 

Transformar lixo em luxo é a questão da reciclagem

 


A revolução da reciclagem precisa trocar discursos dos políticos por uma gestão sustentável do setor...

...e começa pela separação do lixo na casa dos consumidores













Uma gestão sustentável do lixo e da reciclagem pode recuperar a ecologia do ambiente

Um processo de educação ambiental é fundamental para esta mudança...

...algo que pode revolucionar a vida no país, no continente e em todo o planeta


Fontes: www.onu.org.br
             www.folhaverdenews.com

9 comentários:

  1. Na opinião do editor deste blog transformar o lixo em luxo, ou em outras palavras, fazer o problema vir a ser nova alternativa sustentável em termos econômicos e ecológicos, isso deveria ser uma prioridade para o país ou o planeta, para obtermos um desenvolvimento de verdade.

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  2. Este post com informações da ONU e do Banco Mundial e mais uma pesquisa do nosso blog nem de longe esgota esta pauta, muito profunda e importante. Continuaremos a pesquisar e ir à luta cult para mudar e avançar a realidade, também via a reciclagem.

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  3. Mande você também a sua informação, mensagem ou comentário, para enriquecer nossa luta, envie pro e-mail navepad@netsite.com.br

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  4. “Precisamos promover o emprego alternativo – seja dentro ou fora do setor de resíduos sólidos – junto com programas de apoio social em geral e, em especial, para os catadores mais vulneráveis: viciados, pessoas sem lar ou doentes,” propõe John Morton, especialista em meio ambiente do Banco Mundial. Ele conclui, alertando: "Os pobres morrem jovens; e os trabalhadores pobres em aterros sanitários, morrem mais cedo ainda".


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  5. "Trata-se esta questão do lixo, dos catadores, da reciclagem de um tema importante para o desenvolvimento sustentável e também para melhorar a condição humanitária no Brasil e em todos estes países": é a mensagem enviada por Homero Pontes, de Salvador (Bahia), ligado ao movimento local da Não-Violência.

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  6. "No caso de algumas cidades que conheço melhor, como Franca, no interior de São Paulo, a reciclagem hoje é menor e menos apoiada pelo poder público e pela população do que há 20 anos atrás, é preciso reciclar as mentes e os governos também": o comentário é de Expedito Almeida, professor, que nasceu em Recife (PE) e trabalha em cidades do nordeste paulista.

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  7. "Uma nova realidade no setor do lixo e da reciclagem ajudará muito o ambiente, o mercado de trabalho e uma economia mais ecológica no país": é a msm de Anna Santana, de Campinas (SP) que atua na Unesp em Franca (SP).

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  8. "O povo da reciclagem faz um trabalho incrível e de extremo valor, recebendo muito pouco por isso, quase sempre, só desprezo": é o comentário lapidar de Antônio Mendes, de São Paulo (SP), que já atuou com TV e hoje faz uma horta orgânica fora da grande cidade.

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  9. "Vi uma chamada no Facebook, entrei aqui e curti bastante a matéria, está na hora de se dar valor a quem tem": é a msm que nos enviou por e-mail Angel Harris, guitarrista de Campinas (SP).

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