segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

EM PLENA CRISE HÍDRICA ABSURDO DA SABESP INCENTIVA MAIS CONSUMO DE GRANDES EMPRESAS EM SÃO PAULO



Estimular o consumo de água como produto nesse momento é um atentado socioambiental, comenta jornal El Pais (Espanha) e a Câmara Municipal já faz CPI desse fato em São Paulo

Que legenda a gente pode por aqui que não seja um palavrão em protesto?...

 
A decisão da Sabesp de manter descontos nas tarifas de água cobradas de 500 grandes consumidores de São Paulo, mesmo em meio a maior crise hídrica deste século, provoca críticas de especialistas, que consideram o esquema inadequado e um estímulo ao consumo de um bem escasso. É um furo de reportagem  a matéria de Heloísa Mendonça publicada por El País que causa na Espanha e agora por aqui no Brasil também um grande impacto e escandaliza. Ainda na quinta-feira, o El País publicou documento que revela 294 desses grandes "clientes premium", que por consumirem pelo menos 500 metros cúbicos – ou 500.000 litros, o consumo médio mensal de 128 pessoas – pagam pela água bem menos do que o valor de tabela aplicado para as atividades comerciais e industriais que executam. Os contratos, chamados de "demanda firme", foram projetados em 2002 para fidelizar grandes clientes com a Sabesp e desestimulá-los a encontrar fontes alternativas de água. Mas especialistas consideram inaceitável este esquema em plena crise de água: “Mesmo que não houvesse uma crise, não se poderia estimular o consumo da água. É um atentado contra o meio ambiente”, afirma Carlos Zuffo, professor da Unicamp e especialista em recursos hídricos. Ele argumenta que um recurso vital como a água não pode ser tratado a partir da mesma lógica de mercado utilizada para outros serviços: “Esses contratos vão na contramão da política de evitar o desperdício. Não se pode estimular o uso excessivo de água, e sim a utilização racional do recurso hídrico", comentou Zuffo. Para ele, é inaceitável que esse regime especial da Sabesp contivesse penalidade para quem consumisse menos do que a cota mínima acordada. A exigência só foi abandonada em março de 2014, quando a crise hídrica já estava em curso. Para José Galizia Tundisi, presidente do Instituto Internacional de Ecologia e um dos maiores especialistas em recursos hídricos do Brasil, a Sabesp deveria renegociar os contratos. "A Sabesp teria que renegociar com esses clientes. Não há duvida de que essa negociação deve vir a ser reconsiderada agora no ápice da crise. Não é questão de que seja justo ou injusto, mas a conta da água deve ser para todos", afirma ele. "Quem gasta mais deveria pagar mais".  "Além do mais, é essencial considerar que a água é um recurso natural e público, sofrendo escassez", comentou o nosso editor de conteúdo do Folha Verde News ao receber a informação aqui no blog da ecologia e da cidadania.


O caos da seca já causou também até um relatório crítico da ONU


Lista com os grandes consumidores "premium" já gerou CPI na Câmara Municipal em SP


A lista oficial com os grandes "clientes premium" com o respectivo consumo e tarifas pagas, foi enviada pela própria Sabesp à CPI municipal que investiga os negócios da companhia com a Prefeitura de São Paulo. No documento, com data de dezembro de 2014, há condomínios de luxo, bancos, hospitais, shoppings, igrejas, indústrias, supermercados, colégios, clubes de futebol, hotéis e entidades como a Bolsa de Valores de São Paulo, a concessionária da linha 4 do Metrô, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos ou a SPTrans. O consumo médio destes 294 clientes representa 1,23% do total do município, segundo cálculos da Sabesp incluídos no documento enviado a CPI.
Para o shopping Eldorado, por exemplo, cada mil litros de água custam 6,27 reais, enquanto os clientes do setor comercial que não assinaram esse contrato pagam 13,97 reais. Um desconto de mais de 55%. Para o presidente do Conselho de Sustentabilidade da Fecomercio SP, José Goldemberg, é compreensível que seja vantajoso e lucrativo para a Sabesp vender grande quantidade de água para certos clientes a preços menores, mas esses contratos já não deveriam estar vigentes em plena crise hídrica: "As grandes empresas devem ser desencorajadas a consumir tanta água, não o contrário. Mesmo que não agrade alguns comerciantes e que eles reclamem, é necessário mudar o mais rápido possível esses contratos. As empresas precisam adotar medidas de reúso de água”, explica ainda José Goldemberg. "A notícia deste fato escandaliza a opinião pública na Europa, que obteve a informação pelo jornal El País e precisa ser divulgada e debatida pela grande mídia brasileira, com liberdade e com respeito aos consumidores sofrendo falta d'água e ao recursos naturais de São Paulo e do Brasil, isso já suplantou o limite do desrespeito e realmente configura crime socioambiental", comenta aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News o nosso editor, o  repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha que acredita que "a Sabesp está devendo uma explicação pública e principalmente uma virada radical nessa sua estratégia de consumo, que criou uma situação absurda e imoral". Ele  sugere que estas 294 grandes empresas privilegiadas por este esquema de alto consumo sejam agora julgadas e  no caso penalizadas ambientalmente: "Os responsáveis deveriam ser obrigados a dar uma recompensa ecológica, como recursos para despoluição e para a revitalização das fontes de água na Grande São Paulo", argumenta o nosso editor Padinha. 

Especialistas consideram crime socioambiental o incentivo ao consumo em plena crise hídrica em SP

Fontes: Jornal El País
             www.ihu.unisinos.br
             www.folhaverdenews.com 

8 comentários:

  1. O Governo do Estado de São Paulo deverá também ser penalizado ou há o risco de rompimento do contrato com a Sabesp? Fatos como esse podem reforçar a hipótese de um impeanchment em SP?

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  2. Questões como estas foram levantadas por leitores do jornal espanhol El País na Internet. E você, internauta, está convidado a se manifestar aqui com liberdade: mande a sua opinião para navepad@netsite.com.br e/ou pro e-mail do nosso editor padinhafranca@gmail.com

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  3. A liberdade de informação e de crítica é o mínimo que podemos estimular diante destes fatos muito além do lamentável: já recebemos em menos de meia hora após a postagem desta matéria alguns e-mails. Logo mais estaremos postando aqui também o seu comentário, participe.

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  4. "É realmente um absurdo e acredito que um crime ambiental da Sabesp e do Governo, é o caso do MP agir": a msm nos foi enviada de Santos (SP) pelo advogado Jonas Ferreira.

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  5. "O) que eu acho mais estranho é o silêncio da mídia brasileira em geral sobre este enorme absurdo": o comentário é de Ana Maria, que estuda na ECA da USP e é de São José do Rio Preto (SP).

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  6. "O jornal espanhol de grande importância mundial El País, a Unisinos, site da universidade gaúcha, e este blog aqui, o querido Folha Verde News, não estou deixando passar em branco esta notícia, que a grande mídia do Brasil estranhamente silencia": o comentário é de Heródoto, de São Paulo (SP), advogado ligado à OAB em São Paulo (SP). Agradecemos os elogios dele ao nosso blog.

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  7. "Tão grave como este erro de gestão da Sabesp e do Governo de São Paulo é a omissão inaceitável da grande mídia dobre este fato, é algo inaceitável mas bem compreensível na realidade de hoje": a msm nos foi enviada por e-mail desde Recife (Pernambuco) por Josiel Santos, que faz ali pesquisa sobre Frevo para a Universidade Federal da Bahia.

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  8. "Isso é o verdadeiro carnaval brasileiro": o comentário é de Analice Junqueira, estudante de Direito na São Francisco em São Paulo.

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