sábado, 28 de fevereiro de 2015

RIO 450 ANOS: AQUI UM TEXTO DO CARA MAIS CARIOCA DO MUNDO PARA MARCAR A DATA COM A SUA ALEGRIA CRÍTICA (RIO 450 GRAUS)

O carioca é antes de tudo Millor Fernandes: homenagem do nosso blog ao humor, à inteligência, ao espírito crítico e à alegria do povo do Rio de Janeiro



O fio de água que resta do Rio Carioca que deu nome à cidade e adjetivo a seu povo 

"Os paulistas que me desculpem, mas ser carioca é essencial", foi a definição dada por um tal de Milton Viola Fernandes, que tinha como um dos seus pseudônimos Vão Gogo, então, sim, estamos homenageando aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News, já que 1º de março agora o Rio celebra 450 anos de história e de vida, homenageamos Millor Fernandes: desenhista, humorista, cronista, dramaturgo, escritor, tradutor, jornalista, carioca. "Millor é um dos poucos artistas e brasileiros que sabiam que o Rio Carioca, que deu nome e adjetivo à tal de Cidade Maravilhosa, hoje está no subterrâneo dos Arcos da Penha, encoberto por cimento, asfalto, lixo, poluição e desprezo pela natureza", comenta por aqui o nosso editor de conteúdo, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha: "Eu homenageio ao defunto Rio Carioca e ao povo mais brasileiro do Brasil que dá alma ao Rio de Janeiro e ao nosso país, também, por quatro séculos e meio e ainda invadirá o futuro, se é que nós vamos conseguir criar o futuro no caos de violência que virou o Rio e a vida", conclui Padinha. E ele passa a bola ou a palavra para Millor Fernandes. Confira a seguir alguns trechos geniais do que é o ser Rio de Janeiro na visão do próprio carioca.



O Rio Carioca que deu nome e adjetivo à cidade está submerso, poluído e morto sob os Arcos da Penha

Millor pode ser o homem, mas a mulher mais carioca do mundo é Leila Diniz, de Niterói

Aquele cara ali em cima só pode ser um carioca


Millor Fernandes (a alma do Rio) deixou como herança um texto genial sobre ser carioca

"Os derrotistas que me desculpem, mas o carioca continua livre por mais que o prendam, buscando uma comunicação humana por mais que o agridam, aceitando o pão que o diabo amassou como se fosse o leite da bondade humana. O carioca, todos sabem, um cara nascido dois terços no Rio e outro terço em Minas, Ceará Bahia, e São Paulo, sem falar em todos os outros estados, sobretudo o maior deles...o estado de espírito. Tira de letra, o carioca, no futebol como na vida. Não é um conformista mas sabe que a vida  é aqui e agora e que tristezas não pagam dívidas. Por incrpivel que pareça, carioca não curte violência, tanto que a expressão "botei pra quebrar" significa exatamente o contrário, que não botou pra quebrar coisa nenhuma, mas apenas "rasgou a fantasia", conseguiu uma profunda e alegre comunicação, numa festa, numa reunião, num bate-coxa, num ato de amor ou de paixão e se divertiu às pampas. Sem falar que sua diversão é definitivamente coletiva, ligada aos outros. Pois, ou está na rua, que é de todos, ou no recesso do lar, que, no Rio  será sempre, em qualquer classe social, uma open-house, aberta sob o signo humanístico do "pode vir que a casa é sua".

"O humanismo mineiro, o pragmatismo paulista, a verborragia baiana, a vagabundice carioca"...
 
"Sem sacanagem, o carioca é antes de tudo, e acima de tudo, um lúdico. Ainda mais forte e mais otimista do que o homem da anedota clássica que, atravessado de lado a lado por um punhal, dizia: "Só dói quando eu rio", o carioca, envenenado pela poluição, neurotizado pelo tráfego, martirizado pela burocracia, esmagado pela economia, exorcizado pela violência, vai levando, defendido pela couraça verbal do seu humor. Carioca, claro". 



"Estes trechos foram editados de um livro deste autor, lançado em 1978, Millor Fernandes faz muita falta ao Rio, ao Brasil e à vida desde 2012, quando se foi para a praia do céu rir da morte" (Padinha)


Millor Fernandes não morreu, apenas ficou invisível para os mediocres

Vinícius de Moraes e Tom Jobim: quem seria mais carioca do que o Millor?

Sorriso faz sucesso na web como o carioca típico que sobrevive no Rio (ainda)

O funk não é só bunda mas o povo tentando expressar o que é ser carioca no mundo






Fontes: "Que País É Este?" de Millor Fernandes (Editora Nórdica)

            www.folhaverdenews.com 



9 comentários:

  1. "O Rio é numa palavra violência", essa poderia ser a manchete de hoje aqui no blog, se não existisse Millor Fernandes, que já morreu, mas continua sendo o melhor tradutor do que é ser carioca.

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  2. Com certeza, a gente quase postou aqui uma poesia do Vinícius ou um canção do Tom Jobim ou uma letra do Chico Buarques, todos eles são carioquíssimos, apesar de Vinícius de Moraes ser da Bahia, da família Jobim ter vindo de BH e do Chico ser cidadão do mundo.

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  3. O que você acha da nossa opção, de escolher este texto de Millor Fernandes para homenagear os 450 anos do Rio de Janeiro, com toda lama, com toda brama, com toda flama, com toda alma?...

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  4. Mande a sua opinião ou msm ou comentário aqui para a redação do nosso blog navepad@netsite.com.br e/ou direto pro e-mail do nosso editor padinhafranca@gmail.com

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  5. "Sou santista mas vivo no Rio de Janeiro desde criança e hoje em São Paulo, na casa da minha filha, dei uma olhada nesse blog que ela curte e descobri esta jóia do texto do Millor, obrigado": a msm nos foi enviada pelo médico Rodrigo Fontes.

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  6. "O Gil pode ser baiano mas este samba é a cara mesmo do Rio, baianos têm disso, a alma de São Paulo é o Sampa, de Caetano": quem comenta é João Benê, que estuda na Universidade federal da Bahia e se define como "um baiano da Paraiba".

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  7. "Poxa, que inveja, eu sou mineiro ou baiano cansado e queria ser carioca, depois de ver esse enfoque aqui, com o Millor, a Leila Diniz e tudo mais": o comentário é de Ary Sousa, mineiro de Montes Claros (MG), que mora em São Paulo, onde é zelador de edifício. Ele diz "Amo o Rio de paixão".

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  8. "Achei ducaramba a visão do funk como uma forma de expressão do povo do que é ser carioca na vida, as frases do Millor são geniais, o clip do Gilberto Gil antológico, enfim, parabens a este blog por um post em cima da hora, com inteligência, visão crítica e ecológica e humor": quem nos enviou este comentário (que agradecemos) é o carioca hoje ortopedista em Ribeirão Preto (SP), Dr. Ismar, que completa assim o seu e-mail: "O carioca é antes de tudo um cara humano".

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  9. "Superinteressante a informação bem como a foto do Rio Carioca, hoje poludo e submerso nos Arcos da Lapa´, pelo que sei a linha de água que ainda tem na superfície fica perto do Largo do Boticário": a informação nos foi passada pelo José Alves, professor de Geografia em Campos (RJ).

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