domingo, 29 de março de 2015

BRASIL S/A É TIPO UM FILME CHARGE COM HUMOR ESTRANHO MAS COMUNICATIVO E CRÍTICO DA REALIDADE

Um filme ao mesmo tempo experimental e popular avança por ser diferente do cinema atual



O repórter Marcelo Pedroso que virou cineasta numa locação de "Brasil S/A"

Conforme havia analisado em Brasília o crítico Daniel Schenker, antes mesmo da Mostra do Cinema Ambiental em São Paulo, o filme Brasil S/A que venceu agora nestes dias este festival internacional  (também conhecido como Ecofalante), o diretor Marcelo Pedroso (também autor do roteiro de Brasil S/A) assume alguns riscos consideráveis ao realizar um filme sem falas na atualidade da indústria cinematográfica. O trabalho de som (a cargo de Pablo Lamar), naturalmente, ganha então um maior destaque e importância – polarizado entre os sons das máquinas e os da natureza. Mas, apesar da ousadia, comprovada ainda por meio de uma ausência de encadeamento linear, há um contraste entre uma estrutura – pelo menos, até certo ponto – surpreendente e um discurso (não verbal, conforme já dito) que soou pouco profundo ou esquemático para alguns analistas de cinema. O público porém adorou o experimentalismo pop desta produção de Pernambuco, que vai se afirmando como um nova meca do cinema brasileiro mais independente ou menos comercial. Os espectadores se deparam com flagrantes de desmatamento indiscriminado da natureza e do caos que toma conta das grandes cidades brasileiras, repletas de engarrafamentos sem fim. Nas metrópoles, os adultos vivem cada vez mais isolados dentro de seus automóveis, protegidos, em alguma medida, do embate com as discrepâncias sociais. E as crianças passam os dias mergulhadas em aparelhos eletrônicos, esfera virtual que igualmente as afasta do mundo real. Sobre todos paira uma enorme bandeira do Brasil sem o miolo e então sem o slogan “ordem e progresso”. Teve gente que no lugar imaginou "desordem e liberdade". Ou "vamos mudar isso". Nas poucas entrevistas, o cineasta pernambucano Marcelo Pedroso não se incomodou em confirmar sem mistérios que inicialmente havia mesmo feito um curtametragem que "alongou" para poder participar com o tempo de duração de festivais de longamentragem: "Trata-se de um filme experimentalista e crítico da realidade, é popular porque mexe com o imaginário da população, mitos como somos o país do futuro ou o Brasil é um gigante pela própria natureza, enfim, temos que mudar a realidade atual e também a sua cultura", é um resumo da longa entrevista. "Não se trata de um filme de humor, talvez de sátira. Busca a espontaneidade como forma e a crítica como conteúdo, é um filme tipo uma charge", comenta por aqui em nosso blog da ecologia e da cidadania o repórter, ecologista e também autor/diretor, Antônio de Pádua Padinha, ao editar este texto por aqui no Folha Verde News. (Padinha se afastou da realização de filmes e documentários por problemas com a censura ditatorial, teve 16 trabalhos ou projetos de cinema e TV proibidos). Ele comemora o enfoque de Brasil S/A, como uma espécie de retomada da busca de renovação de linguagem e de visão crítica da realidade, tipo um novo Cinema Novo. Parece haver uma intenção de abranger o  passado, o presente e o futuro em busca da simultaneidade. A encenação de uma espécie de baile imperial ou desfile de escola de samba com figurinos suntuosos e assumidamente teatrais, traz à tona a aristocracia de priscas eras, como escreveu  Daniel Schenker, "a aristocracia de hoje transita em carros blindados ou contrata serviços de deslocamento para não ter que entrar em contato direto com as mazelas da cidade. O futuro vem à tona através da proximidade com a atmosfera da ficção científica, com trabalhadores conduzindo tratores como se estivessem em foguetes espaciais". Por ser tão diferente da maioria das produções cinematográficas de hoje, não só em nosso país, Brasil S/A pode até ser visto como um filme original e provocativo, com conteúdo socioambiental bastante claro, estas conotações garantiram o prêmio na Mostra de Cinema Ecofalante agora em Sampa. "Não é uma obra de arte acabada mas um filme ou um cinema em processo de construção descarada na frente do público, como um jazz se fosse música ou um drible improvisado de um Garrincha da vida no futebol ou como um sonho alucinado de Jimmi Hendrix a partir do som da realidade", concluiu por aqui em nosso blog nosso editor Padinha, que sintetizou: "Uma produção cult, clamando por mudanças e avanços no cinema da atualidade". Com o seu filme, o ex-repórter pernambucano Marcelo Pedroso, que queria virar jornalista, acaba que está virando é um cineasta bem comunicativo.



 
Três flashes do filme "Brasil S/A" que reafirma o cinema pernambucano mais autoral



Fontes: www.criticos.com.br
             www.adorocinema.com

8 comentários:

  1. É brincadeira? Não, é verdade ou a busca dela. O filme "Brasil S/A" se destaca por sua originalidade, um conceito quase morto na atualidae da indústria cultural e comercial do cinema, seja de que país for.

    ResponderExcluir
  2. Ainda segundo o nosso editor Padinha, que era um discípulo e fã de Glauber Rocha, tendo sofrido problemas com o governo ditatorial, o que mais se destaca é a liberdade e a probreza de recursos, uma retomada da estética da fome do Cinema Novo dos anos 60, 70 e 80. Quem sabe um Novo Cinema Novo...

    ResponderExcluir
  3. Mande a sua opinião ou mensagem e comentário a este post aqui do nosso blog, enviando o seu e-mail para navepad@netsite.com.br e/ou direto pro nosso editor de conteúdo padinhafranca@gmail.com

    ResponderExcluir
  4. "Não vi mas gostei deste filme, assim no escuro, pela sua proposta", é o que comenta José Ribeiro, de Ribeirão Preto (SP), criticando a má distribuição do cinema brasileiro no Brasil: "Gostaria de ver Brasil S/A e muitos filmes que não são mostrados regularmente no país". .

    ResponderExcluir
  5. Logo mais estremos postando comentários, mensagens e opiniões nesta seção aqui do blog Folha Verde News, que sempre tem valorizado muito a luta cult, que é o caso agora deste post. participe, mande e-mail e aguarde que vamos divulgar sua opinião aqui.

    ResponderExcluir
  6. "Um filme sem falas porque as situações são tão explícitas que não é preciso falar nada": o comentário é de Rogerio Santos, que esteve na Mostra do Cinema Ambiental, ele que é produtor cultural e e veio da Bahia (Feira de Santana) para trabalhar em São Paulo.

    ResponderExcluir
  7. "Comparado com os filmões de Hollywood e em geral os filmes bem comerciais produzidos em qualquer país hoje em dia, "Brasil S/A" pode ser visto até como um antifilme, tem esse sentido positivo de contradizer a linguagem do cinema mais comum atualmente, em bora tenha muitos defeitos na sua estrutura, como eu entendo": o comentário é de Maria Santos, que estudou na USP (ECA) e atua com audiovisuais no mercado publicitário do Rio de Janeiro (RJ).

    ResponderExcluir
  8. "Ser diferente é bom. Quem disse isso foi Angelina Jolie, sobre outra coisa ou num outro contexto, mas essa afirmação se aplica à situação do filme Brasil S/A ter ganhado prêmio no Festival de Brasília em 2014 e agora em 2015 vencer o festival de cinema ambiental": o comentário é de Anamaria Batista, que atua na área de marketing no setor de moda em São Paulo.

    ResponderExcluir

Translation

translation