segunda-feira, 23 de março de 2015

DANÇANDO PARA VIVER E NÃO DANÇAR NO DIA A DIA DA CIDADANIA E DA VIDA

Núcleo de dança de rua da zona sul de São Paulo vivencia a arte da dança e da multiplicação da cidadania através da cultura: são os Bailarinos do Pélagos, de Campo Limpo, bairro de Sampa


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O movimento do corpo para divulgar como a população pode se mover para uma realidade melhor


Xanda Stephanel, com a colaboração de Márcio Minillo também, divulgou no site e na revista da Rede Brasil Atual matéria do movimento destes jovens com os corpos cidadãos e dançantes da zona sul paulistana: "Um aprendizado em movimento", como disse Rubens de Oliveira Martins, o líder deste grupo que tem uma agenda muita intensa de atividades. Com quase 15 de seus 29 anos em que se dedica direto à dança, Rubens é coreógrafo e diretor dos grupos Chega de Saudade e Gumboot Dance Brasil, do qual também é bailarino, e além do mais trabalha como professor em uma escola particular na zona oeste da capital paulista. Mas é na zona sul que estão suas raízes e seu maior orgulho. O Núcleo de Dança Pélagos, que criou em 2010 em parceria com a ONG Arrastão, é onde promove a multiplicação de corpos cidadãos dançantes. E replica sua história nesta arte e nessa luta cult que começou ali mesmo. Filho e irmão de músicos amadores, Rubens se inscreveu no curso de percussão da Arrastão e logo sua intimidade com a linguagem artística o promoveu a diretor ou monitor assistente. Foi a porta de entrada para o projeto Dança Comunidade, que o coreógrafo e bailarino Ivaldo Bertazzo abriu para jovens voluntários ou aten­didos por organizações da periferia, em 2003. Não demorou para que ele começasse a ensinar o que aprendia a outros jovens pobres de comunidades, tanto dentro da Escola de Reeducação do Movimento ­Ivaldo Bertazzo como no Campo Limpo, no mesmo lugar onde havia começado. Por essas e outras, é com alegria que o nosso blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News posta aqui os principais trechos desta matéria da RBA


Geração rolezinho poderia ter um pouco de lazer cult com dança de rua...


Este movimento liderado por Rubens Martins se inspira também na luta de Ivaldo Bertazzo
 
Rubens de Oliveira Marins trabalhava intensamente na companhia de Ivaldo, mas reservava seu único dia de folga, as segundas-feiras, para ir ao grupo Arrastão. “Eu via as crianças e os jovens que acompanhavam meu processo com muita vontade de aprender. Eles viam matérias na TV, nas revistas, e queriam saber o que era. Daí o próprio Arrastão me convidou para dar aula, conta.
Quando saiu da companhia, em 2009, o dançarino propôs à ONG um projeto pontual de oficinas para os jovens do Campo Limpo. Assim nascia o Núcleo de Dança Pélagos. No ano seguinte, estreava seu primeiro espetáculo, "Volúpia". “Foi muito especial. Tentei recuperar no meu corpo e na minha cabeça a experiência que eu tive em 2003. Refleti sobre como comecei e como estava ali. Tentei trazer na memória corporal qual é o início de tudo em um trabalho com um jovem que passa pelo momento mais importante da vida, que é a adolescência. Eles viviam intensamente cada segundo”, lembra o produtor cultural, coreógrafo e bailarino de dança contemporânea e de rua.  Segundo diz  Rubens, o objetivo principal do núcleo é fazer com que a dança seja uma ferramenta de formação e de autoconhecimento. “O Pélagos tem um projeto de dança que leva os jovens atendidos ao palco com um espetáculo, mas não só isso. A ideia é que no momento mais difícil da vida, que é essa transição da adolescência para a vida adulta, eles tenham um autoconhecimento, equilíbrio, e aprendam a lidar com os desafios da vida adulta”, afirma. Os integrantes do grupo têm fisioterapia, aulas de danças brasileiras, balé clássico, dança contemporânea, capoeira e aulas teóricas sobre história da dança, empreendedorismo, planejamento de carreira, nutrição, sexua­lidade. Além do aprendizado, os alunos recebem uma bolsa-auxílio. É toda uma estrutura que a comunidade mesmo não tem: "Tudo isso faz com ele entenda quem ele é na realidade daqui do bairro, para que possa levar sua comunidade para onde for", diz o professor. "Eu percebi que era também um arte-educador. Diariamente, eles vi­nham com questões sobre a família, pessoais, físicas e emocionais para as quais eu tinha de dar um suporte, dar segurança". Rubens aprendeu e ensinou. Em 2015, a previsão é que os alunos mais antigos do núcleo comecem a dar aula em um projeto similar em São José dos Campos, no inte­rior paulista, em parceria com a prefeitura. O movimento começa a ganhar força e a se expandir. Essa foi também a motivação do site rba e é o da nossa equipe do blog Folha Verde News.


Meninos, meninas e adolescentes se expressam e vão à luta cult através da dança de rua

Muitos alunos já começaram a replicar seus conhecimentos. Renan ­Marangoni, de 19 anos, entrou no grupo em 2011. Dá aulas no Movimento Comunitário Estrela Nova, no Campo Limpo, e até formou seu próprio grupo, o Corpo Molde, que ­estreou­­ com o espetáculo "Saga Tiba"  em novembro do ano  passado. "Muitas coisas que aprendi no Pélagos eu levo para o Corpo Molde e também para um outro pessoal, do Estrela Nova. Vejo o Pélagos como um dos disparadores para que eu começasse a criar. Ganhei mais segurança, mais estrutura, mais base para poder estabelecer aulas em outros lugares, criar meu próprio grupo, dar oficinas... Não é só você ir lá e ensinar o passo. É também o seu papel de educador, é todo um processo: você tem de entender o seu corpo para poder dançar”, declara por sua vez Renan, outro aluno do Pélagos e professor de cerca de 70 crianças e jovens do Estrela Nova.
Está seguindo o mesmo caminho de Rubens? "Não é a mesma coisa porque nós somos diferentes, mas o olhar dele para a dança me traz muitas referências. O meu sonho é criar essa possibilidade de mais pessoas poderem vivenciar a dança", afirma Renan: “Eu vejo que esses jovens estão fazendo diferença na comunidade".  Liliane Rodrigues entrou no Núcleo Pélagos em junho de 2013, aos 19 anos, depois de ter participado do projeto Jovens Urbanos e ter feito curso de mediação de leitura, de multiplicadora e de comunicação. Convidada por um professor a assistir o segundo espetáculo do núcleo, "Garimpo", a jovem ficou encantada e não demorou muito para que fizes­se parte do grupo. “Percebo a minha evolução como dançarina e também na minha formação como pessoa, porque o Pélagos não forma só bailarinos, tem várias outras coisas como a cidadania". Há uma palavra que resume este universo cultural, cidadança, criada pelo pioneiro deste movimento, Ivaldo Bertazzo. Ele que é professor de dança em uma escola de classe média em Perdizes e diz que o “corpo periférico” tem suas especificidades. “Esse corpo do jovem da periferia tem fome de vida. Tudo o que ele faz, ele faz com muita fome, é um corpo que anda a pé, pega ônibus, arruma a casa, leva o irmão mais novo na escola, carrega uma mochila durante quilômetros para chegar até a escola, joga bola, vive a rua"... "Esse corpo acaba apresentando muitas possibilidades. Somos um corpo marcado por histórias boas e ruins", resume Rubens Martins. Dançando para viver e para não dançar na vida...


A Cidadança é um movimento cultural inspirado no trabalho de Ivaldo Bertazzo

Fontes: www.redebrasilatual.com.br
             www.folhavervenews.com

7 comentários:

  1. Para quebrar preconceitos ou tabus com a dança, que é uma das expressões culturais preferidas dos jovens, adolescentes e crianças hoje, a geração pós-Michael Jakson, este movimento de cidadança é algo que impulsiona um avanço nesta arte.

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  2. Ivaldo Bertazzo foi um pioneiro e é um profissional respeitado em SP e no país, Rubens de Oliveira Martins soube fazer uma leitura social e levou esta luta cultural para as comunidades de periferia, agora, algumas cidades estão se despertando para este movimento.

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  3. A dança de rua e/ou contemporânea quebra preconceitos e amplia a expressão das crianças, adolescentes e jovens dançantes, sendo também uma ferramenta para evolução das comunidades.

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  4. "É uma espécie de Capoeira, a dança e luta herdada dos negros africanos que faz parte também deste mesmo universo cultural, uma boa notícia pros que acreditam que a arte e a cultura pode mudar a vida da população": é a msm de Maria Fernandes, da Vila Mariana, São Paulo (SP) que tem há um bom tempo, conforme explica, acompanhado este movimento que ela vê como "muito positivo e além do mais, bonito, o que faz diferença na realidade violenta de Sampa".

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  5. Mande vc tb a sua msm ou comentário e opinião ou informação prá redação do nosso blog navepad@netsite.com.br e/ou também direto pro e-mail do nosso editor padinhafranca@gmail.com

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  6. "Blz, isso deveria ser feito em toda cidade, por aqui também, onde a garotada dos Rolezinhos teriam uma forma de expressão bem melhor": é a opinião de Ivan Alves Pereira, de Franca (SP), onde no shopping local teve ocorrências com jovens e adolescentes de periferia que disseram não ter nenhuma opção de lazer na cidade.

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  7. "Realmente, dança de rua poderia ser uma opção de lazer cult prá garotada que chegou a fazer rolezinhos nos shoppings da vida": a opinião é de Marilda Santos, de Araraquara (SP), estudante da Unesp local que comenta ainda: "Falta de lazer é tão ruim como de comida todo dia".

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