terça-feira, 17 de março de 2015

JORGE BODANZKI É O HOMENAGEADO DA MOSTRA DO CINEMA SOCIOAMBIENTAL DO MUNDO EM SÃO PAULO

Ecofalante nesta semana mostrará filmes que enfocam a questão ambiental aqui e em todo o planeta, valorizando assim a cultura da vida através de filmes com produção independente

Um still da filmagem de "No Meio do Rio, Entre as Árvores", de Jorge Bodanzki, homenageado no festival

 Serão filmes de vários países e também brasileiros de temáticas variadas na área ambiental nos informa André Roedel, que passa para o nosso blog de ecologia e de cidadania todos os detalhes da 4ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, acontecendo agora entre 19 e 29 de março em São Paulo, quando então também haverá um lançamento de "No Meio do Rio, Entre as Árvores",  do cineasta brasileiro, fotógrafo e documentarista Jorge Bodanzki, voltando depois de muitos anos de um exílio voluntário, ao Brasil. Bodanzki será o homenageado deste festival, sendo que os vários filmes de variadas origens, autores e estilos deverão ser apresentados em 6 tipos de programas e exibições diferentes: Mostra Contemporânea Internacional, Competição Latino-Americana, Homenagem, Panorama Histórico, Circuito Universitário e Mostra Escola. A série Mostra Contemporânea Internacional traz filmes de diversas partes do mundo, classificados nos temas Cidades, Energia, Biodiversidade, Recursos Naturais, Consumo e Povos e Lugares. São filmes que raramente entram em circuito comercial de cinema no Brasil e que já foram exibidos em grandes festivais como Berlim, Tribeca, Sundance, Cannes, Locarno, Hot Docs, CinemAmbiente, dentre outros. Serão realizados debates a partir da exibição de seis filmes, com a presença de diretores, roteiristas, críticos de cinema e jornalistas especializados. O nosso blog Folha Verde News, também com informações do site MaxPressNet, apresenta hoje um resumo da programação, enfocando também em especial Jorge Bodanzki, com quem nosso editor de conteúdo, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha, conviveu à época em que ambos realizavam reportagens e documentários para o programa Globo Repórter, na unidade paulista da Blimp Filmes, produtora liderada por Carlos Augusto de Oliveira Guga. 

Foto
Começa depois de amanhã esta morta superimportante de cinema independente e socioambiental

A matriz energética e esgotamento de recursos naturais; organismos geneticamente modificados; urbanismo e a vida nas grandes cidades; extração de recursos naturais por grandes corporações e suas consequências para o meio ambiente e para comunidades, localidades remotas e a dificuldade cada vez mais premente de manter tradições junto às novas gerações que querem ganhar o mundo e frente aos dilemas impostos pelas transformações do meio ambiente estão entre as questões em foco. Dentre os destaques está o filme “Sobre a Violência” (Suécia/Dinamarca/Finlândia, 2014, 85’), baseado em recém descobertos documentários suíços de 1966-1987 que cobriram os momentos mais ousados da luta pela libertação do domínio colonial. É uma fresca e arrojada narrativa visual da África, associada com trechos do livro ‘Os Condenados da Terra”, de Frantz Fanon. A narração do filme é feita pela cantora e ativista Lauryn Hill. “Acima de Tudo” (EUA, 2014, 95’) é um filme produzido por Daryl Hannah, ativista e atriz de filmes como “Blade Runner” e “Kill Bill”. Filmada nas florestas, pastos e casas do Texas rural, junto ao controverso oleoduto de Keyston XL.  O ator Sean Penn é produtor e narrador do filme “O Experimento Humano” (EUA, 2013, 90’), de dos jornalistas vencedores do Emmy®, Dana Nachman e Don Hardy. O filme conta histórias de pessoas que acreditam que suas vidas foram afetadas por produtos químicos, levando os espectadores para as linhas de frente como os ativistas fazem, cabeça a cabeça, com a poderosa e bem financiada indústria química. “Era Uma Vez na Floresta” (França, 2013, 78’), de Luc Jacquet (diretor de “A Marcha dos Pinguins”) convida um nunca antes visto mundo de maravilha naturais e beleza surpreendente. Já “Nuoc 2030” ( do Vietnã, 2013, 98’) é uma ficção com tintas de realidade. A produção mostra um Vietnã do Sul severamente afetado pelas mudanças climáticas, com quase metade de suas terras cultivadas engolida pela água, pessoas morando em casas flutuantes, últimos pescadores nativos e artesanais que pescam em busca da sobrevivência. Ao seu lado há uma gigantesca fazenda flutuante que é multinacional e produz vegetais que se tornaram valiosas commodities, usando tecnologia não testada que pode causar danos perigosos à saúde. Com nosso país na entressafra entre a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, o filme “Os Jogos de Putin” (Alemanha/Israel/Austrália, 2013, 90’) nos dá oportunidade de refletir sobre o que entra em jogo nos bastidores destes megaeventos esportivos. Os jogos mais caros do mundo já quebram todos os recordes quando se trata de corrupção e megalomania. “Crie com Ambição!” (Austrália, 2013, 96’) é uma comédia revolucionária, na qual a diretora Anna Broinowski, determinada a impedir uma nova mina de gás próxima à sua casa, em Sydney, viaja à Coreia do Norte, indo à luta cultural e ambiental.  As mudanças climáticas e seus efeitos sobre as populações são o tema de “Thule Tuvalu” (Suíça, 2014, 96’). Dois lugares em extremos de nosso planeta vêm fazendo as manchetes devido às mudanças climáticas: Thule, na Groenlândia, por seus recordes de degelo e Tuvalu, porque esta remota ilha-nação no Pacífico é um dos primeiros países em vias de afundar como resultado da elevação do nível do mar. Este festival de grande valor é uma realização da ONG Ecofalante  com apoios da Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo e SPCine, também, apoiada pelo Programa de Apoio à Cultura (ProAC), do Governo do Estado de São Paulo. Toda a programação você pode conferir no site do festival indicado ao final como fonte deste post.

A homenagem a Bodanzki traz de volta ao Brasil um cineasta crítico e criativo


Finalmente, Jorge Bodanzki está de volta ao Brasil, resgatando aqui...

...a sua luta por uma cinema mais independente ou menos comercial e ligado...

à realidade brasileira, como é também  "No Meio do Rio, Entre as Árvores"

 A pré-estreia de "No Meio do Rio, Entre as Árvores" acontece em 19 de março no Caixa Belas Artes, seguida de homenagem para Jorge Bodanzky, que estará presente, ele que será o destaque nº 1 da 4ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, é um documentarista brasileiro muito respeitado em todo o mundo, como é o caso da ficção com documentário “Iracema - Uma Transa Amazônica” ( de 1974, codirigido com Orlando Senna, interpretado por Paulo César Peréio). Serão exibidos outros trabalhos seus mais recentes, ainda de pouco conhecidos ou até inéditos no Brasil. No total, sete produções dos anos 1970/1980 (como “Jari”“Terceiro Milênio”), além dos mais recentes “A Propósito de Tristes Trópicos” (realizado em1990) “Pandemonium” (2009) e “No Meio do Rio, Entre as Árvores” (2010). Complementa a programação um episódio dentro da série “Retratos Brasileiros” (da TV a Cabo Canal Brasil), dirigido por Evaldo Mocarzel, abordando toda a trajetória profissional e pessoal de Jorge Bodanzky.  Após a pré-estreia do filme “No Meio do Rio, Entre as Árvores” (dia 19 às19h, no Belas Artes), será então realizado um debate com a presença de Jorge Bodanzky e seu parceiro Wolf Gauer no filme "Jari", coproduzido pela TV alemã.  O debate acontece a partir das 20h15, no mesmo local. Resultado de uma expedição ao Alto Solimões, onde foram ministradas oficinas de vídeo, circo e fotografia às comunidades ribeirinhas, dentro de reservas ambientais, “No Meio do Rio, Entre as Árvores” utiliza novas tecnologias digitais em busca de uma visão “de dentro para fora”. Do coração da Amazônia para o mundo, ficamos sabendo como é o o dia a dia das pessoas que habitam rincões remotos do norte do Brasil, seus anseios, seu imaginário e como resolvem os problemas que enfrentam, tudo mostrado por elas mesmas.   Todos os filmes de Bodanzky selecionados para a 4ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental serão exibidos na Cinemateca Brasileira e no Cine Olido.
Com certeza, merece atenção ainda  “A Propósito de Tristes Trópicos” (1990), que refaz a viagem que o antropólogo Lévi-Strauss realizou no Mato Grosso nos anos 1935 e 1938 e que resultou no já antológico livro Tristes Trópicos. Há vários elementos no filme: imagens da expedição original, entrevistas originais com Lévi-Strauss em diferentes momentos e imagens das três expedições à região realizadas pela equipe do documentário. Já “Pandemonium” (2010) investiga o impacto das mudanças climáticas e os novos desafios na área energética. Dois dos maiores especialistas brasileiros, o físico Rogério Cézar de Cerqueira Leite e o meteorologista Carlos Nobre, apresentam três diagnósticos e propostas que lançam luzes sobre questões cruciais para o desenvolvimento que precisa ser sustentável para existir o nosso futuro, um filme assim jornalístico e da maior atualidade.

Esta mostra nos remete também ao movimento e filmes do Cinema Novo que imortalizou Glauber Rocha

Fontes: www.ecofalante.or.br/mostra
              www.maxpressnet.com.br
              www.folhaverdenews.com

8 comentários:

  1. Com justiça e resgatando o seu trabalho, sempre critico e criativo, a homenagem a Jorge Bodanzki vai na contramão do "cinemão" mais comercial que anda imperando nos últimos anos no Brasil.

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  2. Esta mostra, por todo o seu conteúdo de produções mais independentes, mais autorais e/ou pouco hollywoodianas, resgata também quase que automaticamente a memória e o trabalho cult de Glauber Rocha, um cineasta histórico, que liderou o Cinema Novo no Brasil, tendo morrido na década de 80 no exílio em Portugal, após ter sido perseguido pelo governo ditatorial e mal entendido em seu próprio país, tendo por outro lado, obtido vários prêmios internacionais de destaque, como no Festival de Cannes, pelo seu filme "Deus e Diabo na Terra do Sol".

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  3. O nosso editor deste blog, que cruzou com Jorge Bodanzki na Blimp em SP, quando ambos faziam não juntos reportagens e documentários para programas como Globo Repórter e Fantástico, conviveu rapidamente e com intensidade com Glauber Rocha, do movimento Cinema Novo, tendo participado juntos de um evento no Masp em São Paulo, logo após Padinha ter sido premiado em festival nacional da TV Cultura pela autoria da telepeça "Happy End", sátira à televisão.

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  4. A gente conta isso para nossos internautas para que assim tenham a dimensão do que este post para a nossa equipe, que faz questão de destacar esta 4ª Mostra Ecofalante com um dos principais senão o principal evento cultural no país, na atualidade, em que o cinema brasileiro está quase que restrito a coproduções mais comerciais com a TV Globo, comédias leves que nem sempre enfocam a realidade do país fora da vida urbana das grandes cidades e sem foco crítico.

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  5. Mande a sua opinião, mensagem ou comentário sobre esta postagem e em especial sobre a Mostra Ecofalante de cinema socioambiental, a temática mais oportuna hoje em dia: envie para navepad@netsite.com.br e/ou diretamente pro e-mail do nosso editor padinhafranca@gmail.com

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  6. "Oi, Padinha, que bom que através desta matéria que achei na Google e reencontro você e o cinema mais autoral, mais crítico, a gente se via muito na época da Blimp Filmes, na alameda Eugênio de Lima, ali perto da Avenida Paulista, onde a gente ia tomar café e ver filmes": a msm nos foi enviada por Eduardo Soledad, que vive hoje em Salvador, Bahia e se dedica a viagens de ecoturismo.

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  7. "Vou ainda fazer 17 anos e no ano que vem pretendo entrar numa faculdade da área cultural, na USP ou na Unesp, seja em que cidade for, gosto muito de cinema, teatro, reportagens de aventura como acho que foi essa do seu amigo na Amazônia": a msm nos foi enviada por Tamires, que faz o curso médio na rede estadual em Ribeirão Preto (SP), dizendo que pretende ir a pelo menos um filme da Mostra de Cinema Ambiental em São Paulo.

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  8. "O cinema, o teatro, a TV, a literatura toda a produção cultural brasileira enfim, precisa mesmo de alternativas próprias e originais de mercado e de linguagem para sobreviver nessa atual sociedade de consumo, que faz uma equalização de tudo por baixo e por interesse comercial, hoje há bem menos censura à criação do que no tempo de Glauber Rocha, porém, há esta ditadura de mercado": a opinião nos chegou aqui no blog pot e-mail de Fernando Vieira, do Rio de Janeiro, que prepara um projeto de pósgraduação na UFRJ.

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