sábado, 18 de abril de 2015

JORNAL DA UNICAMP ALERTA SOBRE EFEITOS DA CRISE DO CLIMA EM APAGÕES E NA GERAÇÃO DE ENERGIA

Pesquisador levanta dados e informações que não podem ser ignorados pelos políticos por serem fundamentais para uma gestão sustentável da água, da energia, evitando apagões e secas



O tempo, o clima, as chuvas e a energia dependem da informação científica


Todo este universo de novos conhecimentos técnicos levantados por Rafael de Oliveira Tiezzi podem prevenir maiores problemas nos próximos anos e décadas, as informações agora existem e os governos não podem mais alegar desconhecimento. Tiezzi acaba de obter seu doutorado em engenharia civil na área de recursos hídricos, energéticos e ambientais na Unicamp, afirma que os pesquisadores de sua área evitam o termo mudanças climáticas por julgá-lo com muitas conotações, se é o homem o causador das mudanças ou se elas são parte do processo natural de conformação do planeta. “Não entramos nesta discussão. e sim partimos do consenso científico de que existe de fato uma variação do clima, independentemente do seu efeito causador. Existindo, estudamos como esta variação pode afetar o uso dos recursos hídricos e, consequentemente, a geração de energia elétrica, foco das nossas pesquisas”, explica o Dr. Rafael Tiezzi.  Ele é autor da tese “Variabilidade hidroclimatológica e seus efeitos no suprimento de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional”, que foi orientada pelo professor Paulo Sérgio Franco Barbosa, na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC) da Unicamp. "O impacto da variação climática (ou mudanças climáticas) sobre a geração de energia hidrelétrica é um tema que abordo desde o mestrado em 2007 e que agora se tornou muito atual. e se trata basicamente de fazer projeções sobre a precipitação da chuva, que se transforma em vazão de rio, vazão que vai ser turbinada na usina hidrelétrica, virando energia. O engenheiro mostra que desenvolveu a tese a partir de um estudo do Hadley Centre da Inglaterra, considerado o principal instituto mundial em pesquisa sobre mudanças do clima: "É uma simulação nomeada HadCM3, que traz 17 cenários de variações climáticas em todo o planeta para os próximos 90 anos. O Inpe [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais] regionalizou esse estudo para a América do Sul, mas focando apenas quatro dos 17 cenários possíveis, a gente pode montar o seguinte cenário controle: sem anomalias (Cntrl); de alta densidade de perturbações (High); de baixa densidade de perturbações (Low); e intermediário (Mid), com perturbações entre os cenários Low e Cntrl". Foi a partir desta regionalização feita pelo Inpe que o autor da tese transformou os dados de precipitação de chuvas em vazão dos rios que formam as principais bacias hidrográficas brasileiras geradoras de energia – são 26 bacias, onde estão 80% dos nossos rios e se produz 98% da energia elétrica do país. "Trabalhamos com tendências de perdas ou ganhos de volume de água neste período de 90 anos, fornecendo índices mensais de vazão para os quatro cenários e para as 26 bacias. É uma infinidade de dados com os quais geramos valores de ENA (energia natural afluente, ou seja, a vazão transformada em potencial de geração) relacionados a cada um dos quatro subsistemas brasileiros (Norte, Sul, Nordeste e Sudeste onde estamos, interligado ao Centro-Oeste), bem como a todo o sistema em conjunto. Toda esta base teórica e de dados objetivos, tornou possível inferir regiões com problemas futuros de água e possíveis riscos à capacidade de geração de energia.: "O resultado final mostra que, para o sistema nacional como um todo, o impacto varia de 10% de ganho a 15% de perda na capacidade de ENA, respectivamente no melhor e no pior cenário. São impactos que devem ser considerados, ainda que o sistema interligado permita enviar energia de uma região para outra que esteja com a capacidade de geração comprometida. Porém, para outros usos de água, como no abastecimento, os efeitos podem ser severos principalmente no Norte e Nordeste do país". 

foto de uma usina hidreletrica
Se não forem consideradas as informações e o alerta dos cientistas a crise será ingovernável

A previsão para os próximos 90 anos inclui inúmeros dados meteorológicos como temperatura da atmosfera, ventos, ventos em superfície, ventos em alta atmosfera e, obviamente, chuvas – cujas informações foram transpostas pelo autor para cada célula de 40 por 40 quilômetros das bacias: "É preciso observar que a meteorologia lida com previsões até um prazo máximo de seis meses e que depois disso passamos à climatologia, que faz projeções de longo prazo. Outra observação é que um aumento de 2 graus na temperatura não implica necessariamente em mais chuvas, pois a resposta dos modelos climáticos não é linear. A título de exemplo, com 2 graus a mais podemos ter aumento de chuva no Sudeste e diminuição no Nordeste, ou vice-versa, no caso de 3 graus a mais". Todas estas variáveis e informações técnicas precisam agora ser levadas em conta para que os governos possam criar uma gestão para o setor elétrico brasileiro, "o que nós temos percebido ao longo dos anos é que prevalece também nesse setor fundamental para a economia e a ecologia do Brasil o "chutômetro", passou da hora de um gerenciamento sustentável dos recursos naturais e hídricos em especial por causa da crise do clima para evitar problemas para a população e para o país num momento estratégico para a energia e a vida do Brasil", comenta por aqui em nosso blog da cidadania e da ecologia nosso editor, repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha postando este resumo dos principais dados e informações levantados por este pesquisador da Unicamp, que não podem ser ignorados, sob pena de aumentarem os apagões e as secas, os problemas energéticos e estruturais do país, carente demais de uma gestão de desenvolvimento sustentável, mais ainda em tudo o que envolve água e energia neste momento.       

Isto é, crises do clima no país podem ser previstas e geridas a partir das informações científicas


Fontes: Jornal da Unicamp
             www.ecodebate.com.br
             www.folhaverdenews.com


8 comentários:

  1. A equipe aqui do nosso blog procurou resumir e até "traduzir" os dados e as informações mais urgentes desta pesquisa “Variabilidade hidroclimatológica e seus efeitos no suprimento de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional”, de Rafael de Oliveira Tiezzi, que foi orientado por Paulo Sérgio Franco Barbosa, na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC), da Unicamp.

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  2. Antes de mais nada a gente agradece o Jornal da Unicamp e o site de assuntos socioambientais, que primeiro postou esta pesquisa da hora, bem como ao texto de Luiz Sugimoto, as fotos de Antônio Scarpinetti, ao editor Fábio Reis, todos deste jornal e deste site, para que aqui em nossa webpágina você possa se informar e ter como, liderança do movimento de cidadania e da ecologia, cobrar ação das autoridades.

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  3. Rafael Tiezzi estudou o mesmo fator ENA para uma área na confluência dos estados de Goiás, Minas Gerais e São Paulo, que detém 65% da capacidade de reservar água para o sistema elétrico nacional – o chamado polígono de acumulação de águas. Ali ficam cinco cabeceiras dos rios São Francisco, Tocantins e três do rio Grande (que está por aqui na região nordeste paulista e sudoeste mineiro) com suas respectivas usinas e reservatórios: Emborcação, Nova Ponte, Furnas, Três Marias e Serra da Mesa. São os chamados reservatórios de acumulação, pois conseguem armazenar água para um gerenciamento plurianual (de até cinco anos). “Trata-se de uma região central do país e de transição climática, onde os modelos podem apresentar erros maiores. Mas tivemos uma boa surpresa, pois segundo as modelagens os impactos das alterações climáticas podem ser controlados. A crise hídrica não precisa ser...ingovernável.

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  4. Embora reiterando que o foco da tese está na previsão de precipitação de chuvas para a geração de energia elétrica, e não para abastecimento de água, o pesquisador Tiezzi não se furtou a comentários sobre a crise hídrica no Sudeste. “Fiz um gráfico para a região mostrando que nos últimos 14 anos (2000-2014) os valores de ENA ficaram bem abaixo da média histórica: 85,1% em 2001 (quando houve racionamento de energia) e 80,8% no ano passado (muito pior). A falta de chuva pesou bastante neste processo, mas a crise energética de 2001 levou à criação de usinas térmicas, que não precisam de água e deram fôlego aos reservatórios, a um custo mais alto e também poluindo o ambiente. Quanto ao abastecimento, parte do impacto se deve à falta de um plano B de energia".

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  5. Em sínte, na opinião de especialistas em geral, este Plano B de energia no Brasil, deveria ser concentrado não nas Usinas Térmicas caras e poluentes nem nas Nucleares, com graves riscos ambientais e sim nas fontes limpas como das energias Solar e Eólica, que precisam ser implantadas mais rapidamente para atender esta necessidade.

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  6. Mande você também a sua informação ou comentário aqui para a redação do nosso blog via o navepad@netsite.com.br e/ou envie diretamente pro e-mail do nosso editor de conteúdo padinhafranca@gmail.com

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  7. "Com esta pesquisa de doutorado de Rafael Tiezzi, da enhenraria da Unicamp, agora os governantes têm condições de gerenciar melhor a questão da água, do clima e da energia, só não fazem isso se não quiserem, isso deveria ser a prioridade dos governos agora": a msm nos foi enviada por José Manuel Pereira, economista e bancário, que vive em São Paulo (SP) e é do interior do estado (Bauru).

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  8. "Este pesquisador da Unicampo ensinou o caminho das pedras, vamos ver se as autoridades governamentais seguem as informações": a msm nos foi envida por Rosana Santana, de Belo Horizonte (MG) que diz ainda ter acompanhado na Federal de Minas em BH uma palestra sobre este trabalho realizado na Unicamp.

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