segunda-feira, 13 de abril de 2015

PESQUISADOR DA UNICAMP AFIRMA QUE PAÍS SOFRE ATUALMENTE UM RETROCESSO SOCIAL EM CASCATA

O economista Waldir Quadros fala que ao contrário do que diz a mídia aumenta o número de miseráveis e um processo de empobrecimento desde 2013 afeta a chamada nova classe média

 

Uma análise do momento econômico do Brasil com novos dados e alertas




A ascensão da Classe C nos últimos dez anos, também denominada por alguns de a nova classe média, iniciou um processo de  relativo empobrecimento em 2013, informou Waldir Quadros, em matéria nos sites IHU On-Line e EcoDebate, após analisar os levantamentos e os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2014), levantamento referente ao desenvolvimento socioeconômico da população brasileira. Waldir José de Quadros tem toda a condição de fazer esta análise, possui graduação em Economia pela Universidade de São PauloUSP e mestrado e doutorado em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de CampinasUnicamp, onde atualmente é professor associado do Instituto de Economia: "A mobilidade social diminuiu ou reverteu: agora não temos uma ascensão social, mas um rebaixamento das camadas populares. Em 2013 a baixa classe média continuou crescendo, representava 43% da população e subiu para 44,2%. Mas ela cresceu porque houve uma queda na alta e, principalmente, na média classe média. Assim, houve uma mobilidade social descendente, principalmente na média classe média, que caiu para baixo. A baixa classe média cresceu porque a média classe média diminuiu; então, esse não é um dado positivo". Na avaliação do economista, os dados da Pnad já indicam que
“um processo de retrocesso social está em curso. Se em 2013 foi assim, em 2014 se acentuou, com o baixo crescimento, esse cenário se reproduziu. Em 2015 a situação é mais grave ainda, porque em cima dessa situação se tem agora uma recessão”. Prof. Quadros pontua ainda que a causa do retrocesso social. "Em 2011, 2012, embora a economia estivesse crescendo pouco, ainda tinha um impulso do crescimento de 2010. (…) O que estava impulsionando a melhora de vida de fato era o crescimento econômico e a melhoria do salário mínimo. Agora, sem crescimento econômico, o mercado de trabalho começará a dar sinais cada vez mais preocupantes". O principal impacto será o conteúdo recessivo que vai prejudicar toda a sociedade, toda a Nação e não somente a classe C.: "O Brasil sabe muito bem o que é recessão; não precisa olhar para a Grécia, é só olhar para o Brasil dos anos 1990. Como foi o desempenho do Brasil nesse período? Teve uma política de contenção de gastos, queda do PIB, redução do crescimento. Isso é retrocesso social, as ascensões sociais podem dar um passo atrás", analisa ainda Waldir Quadros: "A Presidente do Brasil perdeu apoio justamente porque a população votou nela para evitar um tratamento recessivo e ela vem e aplica um tratamento recessivo. É uma situação bastante difícil". Dr. Quadros utiliza também informações e pesquisas de Alexandre Gori Maia, a quem orientou em seu trabalho na Unicamp, em cima do Pnad e do Censo do IBGE. E tomou o cuidado de não trabalhar com o conceito de classe social mas de padrão de vida. Você pode conferir na íntegra a entrevista do economista Waldir Quadros no site de assuntos socioambientais EcoDebate. E cá entre nós, diante desta situação geral, como fica a perspectiva do movimento da ecologia e da cidadania por mudanças de estrutura e avanços no Brasil? "O país está realmente carente de um novo ciclo e de uma nova gestão de desenvolvimento sustentável, equilibrando os interesses econômico e ecológico, porém, neste contexto fica mais difícil este passo adiante, vital para solução dos problemas brasileiros da natureza, das cidades e da vida", comenta por aqui em nosso blog Folha Verde News, nosso editor, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha, que recomenda a leitura e a reflexão em cima das análises do Dr. Waldir Quadros, entrevista na íntegra nos sites indicados como fonte deste post aqui, no sentido de debater a realidade do Brasil deste momento agora, conteúdo da maior importância na atualidade da gente.



Uma análise impressionante e preocupante do economia Waldir Quadros

A ascenção da classe C, a nova classe média, está em jogo

E abala o sonho de um desenvolvimento sustentável





Fontes: www.unicamp.br
             IHU - On-Line (Instituto Humanitas da Unisinos)
             www.ecodebate.com.br
             www.folhaverdenews.com

7 comentários:

  1. Logo mais estaremos postando aqui nesta seção mais informações e comentários sobre esta análise econômica do dor. Waldir Quadros, do Instituto da Economia, da Unicamp.

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  2. Mande você também a sua opinião ou comentário que divulgaremos aqui a sua mensagem: envie para a redação do blog navepad@netsite.com.br e/ou direto pro e-mail do nosso editor padinhafranca@gmail.com

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  3. Waldir Quadros diz que "A minha metodologia combina o critério de renda com um critério de sociologia do trabalho, da estrutura ocupacional, porque no fundo toda a discussão acerca da renda diz respeito à linha de corte, ou seja, o pesquisador estabelece uma linha de corte para definir as camadas da população. Por exemplo, os ortodoxos trabalham com um critério estatístico e estabelecem uma linha mediana, dividindo a população em duas partes, e estabelecem um intervalo em torno da mediana, a qual eles denominam de classe média. Mas essa metodologia rebaixa a linha de corte e pessoas que são praticamente miseráveis viram classe média; mas esses dados são distorcidos. Eles são trabalhados por Marcelo Neri e pelo pessoal da Secretaria de Assuntos Estratégicos. A classe média considerada por eles é muito grande justamente porque a linha de corte que utilizam é rebaixada. A discussão não é se devemos ou não usar a renda como um critério de estratificação. Na verdade, se usarmos os dados do IBGE, Pnad e Censo, não tem outra forma, ou todas as outras formas são equivalentes. A tese do meu orientado Alexandre Gori Maia demonstrou que todas as variáveis qualitativas que constam da Pnad e do Censo, e que poderiam servir para fazer uma estratificação, estão relacionadas com a renda. Então, é muito melhor usar os dados de renda, mas isso não quer dizer que se use a renda para definir classes sociais. A estratificação social é uma coisa, e o conceito de classe social é uma referência analítica teórica distante, é importante para não fazer bobagem com os dados, mas não dá para sair do conceito de classe social e começar a montar números com isso. Por isso, não trabalho com o conceito de classe social; tenho o cuidado de trabalhar com o conceito de padrão de vida. Então, a minha estratificação chega a cinco padrões de vida e um deles é típico da baixa classe média, ou da classe C, como alguns denominam. Para eu chegar na baixa classe média, analiso quais são as ocupações dessa baixa classe média, mas começo meu processo de investigação a partir das ocupações da classe média alta, que são os profissionais de nível universitário, gerentes, médicos, economistas, professores. Avalio qual é a renda que capta esse pessoal e a partir daí estabeleço a linha de corte. No caso da baixa classe média (classe C), as ocupações típicas são professor primário, balconista, auxiliar de escritório. Aí eu vejo qual é a renda declarada desses profissionais e defino um intervalo de renda que capta esses profissionais, que a priori e analiticamente eu disse que são da baixa classe média. Mas quando estabeleço essa linha de corte, considero todas as pessoas que têm rendimentos nessa faixa: operário, autônomo, pequenos empresários. Por isso que eu chamo de padrão de vida: são trabalhadores educados que têm um padrão de vida de baixa classe média".

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  4. A entrevista foi realizada pela jornalista Patricia Fachin e postada no site EcoDebate, publicada pela IHU On-line, Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS. Confira na íntegra em www.ecodebate.com.br

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  5. "Importantes as informações, vou transmitir para a rapaziada em muitas aulas": é a msm de Arlindo Santos, professor de História na rede pública em Campos de Jordão (SP).

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  6. "Acredito que quando um especialista de respeito como Waldir Quadros espinafra a economia brasileira é porque ele está enxergando melhor do que muitos aí no meio acadêmico, político e em especial na mídia do nosso país maravilha": é o comentário de Josias mendes, do Rio de Janeiro (RJ), que pretende fazer mestrado de Economia na UFRJ.

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  7. Pedro Alcântara, de Porto Alegre (RS) nos enviou manchete de notícia do site Consumidor Br que tem a ver com a nossa pauta aqui: "Classe C busca estratégias para driblar crise econômica. Em 2005, poder de consumo desse grupo somava em torno de R$ 791,47 bilhões e, este ano, a projeção é que alcance R$ 1,35 trilhão agora em 2015, segundo presidente do Instituto Data Popular".

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