quarta-feira, 1 de abril de 2015

VIA CRUCIS DA SECA: A SITUAÇÃO SE AGRAVA NO NORDESTE DO PAÍS E EM SÃO PAULO MESMO COM AS ÚLTIMAS CHUVAS

Obra de R$ 6,8 bilhões do Rodoanel afeta rios e nascentes em SP onde ainda há problemas hídricos e no Nordeste do país continua a Guerra da Água: 50 cidades ainda estão na seca

Em meio à mais grave crise hídrica já registrada no Sudeste do Brasil, rios e nascentes que abasteceram a capital de São Paulo até o início dos anos 1960 são alvo de desavenças entre o Governo de Geraldo Alckmin e o Ministério Público, que tem o apoio dos ambientalistas. Promotores do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) suspeitam de falhas nas obras e em licenças ambientais relacionadas a um túnel que desabou em dezembro no Trecho Norte do Rodoanel, rodovia de 44 quilômetros, orçada em R$ 6,8 bilhões, que cruza áreas de preservação ambiental na Serra da Cantareira. Por meio de blogs, redes sociais e vídeos postados no YouTube, a população local alega que mais de 100 nascentes teriam sido soterradas durante a construção da rodovia. Entre pilares de concreto, aterros e túneis, a reportagem da BBC flagrou um vazamento em uma nascente desviada pela construção, além de acúmulo de sedimentos no fundo de córregos.


 Foto: BBC Mundo / Copyright

Foto de Ricardo Senra (BBC Brasil):manancial da Serra da Cantareira cortado por obras do Rodoanel


A Secretaria de Transportes do Governo de São Paulo negou soterramentos e reconheceu "efeitos temporários" sobre as águas, que não fazem parte do Sistema Cantareira e desembocam atualmente no rio Tietê. A administração de Geraldo Alckmin diz que trabalha para "reduzir ao máximo o impacto residual da obra", que deveria ser inaugurada neste ano mas foi adiada para o primeiro semestre de 2017. Laurence Casagrande, presidente da Dersa (empresa de desenvolvimento rodoviário do governo estadual), defendeu o empreendimento e afirmou que todas as investigações anteriores do MP foram julgadas improcedentes pela Justiça paulista. Responsabilidade do governo paulista, a obra tem apoio financeiro do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal. Licenciado pela companhia de saneamento estadual Cetesb e aprovado pelo Ibama, o trecho final do anel rodoviário não teria efeitos diretos sobre os reservatórios do sistema Cantareira, segundo fontes oficias, mas recebe críticas de especialistas por seu impacto na bacia hidrográfica da região. "A cada 50 metros existe uma pequena nascente ali. A obra corta, e corta muito, os mananciais da serra", diz o ambientalista Carlos Bocuhy, membro do Conselho Nacional de Meio Ambiente, em Brasília (DF) que visitou o local. Por sua vez, o presidente da Dersa, responsável pela obra, Laurence Casagrande discorda: "Esta obra é exemplo internacional em preservação", diz, em frente a um cartaz do empreendimento. "Não estou dizendo que existe, mas se houver um soterramento de nascente, essa água vai sair por algum lugar. Deixar isso acontecer poderia prejudicar a própria obra"..."Mas o que se entende é que os benefícios que a obra do Rodoanel traz compensam esses pequenos impactos, mesmo aqueles que permaneçam". Os sites Terra, Estadão e Uol também questionaram estas obras, há até repórteres que chegam a fazer uma comparação entre  Rodoanel e o Monotrilho, com obras também atrasadas, também paradas por estarem sobre águas subterrâneas que alagam as futuras 18 estações, com o custo de cerca de 20 bilhões de reais. "Somados todos este bilhões destas duas obras, com 30% disso haveria recursos para se reequilibrar o ambiente em áreas de mananciais com florestamento e despoluição para solucionar a crise hídrica que deveria ser a prioridade nº 1 de São Paulo, acima até que obras de transporte", comenta aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha ao editar e resumir estas informações sobre a falta de gestão ambiental sustentável em São Paulo.

A guerra da água é ainda mais grave no Nordeste em lugares onde a vida continua seca

 
O reservatório do Sobradinho (o mar do sertão) está com somente 17% do seu volume hídrico


Se em 2014 São Paulo teve o verão mais seco em 100 anos, há ainda, apesar das chuvas de fevereiro e março, que atingiram 70% do volume médio nesta época do ano, que a seca de 2015 possa ser mais problemática, por falta de gestão ambiental sustentável no setor. Porém, no nordeste brasileiro a situação é muito mais dramática e grave, já virou uma guerra: o Exército Nacional, chamado para monitorar eletronicamente a região e supervisionar carros pipas e poços de emergência para atenuar o sofrimento dos nordestinos já entrou em ação. Para exemplificar, está divulgando que nesta região do país estão sendo acionado hoje 6.5 mil novos carros pipa. Porém, por outro lado, dados da ANA (Agência Nacional da Água) alertam que mesmo com algumas chuvas o volume hídrico está muito abaixo do necessário. O maior reservatório do nordeste, Sobradinho,  junto ao Rio São Francisco, está em nível ainda crítico, hoje tem apenas 17% do volume de suas águas. Chamado o Mar do Sertão, Sobradinho é 14 vezes maior que a Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, mas as suas águas estão secando. A seca afeta mais de 50 cidades nordestinas atualmente, o abastecimento costuma por ali ser interrompido em 4 dias por semana e alguns destes municípios ficam sem água por até 15 dias. O Ministro da Integração Social, Gilberto Occhi tem defendido que a solução é a Transposição do Rio São Francisco (obras superatrasadas e agora com inauguração agendada para final de 2016), mas novamente a agência nacional do setor, ANA contesta, dando números e projetando um nível hídrico satisfatório só com a revitalização das águas do São Francisco, algo que tem sido a luta de muitos anos do movimento ecológico, científico e de cidadania. Mas o sudeste do país não pode se sentir muito longe da realidade do nordeste hoje em dia: a situação continua bastante grave em São Paulo, se estende também pelo Rio de Janeiro e Minas Gerais, mesmo após as chuvas de fevereiro e março, há muito temor entre os especialistas sobre o verão de 2015. Por exemplo, na Grande São Paulo há hoje 34% menos estoque de água do que nesta mesma época em 2014.  A Ministra do Ambiente está preparando junto com a Secom uma campanha de educação ambiental e de poupança de água por parte dos consumidores, porém, pegou mal para parte da mídia nacional e internacional Izabella Teixeira colocar toda a culpa da crise hídrica do sudeste do Brasil no aquecimento global, sem citar fontes deste problema que são evidentes, como desmatamentos, poluição das águas, grande falta de saneamento, inexistência de um plano de recuperação da ecologia perdida no meio ambiente de muitas regiões brasileiras.  De novo, entramos então no ponto crítico central, a inexistência de um desenvolvimento sustentável no país, que é o que pode mudar e avançar esta situação limite, que já é uma guerra da água e da seca em duas grandes regiões, enquanto outras, ao norte e ao sul do Brasil, sofrem enchentes e inundações.
 
Milhares de carros pipas do Exército e poços de emergência tentam atenar o drama dos nordestinos
Algumas das 50 cidades ainda na seca estão sem abastecimento há 15 dias
As situações do sudeste e do nordeste do Brasil chamam a atenção da mídia mundial


Fontes: BBC
             Agência Brasil
             www.terra.com.br
             Agência Estado
             www.uol.com.br
             www.folhaverdenews.com

5 comentários:

  1. Mande a sua informação ou comentário que estaremos postando em breve todas as mensagens que nos forem enviadas para a redação do blog navepad@netsite.com.br e/ou diretamente pro editor de conteúdo daqui padinhafranca@gmail.com

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  2. Temos que debater abertamente este problema que virou drama e já está virando uma tragédia nacional, sem que haja um programa de medidas governamentais em São Paulo, no sudeste e no nordeste do país que efetivem uma gestão ambiental e sustentável.

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  3. O que você questiona ou melhor ainda, qual é a solução para a questão da água no Brasil? Envie a sua msm para o nosso blog que estaremos logo mais postando comentários e mais informações nesta seção.

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  4. "Os números e as informações sobre este colapso de água no nordeste e no sudeste do país impressionam e clamam realmente por uma gestão ambiental competente": o comentário é de Anísio Oliveira, que é formado como engenheiro agrônomo e atua como administrador de propriedade rural no nordeste paulista.

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  5. "Nesta quinta de manhã vi no telejornal Bom Dia Brasil da Globo a matéria que já tinha acessado ontem em primeira mão aqui neste blog que vem antecipando muitas notícias, sempre com muitas informações e muitos detalhes que a mídia em geral não destaca": agradecemos o elogio de Isabel Santos, de Sorocaba (SP), professora de Matemática em escolas particulares e também na rede pública. Ela informa sobre pontos da grave que terá uma concentração hoje no Masp em SP e cita a educação como essencial para o país.

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