sábado, 13 de junho de 2015

AMIGO É COISA PRÁ SE GUARDAR NO LADO ESQUERDO DO PEITO (FERNANDO BRANT)

Hoje nosso blog vira um Clube da Esquina para homenagear Fernando Brant (parceiro de Milton Nascimento) que pegou o trem azul antes da hora, grande letrista e amigo da natureza



Milton e Fernando Brant quando compuseram Travessia, clássico pop e eterno da MPB 


O parceiro de Milton Nascimento, de Lô Borges, letrista preferido de Elis Regina, autor de canções antológicas na MPB, como Travessia, Canção da América, Maria Maria, morreu ontem à noite quando estava esperando ficar pronto o feijão que queria comer, como bom mineiro, logo após a cirurgia: ele foi comer do lado de lá de Minas Gerais e da vida. Ele fica na história da música brasileira como o fundador do Clube da Esquina que em BH se tornou o centro da criação de canções que enfrentaram nos anos 70 e 80 a censura e a Ditadura com a poesia e o som, conquistando o coração de todo o Brasil e da América. O nosso editor de conteúdo aqui do blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha manteve amizade, ainda que meio à distância, de Fernando Brant e de Milton Nascimento, que quando garoto era chamado de Bituca. Brant e Milton, por sinal, ajudaram Padinha a ajudar os índios Xavantes: "Um grupo de indígenas de Namumkurá, veio do Mato Grosso do Norte até Franca (SP) para pedir um apoio, pelo sufoco que estavam passando os índios Xavantes da aldeia de São Marcos". Padinha conta que Brant o recebeu carinhosamente, desceu no saguão do Tower Hotel, onde o cantor Milton descansava para o show daquela noite no Castelinho: "Milton mandou a gente subir, quase nem coube no elevador tantos índios, o compositor e sua mulher, bem como Fernando Brant, pediram pros índios cantarem e dançarem algo da sua tribo, enquanto isso, os dois parceiros foram para dentro do apartamento e voltaram com um bolo de notas de 50 reais". Padinha relata que emocionados com a situação Milton Nascimento e Fernando Brant doaram algo em torno de 4 mil reais para os Xavantes, tirando da renda do show da véspera. E além do mais, deram também para a aldeia um sistema de som usado mas funcionando bem, com o endereço onde deveriam ir buscar o equipamento em Belo Horizonte: "Foi a maior doação que os Xavantes de Namunkurá recebemos aqui em Franca onde temos muitos amigos", disse quase chorando o então jovem Gaspar Waratzere, líder dos índios, "a gente gostaria que Milton e seus amigos fossem na nossa tribo, também para ensinar como vamos operar o som, com que podemos divulgar nossas músicas. nossa cultura, nossa luta da natureza".


Este pequeno acontecimento mostra bem quem foi Fernando Brant, como cidadão, ele e o seu mais querido amigo e parceiro Milton Nascimento estão vivos para sempre em suas músicas, que você deve ouvir, resgatando a emoção e uma das fases geniais da música brasileira de todos os tempos.



O amigo de Milton, da MPB, de Minas e da natureza pegou o trem azul mais cedo do que deveria pegar


A notícia chegou de madrugada com o frio do vento das montanhas de Minas aqui perto: Brant foi embora ontem de madrugada silenciando um dos melhores letristas do Brasil, a morte fez o que a Ditadura não conseguiu, calar o poeta



Fernando Brant quando ainda era um garoto desconhecido lá em Minas que ainda era azul



Milton Nascimento escreveu no Facebook de Rei Romero sobre Fernando Brant 
"A última vez em que estive com Fernando foi a menos de seis meses, em minha casa, no Rio. Ele chegou junto com outro grande amigo, Ronaldo Bastos, e foi uma noite como há muitos anos não acontecia. Passamos horas lembrando de histórias, canções, amigos e, principalmente, a amizade que nos guiava em todos estes anos em que passamos juntos. Eu já sabia que Fernando estava com um problema de saúde, mas em nenhum momento falamos disso naquela noite. Não precisava. Fernando esteve ao meu lado nos acontecimentos mais importantes da minha vida. E isso já era o suficiente a ser lembrado. Em meu último show, em Santos, no dia 5 de junho, uma jornalista pediu para eu contar uma história, qualquer uma. Não sei como, mas automaticamente comecei a falar do Fernando, e de quando eu estava em São Paulo, e fiz três músicas no mesmo dia: “Pai Grande”, “Morro Velho” e “Travessia”, esta última, a que levei para Fernando Brant fazer a letra em Belo Horizonte. O resto é história. E emoção. Sem ele, as coisas não teriam acontecido desta maneira. Nenhuma palavra do mundo é capaz de descrever o quanto eu sou agradecido por ele ter feito parte da minha existência. Obrigado Amigo, muito obrigado, você está mesmo no lado esquerdo de mim". 


Na noite desta sexta-feira, o compositor mineiro Fernando Brant morreu em Belo Horizonte (MG), aos 68 anos, de complicações decorrentes de uma cirurgia de transplante de fígado. Ele havia sido submetido a uma primeira operação na terça-feira passada. O órgão transplantado teve rejeição, e o músico passou por um segundo transplante, na madrugada de sexta. A família confirmou a morte por volta das 21h40, de acordo com o portal. O sepultamento ocorre sábado, no Cemitério do Bonfim, em Minas Gerais. Brant foi fundador do movimento Clube da Esquina, e compôs músicas comoTravessia, conhecida na voz de Milton Nascimento. Ainda teve parcerias com Lô Borges, Wagner Tiso, Márcio Borges e Nivaldo Ornelas, e participou da composição de canções como Maria, MariaPlaneta Blue e da versão em português de Canção da América, entre outras. Nascido em Caldas, em Minas Gerais, em 1946, seu envolvimento com a música e a literatura começou quando estudava Direito na capital mineira. Nos início dos anos 1960, conheceu Milton Nascimento. Em 1967, o amigo o convenceu a escrever sua primeira canção, Travessia, que, no mesmo ano, ficou em segundo lugar no II Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro, que foi o estopim na carreira de Milton. A dupla produziu, junto a Lô Borges, Tavinho Moura e outros artistas, mais de 200 canções.O músico Vermelho, integrante da banda 14Bis, lamentou a morte de Brandt em sua página no Facebook: "Amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito, dentro do coração Fernando Brant, parceiro querido de tantas belas canções, partiu em sua travessia para outra vida". Milton Nascimento choroando conseguiu dizer apenas o seguinte: ..."Gostaria de ter ido antes dele". E aqui a gente diz, a vida é maior do que a morte, este é o nosso consolo nessa hora de tristeza ao perder o irmão que já partiu.  
Milton chorou ao saber e disse "só que gostaria de partir antes de Brant"

Nos tempos rebeldes do criativo Clube da Esquina em BH

O Clube da Esquina conquistou Minas, Brasil, América e o mundo com suas poesias e músicas de valor

A foto mostra os amigos Brant e Milton Bituca quando garotos no interior de Minas Azul

Fontes: zh.clicrbs.com.br 
             www.folhaverdenews.com 

11 comentários:

  1. Mais tarde estaremos aqui com mais informações, comentários, mensagens, fotos sobre Brant, Milton, este Clube da Esquina que é um marco de genialidade da MPB.

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  2. E envie desde já a sua msm para a nossa redação navepad@netsite.com.br e/ou direto por editor do nosso blog de ecologia e de cidadania padinhafranca@gmail.com

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  3. "Brant e Milton juntos e além do mais com a rapaziada do Clube da Esquina, de BH, de Minas, do mundo, é uma genialidade da MPB": é a opinião do repórter, ecologista e autor Padinha. Mande a sua msm também.

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  4. "Um dos maiores letristas do Brasil, Brant é imortal": o comentário é de Aparecido Santos, músico, de São Paulo (SP).

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  5. Amanhã, estaremos postando por aqui mais mensagens e comentários sobre Fernando Brant, Milton Nascimento, Clube da Esquina e a luta cul da poesia e da música do Brasil de verdade, que precisa ser resgatada. Confirfa, logo + a seguir, aqui no blog da gente.

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  6. "Um dos melhores textos que vi sobre Fernando Brant, Milton e o Clube da Esquina, descobri este blog dando uma olhada no Face e fico feliz por existir algo assim na web": agradecemos o comentário de Josué Pereira, que em Ribeirão Preto (SP) se prepara para uma pós graduação na USP, ele que é de Salvador (Bahia).

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  7. "No jogo aqui no Independência, Américxa 1 X 0 CRB, os jogadores mineiros atuaram com uma inscrição na camisa - Amigo é prá se guardar no lado esquerdo do peito - em homenagem ao letrista e poeta, um torcedor símbolo do Ameriquinha aqui em BH": a msm nos foi enviada da capital, após o enterro no Bonfim de Fernando Brant por Júlio Mendes, empresário de confecção e também torcedor do América, admirador de Brant e de todo o Clube da Esquina.

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  8. "No jogo aqui no Independência, Américxa 1 X 0 CRB, os jogadores mineiros atuaram com uma inscrição na camisa - Amigo é prá se guardar no lado esquerdo do peito - em homenagem ao letrista e poeta, um torcedor símbolo do Ameriquinha aqui em BH": a msm nos foi enviada da capital, após o enterro no Bonfim de Fernando Brant por Júlio Mendes, empresário de confecção e também torcedor do América, admirador de Brant e de todo o Clube da Esquina.

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  9. Até domingo, 14 de junho, 10h, esta página em homenagem a Fernando Brant foi visualizada por 3714 internautas, dezenas de pessoas também curtiram ou comentaram as chamadas para este post no Facebook, repercutindo o resgate do taleto deste letrista e poeta de Minas e do Brasil.

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  10. Queremos agradecer aqui em especial a divulgação desta homenagem feita pela equipe do programa Magazine, da FM 101.3 + Brasil, ligada à Universidade de Franca.

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