quarta-feira, 24 de junho de 2015

DAQUI 3 MESES O PRIMEIRO MUNDIAL DE JOGOS INDÍGENAS NO BRASIL COM PARTICIPAÇÃO DE CERCA DE 30 PAÍSES

Tribos já se preparam para a primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas  em Palmas de Tocantins entre outubro e novembro deste ano 

Disputas tribais como esporte e até futebol no 1º Mundial Indígena



A comunidade Gavião deve decidir, nas próximas semanas, os seus representantes nos Jogos Mundiais. Os treinos já estão acontecendo três vezes por semana, envolvem as oito aldeias do território e entre as modalidades que estão sendo desenvolvidas estão corrida de tora, arco e flecha, canoagem e futebol. Esta informação exemplifica como os povos indígenas já estão se mobilizando para este evento esportivo: "Ele servirá para divulgar a cultura dos índios não tão conhecida no Brasil e em cerca de 30 países que também têm povos nativos e participarão deste Mundial que tem um sentido de ecologia também", comenta por aqui no blog Folha Verde News o nosso editor, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha, postando aqui um resumo desta notícia, recebida por e-mail da Agência Brasil e da Aldeia Namunkurá, dos Xavantes do Mato Grosso.  Por sua vez, Cleide Passos, do Ministério dos Esportes, comenta que este 1º Mundial resulta de 13 edições de jogos nacionais de povos indígenas já realizados nos últimos anos no Brasil, desde 1996. No último deles, em 2014, em Cuiabá foi firmada uma parceria entre várias comunidades de índios brasileiros com a sociedade civil, empresas, governos de 17 países e representantes de 48 etnias nacionais. O objetivo principal é um resgate das tradições indígenas. Entre os participantes já confirmados para este evento esportivo, cultural e ecológico estão além do Brasil, país sede, Argentina, Austrália, Colômbia, Canadá, Chile, Congo, Equador, Estados Unidos, Etiópia, Filipinas, Guatemala, Guiana Francesa, México, Mongólia, Nova Zelândia, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Rússia, Uruguai e Venezuela. Entre outros que ainda estão para confirmar estão países como Índia, Paquistão e China. Há uma possibilidade de se conseguir apoios e patrocínios comerciais para bancar as despesas e a Unicef (ONU) já foi contatada neste sentido. Duas redes de TV, ambas do exterior, manifestaram interesse em cobrir o evento. Seria uma boa oportunidade também do Brasil descobrir o Brasil via este Mundial e através da mídia esportiva. 



Um dos jogos indígenas que estarão com certeza no Mundial no Tocantins


Na canoagem, o Gavião Krakete diz que está a maior dificuldade. A maior facilidade, no futebol. É deles a primeira seleção indígena profissional: Gavião Kyikatejê Futebol Clube. Para os que estão participando dos treinos, ele detalha que a alimentação é à base de berarubu, como é chamada a mandioca, carne de caça, principalmente de veado, porco e paca. Estão incluídos na alimentação ainda milho, inhame, batata, açaí e castanha-do-pará.
Líderes dos Gaviões participaram do lançamento dos primeiros Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, em Brasília. Os jogos serão de 20 de outubro a 1º de novembro, em Palmas, Tocantins. Cada país poderá inscrever até 50 participantes, totalizando 2,2 mil indígenas de 1,1 mil etnias nacionais e outro tanto de etnias internacionais. Os representantes dos povos indígenas estão hoje em Brasília, participando de congresso técnico até amanhã: "Eu queria ficar por aqui até domingo, ver jogo Flamengo e Vasco no Mané Garrincha e fazer contatos com outros povos que estão com problemas como demarcação de suas terras, como os Kaiowás", comentou Waratzere, Xavante do Mato Grosso e professor de História formado pela Universidade Federal em Cuiabá. Além dos povos Gavião, o pueblo Kariña, da Venezuela, também já treina. A seleção dos atletas venezuelanos será em julho, nos jogos indígenas nacionais de lá. "Na Venezuela são 42 povos e  apenas 50 delegados ou atletas índios serão selecionados. Queremos trazer também documentos tradicionais do que são os povos indígenas, aumentar o conhecimento de nossos irmãos", falou por sua vez, Raul Tempo, que representava o povo Kariña na cerimônia de lançamento dos Jogos Mundiais. Jailson Azanezakemae, 27 anos, é um dos atletas que está sendo preparado entre os Parecis, etnia de Mato Grosso. Ele joga futebol. Para ganhar, segundo ele, o segredo é simples e a tática uma só: "Entrar no campo, jogar melhor que o adversário e ganhar". Mas o seu avô, o cacique Narciso Kazoizase explica que os atletas têm mais responsabilidades além de fazer um bom jogo. Tudo que aprenderem terão que repassar aos demais jovens. "É a mesma coisa que escola, tem que preparar para já aprender e depois passar para os outros jovens", disse Kazoizase, que mostra assim que os índios têm uma enfoque de cultura e de educação nos esportes tradicionais das tribos. 



Até futebol fará parte das disputas entre aldeias de várias etnias e países


O idealizador dos jogos mundiais foi cotado a assumir a Funai no Brasil



Terena tem contato com índios de várias etnias no país e no planeta


Quem idealizou o Mundial foi o líder indígena Xané, da região de Aquidauana,  Marcos Terena, é a realização literal de um sonho. Quando jovem, sonhou com irmãos de várias etnias, de vários países, se encontrando. Foi ele quem buscou apoio junto ao Governo para a realização do Mundial. Junto com os jogos, em outubro, acontecerá o Fórum Social Indígena que deverá formar a Comissão Internacional Indígena,  a funcionar como um Comitê Olímpico Internacional, responsável pela organização dos Jogos Olímpicos. Também será definida a frequência dos jogos e o país sede de cada edição do Mundial Indígena: "Nós estamos cumprindo uma primeira etapa, de envolver tribos, entidades e a Organização das Nações Unidas (ONU), não para fortalecer em termos de recursos financeiros, mas sobretudo para garantir o compromisso com a questão indígena, com o nosso projeto de realizarmos os jogos com equilíbrio ambiental, para que a gente mostre o verdadeiro espírito de atletismo, onde a medalha é uma referência, mas não é o principal, o principal é a celebração", segundo Terena.



As disputas valorizam a força, a coragem e a união dos índios, como os Pataxós


As mulheres indígenas de várias tribos, etnias e países também participarão do Mundial



Fontes: www.ebc.com.br
              www.folhaverdenews.com 



7 comentários:

  1. Logo mais postaremos aqui nesta seção mais informações e comentários, aguarde e participe.

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  2. Desde já envie o seu comentário, informação ou mensagem sobre o Mundial Indígena para nossa redação navepad@netsite.com.br e/ou mande direto pro e-mail do nosso editor padinhafranca@gmail.com

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  3. Há pelos menos 50 modalidades de disputas, a maioria com um tom lúdico, valorizando a coragem, a perícia e a união dos guerreiros da floresta, em todas um tom ecológico que os esportes dos "brancos" e das cidades já perderam.

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  4. "A gente quer diversão, alegria, confraternização, união entre os índios e também despertar a mídia e a população para nossa cultura e para as nossas lutas": comenta Gastar Wartzere, líder do Xavantes da aldeira de Namunkurá, Mato Grosso.

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  5. "Curti a informação e também o clip com música e temas indígenas, concordo que o Brasil precisa ainda descobrir o Brasil": é a mensagem que nos envia de Uberlândia (MG) Maria Rodrigues, advogada, que planeja ir a Palmas de Tocantis durante o Mundial dos índios: "Melhor que a Copa do Mundo será".

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  6. "A situação de violência e de apropriação das terras dos índios Guarani Kaiowás no Mato Grosso do Sul está se agravando cada vez mais e um evento como este (pena que só aconteça daqui 3 meses) é oportuno para mobilizar a população para a cultura e as causas indígenas": quem nos envia o comentário é Josué Péricles, de Brasília (DF), que nasceu na região do conflitos e atua como servidor público na capital federal.

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  7. "O Brasil realmente precisa se descobrir em suas origens e valorizar de verdade os povos indígenas, um evento destes ajudará muito a estimular este avanço": o comentário é de Maria das Graças Rezende, professora da rede pública em Uberaba (MG).

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