segunda-feira, 20 de julho de 2015

NA SBPC EM SÃO CARLOS METEOROLOGISTA DO INPE ALERTA SOBRE A PRÓXIMA SECA

Todo o sudeste e o nordeste paulista também entram na fase de estiagem com menos água do que em 2014 quando sofremos a maior seca desse século: 2015 poderá ser pior ainda? Essa é a questão que alertam os cientistas do clima e é a nossa pauta aqui, agora



O meteorologista Paulo Nobre (INPE) focou mais a escassez de chuvas



O meteorologista Paulo Nobre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE/MCTI) em conferência que foi apresentada pelo agrônomo e engenheiro florestal José Antônio Aleixo da Silva, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), no Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia da Universidade Federal de São Carlos destacou a crise hídrica, também por aqui na região, tema da 67ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) que acabou ontem: "Um evento que valoriza esta cidade do nordeste paulista, São Carlos, o polo da tecnologia e da informação científica no interior do país", comenta o nosso editor do Folha Verde News, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha: "Talvez esse debate tenha sido o de maior importância na SBPC devido ao medo da dimensão que possa vir a ter a seca 2015". O site nacional de assuntos socioambientais EcoDebate também estava ali presente e também está destacando na sua edição de hoje que Paulo Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI) analisou a problemática da seca em todo o sudeste do país:"Nós estamos entrando na fase seca em agosto, logo mais, com menos água do que nós entramos nessa estação sem chuvas no ano passado. Temos uma situação nacional muito grave. Existe um déficit no total de chuva no Brasil. Em cima dessa condição, nós tivemos a crise hídrica de 2014 e agora a perspectiva de uma reprise até pior em 2015". Nobre comparou o cenário de estiagem à administração de contas bancárias pessoais: "Inicialmente, você subtrai o que gasta do que recebe. Se acontecer algum imprevisto e você gastar mais do que recebe, então fica com um déficit. Se no mês seguinte você receber mais do que gastar, o débito pode ser compensado. Mas se tiver um novo gasto mensal superior ao seu rendimento, você já acumula um déficit. Em algum tempo, nesse ritmo, a sua dívida vai aumentando, é o que exemplifica a situação hídrica no país".  A partir do conceito financeiro, o Inpe elaborou um balanço pluviométrico por região, com índices de metros cúbicos (m³) de água por metro quadrado (m²) de território. "Sabe quando acaba o salário e ainda tem mês para viver? Então, no norte, no nordeste e no sudeste, digamos assim que a água termina antes do mês”. Completou ainda o respeitado pesquisador: “Não aconteceu nada com essa água. Ela não fez crescer planta, ninguém a bebeu, não foi para a agricultura nem para a indústria. Na verdade é que simplesmente não choveu e ela não entrou no ciclo hidrológico". Cá entre nós, o temor é mesmo que aconteça nos próximos meses o pior: "Não é somente a escassez de chuvas, o que também ajuda bastante a agravar o raio X da situação é a falta de gestão governamental dos nossos recursos hídricos e também a falta de investimentos para uma solução sustentável", comenta ainda por aqui nosso editor, o ecologista Padinha, também em cima de dados e números que pesquisou em variadas fontes, como foi no caso o blog gestao3pontozero. "Só mesmo pedindo a Deus e à natureza nesse desgoverno ambiental"... 



seca
O site EcoDebate e ecologistas de todo país destacam menos água em 2015 do que em 2014

No norte e nordeste paulista, em todo o sudeste, menos água agora...

...destacam especialistas, só no Paraná e sul do Brasil há mais água nesse momento


Paulo Nobre apresentou dados do Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre (BESM, na sigla em inglês), que prevê para os próximos anos períodos de estiagem na América do Sul como um todo, associados também ao aumento na recorrência de dias com precipitação intensa em determinadas regiões. "Nosso modelo nos diz que enchentes vão se tornar ainda mais frequentes, mas também que o total de chuvas tende mesmo a diminuir no sudeste, no nordeste do país e até na Amazônia". Uma informação que é no mínimo superpreocupante. Diante do cenário, de acordo com o palestrante na sexta-feira em São Carlos, a preparação para os períodos de estiagem passa por recuperação hídrica. “Pelo nosso conhecimento atual, as florestas são um elemento fundamental para o ciclo meteorológico. Elas são essenciais para chover e para que a chuva entre no sistema de recarga dos aquíferos”, explicou. “Quando a precipitação ocorre sobre uma área florestada, ela tem um escoamento lento e leve, que contribui ao dar tempo de a água percolar. Assim, o líquido atravessa o solo poroso e atinge o destino por aqui também", no caso, aqui no Aquífero Guarani. Segundo o pesquisador, a eliminação da cobertura vegetal em torno das cidades dificulta a convivência da população com os extremos do clima. "As florestas são o nosso maior capital de seguro para aumentar a resiliência às variações climáticas, que não conseguimos controlar. Como podemos nos prevenir? Fazendo, por exemplo, o que fez o município de Extrema (MG), que passou a reflorestar as matas ciliares ao longo dos seus ribeirões. Devido a isso, durante a chamada crise hídrica, os rios de lá não secaram". Na opinião de Nobre, a crise hídrica no sudeste teve como lado positivo esse fato de despertar alguns para a possibilidade das influências no ciclo da natureza tornar inviável o nosso atual modo de vida. "Nós acordamos para a realidade de que temos um grande patrimônio e não compreendemos o seu valor". Nós ou alguns de nós, nem todos acordaram para o problema que foi um drama no ano passado e poderá vir a ser uma tragédia agora e nos próximos anos. 



Novamente seca nordestina por aqui no nordeste paulista em 2015?...


Fontes: MCTI
             www.ecodebate.com.br
             gestao3pontozero.com.br
             www.folhaverdenews.com 

10 comentários:

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  4. Aqui a seguir uma das mensagens que já recebemos: "A gente não pode nem deve aliviar a omissão ou a falta de ação em geral das autoridades governamentais, há uma ou outra exceção mas a regra geral é a falta de gestão hídrica e ambiental". A mensagem é do agrônomo José Pinheiro, que nos enviou este e-mail direto de Barretos (SP), onde está visitando propriedades agrícolas a trabalho neste mês.

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  5. "A região Sudeste do Brasil vem vivendo a maior seca dos últimos 100 anos, segundo especialistas, a população deve continuar economizando mas o Governo de São Paulo, Minas e Rio precisa investir em gestão hídrica": é o comentário de Manuel Azevedo, professor de Geografia, que é de Bauru (SP) mas atua hoje na Grande São Paulo.

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  6. "Todo mundo deve continuar alerta pois já sofremos a maior seca do século em 2014 e se em 2015 for piuor ainda, será mesmo o caos do clima": esta mensagem nos foi enviada por e-mail por Izabel Santos, do Rio de Janeiro, que envia dados que ela pesquisou sobre este problema no sudeste do Brasil.

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  7. "Pelos dados que tenho, o ano mais seco foi em 1953, mas no ano passado choveu só metade do que chovera em 1953": o comentário é de José Almir, que trabalha em rede de rádios no interior de SP e fez uma resportagem sobre este assunto, gentilmente, nos enviando o áudio.

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  8. "Bloco faz marchinha da Cantareira: tô seca, não tô molhada, marchinha da Cantareira: tô seca, não tô molhada. É a realidade": o e-mail vem de SP enviado por Marcos Tadeu, que mora na Bela Vista e participou de evento crítico, cantando e dançando esta marcha.

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  9. "O Governador de São Paulo afirmou que a Sabesp ainda não se decidiu sobre a adoção de racionamento de água na Grande São Paulo. Uma das possibilidades seria cortar o consumo quatro dias para liberar por dois, caso em agosto a seca venha repetir o mesmo quadro de escassez de água de 2014. Não falou em gestão hídrica não": o comentário é de Pascoal Meirelles, de Piracicaba (SP), que pretende se especializar em Oceanografia na Unicamp.

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  10. "É preciso a chuva prá poder sorrir": José Donato, de Brasília (DF) nos manda a letra e a música de Almir Sater como um comentário sobre esta postagem de hoje: "Tem tudo a ver", diz José.

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