sexta-feira, 24 de julho de 2015

NESSE DOMINGO POR AQUI NO NOSSO BLOG VOCÊ VAI CONFERIR UMA MATÉRIA SOBRE O PRÊMIO ECO 2015 PARA EMPRESAS E PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS

Por enquanto a gente continua discutindo que há um alcance nacional e planetário na crise hidrológica e no desequilíbrio ambiental o que explica enchentes no Sul, pouca água no Sudeste, também no Centro do país e seca brava que assola o Nordeste brasileiro




Resumimos a seguir uma entrevista realizada por Patrícia Fachin e Andriolli Costa com José Galizia Tundisi, graduado em História Natural, ele que é também mestre em Oceanografia na University of Southampton, doutor em Biologia pela USP, atualmente pesquisador do IEE (Instituto Internacional de Ecologia). O cientista explica que a crise hídrica está estendida a muitos estados brasileiros porque há um desequilíbrio hidrológico”. Estamos passando por uma série de mudanças climáticas muito sérias em nível planetário, desmatamento e falta de investimentos em meio ambiente no Brasil, tudo se relaciona com os extremos hidrológicos, enchentes no Sul, pouca água no Sudeste, escassez de 
chuva no Nordeste mais uma vez...Há um processo de desequilíbrio hidrológico em algumas áreas, por exemplo, em áreas muita secas, há excesso de chuva. Por outro lado, a seca no Nordeste esse ano foi a maior dos últimos cinquenta anos e o excesso de chuva e de precipitações no Sul resultou que, nas Cataratas do Iguaçu, agora em julho, houve um excesso de 46 milhões de litros de água por segundo despejados, sendo que a média é um milhão e meio. Ou seja, há desequilíbrios no clima por todo o país: "Temos que encarar esses problemas regionais e continentais que o país terá de lidar agora e nos próximos anos", comentou ainda o cientista Tundisi, que concedeu entrevista em Porto Alegre (RGS) ao site ihu.unisinos ao mesmo tempo em que a Agência Brasil dava números sobre as poucas chuvas no Sudeste e no Nordeste, enfocava as enchentes em toda a região Sul, além de situar a tensão que já causa a próxima chegada da seca de 2015 por aqui no Sudeste, ainda abalado com o que ocorreu há um ano. 




Os desmatamento, os agrotóxicos e a falta de investimentos ambientais estão entre as causas da crise hidrológica



"A principal razão, sem dúvida nenhuma, é uma mudança climática muito intensa que está ocorrendo, daí temos praticamente a maior crise de abastecimento e a maior crise hídrica nos últimos 100 anos", resume Dr. José Galizia Tundisi. Algumas causas dessa crise estão relacionadas a uma seca muito intensa e à falta de precipitação. Para dar um exemplo, em outubro de 2014 deveríamos ter tido 130 milímetros de chuva, mas tivemos só 30 em pontos do Sudetes portanto, essa foi uma das causas principais. Ele continua achando e dizendo agora em 2015 que deve haver uma união de esforços no sentido de procurar soluções de longo prazo e que sejam mais adequadas. Na verdade, o que está se desenhando é que a crise será muito mais longa do que parece; ela não é uma crise ocasional, é uma crise quase que permanente pelo menos por alguns anos. E evidentemente é preciso encontrar soluções sustentáveis que enfrentem esse problema de uma forma por um lado emergencial e, de outra, com medidas estruturais e também não estruturais de longo prazo para a recuperação da ecologia perdida neste desequilíbrio que é também com certeza ambiental.




A crise climática planetária e os problemas ambientais do país agravam a situação do clima aqui



O que é muito significativo é que se fala muito em “quantidade de água”, mas não existe uma preocupação com “qualidade de água” e esse é outro problema. Inclusive José Tundisi levou essa questão ao presidente da Academia Brasileira de Ciências, sugerindo um alerta aos governos federal, estaduais e municipais para chamar a atenção para o problema da qualidade da água e da saúde pública associada à seca ou às enchentes, porque isso cria também problemas com as inundações, acontece tanto no excesso como na falta de água ou de chuvas. Nós temos de atuar de uma forma propositiva e ao mesmo tempo de alerta, propondo medidas seguras para que se possa enfrentar a crise, resumiu Tundisi, dando um exemplo: "Uma represa que é frequentada por cerca de 10 mil pessoas nos finais de semana, que não tinha nenhum problema de qualidade de água, começou a apresentar problemas severos na seca na região de São Carlos, de Pirapina e de Brotas, e isso me obrigou a escrever um laudo aos prefeitos dessas cidades, aos secretários da saúde e à promotoria pública no sentido de impedir o contato direto da população com essa água, ou seja, impedir o banho, porque as condições de balneabilidade da represa, em 43 anos, superaram e muito as condições mínimas da Organização Mundial da Saúde para a balneabilidade. Então, o que nós temos de fazer é alertar os poderes públicos e os sistemas de controle de vigilância sanitária para impedir que a população possa, por exemplo, utilizar a água de má qualidade e sofrer efeitos de saúde. Nós não temos o poder de impedir isso, mas os setores públicos têm, e a nossa função é alertá-los para que eles possam tomar as medidas necessárias". 




Dr. José Galizia Tundisi é um cientista especializado em clima, ambiente e água


José Tundisi colocou ainda a questão da degradação de todos os Biomas brasileiros, destacando a situação do CerradoRessaltou que ele tem um papel importante porque tem um milhão e meio de metros quadrados, mas o bioma foi muito impactado com o movimento da agroindústria, em especial o da soja, evidentemente a recomposição das áreas de mananciais no Cerrado precisa ser uma das grandes prioridades. O grande fator de mobilização pode ser um megaprojeto de reflorestamento no Brasil todo: isso gera empregos, protege o meio ambiente, os mananciais, a qualidade da água, porque, em regiões onde há proteção a partir do manancial, se gasta muito pouco para tratar a água. Em contrapartida, num manancial degradado, sem cobertura vegetal e sem proteção, o custo do tratamento pode ser até cem vezes maior. Portanto, há uma relação muito forte entre a questão da proteção da biota terrestre, especialmente a vegetação e a biodiversidade terrestre, e a qualidade e a quantidade de água. Isso é fundamental para restaurar as reservas hídricas do país; isso em nível de Brasil, não apenas no Sul das enchentes, no Sudeste com a escassez de chuva ou nas secas do Nordeste.  Isso precisa ser feito com urgência. O Congresso Nacional precisa se mobilizar para poder colocar leis de incentivos mais efetivas e leis de estímulo a esta recuperação ambiental e também pensar de uma forma mais ampla em todo o sistema de gestão de águas no Brasil com mais competências das agências, a capacidade de integração das agências federais com as agências estaduais e inclusive com cada sistema municipal. "Precisamos em todo o país fazer um grande esforço para capacitar gestores, para capacitar gerentes, para capacitar pesquisadores que se integrem a um sistema amplo de ação", finaliza o cientista Tundisi sobre um desenvolvimento sustentável, que é urgente para o Brasil recuperar o equilíbrio hidrológico e ambiental, resolver a questão da ecologia e avançar a sua economia neste momento de impasse e de tantos impactos de toda crise. 




As enchentes no Sul do país bem como a escassez de chuvas no Nordeste e ainda  a...
...ameaça de uma seca mais intensa ainda no Sudeste em 2015 integram o mesmo desequilíbrio


Fontes: www.ihu.unisinos.br
              Agência Brasil
              www.folhaverdenews.com

7 comentários:

  1. Logo mais estaremos postando aqui mais comentários e mais informações tanto sobre os problemas regionais como os nacionais e os planetários ou globais, aguarde a postagem e participe desde já.

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  2. Você pode entrar na seção Comentários e deixar a sua opinião aqui ou enviar sua mensagem para a redação do blog navepad@netsite.com.br e/ou ainda mandar o seu e-mail direto pro editor de conteúdo desta página padinhafranca@gmail.com

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  3. "Queria cumprimentar mais uma vez, agora neste blog, o Dr. José Galizia Tundisi, graduado em História Natural que é também mestre em Oceanografia na University of Southampton e doutor em Biologia pela USP, atualmente pesquisador do IEE. Eu vi uma palestra dele no Rio Grande do Sul": a mensagem nos chegou de Araraquara (SP), tendo sido enviada por Jonas Trigo, que termina neste ano o curso de geografia na Unesp.

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  4. "É o assunto do momento com um enfoque muito bom, bem resumido e escrito de forma que todos entendemos. Os governantes também, né": o comentário é de Cleacir Ribeiro, que é de Vitória (ES) mas atua no nordeste paulista, representando produtos na área agronômica.

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  5. "A população está mais consciente, os técnicos e cientistas mais atuantes, os ecologistas começam a ser ouvidos mas o problema maior são as autoridades governamentais, que não investem nas soluções e pouco fazem pelo reequilíbrio agora já urgente": o comentário é de Sebastião Guimarães, de Assis (SP), que diz ainda ter visto uma palestra nesse sentido na Unespo local.

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  6. "Esse conceito de desequilíbrio hidrológico é muito oportuno, gostei do enfoque do José Galízia Tundisi que nops informa a todos claramente sobre a situação": o comentário é de Eurípedes Bentes, de São Paulo (SP), que é professor de Física e Matemática na rede pública.

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  7. "Se o Governo de São Paulo ou outras autoridades do país querem mesmo resolver a situação do clima, esta matéria é um roteiro da solução": a msm nos foi enviada de Taubaté (SP) por Roberto José, que atua na área de Veterinária.

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