domingo, 23 de agosto de 2015

O RIO ÍCONE DO INTERIOR DO BRASIL ESTÁ SECANDO: URGE SER REVITALIZADO E DESPOLUÍDO PARA NÃO MORRER

Sem despoluir e revitalizar o São Francisco não será possível a Transposição de suas águas e sem uma estrutura ambiental sustentável não haverá chance de vida a este rio e ao próprio futuro do país, afirma aqui o editor do nosso blog



Hoje, um passo a mais, ontem aqui no blog a gente comparava a Tâmisa de Londres com o Tietê de São Paulo, depois de quase 4 bilhões gastos durante 20 anos este rio paulista não foi despoluído e revitalizado, despoluição e revitalização que são plenamente possíveis como mostra a vida de volta, até com Focas, Golfinhos, Botos e Baleias nas águas que cortam a capital inglesa. Com base em informações da Fundação Joaquim Nabuco, em especial em um estudo sobre o Nordeste e o São Francisco feito pelo engenheiro agrônomo e pesquisador João Suassuna, podemos apresentar aqui hoje no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News uma súmula do diagnóstico da doença deste rio emblemático, que simboliza a natureza do Brasil e é o ícone do nosso interior do Brasil. Resumimos a seguir alguns dos dados que a gente extrai com liberdade da pesquisa de João Suassuna que está postada no site da fundação Joaquim Nabuco como um manancial de conteúdos importantes sobre a questão das nossa águas: fundaj.gov.br





A arte que ilustra a pesquisa da Fundação Joaquim Nabuco sobre o São Francisco e o interior do país







Por exemplo, o plano de usar as águas do rio São Francisco para resolver os problemas socioeconômicos, ecológicos e até humanitários nos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, remonta ao século XIX. Foi em 1886 que o engenheiro Tristão Franklin Alencar de Lima cogitou, pela primeira vez,em se fazer uma transposição das águas do São Francisco para o Nordeste. Desde então, muitas outras propostas surgiram, mas em nenhuma foi comprovada eficácia suficiente que justificasse sua execução. Em 1985, com o fim da Ditadura Militar, novas alternativas foram estudadas pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), foi então que se cogitou inclusive, na interligação da Bacia do Tocantins com o Velho Chico. Anos depois, um outro projeto fracassou, dessa vez, a idéia do então ministro da Integração Regional, Aloísio Alves, era transportar 280 m³/s de água do São Francisco para aqueles quatro estados nordestinos mais secos.

A proposta atual prevê, em duas tomadas d’água, a retirada de 127 m³/s a partir da cidade de Cabrobó (PE), eixo norte (de onde serão bombeados até 99 m³/s) e do lago de Itaparica (BA), eixo leste (de onde sairão os 28 m³/s restantes). No Ceará, o rio Jaguaribe e bacias metropolitanas de Fortaleza seriam interligadas pelo Canal do Trabalhador. No Rio Grande do Norte, os rios beneficiados seriam o Apodí e o Piranhas-Açu. Na Paraíba, as águas do Velho Chico alimentariam as vazões dos rios Piranhas e Paraíba. Em Pernambuco, os rios Brígida e Moxotó seriam contemplados. Para as águas alcançarem as vertentes dos referidos estados, teriam que ser elevadas a 164 metros de altura, no eixo norte, e 304 metros no eixo leste, passarem por túneis e aquedutos e percorrerem dois mil quilômetros de rios e canais a céu aberto, com perdas por evaporação e infiltração. Porém, o bombeamento não seria contínuo, pois o objetivo do projeto visa tão somente suprir alguns açudes para assim compensar a água evaporada, abastecendo mais de seis milhões de pessoas e irrigando cerca de 300 mil ha de terra a 500 km de distância das margens do rio. Com os múltiplos usos existentes e com tantos problemas na sua aventura ambiental, será que o Rio São Francisco dispõe ou poderia dispor de água suficiente para suprir essas metas? "Sem despoluir e revitalizar as suas águas e sem uma nova estrutura de desenvolvimento que seja sustentável, equilibrando interesses econômicos com ecológicos, ao longo de todo o caminho do Rio São Francisco pelo interior do país, segundo os especialistas que já se manifestaram, a Transposição hoje parece condenada ao fracasso", comenta por aqui no Folha Verde News, o nosso blog da ecologia e da cidadania, o nosso editor, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha, abrindo este webespaço para este debate da maior importância na atualidade da crise hídrica e ambiental que sofremos hoje, não só no Brasil, mas aqui de uma forma mais dramática. Com vistas a responder a essa indagação, é necessário ouvir alguns comentários sobre a situação em que se encontra a bacia do São Francisco atualmente, doente, quase indo para a UTI.






Sem despoluir e revitalizar suas águas o São Francisco é mais um rio brasileiro secando




O Velho Chico está doente numa realidade econômica e ecológica sem sustentabilidade e sem futuro




A bacia do São Francisco abrange uma área de quase 700 mil quilômetros quadrados no interior do país





A bacia do São Francisco abrange uma área exatamente de 640.000 km², em que existem em torno cerca de 500 municípios, dos quais 97 em suas margens, com uma população ribeirinha estimada em mais de 14 milhões de pessoas. A primeira questão levantada pelo engenheiro João Suassuna, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco é a poluição existente em suas águas. Pode-se imaginar as conseqüências ambientais advindas do despejo diário dos esgotos domésticos desse significativo contingente populacional na calha do rio. A grande Belo Horizonte, por exemplo, despeja diariamente seus esgotos - domésticos e industriais - no rio das Velhas e no Paraopeba, importantes afluentes do São Francisco. Trata-se de um problema de saúde pública que terá que ser solucionado, antes mesmo de se fazer uso de suas águas. Os desmatamentos criminosos são um outro fator que merece atenção especial na sua bacia. Só as siderúrgicas mineiras consomem anualmente uns 6 milhões de toneladas de carvão vegetal, 40% dos quais oriundos do desmate da vegetação nativa da região. A remoção dessa biomassa para uso industrial tem causado danos significativos ao meio ambiente: estima-se que 75% das florestas nativas do estado de Minas Gerais, bem como 95% das matas ciliares da bacia do Rio São Francisco já foram ou estão sendo destruídas. Um rio a caminho do mar ou da morte?...Caminho ou via crucis?...


A destruição das matas nativas e ciliares estão na via crucis do São Francisco



"A expansão da fronteira agrícola, no Noroeste mineiro e em todo o Oeste baiano, principalmente com o plantio do café e da soja irrigados, é outro fator que tem causado danos significativos ao São Francisco. Em regiões possuidoras de uma malha fluvial importantíssima para a regularização da vazão do rio, os desmatamentos praticados, principalmente nas cabeceiras de alguns de seus afluentes, têm ocasionado, com certa freqüência, exaustão de nascentes, com conseqüente diminuição de vazão do Velho Chico, como ocorreu recentemente com os rios Cabeceira Grande, Sucuriú, Capão e Ribeirão do Salitre, todos pertencentes à bacia do rio Corrente, importante tributário do São Francisco. Desprovida de vegetação ciliar, as margens desses rios ficam sujeitas à erosão, trazendo, como conseqüência, assoreamentos em seus leitos, o que dificulta a navegação. Estima-se que estejam sendo carreados anualmente para o leito do Velho Chico, cerca de 18 milhões de toneladas de solos, volume equivalente a 2 milhões de caminhões caçambas. As balsas que atravessavam o rio, na altura de São Romão (MG) foram impedidas de navegar, devido à formação de bancos de areia, obrigando os usuários a proceder a travessia em um pequeno lugarejo à sua montante, denominado Cachoeira do Manteiga", é um dos comentários ddo especialista João Suassuna da situação limite que mostra a necessidade de se empreenderem ações estruturadoras e revitalizadoras São Francisco, para que ele continue vivo, continue rio.






No interior da Bahia e do país o São Francisco precisa recuperar sua força pesqueira e fonte de alimentos



Dois aspectos importantes que devemos levar em consideração para o entendimento da situação em que se encontra a bacia do São Francisco, estão relacionados com as ações desenvolvimentistas (o tal progresso a qualquer custo ambiental e humano do grande agronegócio), bem como à falta de fiscalização e em especial de uma gestão governamental ambientalista e sustentável. Estudos se referem à exploração do potencial irrigável do São Francisco, estimado em cerca de 3 milhões de hectares, nos quais já foram implantados cerca de 340 mil hectares, ao longo de toda a sua bacia. Considerando-se, para fins de cálculo do consumo de água, 0,5 litro por segundo para irrigar 1 hectare, a exploração dessa área já utiliza atualmente cerca de 170 m³/s das águas do rio. Ao invés de implantação de núcleos de energia Solar ou de parques Eólicos nesta bacia repercutem ainda as críticas à implantação do programa de eletrificação do Nordeste pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf). A um custo estimado em cerca de 13 bilhões de dólares, a Chesf, ao longo dos últimos 60 anos, explorou, todo o potencial gerador do rio, contando, atualmente, com cerca de 10 mil MW/h instalados. Todo o complexo gerador utiliza, do São Francisco, uma vazão mínima garantida de aproximadamente 2.060 m³/s. A construção das represas das usinas geradoras acarretou enormes problemas socioambientais, como o sofrido na produção do peixe como alimento, vem se enfraquecendo demias a atividade pesqueira de todas as regiões franciscanas. As espécies de piracema estão desaparecendo do rio, devido à impossibilidade que têm de fazerem o seu trajeto natural de subida das corredeiras, para a realização das desovas. Ademais, as águas no interior das represas tiveram a turbidez e a temperatura modificadas, aumentando por aí o gás carbônico e a emissão de CO2, a partir das matas do cerrado que ficaram submersas, tema de estudo sendo feito no São Francisco e em todas as represas das hidrelétricas que, no contexto da realidade climática e hídrica de agora, não é a melhor estrutura energética para o Brasil com tanto sol e com tantos ventos.





O Rio São Francisco represado e poluído vive uma situação de alto risco ambiental

Da principal nascente por aqui na Serra da Canastra a Pernambuco o caminho do São Francisco é uma via crucis



Fontes: www.fundaj.gov,br

               www.folhaverdenews.com 


7 comentários:

  1. A extrema importância do Rio São Francisco justifica este longo post tão minucioso, algo que em termos formais foge um pouco da estrutura das postagens na Internet. Quanto mais de debater sobre este e todos os rios do Brasil, melhor para a qualidade de vida da nossa população.

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  2. Saulo André de Souza Leite Melo, estudante de Engenharia Agronômica da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) também fez um estudo sobre a situação do São Francisco. "Um dos principais rios do Brasil, nasce na Serra da Canastra, região do Chapadão da Zagaia, Minas Gerais. Banhando vários municípios, entre estes a região do Vale do São Francisco, que nas últimas décadas apresentou um elevado grau de desenvolvimento em expansão urbana e produção agrícola. Hoje o vale é o maior exportador de frutas do país e sozinho é responsável por cerca de 30% da exportação de frutas. Com o desenvolvimento desenfreado e a falta de fiscalização das políticas públicas, a região ribeirinha denominada mata ciliar vem sendo desmatada para abrir espaço para o avanço das cidades e das lavouras. Com o desmatamento da região, o solo está escorrendo para o rio e se depositando no fundo, fazendo, pouco a pouco, com que o rio fique mais raso".

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  3. Saulo André de Souza Leite Melo, da Bahia, continua explicando: "Em algumas localidades, como na Ilha do Rodeadouro, é possível a gente andar até o meio do Rio. Em algumas regiões, as embarcações não podem mais navegar devido ao perigo representado pelos "barrancos de areia". O baixo nível da água também está afetando a trajetória de alguns peixes que necessitam subir o rio para possibilitar sua reprodução. Pela Lei n.º 4.771/65 a mata ciliar é uma área de preservação permanente obrigatória. Toda a vegetação natural, arbórea ou não, presente ao longo das margens dos rios, ao redor de nascentes e reservatórios, deveria ser preservada, de acordo com a legislação. A largura da faixa de mata ciliar a ser preservada deve ser relacionada à largura do curso d'água. Essa lei existe há 48 anos, mas nem sempre é cumprida, especialmente aqui na região. Evitar o assoreamento, portanto, além de constituir tarefa de proteção ambiental, é também exercício da cidadania". Um abraço ao
    Saulo André de Souza Leite Melo, parabéns pelo estudo de Engenharia Agronômica na Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

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  4. Logo mais estaremos postando aqui mais informações e comentários, aguarde a nossa edição e participe desde já: você pode postar a sua mensagem entrando aqui nesta seção ou enviando o seu e-mail para a redação do nosso blog navepad@netsite.com.br e/ou direto para o nosso editor de conteúdo padinhafranca@gmail.com

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  5. "Todos nós brasileiros estamos morrendo com esta situação do Rio São Francisco": é a mensagem que nos enviou por e-mail José Luiz Pereira Santos, do Rio e Janeiro (RJ) que trabalha no mercado financeiro.

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  6. "Importantes e assustadoras estas informações, o Brasil ainda desconhece o alcance do problema dos nossos rios": o comentário é de Jurandyr Alves, de São Paulo (SP), que no momento faz um trabalho de informática em BH, Minas Gerais.

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  7. "Não cheguei a conhecer o pesquisador nem ver a pesquisa que el está desenvolvendo mas soube por um professor da USP que um técnico da Dinamarca tem mostrado, nas represas de hidrelétricas no Brasil, que há mesmo um aumento do gás carbônico emitido pelas matas submersas nas lagoas dos rios represados para gerar energia elétrica": quem comenta é o engenheiro elétrico Jonas Ribeiro, que nos manda dados e informações sobre energias limpas como a Solar e a Eólica.

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