quinta-feira, 6 de agosto de 2015

SECA 2015 JÁ COMEÇOU E AQUI A PREVISÃO CIENTÍFICA DE DESERTO EM SÃO PAULO, NO SUDESTE, NO SUL, NO CERRADO

Mesmo nesse clima de deserto e proibidas por lei continuam queimadas noturnas como em canaviais entre Franca e Ribeirão Preto: a fiscalização é de responsabilidade da Cetesb


A situação climática e ambiental está vivendo uma das maiores crises, cientistas ligados ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) já alertaram até para o risco de desertificação de uma das regiões mais ricas na produção de alimentos e na vida econômica brasileira, o interior de São Paulo, um deserto que poderá cobrir uma grande extensão também do Sudeste e do Sul do país, além da região do Cerrado no centro do Brasil. Mas mesmo assim, em meio ao inverno quente e seco demais, já fora do padrão do clima em toda a macrorregião, não há sinal de uma gestão sustentável e ambiental por parte das autoridades governamentais, por mau exemplo, as queimadas continuam e agora elas são mais perigosas ainda para o ambiente e para a saúde da população, mas continuam sem que haja uma fiscalização eficiente da Cetesb. Mesmo com ecologistas e Ministério Público se posicionando contra este crime ecológico, ele continua acontecendo. No início desta semana nosso blog constatou duas grandes queimadas em canaviais entre Franca e Ribeirão Preto por aqui no interior paulista. Um crime ecológico que viola também a lei nº 11.241/2002 do Estado de São Paulo, proibindo a queima de cana-de-açúcar pré-colheita devido ao alto impacto que a fumaça desse processo causa na saúde coletiva e no meio ambiente. 


Nesta época do ano as queimadas são ainda mais prejudiciais ao ambiente, à terra e à saúde da população


De modo gradativo, a previsão inicial era de que a proibição fosse total em 2031. Posteriormente, acordo entre governo do Estado e União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), estabeleceu redução do prazo para 2017. A cana-de-açúcar, quando não queimada, alegam setores do agronegócio, exigiria um maior esforço dos cortadores, diminuindo a produtividade do corte manual em comparação ao desempenho das máquinas colheitadeiras. A ausência das queimadas deveria ser uma prioridade nº 1 neste momento de crise aguda do clima para beneficiar a saúde, o meio ambiente e até a economia. Já foram feitos levantamentos com empresas e trabalhadores canavieiros, os entrevistados apresentaram um dilema entre garantir o ar limpo ou a perspectiva de trabalho, na incerteza entre cumprir as leis ou assegurar a atividade das usinas e a continuidade também das queimadas ilegais, a dano da ecologia, mesmo nessa situação emergencial em que está comprometida demais a umidade mínima do solo. Mas não se trata só disso, há todo um caos do clima neste instante de final de inverno e incerteza sobre chuvas da primavera. E o caos não é sensacionalismo deste blog mas um alerta que a gente recoloca aqui, ele foi feito já há algum tempo por dois respeitados cientistas, o geólogo Paulo Roberto Martini, que assessora a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o meteorologista dos Instituto de Pesquisas da Amazônia (INPA) Gilvan Sampaio de Oliveira, ambos, ligados ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Para a sua informação, a seguir, um resumo deste alerta dos dois cientistas sobre o aumento das condições para a criação de desertos em toda esta vasta região do interior do Brasil. Os sinais estão gritando alto, com o baixo volume dos rios, córregos, represas, lagos, com as nascentes secando nesta fase mais crítica da seca de 2015 que já começou e chegou, chegando. Agravante: as queimadas continuam.


A gente flagrou duas queimadas noturnas em canaviais entre Ribeirão Preto e Franca nesta semana


Nossa macrorregião já está rumo à desertificação alertam cientistas


Portais socioambientais e jornalistas respeitados, como o site Envolverde e o jornalista econômico Luiz Nassif em seu webespaço online já advertiram sobre o risco de desertificação que já se manifesta por aqui no Sudeste. Há um ano o repórter Rodolfo Machado alertava também sobre este fato, assim como Júlio Ottoboni também postou mais de uma matéria sobre esta época do ano em que aumentam as queimadas e os sintomas da desertificação. Com o desmatamento por todo o país, com a derrubada da proteção vegetal e o encurtamento do ciclo de chuvas oriundas do mega sistema da Amazônia, além do fenômeno El Niño atuando agora em toda a América do Sul e do Norte, as mudanças climáticas ganharam impulso e têm causado muitas alterações no desenvolvimento de diferentes culturas agrícolas, entre elas milho, trigo e café com impactos alarmantes na produção brasileira e norte-americana na região da Califórnia. Esta situação foi debatida também no Workshop on Impacts of Global Climate Change on Agriculture and Livestock , que foi realizado  na USP, Universidade de São Paulo, no campus de Ribeirão Preto. "Agora, tudo isso somado é uma notícia péssima que a gente que ama a natureza e o país temos até dificuldade de dar, mas não podemos fugir deste desafio monstro e de nossa responsabilidade", foi o que em suma comentou por aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News o nosso editor, repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha. Atenção, então, às informações a seguir, clamando por urgente gestão de desenvolvimento ambiental e de reequilíbrio do clima no interior do Brasil. 


Este problema do nosso futuro já está agora por aqui, as nascentes e as águas secando


Aumentam as condições globais e locais para a formação de desertos em toda macrorregião




O desafio agora é que a irrigação da Amazônia não está chegando, além do fenômeno El Niño

O sudeste do Brasil, parte da região central e do sul caminham para se tornar desérticas. A grande seca registrada recentemente na porção centro-sul, principalmente em São Paulo, está ligada também à permanente e acelerada degradação da floresta amazônica. O transporte de umidade para as partes mais ao sul do continente está sendo comprometida, pois além de sua diminuição é trazido partículas geradas nos processos de queimadas que impedem a formação de chuvas. Os cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa) há mais de uma década fazem esse alerta, que a cada ano está pior e mais grave. E coloca em confronto o modelo econômico agropecuário, baseado em commodities, com a área mais industrializada, produtiva e rica do país. E também a mais urbanizada e detentora de 45% da população brasileira e abrigada em apenas 10,5% do território nacional. O cientista e doutor em meteorologia do Inpe, Gilvam Sampaio de Oliveira, a situação é preocupante e bem mais grave do imaginado em relação a eventos extremos. A comunidade científica está surpresa com a dinâmica das alterações do clima. O número de desastres naturais vem crescendo. Entre 1940 e 2009 houve uma curva ascendente de inundações e o número de dias frios, principalmente em São Paulo, está em franca decadência. “As questões que já estamos passando, eram projetadas para daqui há 15 ou 20 anos. A área de altas temperaturas está aumentando em toda América do Sul. Em São Paulo e São José dos Campos, por exemplo, há um aumento de chuvas com mais de 100 milímetros concentradas e períodos maiores sem precipitação alguma. E quanto mais seca a região, aumenta o efeito estufa e diminui a possibilidade de chuvas”, alertou Gilvan Oliveira. O sistema principal formador do ciclo natural que abastece a pluviometria do sudeste começa com a massa de ar quente repleta de umidade, formada na bacia do Amazonas, seguindo até os Andes. Com a barreira natural, ela retorna para a porção sul continental, o que decreta o regime de chuvas. A revista científica Nature publicou em 2012 um estudo inglês da Universidade de Leeds. O artigo apresentou o resultado dos mais de 600 mil quilômetros quadrados de floresta amazônica perdidos desde a década de 1970 e com o avanço do desmatamento seguido de queimadas, cerca de 40% de todo complexo natural estará extinto até 2050. Isso comprometerá o regime de chuvas, que seriam reduzidas em mais de 20% nos períodos de seca. O sudeste brasileiro está na faixa dos desertos existentes no hemisfério sul do planeta. Ela atravessa enormes áreas continentais, como os desertos australianos de Great Sendy, Gibson e Great Victoria, na plataforma africana surgem as áreas desertificadas da Namíbia e do Kalahari e na América do Sul, o do Atacama. Sem qualquer coincidência, ambos desertos africanos, inclusive em expansão, estão alinhados frontalmente, dentro das margens latitudinais, com as regiões dos estados do Sudeste e do Sul do país. Essa porção territorial só se viu livre da desertificação com o êxito da Amazônia e a formação da Mata Atlântica. Ambas foram determinantes para se criar um regime de chuvas que mantiveram essas partes do Brasil e da América do Sul com solos férteis e índices pluviométricos mais que satisfatórios à manutenção da vida. O geólogo do Inpe e assessor da Agência Espacial Brasileira (AEB), Paulo Roberto Martini, tem sua explicação para esse fenômeno. A desertificação destas regiões ocorrerá se o transporte de ar úmido for bloqueado ou escasseado, ação natural ou antrópica. Exatamente o que vem acontecendo agora.


Ilustração mostra bem o potencial do Sudeste e do Sul virem a se tornar desertos


As investigações geomorfológicas já mostraram que entre os anos 1000 e 1300 houveram secas generalizadas e populações inteiras desaparecerem nas Américas. E isto pode ocorrer novamente, agora potencializado pela devastação causada pelo homem. “Esse solo da região Sul e Sudeste tem potencial enorme para se tornar deserto, basta não chover regularmente. A distribuição da umidade evitou que essa região da América do Sul fosse transformada num imenso deserto”, explicou Martini. Segundo o pesquisador, no fim do período glacial, por volta de 12 mil anos, a cobertura do Brasil teria sido de savana, como na África, pobre em diversidade e formada por gramíneas e poucas espécies arbóreas. Isso ainda é encontrado no interior de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e no Mato Grosso. Entretanto, a umidade oceânica associada à amazônica possibilitou a constituição da Mata Atlântica e seu ingresso continente adentro. A penetração da flora em áreas de campo realimentou o ciclo das chuvas, nível de umidade das áreas ocupadas e a fertilização do solo. Em milhares de anos formou-se um vasto complexo florestal, atualmente reduzido a menos de 5% de seu tamanho original na época do descobrimento. “Há uma cultura de degradação e falar em restauração das matas no Brasil é ficção. Só se produz água quando se faz floresta, a sociedade tem que reagir a isso”, observou o dirigente da entidade SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani. As pesquisas mostram que o povoamento vegetal no que é hoje o território brasileiro teria começado pela costa do Oceano Atlântico, seguindo para o interior ao longo das várzeas dos rios, onde se encontram os solos mais ricos em nutrientes. Foram milhares de anos neste ritmo, o que induziu diversos especialistas a defenderem a tese de que a Mata Atlântica esteve intimamente ligada a Floresta Amazônica, pois ambas detém diversas semelhanças em seus ciclos sazonais e em espécimes de fauna e flora. Agora todo este universo de vida fica no mapa das regiões mais ameaçadas de desertificação no planeta.



Gestão ambiental sustentável, investimentos governamentais e um megaflorestamento são alternativas de sobrevida



Fontes: INPE
              AEB
              www.envolverde.com.br
              www.folhaverdenews.com 


9 comentários:

  1. Logo mais estaremos postando aqui mais informações e comentários sobre esta pauta urgentíssima.

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  2. Participe, postando aqui nesta seção o seu comentário ou enviado por e-mail a sua mensagem para nossa redação navepad@netsite.com.br e/ou mandando sua opinião direto pro nosso editor padinhafranca@gmail.com

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  3. A SECA CHEGANDO BRAVA E MESMO ASSIM CONTINUAM POR AQUI AS QUEIMADAS PROIBIDAS POR LEI - Mesmo nesse clima de deserto e proibidas por lei continuam queimadas noturnas como em canaviais entre Franca e Ribeirão Preto: a fiscalização é de responsabilidade da Cetesb. Isso também faz parte do caos do clima: este é um post deste blog no Facebook. Mande você a sua informação ou comentário, logo mais postaremos todos e-mails aqui.

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  4. Rafaela Santos, de São José dos Campos, nos envia informação que viu postada no blog Balaio do Kotscho (que é editado pelo jornalista Ricardo Kotscho na web). "Agora que a época seca começou, especialmente no interior do país, a quantidade de queimadas cresce significativamente no Brasil, principalmente neste período do ano, de acordo com a Somar Meteorologia. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), são mais de 300 mil queimadas que ocorrem no Brasil anualmente e assim o país está em 5ºlugar entre os mais poluidores, colocando abaixo aproximadamente 15 mil km²/ano de florestas naturais.

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  5. "Realmente, a lei nº 11.241/2002 do Estado de São Paulo proíbe a queima de cana-de-açúcar na pré-colheita devido ao alto impacto que a fumaça desse processo causa na saúde coletiva e no meio ambiente. A questão que se coloca é: quem fiscaliza de madrugada em torno dos canaviais e das usinas? Madrugadas tóxicas": o comentário é de Rui Almeida, de Sertãozinho (SP), que hoje vive e trabalho no setor de turismo no Rio de Janeiro (RJ).

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  6. O estudante Pedro Alves Pereira, que faz o 3º ano do 2º Grau e já estuda em vestibular para engenharia nos mandou um texto para colaborar com esta luta com informações. "No verão de 2011/2012, a incidência de chuvas ficou abaixo da média e assim o período das águas foi encerrado um pouco antes do tempo normal. Já a época mais quente do ano de 2013 fez com que as chuvas durassem até o mês de abril e a área vegetal contou com menos dias secos. Um meteorologista da Somar explicou por aqui essa situação. ” A possibilidade de fogo se acumula, isto é, quanto mais dias de tempo seco, maior é a quantidade de queimadas que podem ocorrer na região e quanto mais queimadas, menos umidade, menos chuvas".

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  7. "Focos ativos de queimadas detectados por monitoramento feito pelo INPE. Período seco começou e chances de queimadas aumenta.
    De acordo com o Monitoramento de Queimadas e Incêndios do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais(INPE), o primeiro semestre registrou 17.310 queimadas em todo o país. Nesta época do ano que há mais chances de focos de calor aumentarem, de julho a dezembro também existe a chance de registro de uma maior quantidade de queimadas. Como não há um projeto governamental, ambiental, só nos resta pedir a Deus a volta do aumento de chuvas a partir do mês de setembro e da primavera": Mário Benelli, de Araraquara, que estuda na Unesp local, nos mandou este resumo que captou na Internet, a gente agradece.

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  8. "As queimadas e os incêndios florestais que ocorrem no país são de grandes proporções. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), grande parte (85%) ocorre na Amazônia Legal. A maioria delas acontece pelas mãos do homem, como uma prática para controlar pragas, limpar áreas para cultivo de certas culturas, renovar pastagens, colher a cana-de-açúcar, vandalismo, por consequência de balão de São João, por protestos, disputas de terras, entre outros. Seja de origem induzida ou não, as queimadas afetam o meio ambiente, aceleram o processo de esgotamento do solo, poluem o ar e trazem prejuízos para toda a sociedade. De acordo com a Embrapa, as queimadas têm as seguintes consequências: empobrecimento do solo, destruição de redes de eletricidade e cercas, acidentes, queimadas de áreas protegidas, redução da absorção de água no subsolo, mortes em geral, perda de propriedades, poluição do ar prejudicando a saúde de muita gente, alteram e destróem ecossistemas inteiros. De acordo com o INPE, em nível mundial, as queimadas estão ligadas às mudanças na composição química da atmosfera e no clima da Terra": este texto também nos foi enviado por e-mail por Mário, da Unesp de Araraquara, São Paulo, ele extraiu isso de um estudo feito por suas classe. A gente por aqui agradece a participação positiva.

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  9. Em relação à denúncia e pedido de providências sobre as queimadas de cana, a pessoa pode procurar a Cetesb através do 0800113560, aí fala ao vivo com atendente em São Paulo que então encaminha o contato para a cidade onde está o cidadão ou cidadã que ligou, uqe recebe um protocolo para acompanhar a sequência da investigação.

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