quarta-feira, 2 de setembro de 2015

A AÇÃO AGORA DO FENÔMENO EL NIÑO É A MAIS INTENSA DESDE 1950

El Niño ganha força e pode causar um dos maiores desequilíbrios no clima nos próximos meses


A atual ocorrência do fenômeno climático El Niño deverá ganhar força agora  ainda antes do fim deste ano, atingindo um pico daqui uns 30 dias entre outubro e janeiro, informou a Organização Meteorológica Mundial (OMM): modelos climáticos e especialistas, como é o caso de Willian Patzert, que assessora a Nasa, indicam que a superfície na porção leste-central do oceano Pacífico deverá ficar mais de 2 graus Celsius mais quente que a média, potencialmente tornando este fenômeno oceânico e climático um dos mais fortes desde 1950, com intensidade semelhante às ocorrências de 1972-73, 1982-83 e 1997-8. Confira a seguir um resumo do que pode ocorrer nos próximos meses na estrutura do clima por conta da influência do El Niño. 


Além do fenômeno oceânico e cósmico há outros desequilíbrios climáticos e ambientais na Terra hoje

Diferentes efeitos climáticos conforme cada região do planeta do "El Niño Godzilla"


O Estado da Califórnia, no oeste dos Estados Unidos, vem atravessando uma das maiores crise hídricas de sua história nos últimos quatro anos e a chegada do verão no Hemisfério Norte preocupava as autoridades, já que esta é normalmente uma estação seca. Mas, para surpresa de muitos, o mês de julho foi mais chuvoso neste 5º ano de níveis de umidade relativamente altos. "Os dados que temos indicam que é o El Niño mais forte desde 1997, mas, obviamente, os modelos climáticos só podem prever o que acontecerá nos três próximos meses, por isso temos que ser cautelosos", William Patzert, especialista em clima do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa (JPL, na sigla em inglês) e um dos maiores estudiosos do El Niño dos EUA. "Para que alcance uma intensidade parecida com o período de 1997-1998, é preciso que ocorram duas coisas. Primeiro, nos próximos meses é preciso haver um abrandamento significativo dos ventos alísios de leste para oeste no Pacífico. E se isso acontecer, veremos uma transferência dramática de calor das águas do oeste do Pacífico para as do Pacífico central e oriental. É nestas condições que se podem alterar os padrões de temperatura e precipitações em todo o planeta", disse Patzert, que garante que o fenômeno deste ano tem potencial para ser  "El Niño Godzilla", devido à sua alta intensidade. Ele ainda argumenta a relatividade dese tipo de fenômeno: segundo Patzert, mesmo que o aumento das chuvas possa ser uma boa notícia para o sudoeste dos Estados Unidos devido à seca na região, também poderá vir a causar grandes inundações e deslizamentos. Já na América do Sul, na região que vai desde o norte do Chile até o Equador, nas quais se encontram as áreas mais áridas do planeta, o El Niño deverá provocar invernos muito chuvosos. Além disso, nesta região, que conta com os maiores navios de pesca comercial do mundo, se a temperatura da água continua mais alta do que o normal há um colapso na pesca, o que pode ter impacto nas economias destes países. No nordeste do Brasil e um poouco menos intensamente no centro e no sudeste o El Niño  amplia a seca enquanto que no sul do Brasil e norte da Argentina, devem ser registradas inundações.  De acordo com Patzert e outros especialistas, quando no Pacífico equatorial, a água quente se move até a América do Sul, isso significa que  na Ásia, em lugares como as Filipinas, a Indonésia ou a Tailândia poderão ser registradas secas extremas. Em geral, nos países em que é a agricultura que responde por uma maior porcentagem do PIB poderá ocorrer um grande aumento no preço dos alimentos, o que acaba afetando o preço das matérias-primas em escala global. Ao mesmo tempo, em países como Japão e China,a tendência agora é de invernos mais temperados. Na Europa, nos anos em que o El Niño é forte, ocorrem invernos muito frios no leste do continente e também no oeste da Rússia, avaliam os especialistas deste estudo da Nasa. Um exemplo de frio rigoroso são dois dos Ninõs mais importantes registrados nos últimos dois séculos: o de 1812 e o de 1941: "Estes foram precisamente os invernos em que as tropas de Napoleão e Hitler foram derrotadas. Por isso gosto de dizer que nenhum Exército os derrotou, foi o El Niño", comentou Patzert.  Ele explica que, nos anos em que ocorre o El Niño há uma temporada de furacões mais fraca no Atlântico, já que os ventos que ocorrem não são favoráveis para a criação de sistemas tropicais. Ao mesmo tempo, no Pacífico oriental, devido à elevada temperatura da água, é registrada uma temporada de furacões muito ativa, em regiões como a Baixa Califórnia. Enquanto isso na África, o sul do continente africano e Madagascar tendem a ser afetados pela seca, e áreas africanas abaixo do Saara, que são muito secas, tendem a ter mais chuvas. Neste levantamento planetário deste fenômeno natural e cósmico, os analistas afirmam que o El Niño faz com que  tanto o norte da Austrália como no sudeste asiático, sejam afetados  nos próximos meses por uma intensificação da seca. 
Também no Brasil meteorologistas estão tentando medir os efeitos do El Niño no clima


O que nas ruas se pergunta é se o El Niño poderá aliviar a seca em SP e em todo o Sudeste


Fontes:  BBC - G1 - Ambiente Brasil  - Folha Verde News

9 comentários:

  1. Para todos nós em geral, cidadãos ou cidadãs do Brasil e de qualquer outro lugar do mundo, que não temos muitas informações sobre o El Niño, este relatório da Nasa só faz aumentar a necessidade de que a gente exija das autoridades públicas mais pesquisa, mais ação, mais gestão sustentável no sentido da Terra e cada recuperar a ecologia cada vez mais perdida.

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  2. Logo mais estremos postando aqui mais informações e comentários sobre a ação do El Niño nos próximos 3 meses finais de 2015: entre aqui nesta seção do blog e poste a sua mensagem.

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  3. Outra opção é você enviar um e-mail para a equipe de redação do nosso blog navepad@netsite.com.br e/ou direto pro nosso editor de conteúdo padinhafranca@gmail.com

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  4. Aguarde que vamos postar mensagens e participe você também, como fez Maria Cavalcanti, de Recife, Pernambuco, que nos enviou o seguinte e-mail: "A cada ano que passa sinto alterações cada vez mais inesperadas no clima e no ambiente e creio que a culpa é também da nossa ignorância mais do que destes fenômenos naturais".

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  5. "Antes de entender completamente quais serão os efeitos deste El Niño em todo o planeta, eu gostaria de saber quais são os principais impactos que estes fenômenos de escala global têm em cada uma e em todas as regiões do Brasil": é a mensagem de José Jordão, cafeicultor na região da Alta Mogiana, entre o nordeste paulista e o sudoeste mineiro.

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  6. A gente aqui do blog está pesquisando mas não está muito simples obter informações mais aprofundadas sobre o El Niño por aqui em nosso país, mesmo porque as avaliações de meteorologistas costumam se restringir a curtos períodos e este fenômeno parece ser mais a longo prazo. Estamos em busca da informação, José Jordão.

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  7. No site da Climatempo há a seguinte informação, também citando efeitos do El Niño no Brasil. "Nos últimos dias de agosto o tempo já sofreu grandes mudanças sobre áreas do Centro-Sul com o rompimento do bloqueio atmosférico e avanço das frentes frias em alguns pontos. Essa condição possibilita também a entrada de um ar frio vindo do Polo Sul o que faz a temperatura cair, mas não o suficiente para uma sensação comum do inverno, até mesmo porque estamos sob influência do fenômeno climático El Niño. Mas o frio não vai embora o mês de setembro também promete temperaturas um pouco mais baixas do que o normal na época".


    Previsão para temperatura mínima. Clique e veja mais mapas de previsão para todo o Brasil

    O ar polar consegue entrar com uma facilidade maior sobre a Região Sul, sul de Mato Grosso do Sul e também do Estado de São Paulo. A temperatura tende a cair bastante em diversas áreas, principalmente sobre os pontos mais altos das serras.

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  8. Segundo matéria da Veja o El Niño que pode ser o mais forte do século foi uma das principais causas do agosto mais quente dos últimos dez anos na cidade de São Paulo. De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a média das temperaturas máximas no mês foi de 26°C. É a décima mais alta para o mês desde o início das medições, em 1943. O pico de calor aconteceu na última segunda-feira (31), com 32,2°C, a maior temperatura do inverno. Os dados também revelam que nunca houve um ano com tão pouco frio no período de janeiro a agosto desde 1943. "O calor é reflexo do forte El Niño deste ano, que bloqueia a entrada de massas polares. Além disso, o fenômeno eleva as temperaturas e provoca períodos de chuvas intensas e fortes secas no Estado", explica Marcelo Schneider, meteorologista do Inmnet.

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  9. "Nem o aquecimento global nem o El Niño são os únicos responsáveis pela seca no estado de São Paulo, onde como em quase todo o país não há uma gestão ambiental e climática": é a opinião de Jerônimo Borges, que estudou Geologia na USP mas por circunstâncias de sua vida acabou por se tornar empresário de exportação.

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