sexta-feira, 4 de setembro de 2015

JOVENS ALEMÃES OFERECEM SUAS PRÓPRIAS CASAS PARA ABRIGAR IMIGRANTES

Várias iniciativas humanitárias estimulam abrigar refugiados ou imigrantes na Alemanha

Clarissa Neher nos informa via a BBC que o preconceito, a desumanidade e a violência contra imigrantes e refugiados de países em guerra ou com o povo em dificuldade de sobrevivência e segurança, o lado ruim nesta situação é a regra geral em geral nos países da Europa mas há exceções maravilhosas: diante do crescente número de refugiados chegando diariamente à Alemanha e a superlotação de abrigos temporários do país, algumas atitudes espontâneas de pessoas humanitárias ou iniciativas da sociedade civil e do próprio governo alemão têm buscado novas formas de abrigar esses imigrantes, inclusive oferecendo moradia temporária na casa de famílias alemãs. É o caso do Flüchtlinge Willkommen (Bem-vindos, Refugiados) que funciona como o popular site Airbnb, só que agora em vez de turistas, o serviço é voltado para quem se sentiu obrigado a deixar seu país.  Desde novembro, o Flüchtlinge Willkommen já intermediou o aluguel de 80 quartos na Alemanha e recebeu mais de 1,5 mil ofertas de pessoas que desejam abrigar refugiados. Um exemplo de humanidade nestes tempos de violência e egoismo. 

Mareike Gieling, Golde Ebding e Jonas Kakosche mostram o alcance do amor humanitário
'Que diferença faz morrer na Síria ou no mar?', disse refugiado que tentou nadar até a Grécia

O portal Airbnb surgiu quando três jovens de Berlim decidiram oferecer um quarto vago no seu apartamento. "Ia fazer intercâmbio no Egito e precisava alugar meu quarto durante esse período. Já acompanhava a situação dos refugiados há algum tempo e tive a ideia de proporcionar uma nova casa a alguém, já que faltam abrigos para quem pede asilo atualmente", disse Mareike Geiling, uma das fundadoras do site, ao jornal Spiegel OnlineSeus colegas de apartamento, Jonas Kakosche e Golde Ebding, aprovaram a proposta, e os três recolheram doações com amigos e familiares para bancar o aluguel do quarto. Em duas semanas, já tinham o suficiente para seis meses de aluguel. Bastou, então, encontrar o novo morador.  "Um amigo nos apresentou ao Bakary, um ourives que fugiu do Mali e vivia nas ruas de Berlim. No mesmo dia, ele se mudou para o nosso apartamento", contou Geiling e todos nós nos sentimos muito bem com esse fato". 

Alguns dos imigrantes sírios que chegam para serem abrigados em casas de alemães
O Flüchtlinge Willkommen acabou se tornando a primeira plataforma online de aluguel de quartos do tipo. A experiência deu certo, e eles desenvolveram este site para que amigos pudessem fazer o mesmo. A iniciativa já tem adeptos também na Áustria, onde o projeto foi lançado em janeiro passado. Pelo site austríaco, já foram intermediados mais de 40 quartos. O processo para quem deseja disponibilizar um quarto é simples. Primeiro, é preciso preencher um formulário no site sobre o apartamento e seus moradores. A partir de então, parceiros locais procuram refugiados que mais se adaptam ao perfil do grupo e intermediam o contato. Se ambos concordarem, o quarto é alugado. O aluguel pode ser pago de diferentes formas. Muitas vezes, é usado o auxílio mensal para moradia oferecido pelos governos de estados alemães para refugiados em situação legal. O valor do benefício varia conforme o tamanho e a região do apartamento. Os criadores do Flüchtlinge Willkommen também sugerem o sistema de financiamento coletivo, em que cidadãos podem fazer microdoações para pagar a estadia. Há também outras iniciativas que intermedeiam não somente o aluguel de quartos para refugiados, mas também de apartamentos. Para exemplificar isso, em Berlim, o Trabalho de Assistência e Juventude Luterana (EJF) foi a organização escolhida pelo Departamento Estadual para Saúde e Assuntos Sociais (LaGeSo) para administrar esse sistema de aluguéis. O processo chega a ser um pouco mais burocrático do que o do Flüchtlinge Willkommen. "De toda forma, esta atitude humanitária, positiva, do bem, mostra o alcance do ser humano para superar desafios como este, que é um marco histórico destes tempos de agora". comenta por sua vez aqui no blog da ecologia e da cidadania, Folha Verde News, o nosso editor, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha, que conta: "No tempo da Ditadura Militar no Brasil, vindo do interior, cheguei a ser "refugiado" na casa de uma família alemã em São Paulo, com muito carinho, contradizendo a violência comum naquela época". Padinha acrescenta ainda que assim, "nesse clima humano de solidariedade é que devem ser vistas as mensagens de amor para Angela Merkel de refugiados da Síria e imigrantes de vários lugares, que inundam as redes sociais. Mensagens de amor para o povo solidário da Alemanha, algo exemplar hoje em dia".  

Fontes: BBC
              AFP
             www.folhaverdenews.com 

7 comentários:

  1. Talvez, por conta do sofrimento na 1ª e na 2ª Guerra, o povo alemão desenvolveu este sentimento de solidariedade e o espírito humanitário que estão destacando a Alemanha, assim como a Itália e a Áustria, neste momento diante do desafio dos imigrantes na Europa.

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  2. Todos nós seres humanos somos imigrantes: com este argumento, o nosso editor, o ecologista Padinha, ao participar de um debate na Nova TV, canal fechado da Net em Franca (SP) com Jonas Marangoni (professor de História da Unesp), conclamou que o Brasil se abra para receber os imigrantes e refugiados de todo o mundo: "Nosso povo é formado por imigrantes italianos, espanhóis, portugueses, africanos, judeus, árabes, que aqui junto com os índios estamos ainda criando uma nação, é oportuno receber por aqui os refugiados".

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  3. No caso desta iniciativa na Alemanha e com o aumento agora do interesse de alemães em receberem refugiados em casa, a organização de direitos humanos Pro Asyl (Pró-Asilo) fez um alerta: apenas a solidariedade não é suficiente para o sucesso dessa experiência. Destacou que refugiados têm vontades próprias, nem todos são abertos e tão simpáticos como na teoria e que é preciso ter isso em mente na hora de na prática decidir dividir uma casa.

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  4. Pro Asyl recomendou ainda que os interessados levem também em consideração que muitos refugiados vêm de contextos culturais diferentes e que alguns sofreram traumas em seu país ou durante a viagem. Isso acaba complicando o relacionamento. Por isso, muitos precisam morar em locais que ofereçam na vizinhança determinados serviços voltados para eles, como apoio psicológico ou de assessoria para pedidos de asilo.

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  5. Logo mais estaremos postando por aqui mais informações e comentários. Aguarde nossa edição. E participe desta postagem, insira aqui nesta seção do blog desde já o seu comentário. Ou envie para a nossa equipe de redação navepad@netsite.com.br e/ou direto pro e-mail do nosso editor de conteúdo padinhafranca@gmail.com

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  6. "Essa atitude destes jovens alemães é show, revela que ainda sobrevive o sentimento humanitário lá e no planeta violência de agora": quem comenta é Francisco Segatio, de Campinas (SP), descendente de imigrantes da Itália que vieram pro Brasil na virada do século 19 pro século 20: "A gente tem que ter grandeza humana em horas como essa".

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  7. "Achei muito legal a atitude destes jovens alemães, isso precisa ser muito divulgado. E vocês aqui no blog acertaram com o clip hoje, o dueto entre Elis e Maria Rita, a música tem esse clima maior também": a mensagem é de Adriana Souza, de Sacramento (MG). que faz Biologia na Universidade Federal de Uberlândia: "Vou mostrar pros meus amigos e amigas aqui". A gente agradece, Adriana, paz aí.

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