terça-feira, 27 de outubro de 2015

DEPOIMENTO DE REPÓRTER E EDITOR DA GLOBO NEWS NO 6º CONGRESSO BRASILEIRO DE JORNALISMO AMBIENTAL

Elisa Homem de Mello conferiu para o site Envolverde a palestra de André Trigueiro "O jornalismo ambiental precisa incomodar!”: a seguir um resumo do que disse o editor-chefe do programa Cidades e Soluções, da TV a cabo Globo News, agora no último dia em São Paulo do 6º Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental. Um documento importante que registramos para o movimento ecológico, científico, de cidadania e você, os que estão sempre acessando direto por aqui o nosso blog Folha Verde News
 


André Trigueiro tem feito reportagens de alto valor para avançar o desenvolvimento sustentável

(Os desafios e os avanços do jornalismo ambiental indo à luta na grande mídia e nos blogs ou sites mais independentes e nas redes sociais. como aqui neste webespaço de ecologia, não-violência e cidadania)



"É preciso fazer jus! A mídia tem tratado, sim, das questões ambientais e, hoje, muito mais que 10 anos atrás. Elas, de fato, têm estado mais presentes no dia a dia e informado mais e melhor acerca das mudanças climáticas e seus impactos. Impactos não apenas no planeta, mas acima de tudo, sobre a espécie humana. No entanto, como já vimos, na maioria das vezes, a questão ambiental fica no viés da perspectiva econômica, já que o tratamento dado a ela é quase sempre dentro da lógica tradicional da mídia, que obedece o imperativo do interesse capitalista. Esta é a dimensão menos digna com a qual a questão ambiental pode ser tratada. E novamente caímos na retórica angustiante, quando ao verificarmos que reforçando o interesse econômico, visamos outra vez o beneficio único do homem.
A mudança necessária para acabar com esta visão passa por uma mudança cultural profunda.E como consenso da maioria dos profissionais da área, chegamos ao segundo desafio: se não houver mudança na superestrutura, não haverá mudança na infraestrutura. Ou seja, não há possibilidade de uma mudança radical se não houver uma transformação radical da nossa cultura e da nossa visão de mundo", disse o jornalista ambiental André Trigueiro: continue conferindo mais alguns trechos.



André Trigueiro no dia a dia do seu trabalho na grande mídia e em suas palestras avança a cultura da vida


"Vemos que um dos grandes problemas do jornalismo ambiental é que, ao nos subordinarmos à lógica da mídia comercial, não integramos as dimensões socioambientais. Só que há um nexo indissolúvel entre água, energia, meio ambiente, alimento e inclusão sócio-produtiva e esta é a condição sinequa nondo tema só poderser abordado em conjunto. Nesta linha de conduta, Nelton Friedrich – diretor de Coordenação Ambiental da Itaipu Binacional e mentor do Projeto Cultivando Água Boa, ganhador do Prêmio Água, Fonte de Vida, da Organização das Nações Unidas – quando então apresenta o conceito de“governança inovadora”, o qual deve atuar com base na responsabilidade compartilhada. “Hoje é  preciso compreender que o acesso que temos nos dias de hoje à governabilidade global de nada serve se não atuarmos diretamente com as governabilidades locais”. E apesar de nunca termos tido tanto acesso a qualquer tipo de informação como nos tempos atuais, apesar das informações nunca terem sido tão baratas e tão democratizadas quanto nos dias de hoje, não obstante, nunca tivemos uma percepção tão fragmentada da realidade. Talvez, seja porque não fomos educados com base na ciência da complexidade, na Teoria do Caos e dos sistemas. Nossa visão de mundo é por isso, por educação, cartesiana e fragmentada. Ao contrário, uma sociedade sustentável exige/impõe transversalidade, interdependência, compreensão sistêmica, correlação entre as diversas dimensões determinantes de uma dada situação sustentável ou insustentável. É isso que a Natureza tem procurado nos ensinar".


Superimportante pro nosso movimento cidadão com visão ecológica ter espaço na grande mídia



Continua André Trigueiro: "Por exemplo, as problemáticas das questões hídrica, vivida em São Paulo com mais intensidade a partir de 2014, ou de saneamento básico, agora às vésperas do maior evento esportivo do mundo (Olimpíadas Rio 2016) e a forma como foram abordadas pelas Governanças Públicas foi, segundo disse André Trigueiro e documentado por Elisa Homem de Mello “eticamente predatória, além de economicamente perversa e politicamente injusta”. Interessante apontar que não apenas o setor hídrico ou de saneamento padeceu sob tal modelo administrativo, mas também o dos códigos florestais, indígenas, o da mineração, o das fontes que são geradoras de energia, o da transparência econômico-administrativa, enfim, padeceu o Brasil como um todo. E façamos aqui um mea culpa: com raras honrosas exceções, a questão da água não foi tratada de forma sustentável. As manchetes diárias foram (e até hoje são) sobre o volume dos reservatórios, o detalhe da transição da água de um reservatório para outro, o volume morto etc. Mas onde ficaram as condicionantes que nos levaram à esta situação? E todo o uso inadequado e burro de todos os recursos naturais que temos feito há tantas décadas? Onde ficaram as pesquisas inovadoras e os artigos científicos das Agências Nacionais?... Quem falou sobre os modelos exitosos de sustentabilidade espalhados mundo à fora? Onde ficaram estas reportagens, que não escondidas em algum canto de blogueiros e jornalistas que se dedicaram a mídias, revistas e até jornais, quase que clandestinamente?...A pauta da Política Nacional é tema dos mais importantes a ser abordado daqui para frente. O índice que, às vezes de forma jocosa, chamamos de índice da felicidade, em países como o Butão, por exemplo, é um índice que lá já parametriza a condição da sobrevivência humana à sua simbiose com a vida no cotidiano. Não há política pública que possa sobreviver sem integrar o conceito de felicidade e de meio ambiente. Esta é a reflexão que cabe e, sem dúvida, nosso terceiro grande desafio: estamos realmente num país, num mundo em transição? E se a resposta for sim, isto implica dizer que toda espécie humana está em transição e, portanto, este é um momento propício para refletirmos sobre o sentido da nossa vida. O momento é propício também para que nós do jornalismo ambiental mostremos às pessoas que há contexto e conexão entre a crise civilizatória que temos vivido e a ignorância em relação às ciências da vida e às teorias da sustentabilidade, as quais podem servir de alicerce a outro tipo de sociedade. Somos um dos principais agentes de condução, de sensibilização e de conscientização de toda uma cultura da sustentabilidade, de uma superestrutura que reconhece as relações causais entre todos os desastres ambientais. Porque é assim que a Mãe Natureza ensina seus filhos: conversando, sensibilizando, para depois conscientizar". (André Trigueiro, no 6º Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental)



"Não há política pública que possa sobreviver sem integrar o conceito de felicidade e de meio ambiente", disse André Trigueiro em sua palestra documentada por Elisa Homem de Mello e resumida aqui no nosso blog da ecologia



Fontes: www.envolverde.com.br
             http://g1.globo.com/natureza/blog/mundo sustentavel/
             www.folhaverdenews.com


8 comentários:

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  2. Outra opção é você enviar sua informação ou comentário para o e-mail da redação do nosso blog navepad@netsite.com.br e/ou então uma outra alternativa: envie direto pro nosso editor padinhafranca@gmail.com

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  3. "Importantíssimo este evento e também estas declarações de André Trigueiro em cima de seu know-how como jornalista ambiental", comenta port aqui o repórter ecologista Antônio de Pádua Silva Padinha.

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  4. "Curti muito, vou tentar pegar textos e informações sobre as outras palestras no site Envolverde": a mensagem veio de Salvador (Bahia) e foi enviada pelo estudante de Engenharia, Mário Mendes Paiva.

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  5. "Bom o depoimento do André Trigueiro, mas pelo menos nessa versão acho que faltaram alguns temas e enfoques fundamentais para a luta dos ecologistas": a opinião é de Isidoro Montes, de São Paulo (SP), que se identifica como ambientalista, "do mesmo grupo do Abellá, histórico em nosso movimento".

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  6. "Vi um post sobre este depoimento deste jornalista no Face e vim aqui conferir, blz, curti": Nara Angélica, Belo Horizonte (MG), estudante de Biologia na PUC.

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  7. "Dou um repeteco aqui do que li no Facebook e da legenda numa das fotos postadas aqui no blog: é bom d+ um ecologista com espaço na grande mídia, é bom d+ e uma exceção": comentário de Raphael Carvalho, técnico agrícola, que atua na região de São Carlos (SP) e se prepara para um curso de extensão na Ufscar.

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  8. "Um anjo no inferno da Globo e da grande mídia do país": quem comentou foi Analúcia Moreira, de Moema, que faz a Faculdade de Música em São Paulo.

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