quarta-feira, 28 de outubro de 2015

JOGOS MUNDIAIS INDÍGENAS MOBILIZAM POVOS NATIVOS DOS CINCO CONTINENTES DA TERRA EM PALMAS DO TOCANTINS NORTE DO PAÍS

Mais do que competição as várias disputas celebram a diversidade de povos indígenas e há consenso sobre a luta pelos direitos dos índios de 30 países participantes do grande evento



E ATENÇÃO - Vários líderes indígenas do Brasil, com apoio de cerca de 22 tribos do exterior, que estão participando dos Jogos Mundiais em Palmas (TO) protestaram nesta tarde contra o perigo que é para todos os índios em nosso país a aprovação por deputados e senadores da PEC 215: o evento vai té domingo, 1º de outubro, está sendo um sucesso cultural, esportivo e até político. Lideranças de várias etnias explicara, que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que vai  transferir a decisão final sobre demarcação de terras indígenas do Ministério da Justiça para o Congresso Nacional, provocou reações na Vila  Verde, onde rolam os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas.Em protesto contra a aprovação, algumas tribos pretendem paralisar o evento pelo menos algumas horas "A gente está articulando algumas tribos, para fechar os jogos hoje para não ter nenhuma modalidade, para assim fortalecer nosso protesto contra o absurdo dessa PEC e mandar uma carta daqui para Brasília. Não podemos celebrar uma festividade sabendo que nossas cabeças estão em jogo”, disse o líder indígena Ubiranan Pataxó. Por enquanto a PEC em discussão ainda foi aprovada somente numadas comissões especiais da Câmara Federal. Um dos mais contrariados com esta proposta de emenda à Constituição Brasileira é o cacique Daran Tupi Guarani. “Tenho certeza que não vai passar nas outras instâncias, mas se passar vai dizimar todo o nosso povo indígena. Estamos muito tristes e dispostos a ir à luta pelos nossos direitos".

 
A ameaça de uma emenda PEC 215 estragou o clima de festa e ritual dos índios no Tocantins



Os jogos estão sendo um ritual de celebração da cultura dos indígenas de todo o planeta
 

Recebemos por e-mail aqui na redação do blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News vários textos e fotos enviados desde Palmas na Amazônia, onde estão chegando ao fim os Jogos Mundiais Indígenas: entre eles, a reportagem de Júlia Dias Carneiro, da BBC, que destacando a presença de atletas ou representantes dos 5 continentes do planeta, mostra a riqueza de variadas culturas nativas, participando de competições diferentes dos esportes mais conhecidos. Elas também podem ser vistas como rituais das variada etnias. Estilos variados de cabelos e de vestimentas, cores de pele, vários acessórios exóticos, idiomas e valores muito diversificados, porém, nenhuma violência, tolerância para as diferenças e muita vibração esportiva e cultural ou até espiritual ou de energia pura entre os 1692 índios ou aborígenes que participam deste evento. Outro grande destaque do Mundial diferente até na sua estrutura é o consenso entre representantes indígenas de todas as origens as mais variadas de que este evento tem valor também para a luta em todos os lugares e países pelos direitos dos povos indígenas. Paralela e simultaneamente às disputas de arco de flecha, corrida, tora, lançamento, saltos, nado, lutas, vem ocorrendo exposições de arte, de artesanato, de fotos, encontros culturais e debate político:  Este detalhe é um avanço fora do comum para todos nós", avalia o líder dos Xavantes, da aldeia de Namunkurá, Gaspar Waratzere, índio formado em História pela Universidade Federal do Mato Grosso.

Mais de mil etnias brasileiras estão participando dos Jogos Mundiais Indígenas 

A diversidade humana, cultural e visual do evento é um dos seus maiores destaques


Participam 566 indígenas de variados países, além de 1.126 etnias ou tribos diferentes de várias regiões do Brasil: fora os índios brasileiros e brasileiras, as delegações com mais representantes são da Argentina, 61 e do Canadá, 56 indígenas. As menores delegações, a Rússia, com 6 e Gâmbia com só 1 participante, que chegou de última hora e foi recebido com muito carinho pelos outros índios e muita atenção pela mídia nacional e internacional. Interessante também nesse sentido a mídia do tipo alternativa dos próprios indígenas, usando smartphones, fazendo, imagens e escrevendo blogs, algo que dimensiona a realidade atual dos índios. 


Esportes nas águas, como nado ou remo, estão entre os preferidos dos índios 

Cabo de guerra e corrida de tora também mobilizam muitos grupos indígenas

Há eventos paralelos como debates e exposição de arte e de fotos como esta

India loira da Finlândia curte natureza e mostra conhecer os problemas dos  índios brasileiros


Essi Ranttila chamou a atenção de todos na corrida feminina de 100 metros rasos, não só pela beleza e agilidade, destoava das concorrentes pela pele clara, cabelos louros e olhos azuis. Olhos azuis característicos  do povo Saami da Finlândia, que mereceu um box especial da matéria do site da BBC. "Toda hora me perguntam quem eu sou e de onde eu venho", ela se diverte com isso e jura que na Finlândia é ela e seu povo que têm a pele considerada "mais escura". Essi Ranttila ficou feliz por representar na Arena Verde em Palmas o povo Saami, do norte da Finlândia, que enviou uma delegação de dez pessoas para este Mundial no Brasil. Tudo lhe parece novo e surpreendente, do calor infernal que dá fama à capital do Tocantins aos esportes que integram as competições, como cabo de guerra e corrida com tora. "São esportes muito exóticos. Entre nós, o esqui seria o mais tradicional", diz Essi. Como atleta corredora, Essi já viajou para outras competições indígenas na Europa e no Canadá. Mas admite: "nunca vi algo assim na vida. É incrível. É algo muito maior do que eu esperava e o clima que importa éo calor humano que está ótimo, as pessoas são muito calorosas". Ela se solidariza com os povos brasileiros que estão protestando contra a aprovação da PEC 215 pelo Congresso Nacional, que transferiria a responsabilidade sobre a demarcação de terras ao Legislativo, dominado por outros interesses e lobbies: "Acho que estamos todos lutando pelos mesmos problemas. Na Finlândia nossa briga é contra a mineração, para podermos continuar usando as terras de nossos ancestrais e seguir com nosso meio de vida, continuando com práticas tradicionais como arrebanhar renas, algo que é muito importante para nós". 


Essi Ranttila, do povo Saami da Finlândia, preza muito as suas origens indígenas

Este evento imaginado por um líder indígena Terena é destaque hoje em todo o planeta



Fontes: BBC
             www.folhaverdenews.com 

8 comentários:

  1. Logo mais, mais informações e comentários serão postados aqui, poste você também aqui nesta seção a sua mensagem.

    ResponderExcluir
  2. Outra opção é você enviar um e-mail para a redação do nosso blog de ecologia e de cidadania: navepad@netsite.com.br e/ou ainda, uma outra alternativa: mande sua mensagem direto para o editor de conteúdo daqui do blog da gente padinhafranca@gmail.com

    ResponderExcluir
  3. "Vi em dois canais de TV algumas imagens sensacionais deste evento mas as informações aqui deste blog são mais completas": a gente aqui agradece esta mensagem enviada de São Paulo por Eneida Santos, que fez História pela Unesp no campus de Franca (SP).

    ResponderExcluir
  4. "Muito mais interessante do que as sacanagens da CBF, da Fifa e do futebol business, eventos como esse Mundial nos dão esperança de que as coisas podem estar mudando no planeta": o comentário é de Marcos Camilo Souza, de Santo André (SP), que faz Educação Física na USP.

    ResponderExcluir
  5. "O evento todo em Palmas do Tocantins custou 4 milhões de reais e estão sendo pagos pela Prefeitura, sendo que as autoridades locais confirmaram que várias empresas e o Governo Federal estão cobrindo estas despesas, é uma boa notícia que esta realização esteja dando certo nesse momento em que a mídia daqui e de vários países critica a violência contra os índios e os seus direitos": a mensagem nos veio de Palmas, enviada pelo repórter Josué Mendes, trabalhando lá como um correspondente da agência de notícias Reuters.

    ResponderExcluir
  6. Alertados pelo músico e produtor cultural Rodrigo Vergara (que viu a notícia na Agência Brasil), ele que atua na Net Rádio Brasil em Franca (SP), a gente aqui do blog inserimos nesse post a informação sobre um protesto na Arena Verde (onde acontecem os Jogos Mundiais Indígenas, que vão até domingo, 1º de novembro) contra a PEC 215, a muito criticada emenda à Constituição Brasileira que ameaça tirar do Ministério da Justiça e passar para o Congresso Nacional as principais decisões sobre os povos indígenas do Brasil, o Congresso dominado por variados lobbies e outros interesses...

    ResponderExcluir
  7. Aqui um resumo desta informação: "Vários líderes indígenas do Brasil, com apoio de cerca de 22 tribos do exterior, que estão participando dos Jogos Mundiais em Palmas (TO) protestaram nesta tarde contra o perigo que é para todos os índios em nosso país a aprovação por deputados e senadores da PEC 215: o evento vai té domingo, 1º de outubro, está sendo um sucesso cultural, esportivo e até político. Lideranças de várias etnias explicara, que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que vai transferir a decisão final sobre demarcação de terras indígenas do Ministério da Justiça para o Congresso Nacional, provocou reações na Vila Verde, onde rolam os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas.Em protesto contra a aprovação, algumas tribos pretendem paralisar o evento pelo menos algumas horas "A gente está articulando algumas tribos, para fechar os jogos hoje para não ter nenhuma modalidade, para assim fortalecer nosso protesto contra o absurdo dessa PEC e mandar uma carta daqui para Brasília. Não podemos celebrar uma festividade sabendo que nossas cabeças estão em jogo”, disse o líder indígena Ubiranan Pataxó. Por enquanto a PEC em discussão ainda foi aprovada somente numadas comissões especiais da Câmara Federal. Um dos mais contrariados com esta proposta de emenda à Constituição Brasileira é o cacique Daran Tupi Guarani. “Tenho certeza que não vai passar nas outras instâncias, mas se passar vai dizimar todo o nosso povo indígena. Estamos muito tristes e dispostos a ir à luta pelos nossos direitos".

    ResponderExcluir
  8. "!mportante este evento cultural e mais ainda a manifestação política dos indígenas, unidos em torno dos seus direitos fundamentais": a mensagem nos vem, de Campinas (SP) enviada por Mauricio Corrêa, advogado que diz ainda "considero absurda esta PEC 215, no meu entendimento ela é anticonstitucional".

    ResponderExcluir

Translation

translation