quarta-feira, 21 de outubro de 2015

MUNDIAL INDÍGENA EM PALMAS ATÉ TERÁ JOGOS DE FUTEBOL MAS É UM EVENTO DIFERENTE

Índios gostariam de um Mundial mais de celebração e menos de competição já que para eles as atividades mesmo as esportivas são parte dos seus rituais nativos


As atividades e práticas indígenas têm um sentido de ritual e de cultura nativa


Milhares de indígenas do Brasil e do exterior já estão em Palmas, capital do estado do Tocantins, para a disputa dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (Jmpi): é o que nos informa a notícia de Marcelo Brandão da Agência Brasil que chegou por e-mail  aqui ao blog da ecologia e cidadania Folha Verde News. O calendário do evento não está inteiramente fechado, como no caso do futebol, que teria início previsto para hoje (21) mas segundo o Ministério do Esporte só deve começar amanhã (22), conforme o dirigente do Comitê Intertribal (ITC), Carlos Terena, idealizador do Mundial. Os jogos de futebol serão disputados no Estádio Nilton Santos, Terena disse que só vão começar amanhã devido a problemas de logística: "Teremos outras atividades e faremos alguns ajustes técnicos ainda hoje, tentaremos fazer uma oficina de cada modalidade para que as etnias possam assim aprender atividades de outros grupo e de outras etnias". Até a abertura oficial, marcada para sexta-feira (23), atividades exclusivas para os indígenas. Nos congressos técnicos, eles discutem formas de disputa, regras e modalidades a serem apresentadas, como demonstração e competição. No Festival Internacional da Cultura Indígena, que vai acontecendo paralelamente aos jogos, eles apresentam e compartilham danças e costumes de cada tribo. Nenhuma dessas atividades, no entanto, é aberta à imprensa. Segundo os organizadores, muitos indígenas não se sentem à vontade na presença do “homem branco”, como é o caso dos jornalistas. O cacique Davi Kaiapó também ressaltou a necessidade de privacidade em certas atividades, sobretudo na Aldeia Okara, onde as etnias brasileiras estão instaladas: "Existem certas regras em nossas comunidades que não podemos revelar. Nós, indígenas, praticamos um ritual muito forte. Praticamos há muito tempo e queremos ficar em privacidade”, disse o cacique Kaiapó. Ele falou sobre a importância de conhecer outras culturas e trocar conhecimentos com outros indígenas brasileiros e estrangeiros, a quem chamam de “parentes”. “Muitos já foram inimigos, mas hoje são amigos. E conhecer outros parentes de fora também é importante. Não é apenas o jogo: é mostrar a cultura e a tradição, trocar informações do nosso movimento". Já estão chegando mais indígenas estrangeiros a Palmas nesta quarta-feira. Em frente à vila onde os jogos, feiras e outras atividades serão feitos, várias culturas se misturam. Enquanto Pataxós e Kamayurás dançavam e cantavam suas tradições, tribos Neozelandesas e Filipinas assistiam e conversavam. O clima de interação e troca cultural deve se intensificar ao longo do evento. Rola também um debate sobre as lutas pelos direitos indígenas. A Arena Verde, onde ocorrerá a maioria dos jogos, é ampla e cercada de arquibancadas com capacidade para até 10 mil pessoas. Apesar de elogiar a decoração da vila dos jogos, Marcos Terena disse que a ideia dos indígenas era fazer algo mais alusivo à celebração e menos à competitividade: "A construção da arena é um padrão não indígena. A gente quer fugir desse formato de "rodeio”, de campeonato de índios. Como são os primeiros jogos mundiais, todos esses ingredientes que a gente não conhecia fugiram do nosso controle. A ideia inicial era fazer uma coisa mais aberta, mas tem a questão de segurança, bombeiros. Todas essas situações fizeram com que houvesse um desenho essencialmente urbano". De toda forma, Terena e os índios em geral, ecologistas, esportistas e simpatizantes das causas, das lutas e da cultura original dos indígenas consideram positivo este evento.


Índios brasileiros e de 6 outros países já chegaram a Palmas para o Mundial..


...Terena e índios de outras etnias vêm o evento como uma valorização da cultura nativa

...não querem imitar os rodeios e as competições dos "brancos" das cidades...

...mesmo o futebol tem menos competição e mais celebração...

...os jogos buscam recriar o que acontece nas aldeias de várias etnias

Junto acontece um festival de cultura e debates sobre o movimento indígena

Fontes: Agência Brasil
              www.folhaverdenews.com

6 comentários:

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  2. Seja você índio ou não, participe, envie a sua mensagem pro e-mail da redação do nosso blog navepad@netsite.com.br e/ou mande direto pro nosso editor de conteúdo padinhafranca@gmail.com

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  3. "Só faltava a CBF ou a Fifa entrar na parada e estragar este evento, é importante este sentido de celebração e de ritual, os não índios estão perdendo esta riqueza na sociedade de consumo, estragaram até a festa do futebol": a opinião é de César Gimenez, de São Paulo (SP), comerciante de origem espanhola.

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  4. "As lutas pelos direitos dos índios no Brasil e em outros países podem ganhar com um evento como este unindo várias etnias e culturas": opina Maria Bernardes, que estuda História na Unesp em Franca (SP).

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  5. "A gente até entende, pelo sofrimento dos índios no Brasil, que eles vão fazer algumas atividades e rituais sem permitir a entrada de não índios e da imprensa, só que deveriam estabelecer regras mas deixar a mídia atuar com algum controle porque isso vai ajudar o movimento indígena": é a opinião de Rubens Moreira, de Campinas (SP), fazendo um estudo sobre as etnias brasileiras na Unicamp.

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  6. "Tinha visto o seu blog e depois no Sportv agora vi que índios de 24 países já estão em Palmas para os jogos e o festival indígena": a mensagem é de Flávio Vieira, de Ribeirão Preto (SP), atleta de natação.

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