domingo, 25 de outubro de 2015

REVISTA DA ACADEMIA NACIONAL DE CIÊNCIAS DOS ESTADOS UNIDOS AFIRMA QUE SECA NA AMAZÔNIA PODE TRIPLICAR


Aquecimento global e outras causas podem triplicar a seca na Amazônia, avaliam diferentes pesquisadores: a região mais rica em água é candidata a virar deserto



Repercutem em Manaus, em todo o Brasil e em todo o planeta, enfim, as conclusões do estudo liderado por Hilip Duffy, do Instituto de Pesquisas de Woods Hole, afirmando que áreas hoje afetadas por pouca água como em alguns trechos dos rios Amazonas e Solimões (confira também a notícia de ontem aqui em nosso blog de ecologia e de cidadania Folha Verde News), estas áreas podem aumentar e até mesmo triplicar a partir de agora. As mudanças climáticas podem intensificar a frequência de clima extremo, tanto em relação às secas quanto a chuvas intensas demais na Amazônia antes do meio do século: esta conclusão leva em conta também os efeitos do desmatamento gigantesco, causando mortes maciças de árvores, incêndios e emissões de carbono. A conclusão é de uma avaliação de 35 modelos climáticos aplicados à região, feita por pesquisadores dos Estados Unidos e do Brasil, como publica em detalhes o Portal Amazônia. Segundo o estudo, liderado por Philip Duffy, do WHRC (Instituto de Pesquisas de Woods Hole, nos USA) e da Universidade Stanford, a área afetada por secas extremas no leste amazônico, região que engloba a maior parte da Amazônia, deverá mesmo triplicar até 2100. Paradoxalmente, a frequência de períodos extremamente chuvosos e a área sujeita a chuvas extremas tende a crescer em toda a região após 2040, mesmo nos locais onde a precipitação média anual diminuir. Já o oeste amazônico, em especial o Peru e a Colômbia, deve ter um aumento na precipitação média anual. A mudança no regime de chuvas é um efeito há muito alertado pelos cientistas sobre os danos do aquecimento global. Com mais energia na atmosfera e mais vapor d’água, resultante da maior evaporação dos oceanos, a tendência é que os extremos climáticos sejam amplificados. As estações chuvosas na Amazônia sofrem com todos estes fatores e ainda com a falta de uma gestão ambiental sustentável por parte das autoridades governamentais: o período de verão no hemisfério sul, chamado pelos moradores da região de inverno ficam mais curtas, mas as chuvas caem com mais intensidade. Mas a resposta da floresta essas mudanças tem sido objeto de controvérsias entre muitos dos que pesquisam a região: estudos da década de 1990 propuseram que a reação da Amazônia fosse ser uma ampla “savanização”, ou mortandade de grandes árvores, e a transformação de vastas porções da selva numa savana empobrecida. Numa palavra, deserto.



Imagem de Ana Cintia Gazzelli - WWF documenta o começo do caos agora


Outros estudos, porém, apontaram que o calor e o CO2 extra teriam um efeito oposto – o de fazer as árvores crescerem mais e fixarem mais carbono, de modo a compensar eventuais perdas por seca. Na média, portanto, o impacto do aquecimento global sobre a Amazônia seria relativamente pequeno. Esta visão está sendo contestada pela realidade ambiental de agora. Ocorre que a própria região amazônica se encarregou de dar aos cientistas dicas de como reagiria. Em 2005, 2007 e 2010, a floresta passou por secas históricas. O resultado foi ampla mortalidade de árvores e incêndios em florestas primárias em mais de 85 mil quilômetros quadrados. O grupo de Duffy, também integrado por Paulo Brando, do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), aponta que de 1% a 2% do carbono da Amazônia foi lançado na atmosfera em decorrência das secas da década de 2000. Brando e colegas do Ipam também já haviam mostrado que a Amazônia está mais inflamável, mais sujeitya a incêndios e queimadas, e isso provavelmente devido aos efeitos combinados do clima e do desmatamento, entre outras causas. Os pesquisadores simularam o clima futuro da região usando os modelos do chamado projeto CMIP5, que é usado pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática) no seu último relatório de avaliação do clima global. Um dos membros do grupo, Chris Field, da Universidade de Stanford, foi um dos coordenadores do relatório. Field foi também candidato à presidência do IPCC na eleição na ONU, perdendo para o coreano Hoesung Lee. Os modelos de computador foram testados no pior cenário de emissões, o chamado RMP 8.5, no qual se assume que pouca coisa será feita para controlar emissões de gases-estufa. Eles não apenas captaram bem a influência das temperaturas dos oceanos Atlântico e Pacífico sobre o padrão de chuvas na Amazônia (diferenças entre os dois oceanos explicam por que o leste amazônico ficará mais seco e o oeste, mais úmido), como também, mostraram nas simulações de seca futura uma característica das secas que já foram um recorde de 2005 e 2010: o extremo norte da Amazônia teve grande aumento de chuvas enquanto o centro e o sul secavam. Segundo os cientistas, o estudo pode ser até mesmo conservador, já que só levou em conta as variações de precipitação: "Por exemplo, as chuvas no leste da Amazônia têm uma forte dependência da evapotranspiração, então uma redução na cobertura de árvores poderia reduzir a precipitação", escreveram Duffy e Brando: "Esta informação sugere que, se os processos relacionados a mudanças no uso da terra fossem mais bem representados nos modelos do CMIP5, a intensidade das secas poderia ser maior do que a projetada aqui, até hoje". 

Há dois dias estamos dando aqui no blog informações sobre secas já atuando em trechos....

...dos rios Solimões e Amazonas que ilustram bem as pesquisas dos cientistas enfocados hoje aqui

Além do aquecimento global, os desmatamentos, a poluição e a falta de gestão ambiental são as causas

As pesquisas mais recentes já apontam a tendência de futuro deserto na Amazônia

Será um absurdo monstro do país, do planeta, da atual civilização humana...


...a região com maior riqueza de águas se transformar em mais um deserto



Fontes: PNAS (Revista da Academia Nacional de Ciências, USA)
              www. portalamazonia.com
              www.folhaverdenews.com

7 comentários:

  1. Logo mais estaremos postando mais informações e mensagens nesta seção de comentários, entre aqui e se manifeste sobre esta pauta ou mande um e-mail para a redação do nosso blog navepad@netsite.com.br e/ou envie seu comentário direto pro nosso editor de conteúdo padinhafranca@gmail.com

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  2. O Rio Amazonas nasce na Cordilheira dos Andes, junto ao vulcão Misti, sul do Peru, a 4.000 metros acima do nível do mar. Essa nascente só foi descoberta em 1971, e é conhecida como Laguna McIntyre. E até pouco tempo, pensava-se que o Nilo fosse o maior rio do mundo em extensão. No entanto, graças a técnicas de monitoração por Satélite, agora sabe-se que o Amazonas é maior, com 7.025 quilômetros. Esta situação de agora, o próprio Amazonas secando, também por sua dimensão está agora até escandalizando a opinião pública.


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  3. Na planície brasileira, a largura do Rio Amazonas é de 6 a 8 quilômetros, enquanto a profundidade varia de 20 a 200 metros. Próximo à foz, no Atlântico, a profundidade chega a até 500 metros. O rio Amazonas é o maior do mundo em volume de água. Em menos de meio minuto de vazão, poderia saciar a sede de todos os habitantes do mundo. Ele despeja no Atlântico 175 milhões de litros de água por segundo. Esse número corresponde a 20% da vazão conjunta de todos os rios da Terra. Em um dia, o Rio Amazonas despeja no Atlântico mais água do que toda a vazão de um ano por exemplo do rio Tâmisa, na Inglaterra.




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  4. Estes dados agora estão sendo contrapostos com a situação que é no mínimo esdrúxula de pouca água nos rios Amazonas e Solimões. A 8 quilômetros de Manaus, o rio Solimões se encontra com o rio Negro, afluente do Rio Amazonas, produzindo o fenômeno do Encontro das Águas. As duas grandes massas de água não se misturam porque têm temperaturas diferentes. Apesar do nome, as águas do Rio Negro são cristalinas. A impressão de escuridão surge do contraste provocado pelo encontro delas com as águas barrentas do rio Solimões. Um monumento da natureza do Brasil e do planeta chegou a uma situação limite...

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  5. "A tendência a médio e longo prazo da Amazônia segundo pesquisas que estão sendo publicadas pela Revista Nacional de Ciências dos Estados Unidos, é que a região com enorme riqueza hídrica ainda hoje acabe por virar um deserto até por volta de 2100": é a informação que a gente recebeu aqui na redação do blog, enviada pelo engenheiro agrônomo Irineu Barbieri, de Salvador (Bahia).

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  6. "Tem sido feitas varias pesquisas que sinalizam para climas extremos na Amazônia (tanto enchentes como secas) e as causas não são somente o aquecimento global, incluem também desmatamentos, poluições e uma falta crônica de gestão ambiental sustentável lá e em todo o Brasil, por parte das autoridades governamentais, que não ouvem o que dizem os cientistas e ecologistas": é opinião do editor de conteúdo aqui do nosso blog Folha Verde News, o repórter ecologista Antônio de Pádua Padinha: "Estamos agora como os profetas clamando. Eles clamavam no deserto nos tempos bíblicos. Agora fazemos isso em plena Amazônia, uma das regiões de maior riqueza hídrica na Terra".

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  7. Entre outros estudos, citamos aqui os realizados pelo Instituto de Pesquisas Woods Hole, pela Universidade de Stanford dos Estados Unidos, pelo IPAM, instituto de pesquisas da Amazônia, pelo WWF (fundo mundial da natureza), pelo IPCC da ONU...

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