terça-feira, 10 de novembro de 2015

A MIDIA PRECISA DAR MAIS ESPAÇO À ECOLOGIA: A TRAGÉDIA SOCIOAMBIENTAL EM MARIANA TEM A VER COM DESINFORMAÇÃO AMBIENTAL

O fato de a grande mídia blindar grandes empresas está entre as causas do desastre na mina de ferro: além de vítimas humanas. desequilibrou o ambiente e prejudicou a qualidade da água, nascentes, córregos, rios e a agricultura na bacia do Rio Doce entre Minas e o Espírito Santo



Por aqui na região de Franca (SP) a Rádio Imperador AM tem dado espaço a temas ecológicos (para exemplificar já em 1992 cobriu com boletins ao vivo a ECO no evento da ONU, depois também a Rio +20, além de várias matérias locais e regionais com conteúdo ambiental ao longo de 44 anos). Esta posição exemplar está sendo destacada agora no aniversário desta emissora que pode ser captada em toda a região entre o nordeste paulista e o sudoeste mineiro. Uma posição exemplar e que é também uma exceção no interior do país. Isso nos introduz à pauta de hoje em nosso blog: você acha que a mídia em geral no Brasil deveria dar mais espaço ao meio ambiente? Certeza que sim. Esta crítica não é só paixão pela ecologia mas reflete a necessidade que os meios de comunicação hoje e cada vez mais informem, ajudem a fiscalizar e mais ainda estimulem o avanço em todas as regiões brasileiras do desenvolvimento sustentável, a bem de toda a população e da nossa natureza: o desenvolvimento em seu conceito mais atualizado é justamente um equilíbrio (que hoje não existe no país) entre os interesses econômicos com os ecológicos. Se houvesse um mínimo deste equilíbrio, por exemplo, não teria ocorrido agora em Mariana (MG) esta tragédia socioambiental que abala Minas, Espírito Santo, a imagem do Brasil no exterior e todos os que no planeta sabem da importância deste enfoque. Desta tragédia, nosso blog Folha Verde News conclui que a mídia precisa dar mais espaço à ecologia, toda essa tragédia socioambiental tem a ver também com desinformação, em geral grande parte da mídia costuma blindar grandes empresas e empreendimentos, como no caso, aconteceu com a mineração de ferro em Mariana (MG), sob responsabilidade da Samarco, uma joint venture da maior mineradora do mundo, a BHP Billiton com a maior produtora de aço de minério de ferro, a Vale). E o Ministério Público considerou também sob este ângulo entre as causas do megacidente nas barragens de Fundão e de Santarém, em Bento Rodrigues, distrito de Mariana (MG) a pouco mais de 100 quilômetros, uma das principais cidades do Brasil. 


Continuam os efeitos maior tragédia socioambiental do interior do Brasil 



Esta barragem Germano está sob investigação depois do rompimento de duas barragens da mineradora


O prefeito de Mariana, Duarte Júnior, irá se reunir hoje à tarde com a direção da Samarco Mineração. "Eu quero entender o tamanho do impacto que o município de Mariana vai sofrer com a suspensão das atividades desta empresa, o que deve durar uns oito meses. Isso vai gerar uma grave queda na arrecadação do município. Eu, como prefeito de Mariana, terei que parar para entender onde terei meus cortes, eu vou administrar com o que o município tiver, mas preciso ver os recursos essenciais para que o povo não sofra mais ainda do que já está sofrendo", declarou Duarte Júnior em entrevista à BandNews FM e ao site do jornal O Tempo. Por sua vez, o portal G1 MG está informando hoje que a terceira barragem da Samarco, chamada Germano, é monitorada após rompimento das barragens do Fundão e Santarém em Mariana. Com o apoio da Defensoria Pública e do MP a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas decidiu ontem que todas as atividades da Samarco Mineradora estão suspensas.A empresa não poderá operar a mina de Germano, de onde extrai minério de ferro, até que repare todos os danos causados pelo rompimento que houve nas duas outras barragens, Fundão e Santarém, causa imediata de todo acidente. Durante o período de embargo, a Samarco só poderá fazer ações emergenciais, que minimizem o impacto do rompimento e previna novos danos. O rompimento causou uma enxurrada de lama que destruiu o distrito de Bento Rodrigues e 24 pessoas ainda estão desaparecidas, funcionários da empresa ou moradores da região, as vítimas fatais podem chegar a 30 pessoas. Há 600 desabrigados. Os promotores públicos  (MP-MG) recomendou que a mineradora pague um salário mínimo por mês para cada família atingida na tragédia. Se não for cumprida a recomendação, o MP-MG vai recorrer à Justiça para obrigar a empresa a fazer o pagamento indenizatório.


Cerca de 30 pessoas podem ter morrido, já há 600 desabrigados por causa do acidente em Mariana
 

 Mais de 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos e água foram despejados sobre distritos de Mariana com a queda das barragens. Bento Rodrigues foi o mais atingido, e os mais de 600 moradores foram retirados de suas casas. A onda de lama ainda atingiu outras comunidades, como Paracatu de Baixo e Camargos, e a cidade de Barra Longa. A Samarco só poderá retomar as atividades após a apuração das causas do rompimento e a "adoção de medidas de reparo dos danos provocados". No local onde opera a Samarco, ainda existe a barragem de Germano, a maior entre as três que compunham o sistema de rejeitos, que também corre risco de se romper.Até em Ubu, no litoral do Espírito Santo, onde a empresa tem a usina de pelotização de minério para exportação, as operações também terão que ser suspensas assim que acabar o estoque de minério que vem do sistema em Mariana. Geólogos, ecologistas, parte da mídia e o Ministério Público já consideram o rompimento das barragens em Mariana como o maior desastre ambiental da história no interior brasileiro. A lama atingiu dezenas de cidades ao leste de Minas Gerais. Uma nova previsão do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) aponta que a lama estava chegando já ao Espírito Santo pelo Rio Doce na madrugada desta terça-feira. Antes técnicos diziam que isso ocorreria nesta tarde. E as cidades As cidades se preparam para a chegada da lama. Em Linhares (ES), a foz do Rio Doce começou a ser aberta já na manhã de segunda-feira, em  Regência. Além de Linhares, cidades como Baixo Guandu e Colatina estão sendo afetadas pela mancha de lama que avança através do Rio Doce. A mancha já viajou até agora cerca de 500km e ainda está à tona a discussão, a lama dos rejeitos da mineração de ferro é tóxica ou não? Lá nas primeiras análises se co0nstatou que ela possui altos índices de ferro, alumínio e manganês. Ainda há este lado, o problema da saúde da população em toda aquela macrorregião, 15 cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo estão, devido a isso, com o abastecimento de água interrompido. O alcance deste desastre socioambiental parece crescer a cada dia, aumentando também a responsabilidade criminal da Samarco, da BHP Billiton e da Vale, que a mídia não pode blindar, está em jogo a vida de toda uma região, o povo, a agricultura, a água, a economia e a ecologia do leste mineiro e capixaba.


A mancha de lama da mineração polui através do Rio Doce o leste de Minas e Espírito Santo


Fontes: www.otempo.com.br
             www.g1.globo.com
             www.folhaverdenews.com


6 comentários:

  1. O promotor público Carlos Eduardo Ferreira Pinto acusa as empresas de neglicência, pela situação precária ou falta de gestão que gerou o rompimento das barragens: não foi acidente, segundo avalia esta autoridade do MP de Minas Gerais, teria que haver uma estrutura maior de segurança, levando em conta a magnitude do empreendimento da Samarco, BHP e Vale.

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  2. Estes fatos nos remetem ao debate sobre o Código de Mineração, que está há anos parado ou suspenso no Congresso Nacional e que precisa definir melhor a estrutura desta atividade no Brasil. O desastre ambiental talvez tenha como positivo reacender o debate deste Código, essencial para o ambiente e a população.

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  3. A Samarco foi fundada em 1977 e produz desde então bolas ou pelotas de minério de ferro que são vendidas para a produção de aço: o que se pergunta é como era o licenciamento ambiental dessa atividade.

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  4. A parceria Samarco/BHP Billiton/Vale afirma ter investido 46 bilhões de reais na mineração em 2014. O que se sabe é que neste ano o lucro do grupo empresarial doi de quase 3 bilhões de reais. A BHP Billiton, empresa angloaustraliana, é a maior mineradora do mundo. Estes números dimensionam de como deveria ser mais segura, para os trabalhadores e para a população em torno da mina de ferro, toda essa atividade.

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  6. "Um bom resumo de tudo o que aconteceu está aqui neste blog, que tem razão no seu questionamento, grande parte da mídia costuma blindar as grandes empresas e empreendimentos poderosos, a falta de informação pode causar problemas como houve agora": o comentário é de Moacir Pereira Barros, de São Paulo (SP), especializado em Informática.

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