domingo, 29 de novembro de 2015

MUITAS SEQUELAS AMBIENTAIS DO MAR DE LAMA DE MINAS NA COSTA DO ESPÍRITO SANTO POR CULPA DAS MEGAEMPRESAS SAMARCO/BHP BILLITON/VALE



Lama da mineração atinge reserva de desova de tartarugas gigantes na costa capixaba do Oceano Atlântico e isso sinaliza que vários ecossistemas marinhos também estão sendo desequilibrados




Biólogo avalia sequelas sofridas por esta tartaruga gigantes e outras espécies de vida marinha



Recebemos no blog Folha Verde News e no microblog Flash de Ecologia, por e-mail, esta foto e notícia enviada por ativistas do Projeto Tamar, mesmo com a ação de ambientalistas, técnicos e até de um mapeamento feito por uma esquadra da Marinha, as sequelas do desastre socioambiental com o rompimento da barragem em Mariana, contendo metais pesados, está agredindo fortemente o equilíbrio ecológico da costa capixaba do Atlântico. Pessoal do Tamar bem que tentou salvar as tartarugas em Regência, Linhares, na região norte do Espírito Santo, por meio da retirada dos animais, os berçários de caranguejos e de peixes, conhecidos como igarapés, foram atingidos pela lama barrenta que chegou à região. A primeira tentativa de ambientalistas para evitar essa situação foi barrar os resíduos com a instalação de nove quilômetros de boias na região, há cerca de   uma semana. Na ocasião, os megaempresários da mineradora informaram que tal medida reteria até 80% dos resíduos, o que não aconteceu. De nada adiantou, o problema é muito mais sério, como aliás pôde constar in loco o repórter André Trigueiro da Globo News. Segundo o chefe da reserva de Comboios, Antônio de Pádua Almeida, os ninhos das tartarugas que estavam próximos à foz do Rio Doce foram retirados previamente, para que a lama não os atingisse, mas a chegada dos rejeitos à parte norte da reserva ameaça outros ninhos: Biólogos continuam tentando proteger tartarugas marinhas e outras espécies marinhas ali na região de Linhares (ES).  "No caso das tartarugas, conseguimos retirar os filhotes que nasceram e os soltamos em outro ponto no mar como medida de emergência, mas não sabemos se eles serão ou não contaminados. Se o grosso dessa lama vier e ficar depositado tanto na foz quanto nas praias, não sabemos o alcance do impacto que vai trazer para toda a biodiversidade aqui", avaliou Antônio de Pádua Almeida. Já os pescadores cadastrados na Federação das Colônias e Associações dos Pescadores e Aquicultores do Espírito Santo (Fecopes) não tiveram outra atitude senão entrar na Justiça com um pedido de liminar para que sejam mensalmente indenizados pela Samarco, cujos donos são a Vale e a anglo-australiana BHP Billiton. Um audiência  de conciliação foi agendada para o dia 2 de dezembro. Correspondentes de agências internacionais de notícias e equipes de fotógrafos e repórteres da mídia brasileira mais independente já estão com esta pauta, interessados em informar todos os detalhes deste acontecimento visto no exterior e também por nossa população como um escândalo de falta de gestão ambiental das empresas e de fiscalização da parte das autoridades políticas. "O lobby da mineração é muito forte", disse um integrante do Tamar ao ser entrevistado por jornalista da Reuters: "Esta realidade precisa mudar no Brasil em vários setores". E depois de todo esse caos socioambiental "a questão é se alguma coisa mudará no país", comenta por aqui o nosso editor, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha.



Aqui entre a foz do Rio Doce e o Atlântico os impactos serão maiores ainda

Garoto capixaba encontrou vários animais mortos na região em que costumava antes brincar e nadar
 
O Rio Doce tal como era está morto, se renascer será um outro dia, avalia pesquisador da UFMG


Vários ecossistemas e a biodiversidade do leste de Minas e oeste do Espírito Santo foram afetados



As sequelas no Rio Doce são maiores ainda: temos 400 quilômetros de calha em que provavelmente não sobreviveu nada. O antigo Rio Doce, ícone do Brasil, um dos grandes rios nacionais, não existe mais. Está morto. O que vamos recuperar, até onde for possível, é um novo Rio Doce, diferente. Ele nunca mais vai ser o mesmo, é o que alerta o ambientalista Procópio de Castro, do Projeto Manuelzão, ligado à  Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O rompimento da barragem da Samarco destruiu todo um ecossistema. Morreram peixes, insetos, anfíbios, moluscos, larvas, fitoplâncton. Plantas aquáticas que eram utilizadas como criadouro pelos peixes e árvores que serviam para as aves fazerem seus ninhos sumiram. Até o limo das pedras, onde vários seres se alimentavam, perdeu-se. A cadeia alimentar rompeu-se em todos os seus elos. A probabilidade de que tenha ocorrido a extinção de espécies animais e vegetais existentes apenas no Rio Doce é tida como alta. Isso tudo no Rio Doce, seus afluentes e nascentes do leste de Minas e oeste do Espírito Santo deve ser somado às vítimas humanas, ainda não saiu 23 dias pós desastre a relação final dos mortos (deve ser de aproximadamente 30 pessoas), mas além das 600 famílias que perderam tudo na vila Bento Gonçalves, arrasada pelo rompimento da barragem, milhares de capixabas e de mineiros, no meio rural e em 20 cidades da região tiveram prejuízos de grande monta, no abastecimento de água, na qualidade de vida e na ameaça de sequelas na saúde pública regional. Enfim, uma tragédia socioambiental, a maior da história da ecologia no Brasil.


Fontes:  www.bol.com.br
              www.folhaverdenews.com

6 comentários:

  1. Conforme informa o presidente substituto do Ibama, Luciano Evaristo, com a chegada ao oceano, a lama pode afetar os animais marinhos. “No percurso que está desenvolvendo agora, a lama afeta a fauna, causa um processo de congestão nos peixes, por causa da densidade do rejeito que está na água. Chegando ao estuário, ela poderá afetar a questão da nidificação das tartarugas, afetar também a ictiofauna marinha”.

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  2. Segundo avalia o biólogo André Ruschi,"a chegada da lama no oceano pode ter um impacto ambiental equivalente à contaminação de uma floresta tropical do tamanho do Pantanal brasileiro". Ele acredita que, se nada for feito com recursos e tecnologia ambiental avançada o prejuízo do ‘tsunami marrom’ pode demorar 100 anos para ser revertido.

    Segundo o biólogo André Ruschi, a chegada da lama no oceano pode ter um impacto ambiental equivalente à contaminação de uma floresta tropical do tamanho do Pantanal brasileiro. Ele acredita que, se nada for feito, o prejuízo ambiental do ‘tsunami marrom’ pode demorar 100 anos para ser revertido.

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  3. Para o engenheiro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Paulo Rosnan, os possíveis estragos estão sendo superdimensionados pelos órgãos ambientais e pela emoção das pessoas diante de toda esta tragédia: “No mar, eu creio que a sequela não será tão relevante. Haverá só uma mancha colorida muito grande que se dispersará normalmente mas é a contaminação local é um fato".

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  5. "Há uma sequela mais sutil neste desastre, o lado ético, não se admite um empreendimento que envolve bilhões de dólares ser tão precário na sua estrutura de segurança, pode vir a ser um marco para mudar isso, o que aconteceu em Mariana poderia e pode ocorrer nas outras 800 minas de ferro em Minas Gerais, Espírito Santo, Pará, Piauí": a mensagem nos foi mandada de Brasília, por Amadeu Mendes Silva, engenheiro agrônomo na zona rural de Goiânia.

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  6. "Eespero que a principal sequela, no caso positiva, seja uma mudança de fato no novo Código de Mineração, que pode mudar estruturalmente esta atividade muito lucrativa, pouco fiscalizada e porisso com pequenos investimentos em meio ambiente e na segurança da população em torno das barragens": o comentário é de Moacyr de Souza Ribeiro, que informa ter parentes na região do desastre que perderam tudo no sítio na zona rural de Mariana (MG).

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