terça-feira, 24 de novembro de 2015

NA PRÓXIMA TRAGÉDIA SOCIOAMBIENTAL NO BRASIL A VÍTIMA PODE SER VOCÊ

Mesmo com a repercussão nacional e internacional sobre a tragédia da lama da mineração não mudou a estrutura das 800 minas no país, nem as leis avançaram nem sinal de uma realidade sustentável no país, o que significa: podem acontecer outras tragédias socioambientais 




Andrew Mackenzie (presidente da BHP Billiton), Ricardo Viscovi (presidente da Samarco) e Murilo Ferreira (presidente da Vale): por que essa foto obtida pelo MP-MG foi tão pouco divulgada na grande mídia d Brasil?...




Fazendo uma reflexão, ou melhor no caso, um rescaldo da tragédia que abalou Minas Gerais e o Espírito Santo, consultamos sites como do jornal de BH O Tempo que vem cobrindo direto os acontecimentos desde 5 de novembro até hoje e outros como o Brasil de Fato, a BBC, ou também, alguns blogs, como o do professor universitário no Rio de Janeiro Marcos Pedlowski, analisando entrevistas de ecologistas, de cientistas, de lideranças ambientais e a conclusão é que apesar do grande choque na opinião pública, nada mudou na realidade do setor de lá para cá. O relator do novo Código de Mineração que vai a plenário em dezembro é um deputado federal que integra o lobby da Vale, quer dizer, ele não tem condição moral de exercer esta função, ao passo que o Brasil necessita urgente de novas leis no setor. Por falar nesta empresa, "até a Vale que era antes do Rio Doce, hoje matou o Rio Doce", como disse uma das líderes do Movimento dos Atingidos em Barragens. Vale é uma das associadas da Mineradora Samarco, ambas sócias da megaempresa angloaustraliana BHP Billiton, responsáveis pela tragédia socioambiental. As três na verdade são irresponsáveis, porque mantinham uma estrutura tão precária de segurança dos funcionários, da população em torno e da proteção da natureza em Mariana (MG) e no Rio Doce (ES). Nem mesmo, como foi pedido tantas vez por vários ecologistas, não havia barreiras e diques de contenção no caso de um rompimento de barragem e foi o o que tragicamente aconteceu em Bento Gonçalves. A grande mídia também se omitia e ainda se omite de críticas mais contundentes às três megamineradoras e isso deixa desinformada a maior parte da população, o que só faz aumentar o problema. Até hoje não está inteiramente claro em que grau a lama é ou não tóxica para as pessoas e o ambiente. Nem está definido, 20 dias depois da tragédia, qual o número de mortos: falam em 11 mas ainda há pelo menos outros 17 desaparecidos, isso só em torno de Mariana, sem contar as outras espécies de seres vivos na natureza que foi violentada ao longo de 600 km entre a Samarco e o Oceano Atlântico, passando pela poluição do Rio Doce e desabastecendo de água cerca de 15 cidades mineiras e capixabas. Aliás, foram 35 milhões ou 68 milhões de metros cúbicos de resíduos que fizeram este caminho de destruição de Minas até o mar? Mesmo com a pressão do Ministério Público, há poucos avanços no processo, mesmo as multas passando dos 50 milhões inicialmente anunciados para 500 milhões de reais, o valor ainda é pouco diante do estrago causado. E apesar  de criticadas, as licenças ambientais para a mineração, desde 2005 pelo menos, continuaram sendo mais políticas do que técnicas. Aliás, tudo indica que continuarão sendo assim o mesmo horror.

 


Uma paisagem ecológica de margem do Rio Doce que desapareceu sob o mar de lama da mineração


Mas poderia ser muito, mas muito diferente, o negócio da mineração de ferro no Brasil que resulta em lucro de bilhões de dólares, também não revelados claramente. Trata-se assim de uma questão legal, jurídica, ambiental mas também dos direitos da cidadania, são informações que seriam e são essenciais serem divulgadas à população. Não basta somente drama emocional, cadê as informações mais objetivas? O perigo do silêncio da grande mídia e das autoridades públicas brasileiras aumenta quando a gente fica sabendo que a situação é precária nas 800 minas de ferro no Brasil, cerca de 300 em Minas Gerais, outras tantas no Pará e no Piauí. Atrás somente da China, à frente da Austrália, da Índia, da Rússia, nosso país é o 2º maior produtor mundial de minério de ferro, extraindo mais de 480 milhões de toneladas, já inclusa a extração feita em Minas Gerais, de 150 milhões de toneladas de minério de ferro, só em Minas. Com todo este volume de minério e de dinheiro, por que não foi investido o básico ao menos em segurança humana e socioambiental? Por que não se financiam pesquisas de uma nova tecnologia para minerar que seja menos agressiva ao ambiente, menos perigosa, mais saudável para os mineradores e enfim sustentável? Sim, é urgente uma nova forma sustentável de mineração, equilibrando o megainteresse econômico do setor com a defesa da última ecologia da natureza do Brasil. Diante de todo este cenário horrível, é bom você ao menos se informar e agendar qual poderá ser a próxima tragédia socioambiental  no país, mesmo porque a próxima vítima pode ser você. (Antônio de Pádua Padinha)



Fontes:  BBC
               www.otempo.com.br
               www.brasildefato.com.br
               www.cartacapital.com.br
               Blog do Pedlowski
               www.folhaverdenews.com 

7 comentários:

  1. Logo mais estaremos postando mais informações nesta seção, entre aqui com a sua mensagem ou envie seu e-mail para a redação do nosso blog navepad@netsite.com.br e/ou diretamente pro nosso editor de conteúdo padinhafranca@gmail.com

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  2. "Entre as 300 mineradoras de Minas não conheço nenhuma que tenha um mnino de preocupação com a segurança ambiental ou com a vida dos funcionários e da população": ó comentário é o 1º que recebemos por aqui, foi enviado por José Ary Santos, de Nova Lima (MG), contabilista que trabalha em BH.

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  3. "O José aí tem razão no seu comentário, pelo que sei uma das minas de Nova Lima está com o seu buraco quase chegando no centro de BH, se ocorrer algum desastre será uma tragédia maior ainda": o comentário é de Manuel Mendes, de Ouro Preto (MG).

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  4. Manuel Mendes também comenta que "o povo mineiro depende das mineradoras, na sua economia, porisso acho importantíssimo o enfoque deste blog de uma nova estrutura neste setor, a população e a ecologia de Minas agradeceriam aos mineradores".

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  5. "O setor de mineração, em especial estas empresas do desastre, que exporta 400 milhões de toneladas de minério de ferro do Brasil tem recursos para criar uma estrutura mais segura para o meio ambiente e a população, é um absurdo a condição das minas ser tão precária": quem comenta é Mariana Ribeiro Alves, que é de Formiga (MG) mas estuda Engenharia na UFRJ e mora há 3 anos no Rio de Janeiro.

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  6. "A grande mídia parece mesmo blindar grandes empresas como estas mineradoras, por exemplo, as principais revistas do país não deram matéria de capa sobre o maior desastre ambiental de todos os tempos no Brasil e isso já é um sinal de algum esquema": o comentário é de Antônio Alves Bidu, que atua na área de Criação em agência de publicidade em São Paulo (SP).

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  7. "Junto com as autoridades e as grandes empresas, a mídia é que governa este país": a mensagem é de Gustavo Cintra, que cita um novo Código de Mineração e também uma atuação mais independente dos jornais, rádios e TVs: "Do jeito que está a Nação está também um mar de lama".

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