segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

3 ANOS DEPOIS DE BOMBAR NA INTERNET ÁRABE COM TOPLESS AMINA SBOUI ESTÁ MAIS MODERADA MAS LANÇA REVISTA REBELDE

De volta à Tunísia (país relativamente liberal mas machista), depois de estudar em Paris e de lançar livro na Itália a jovem se diz menos radical hoje, não é contra o Islamismo e sim só  contrária ao machismo: explica que a revista Farida a ser lançada em breve tentará ser um oásis  cultural no norte da África, a favor da cidadania e da liberdade das mulheres árabes 

 

Amina Sboui, 21 anos, descreve a nova revista, que contou com o apoio do escritor e editor francês Michel Sitbon, como um veículo feminino e feminista: "Maquiagem, moda, cozinha, mas também a gente vai falar de livros, música, arte, sobre aborto, homossexualidade, refugiados, política separada de religião, tentaremos fazer com que as mulheres tenha informações interessantes, importantes". 
A publicação, que se chamará Farida, deverá começar a circular em janeiro de 2016 e o seu nome é uma expressão árabe feminina que significa "única", mas também, segundo Amina, lembra o significado de liberdade. A publicação será editada apenas em árabe para valorizar a cultura original do seu povo e o público alvo são mulheres jovens entre 15 e 25 anos.A inspiração para esta revista foi uma outra publicação, Faiza, lançada na Tunísia em 1958, em um momento em que o país havia acabado de declarar independência, na época, a poligamia tinha sido declarada ilegal e o divórcio fora legalizado. E Faiza, a primeira revista feminina publicada em árabe, era parte deste contexto, agora, a Farida que ela dirige tentará ser "um passo mais à frente". Amina também diz não se arrepender da provocação incendiária com o topless no Facebook em 2013, quando tinha apenas 18 anos, afirmando que a revista Farida "será mais madura que provocativa mas sem deixar de ser inovadora e até mesmo rebelde". A polêmica despertada pela foto abaixo (feita como um selfie) ainda hoje continua: nas ruas de Túnis e até na pitoresca cidade de Sidi Bou Said, onde ela voltou a viver agora, após 3 anos estudando na Franca, em Paris, ainda hoje entre os árabes mais machistas a aparência de Amina ainda é motivo de insultos, abusos e olhares incrédulos, porém, alguns já a conhecem e a entendem melhor: "Com a revista, vai tudo ficar mais claro, para todos, para todas". Antes mesmo de sair a 1ª edição de Farida, ela já gera polêmica ou expectativa, sendo destaque tanto no site mundial da BBC como no blog independente do jornalista Edson Sombra, de Brasília, aqui no Brasil. "Todos nós do movimento de cidadania, ecologia humana ou não violência já estamos atentos a este trabalho que tem como uma das propostas reduzir agressões e sofrimentos das mulheres árabes por causa de tabus e preconceitos", comenta por aqui o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha Silva ao editar a informação do lançamento desta revista diferente por aqui no blog da gente Folha Verde News. Vamos aguardar este vendaval cult.


Este foi o selfie que Anima fez em 2013 e gerou muita polêmica entre árabes de vários países



Aqui Anima quando foi detida em manifestação agora recentemente em Paris na França



Aqui a capa da revista Farida que sai agora em janeiro
Livro sobre sua luta lançado na Itália nestes dias



A Tunísia poderia estar entre os países mais liberais do norte da África, mas se manteve como um país predominantemente islâmico e tradicionalmente machista, um lugar no qual o cabelo azul, os piercings e as tatuagens de Amina Sboui, uma jovem rebelde como tantas garotas hoje em dia, ainda são um choque com as forças no poder ou com os velhos mitos da realidade árabe. A jovem ainda é ameaçada de morte. Mas se Amina tem medo, ela não demonstra e diz que aqueles que a odeiam são os assustados. "Quem tem que mudar é quem mais se assusta com a minha ousadia, mas ela é uma decisão também cultural e até política, no sentido de comportamento, em busca de avançar a vida em especial das mulheres que sofrem muito no meu país, essa é a proposta da revista Farida.  A comunidade de origem árabe e africana no Brasil já se movimenta para traduzir e lançar esta revista revolucionária dos costumes em nosso país, onde não há tantos limites sociais à mulher, mais muitas dificuldades no mercado de trabalho e pior ainda, uma onda de muita violência contra mulheres. Está dentro do foco da revista de Anima Sboui.


Em Tunis aconteceu este protesto contra as propostas femininistas de Anima Sboui


Fontes: BBC - G1 -
             www.edsonsombra.com.br
             www.folhaverdenews.com 

8 comentários:

  1. "Vejo que as pessoas têm medo das mulheres. Eles estão tentando de tudo para que não possamos abrir nossas bocas pois sentem o perigo que representa por aqui uma mulher livre", afirmou Amina Sboui, na BBC.

    ResponderExcluir
  2. A imagem publicada em 2013 é a primeira foto da nossa postagem aqui no blog, mostrando Amina, uma feminista de 18 anos à época, deitada em um sofá de couro, fumando um cigarro e lendo um livro. Isso para árabes machistas era mais do que uma afronta.


    ResponderExcluir
  3. A partir deste choque cultural, com as informações que ganhou na Europa, estudando na França e fazendo um livro na Itália, convivendo com mulheres e homens ocidentais, ela sintetiza tudo agora numa revista que deverá ser um dos lançamentos editoriais mais fortes de 2016, pela proposta de apoio à cidadania e à liberdade de mulheres árabes. Depois do choque social, a gente torce que este trabalho resulte em mudanças culturais. Pode em alguns pontos se refletir até mesmo por aqui no Brasil, onde há ainda formas mais sutis de racismo.

    ResponderExcluir
  4. Logo mais estaremos editando aqui mais comentários e mais informações sobre a revista Farida e a luta de Amina Sboui ou do movimento feminino e feminista. Aguarde e confira.

    ResponderExcluir
  5. Desde já você pode entrar aqui nesta seção e deixar a sua mensagem ou então enviar um e-mail para a redação do nosso blog navepad@netsite.com.br e/ou também direto pro nosso editor padinhafranca@gmail.com

    ResponderExcluir
  6. "Com tantas mulheres, especialmente jovens, sofrendo violência, na Internet e em todo setor da vida no Brasil, até que a realidade daqui não está tão distante da que este jovem inteligente tenta mudar na Tunísia": o comentário é de Vitor Carvalho, de Ribeirão Preto (SP), sociólogo pela USP que atua com educação.

    ResponderExcluir
  7. "Prá ser sincero a gente tá precisando de umas duas ou três Amina Sboui aqui no Brasil": a mensagem é de Gabriela Souza Pereira, de Santos (SP), ativista do movimento das mulheres na Baixada Santista.

    ResponderExcluir
  8. "Acabo de ver agora no site Estadão, mulheres ganham 24% menos que os homens fazendo o mesmo serviço e 50% das empresas brasileiras não têm mulher na chefia": Gerusa Batista, de São Paulo (SP) nos manda a pesquisa para comprovar a sua tese: "A Arábia é aqui".

    ResponderExcluir

Translation

translation