quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

CHINA É UMA BOA PARCEIRA PARA A RECUPERAÇÃO DA ECONOMIA NO BRASIL MAS UM DESAFIO EM MEIO AMBIENTE




Em guerra contra a poluição em seu país a questão ambiental atrapalha os negócios da China
 
 
 
A poluição na China é tanta que as máscaras são um dos objetos mais consumidos lá
 
 
No site Infomoney entrevistado por Ricardo Bomfim, o economista Roberto Dumas Damas mostra que dinheiro dos chineses para infraestrutura é bem-vindo, mas que não vai resolver todos os nossos problemas: ele comenta que o Brasil tem muitas dificuldades em infraestrutura, fica sempre atrás da
centésima posição nos rankings de países com melhores estradas, ferrovias, portos e aeroportos e isso tem sido algo crônico. Diante disso, o economista do Inspe não tem dúvida de que é bom os chineses entrarem em nosso país, porque todo dinheiro é bem-vindo em especial por ser investido em um dos setores mais carentes por aqui. Além do interesse na importação de produtos agrícolas e primários do Brasil, as commodities, a China está aos poucos criando por aqui em nosso país e por extensão na América Latina uma zona de influência para se contrapor assim cada vez mais à força dos Estados Unidos neste continente (uma estratégia aos moldes da Guerra Fria). Roberto Dumas Damas lamenta apenas que os asiáticos não estão muito preocupados com a sustentabilidade, não estão nem aí com os eventuais impactos ambientais que sejam causados por suas parcerias seja com os brasileiros, seja com os sulamericanos. Já em matéria especial no site G1 da Globo, os jornalistas André Trigueiro e Franklin Feitosa destacam que, apesar de um pouco tardiamente, a China, que já é a maior economia do planeta, entendeu que hoje a poluição é o principal adversário que enfrenta para conseguir avançar de vez rumo a um desenvolvimento sustentável, fundamental na atualidade, equilibrando a economia com a ecologia. como aliás deixou explícito a Conferência do Clima em Paris recentemente, a COP21 da ONU. Trigueiro, que esteve em Pequim e em outras regiões chinesas, comenta que um motivo entre os principais obstáculos é que o carvão mineral, uma fonte fóssil e poluente, representa 80% da matriz energética chinesa. Por sua vez, no portal da UFMG, o pesquisador Gilberto Libânio diz com todas as letras que as parcerias com a China podem ter um alto custo ambiental para o Brasil.  Ele ressalta que o presente ou até o futuro econômico mundial hoje é pauta prioritária, sendo enfocada por muitos sites, jornais, TVs, às vezes em tom sensacionalista, a China, acusada por exemplo de roubar tecnologia e empregos do resto do mundo, desrespeitar o meio ambiente e direitos trabalhistas básicos. Para este professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, essas especulações se justificam, em parte. Trabalhando no Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional de Minas Gerais (Cedeplar) ele analisa, entre diversos aspectos, a trajetória da economia chinesa nos últimos anos, as dificuldades de se fazerem prognósticos e os efeitos diferentes sobre as várias regiões e estados brasileiros. "A China quer explorar minério no Brasil sem se preocupar com meio ambiente", disse ainda Libânio, que é doutor em Economia pela Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos. E isso antes que viesse acontecer o megadesastre ambiental em Minas Gerais e no Espírito Santo, no Rio Doce e no litoral capixaba. Gilberto Libânio destacou também o outro lado da moeda, e talvez o mais relevante para o Brasil, e para Minas Gerais também, a China é o maior importador mundial de produtos primários. A gente sempre ouviu que exportar produto primário é ruim porque não tem valor agregado, gera pouco emprego etc. E existe uma proposição clássica do desenvolvimento econômico que diz que a dinâmica de valor dos produtos primários é pior ao longo do tempo que a dos bens manufaturados, porque estes a cada dia têm uma inovação e seus preços são mantidos elevados. Mas o que aconteceu dos anos 2000 para cá foi o contrário. O que houve foi um barateamento geral de bens manufaturados, exatamente pela concorrência da China, que inundou o mundo de produtos a preço de banana, de um lado; e de outro lado o encarecimento de produtos primários, commodities agrícolas e minerais, por causa do excesso de demanda da economia chinesa. O Brasil se beneficia pela exportação de soja, café, minério de ferro e nesse caso Minas Gerais e o Pará são os dois grandes exportadores no Brasil. Ao longo da década os preços mais que duplicaram. O desastre socioambiental como o de Mariana (MG) e a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) podem motivar avanços no setor, alguns avanços chineses já tem acontecido, porém, é difícil saber a verdade dos fatos porque a informação chinesa só vem da fonte oficial, governamental. Há desconfiança de que parte dos dados que servem para análise da economia chinesa são maquiados. Mas acho que, hoje em dia, os dados que a China mais esconde são políticos e relacionados a direitos humanos. Os dados econômicos são bons mesmo, a China cresce mesmo, tem uma taxa de investimento altíssima. E a trajetória das exportações e importações não é possível esconder, porque os dados são do comércio internacional e de outras fontes. Esses números são coerentes com os dados fornecidos pela China.O pesquisador mineiro conclui que hoje não podemos descrever a dinâmica da economia mundial nos últimos dez anos sem considerar o fenômeno chinês, inclusive na área da tecnologia e da informática. "O ideal seria a China investir em fontes limpas de energia, como a Solar e a Eólica, aí sim, a parceria seria perfeita para o Brasil e para a própria guerra interna que os chineses enfrentam cada vez mais contra a poluição", argumenta por aqui no blog da ecologia e da cidadania o repórter e ecologista Antônio de Pádua Silva Padinha ao sintetizar estas informações que são da maior importância hoje em dia, quando o Brasil sonha muito em driblar a crise econômica e a China precisa escapar do caos ecológico. 
 
 

80% da matriz energética chinesa é carvão mineral altamente poluente

Os carros chineses são só um dos muitos avanços da tecnologia made in China

Tanto na Conferência do Clima como em outras ocasiões o 1º ministro Li Keqiang se aproxima do Brasil

O pesquisador da UFMG Gilberto Libânio alerta sobre o perigo ambiental dos negócios com a China
 
 
Fontes: www.g1.globo.com.br
             www.infomoney.com.br
             www.ufmg.br
             www.folhaverdenews.com
 
 

8 comentários:

  1. Logo mais postaremos aqui mais informações sobre a parceria China Brasil, aguarde nossa edição.

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  2. Participe do debate desta pauta, desde já você pode colocar aqui nesta seção de comentários a sua mensagem. Outra opção é você enviar sua mensagem para o e-mail da nossa redação navepad@netsite.com.br sendo que ainda você pode mandar também o seu e-mail direto pro editor de conteúdo deste blog padinhafranca@gmail.com

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  3. "E daqui pra frente não será possível falar da economia mundial sem falar da China. O país entrou na OMC em 2001, e isso é uma possibilidade de expansão no comércio internacional. A partir dos anos 2000, a China ampliou sua participação, que era marginal, para um nível que a coloca, ao lado dos Estados Unidos, entre os dois países com maior fluxo de comércio": o comentário é de Alaor Pereira, que tem acompanhado as entrevistas do professor Gilberto Libânio, da UFMG, "que repercutem muito em BH e em toda Minas Gerais".

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  4. "As próprias pressões do mercado e da ONU podem ajudar a China a descobrir o valor de ser sustentável mas a mídia é o principal fator para esta mudança": o comentário é de Hugo Gomes, de São Paulo (SP), que mantém empresa de comunicação.

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. "As pessoas perguntam o que faz a China ser tão competitiva, por que é tão difícil concorrer contra os chineses em produtos manufaturados. O país passou por reformas econômicas nos anos 1970, e tem uma política muito clara, coerente, entra governo, sai governo, com pequenos ajustes. A política industrial é muito voltada para exportação de manufatura, isso significa que a indústria tem uma série de vantagens para exportação. O fato de terem mão de obra barata é porque ela é muito abundante. Metade da enorme população da China ainda é rural, e há controle migratório. Para sair do campo para a cidade, é preciso provar que tem emprego na cidade. Ora, à medida que a indústria vai se expandindo e precisando de mais mão de obra, o governo libera a migração. Ou seja, existe uma espécie de exército de reserva para continuar alimentando a necessidade de crescimento da indústria, isso, sem pressionar o salário para cima": quem comenta é o professor Gilberto Libânio, da UFMG, de BH, Minas.

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  7. "A mão de obra barata é consequência de uma gestão e de uma dinâmica. Há ações do governo em termos de política industrial. Há essa característica de forçar absorção de tecnologia através de vários canais, e eles produzem numa escala muito grande, porque o mercado deles é grande e ainda tem o mercado mundial inteiro. Além disso, há políticas macroeconômicas de isenção de impostos para determinados setores, imposto de exportação sobre commodities, uma política cambial agressiva, que inclusive é motivo de polêmica e de atrito com os outros países, com os EUA em particular. Enfim, a China protege bem a China": mais comentários do economista e professor da UFMG e do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional de Minas Gerais (Cedeplar), Gilberto Libânio, um dos maiores especialistas em China no Brasil.

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  8. "A China pode vir a ser uma boa alternativa de solução para a economia brasileira em crise por agora e se ela tiver alguns avanços em termos de proteção ambiental, como também exige a OMC e a ONU hoje, aí então será uma parceira nota 10 do Brasil, que deve mesmo se aproveitar desta rivalidade comercial e política entre os chineses e os Estados Unidos": quem comenta é Luís Antônio Alves Pereira, que fez História na Unesp e atua na área burocrática do Porto de Santos (SP).

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