sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

ESTUDANTES INGLESES E BRASILEIROS PROTESTAM CONTRA HOMENAGEM A LÍDER DA BHP AQUELA DO MAR DE LAMA NO BRASIL

Homenagem a CEO da BHP Billiton sócia da Samarco e da Vale no Brasil provoca protesto e petição de estudantes na Inglaterra




Estamos sendo informados por Tiago Guimarães, da BBC de Londres, que a entrega do título de Doutor Honoris Causa ao CEO da mineradora anglo-australiana BHP Billiton, uma das donas das barragens que se romperam em Mariana (MG), motivou uma reação crítica de alunos do King's College, uma das universidades mais tradicionais da Inglaterra. O geólogo escocês Andrew Mackenzie foi quem recebeu a homenagem. O título teria sido concedido em reconhecimento a seu trabalho de destaque como geólogo e "por ter chegado aos mais altos níveis de liderança em negócios globais através de uma combinação de tino comercial, liderança regida por princípios e uma contínua fascinação com a ciência". Este texto soa hoje como ironia e até sarcasmo, depois do que veio a acontecer com a mineradora no Brasil, rompendo sua barragem precária, sem estrutura de socorro, fazendo vítimas humanas, destruindo com a avalanche de lama ecossistemas ligados ao Rio Doce (que levará 10 anos para recuperar seu equilíbrio ecológico conforme os especialistas). Toda essa destruição, além do mar de lama ter afetado a água de 15 cidades, poluído o leste de Minas Gerais e o oeste do Espírito Santo, prejudicando a agricultura, a vida urbana e milhares de pessoas da população brasileira, em função disso tudo, os estudantes pediram a anulação da homenagem, ao geólogo e líder da BHP Billiton. Com justiça e cidadania. "Uma atitude exemplar dos jovens e suspeita da tão afamada instituição King's College, que deveria rever agora a sua homenagem", comenta por aqui no blog Folha Verde News nosso editor, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Silva Padinha, qie se une aos jovens ingleses e brasileiros, pedindo a cassação do título honorífico, "manchado de lama".



Movimento crítico dos estudantes na Inglaterra criou este banner de protesto

Qualquer homenagem à BHP, Samarco ou Vale depois de todo o caos, soa como sarcasmo


Os estudantes organizaram um abaixo-assinado na Internet em protesto contra a honraria. Pedem que a universidade revogue o título ao "executivo da mineradora responsável pelo derrame de lama tóxica no Brasil". Até a publicação da reportagem, a iniciativa reunia cerca de 150 apoiadores:  "Como uma instituição de pesquisa de ponta que pretende reconhecer sua responsabilidade em sustentabilidade e proteção ambiental, o King's deveria estar liderando um caminho de respeito ao ambiente global, e não conceder títulos honorários a CEOs de empresas que estão lucrando por meio de práticas empresariais irresponsáveis e danosas", diz um trecho do texto da petição.  A BHP é hoje a maior mineradora do mundo. Ao lado da brasileira Vale, controla a Samarco, dona das barragens que se romperam em Mariana e lançaram 40 bilhões de litros de rejeitos de mineração na bacia do rio Doce, em Minas Gerais e no Espírito Santo, além de pessoas mortas e/ou ainda desaparecidas. Ainda não há dados definitivos sobre a composição dos rejeitos e seus potenciais danos à saúde. Não houve estudos de órgãos de saúde, apenas análises de qualidade da água, com resultados distintos.  Ainda na semana seguinte à tragédia, Andrew Mackenzie, que preside a BHP,  esteve em Mariana, convocado pelo Ministério Público e posando na foto acima ao lado dos presidentes da Vale e da Samarco, disse só  "lamentar muito" o desastre e prometeu reconstruir casas de famílias atingidas, o que ainda não foi feito. Efeito no mercado, após o desastre socioambiental e multas  que chegam a bilhões de reais impostas por órgãos de Governo à Samarco, as ações da BHP atingiram o menor valor em dez anos. A empresa também revisou para baixo sua meta de produção de minério de ferro para o ano fiscal de 2016. A mobilização contra a homenagem contou também com a participação ativa de estudantes brasileiros do King's College ligados ao Brazil Institute, centro de estudos brasileiros da universidade.


Fontes: Reuters/BBC
             www.folhaverdenews.com

7 comentários:

  1. "Demorou um pouco para cair a ficha (em relação à homenagem). Depois veio a revolta, e não só pelo título, mas pela prática de grandes universidades de conceder homenagens a representantes de empresas que não se pautam pela ética", afirmou Grace Souza, aluna de doutorado no Brazil Institute.

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  2. Estudantes brasileiros e ingleses consideram que falta diálogo com a comunidade acadêmica no processo de definição dos homenageados. "Apesar de saber que a universidade não irá revogar o título, até porque houve uma petição contrária antes mesmo da homenagem, achamos que é valido demonstrar que a comunidade brasileira e simpatizantes ingleses da causa ambiental não estão satisfeitos.

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  3. "A universidade está jogando lama em seus alunos e no seu nome, na sua história", diz um trecho da petição do universitários, pela outorga pelo King's College do título de Doutor Honoris Causa ao CEO da mineradora anglo-australiana BHP Billiton, Andrew Mackenzie, hoje visto por muita gente não como um geólogo, mas como um assassino ambiental.

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  4. Logo mais, mais informações aqui nesta seção de comentários: entre aqui com a sua mensagem e/ou aguarde depois uma nova edição. Participe do protesto.

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  5. Você pode enviar a sua mensagem à redação do blog de ecologia e de cidadania navepad@netsite.com,br e/ou mandar seu e-mail pro editor de conteúdo desta webpágina padinhafranca@gmail.com

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  6. "Sou estudante ainda no 2º Grau e quero deixar aqui a minha solidariedade a este jovens que fizeram este protesto da hora na Inglaterra": é a mensagem de Antônio Vitorino, de Colatina (ES), que disse que vaio enviar para a gente resumos do que os jornais capixabas escreveram sobre a tragédia.

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  7. "Andrew Mackenzie, geólogo da multinacional BHP Billiton, ao invés de doutor honoris causa, deveria receber o título no King's Collge por realizações no Brasil de Mestre da Morte": o comentário é de Aurélio José Mendes, de Vitória (ES), que trabalha no porto capixaba como despachante.

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