quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O ÚLTIMO SOBREVIVENTE DE CIDADE FANTASMA DO TEMPO DA BORRACHA NA AMAZÔNIA

Ele parece e até é chamado de índio mas o japonês eremita Nakayama é o último homem na cidade abandonada e fantasma às margens do Rio Negro no interior do Amazonas



"Se eu morrer, essa cidade morre", costuma dizer Shigeru Nakayama, de 62 anos, ele que chegou ao Brasil há mais de 50 anos vindo do sul de Tóquio, na época passando por uma grande crise após a  Segunda Guerra Mundial. A cidade de Airão Velho no interior do Amazonas teve seu auge há mais de 100 anos e sua decadência econômica aconteceu com a partida dos moradores, depois que perdeu força com a decadência da exploração da borracha do látex. Acabou sento também o último seringueiro daquele lugar. Hoje é o um único sobrevivente, o único habitante, vive ali em paz, como faz questão de explicar, um eremita, sem medo da floresta nem dos fantasmas da antiga cidade que morreu. Agora virou um guardião e guia de turistas e pesquisadores que ainda procuram Airão Velho, que foi um polo da colonização portuguesa e da economia da borracha na Amazônia.  Nakayama chegou a esse lugar em 2001. Porém, veio do Japão para o Brasil antes, durante o grande fluxo de imigrantes  japoneses nos anos 60, Nakayama havia nascido em Fukuoka, numa região que tinha então muitos problemas, veio para nosso país que precisava de mão de obra, em especial, para a agricultura. Fascinado pelos mistérios e pela natureza da Amazônia, inicialmente ficou no Pará mas no início da década de 70, avançou mais para o interior, fixando-se às margens do Rio Negro. E dali acabou por descobrir as ruínas de Airão Velho. Com o declínio da produção do látex, aos poucos, os seringueiros e todos que moravam ali migraram para Manaus, Belém ou outras regiões do país. O "japonês índio" ficou ali a 180 quilômetros da capital amazonense, que havia sido um berço da colonização portuguesa, como pode ser visto no único cemitério do local, onde estão enterradas gerações inteiras. É o caso da família lusitana Bizerra, que na época "mandava" na cidade e um de seus últimos membros viveu ali até no meio do século 20. Foi um deles que pediu, pessoalmente, a Nakayama que cuidasse dali como se fosse a cidade ou a sua casa. Nakayama aceitou: "Meu sonho desde criança era viver na floresta amazônica", diz ele,com um sotaque japonês. Alguns confundem seu sotaque e a sua figura com a de um índio de alguma exótica tribo entre tantas desaparecidas na Amazônia. Na realidade, ele não deve ser visto como o último homem da cidade fantasma, mas um primeiro habitante daquele sertão da Amazônia. O passado ali não existe mais, quem sabe, um dia. o futuro. (Antônio de Pádua Silva Padinha)


"Se eu sair daqui, a história morre" (Shigeru Nakayama)





Nakayama chegou a Airão Velho em 2001
Shigeru Nakayama chega aos 62 anos vivendo só numa cidade fantasma na Amazônia


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Cidade viveu auge durante Ciclo da Borracha

Esta cidade fantasma viveu seu auge durante o ciclo econômico da borracha













Nakayama recebe guias e turistas, a maioria estrangeiros
Nakayama recebe pesquisadores e turistas, na maioria estrangeiros e funciona como um guia


Fontes: BBC/Terra/AmbienteBrasil
             www.folhaverdenews.com

9 comentários:

  1. O velho japonês Nakayama é um fantasma? Pelo menos, um tipo de homem que não existe mais, zelando da ex-cidade e guiando pessoas sem cobrar nada, por amor ao lugar onde sobrevive. Japonês que virou índio...

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  2. Japoneses, chineses e também os indígenas integram uma mesma raça nas suas características físicas e na sua memória ancestral de vida. Este detalhe biológico também influi na formação de Shigeru Nakayama como personagem dos fundos da Amazônia.

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  5. "Nakayama me parece mesmo ser um eremita, alguém que foge do convívio social por opção, vive sozinho, como um ermitão, de repente ele tem as suas razões": quem comenta é Neusa Aparecida Santos, estudante da Unesp, que faz Psicologia, escrevendo ainda: "Por aqui no interior de São Paulo também tem muita gente com quem eu só convivo por ser obrigada".

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  6. A BBC informa que gerações inteiras de famílias portuguesas estão enterradas na cidade. Por sua vez, Nakayama relata ter tido ajuda de dois amigos para avançar sobre o mato que havia tomado Airão Velho: "Tudo estava completamente abandonado havia mais de 40 anos".

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  7. Na matéria do site Terra se explica quer hoje Nakayama recebe e guia turistas, a maioria estrangeiros, mas se recusa-se a cobrar entrada ou cachê de pesquisadores ou repórteres. Em troca, tem recebido comida e doações dos visitantes. Em sua pequena casa de madeira, de apenas três cômodos e chão de terra, montou um pequeno museu onde reuniu objetos históricos recolhidos nas imediações. Dorme em uma modesta cama de solteiro, gasta pelo tempo. Planta o que come - longe dali, diz, já que a área é de preservação ambiental. E, todos os dias, cuida de "sua" cidade, andando sempre com um facão - ou terçado, como dizem amazonenses - como forma de proteção: "Os homens são mais perigosos do que os bichos", diz com sabedoria. A tecnologia quase não existe por ali, a não ser pelo pequeno televisor movido por um gerador de energia e um antigo rádio de pilhas. Um ermitão, exilado voluntário da era digital e da sociedade de consumo.

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  8. "Vejo este homem como uma espécie viva de Robson Crusoé": comentário de Nelson Pereira de Souza, que atua como educador ambiental em São Paulo (SP).

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