quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

ATÉ 57% DAS ÁRVORES DA AMAZÔNIA PODEM DESAPARECER SEGUNDO UMA PESQUISA DA UNEMAT

Metade das árvores da floresta amazônica está ameaçada devido a mudanças climáticas, desmatamento, queimadas e empreendimentos, além da falta de gestão ambiental sustentável na região estratégica para o país

 

 

A construção de barragens, as queimadas e  os desmatamentos estão entre as causas    

 

156 pesquisadores participaram do estudo, segundo informa o G1 do Mato Grosso, que recentemente foi coordenado por dois professores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e que concluiu: mais da metade de todas as espécies de árvores da Amazônia podem estar totalmente ameaçadas também pelo caos do clima mundial além de problemas socioambientais brasileiros. Os dois pesquisadores que coordenaram a pesquisa Beatriz Schwantes Marimon e Ben Hur Marimon, são professores da Unemat no campus de Nova Xavantina e participaram do estudo junto com outros 156 pesquisadores de 21 países. O estudo foi publicado na revista Science Advances, antes da virada de 2015 para 2016. A conclusão do estudo é que a Amazônia, que abrigava mais de 15 mil espécies de árvores por volta de 2013, hoje já mostra uma grande perda de 36% a 57%  das árvores estão ameaçadas, segundo os critérios de avaliação da Lista Vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).



Floresta em Gaúcha do Norte (MT) foi estudada por pesquisadores (Foto: Reprodução/Unemat)
De 36 a 57% das árvores de toda Amazônia estão muito ameaçadas de desaparecer em futuro próximo


Segundo este estudo sendo divulgado pela revista Sciense Advances, das 15 mil espécies catalogadas há cerca de 3 anos, mais de 8.690 delas podem ser extintas num futuro próximo. Considerando que as mesmas tendências observadas na Amazônia são aplicáveis em todos lugares do mundo identificados como trópicos, os pesquisadores argumentam que a maioria das mais de 40 mil espécies de árvores tropicais do planeta correm praticamente os mesmos riscos. "O problema é que no Brasil e também na Amazônia o risco é maior devido a uma série de desafios que se interagem além das mudanças do clima, o desmatamento, as queimadas, a contaminação por agrotóxicos, mineração e garimpos ou a falta de gestão sustentável do meio ambiente, setor que precisa ser priorizado no país e não é", avalia por aqui, no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News, o nosso editor, o repórter ambiental Antônio de Pádua Silva Padinha ao editar estas informações que considera "um fim do mundo". Ele lamenta também a conclusão do levantamento liderado por Hans ter Steege, pesquisador do Naturalis Biodiversity Center, na Holanda, e Nigel Pitman, do Field Museum, em Chicago, EUA, na pesquisa  que comparou dados de monitoramentos florestais ao longo da Amazônia com muitos mapas atuais de desmatamento, além de projeções de futuros desmates, para estimar quantas espécies e árvores já foram perdidas e onde o problema é mais grave. Este outro estudo também da mesma forma sugere que se parques, reservas e terras indígenas forem bem gerenciados, podem proteger a maioria das espécies ameaçadas. Os pesquisadores da Unemat afirmam que as áreas protegidas e as terras indígenas cobrem mais da metade da Bacia Amazônica, onde está a maioria das árvores das espécies ameaçadas.


As florestas na Amazônia estão sendo afetadas desde os anos 50 e exigem gestão urgente


Uma das causas da situação é o mal uso da terra, mas os cientistas ainda não têm o conhecimento de como isto tem prejudicado as populações de espécies arbóreas. No entanto, certamente as florestas e reservas amazônicas, segundo a pesquisa, ainda enfrentam barreiras de ameaças como: construção de barragens, mineração, queimadas e secas, essas intensificadas pelo aquecimento global, além da invasão direta de terras indígenas. "O desmatamento diminuiu nas últimas décadas, mas ainda hoje enfrentamos sérios problemas com as queimadas, que estão devastando imensas áreas de florestas ao sul e leste da Amazônia”, alertam os pesquisadores da universidade matogrossense, os dois estão em  Exeter, na Inglaterra, para onde levaram os estudos da Unemat em missão de trabalho com os grupos de pesquisa de floresta tropical das universidades de Leeds, Oxford e Exeter.


Beatriz Marimon conta que análise das árvores pode prever futuro das espécies (Foto: Reprodução/Unemat)
A pesquisadora Beatriz Schwantes Marimon da Unemat teme pelo Cerrado e pela Amazônia

 
Fontes: G1 MT - Unemat
             www.folhaverdenews.com
        

7 comentários:

  1. Parte das pesquisas, realizadas no Mato Grosso, foram feitas principalmente em uma área de floresta em Gaúcha do Norte, a 595 km de Cuiabá, em uma área às beiras do Rio Culuene. Durante 20 dias, 34 pesquisadores coletaram dados com enfoque na conservação da biodiversidade, considerando as alterações climáticas. Testaram ainda modelos que podem comprovar o risco de extinção de algumas espécies da fauna e da flora da transição do bioma Cerrado para o Amazônico.

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  2. A pesquisadora da Unemat Beatriz Marimon conta que análise das árvores pode prever futuro das espécies, ela comenta que análise das árvores sendo feita agora pode prever e planejar a sobrevivência das espécies de milhares de espécies e da própria Amazônia em sua biodiversidade, mas dependendo do que for feito em cima dos dados levantados.

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  3. A meta da pesquisa era verificar até que ponto plantas e animais resistem a alterações da temperatura e eventos de seca. Os pesquisadores mediram a resistência das plantas à falta de água, perda de espécies, aumento de temperatura e perda de recarga atmosférica - a umidade no ar gerada pelas árvores, que causa as chuvas posteriormente.
    “A fotossíntese depende de água. Se tivermos essas informações das vegetações, podemos saber como as plantas vão se comportar em momentos de mudança climática, aumenta de temperatura, mudança de clima, queimadas”, explica Ben Hur, o outro coordenador da pesquisa pela Unemat.

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  4. Os dois pesquisadores e coordenadores da pesquisa que envolveu 156 especialistas brasileiros e estrangeiros, explicaram que uma maneira de entender melhor o que essas mudanças estão causando, é estudar as florestas naturais, preservadas. São medidas as circunferências dos troncos das árvores, que recebem uma etiqueta de identificação e alguns outros dados são anotados. Repetindo isso ano a ano e associando a características do clima, podemos prever no futuro o que vai acontecer com nosso planeta. Os cientistas mais uma vez estão fazendo a sua parte...

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  5. Ponha a sua informação ou mensagem dentro desta pauta aqui nesta seção de comentários ou envie e-mail para a redação do nosso blog navepad@netsite.com.br e/ou mande direto a nosso editor padinhafranbca@gmail.com

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  6. "A mídia ambiental e os pesquisadores, a ciência e os ecologistas estão cumprindo a sua missão, agora, falta os Governos passarem a ter uma gestão sobre o setor ambiental na Amazônia e em todo o país, para mudar esta situação lamentável": a opinião é de Carlos Alvez Miranda, que é do Equador e se prepara para um mestrado na Unesp no interior de São Paulo, ele que nos ajudou a pesquisar dados para esta postagem de hoje aqui neste blog.

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  7. "Creio que a grande mídia deveria dar mais destaque a esta pesquisa, que é um alerta, exigindo providências já de nossas autoridades": a opinião é de Cláudio Silva Guimarães, de Bertioga (SP), técnico em embarcações que tem acompanhado a situação da Amazônia nestes últimos 30 anos.

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