quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

CIENTISTAS E ECOLOGISTAS NÃO FORAM OUVIDOS NA SUGESTÃO DE TECNOLOGIA MAIS AVANÇADA PARA O ATERRO DO LIXO



Em pouco mais de uma década e o Aterro Sanitário já mostra erros e limites: o chorume ameaça solo e água subterrânea segundo revela hoje jornal de Franca


Tarissa Esteves fez a reportagem e Divaldo Moreira, as fotos, para o Comércio da Franca, jornal que destaca um acidente que causa um vazamento de chorume no Aterro Sanitário desta cidade do nordeste paulista: aqui um resumo... "A água é preta e oleosa, assim como o barro, e o odor chega a provocar dor de cabeça. Embora seja cercado por mata, córregos, minas e residências rurais, esse é o cenário que circunda o aterro sanitário municipal - que fica próximo ao quilômetro 42 da rodovia Fábio Talarico - desde que se iniciou um vazamento de chorume no local. Segundo os moradores das fazendas ao redor, há dois meses o líquido poluente advindo da decomposição de materiais orgânicos tem escorrido do aterro pelo solo...Como tem uma mina próxima ao vazamento, cuja água é, inclusive, consumida pelos funcionários da fazenda, nossa preocupação é saber se a água ainda é potável ali”, disse um dos proprietários rurais, Omero Barbosa Sandoval Filho. Segundo o agricultor Luís Carlos Ferreira Nascimento, a insegurança apontada por Omero repercute entre os moradores do entorno. Ainda segundo Luís Carlos, após ter sido alertada pelos moradores sobre o problema, a Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca) enviou máquinas ao local que começaram trabalhos para conter o vazamento de chorume. “Melhorou bastante, mas ainda escorre essa água preta de lá". A reportagem tentou contato com a Prefeitura e com a Emdef para saber o que houve e o que está sendo feito, mas até o fechamento desta edição, não obteve resposta. O engenheiro sanitarista e ambiental da Cetesb, Alessandro Palma, esteve no aterro na última terça-feira para uma vistoria. De acordo com ele, após avançar uma área de cerca de 300 metros, o chorume teria ficado retido em uma curva de nível não alcançando nenhum curso d’água. “Quanto ao solo e as águas subterrâneas, faremos um estudo para saber se foram contaminados e, a partir daí, exigir ações complementares". 







O chorume é também um sintoma de alerta


Este vazamento de chorume mostra sintomas de problemas neste Aterro Sanitário de Franca (SP) que, assim como a maioria das cidades do país, têm optado por este tipo tradicional de aterro para fugir aos Lixões. Porém, é uma opção muito mais cara e bem menos ecológica que outras alternativas de pesquisadores e cientistas ambientais já vem desenvolvendo. Em pouco mais de 10 anos, já dá sinais de erro na escolha da tecnologia. Alertamos sobre este fato ainda na Audiência Pública na Unesp quando da Audiência Pública antes da construção desse Aterro, feita há duas administrações anteriores. Nessa oportunidade, defendemos a proposta mais sustentável e contemporânea da Química da USP e Unicamp, premiada por seu projeto ambiental na Harvard (Estados Unidos), a Drª Joana D'Arc Félix de Souza, hoje atuando na Fundação Paula Souza e doutorada em Química Orgânica, ela propunha um tratamento químico do lixo doméstico, que além de ocupar menos espaço, evita desapropriações ou eventuais contaminações do solo e da água, criando subprodutos, transformando o lixo em luxo. Mas os cientistas e ecologistas não fomos ouvidos pelos políticos. Agora o acidente neste Aterro Sanitário mais uma vez mostra que sempre se deve ouvir a ciência, o sentido público e de cidadania, optando-se por tecnologias ambientais mais contemporâneas e mais econômicas, além de mais ecológicas. 




Doutorada em Química Orgânica e premiada nos States, Drª Joana não foi ouvida em sua cidade natal....
O Aterro é um avanço mas não a solução. Um avanço só em relação ao Lixão, que não tem nenhum tipo de proteção ao ambiente, os lixões se tornam vulneráveis à poluição causada pela decomposição do lixo, tanto no solo, quanto nos lençóis freáticos e no ar, a maior parte do material despejado entra em processo de decomposição, produzindo o chorume e o gás metano. O chorume escorre com o auxílio da chuva e penetra na terra, chegando aos lençóis freáticos que podem contaminar as águas. Já o biogás resultante da decomposição do lixo e formado por gases como metano, gás carbônico (CO2) e vapor d’água, sendo liberado diretamente para a atmosfera, nem sempre os Aterros Sanitários contam com algum tipo de tratamento. Eles são espaços preparados para a deposição final de resíduos sólidos. Esses locais deveriam ser melhor planejados para captar e tratar os gases e líquidos resultantes do processo de decomposição, protegendo o solo, os lençóis freáticos e o ar. Em geral, as células são impermeabilizadas com mantas de PVC e o chorume é drenado e depositado em um poço, para tratamento futuro. O biogás é drenado e pode ser queimado em flaires ou poderia ser aproveitado para gerar eletricidade. Por ser coberto por terra diariamente não há a princípio proliferação de pragas urbanas. Porém, os aterros sanitários tão caros não são efetivos para sempre, o de Franca, pelo visto já mostra todos os sintomas de deterioração, seria urgente um monitoramento mensal ou pelo menos anual de todo o sistema, da qualidade da água e do equilíbrio ecológico no entorno. Então, a gente se refere aqui ao tratamento químico do lixo, a alternativa mais sustentável da Drª Joana D'Arc que foi rejeitada pela Prefeitura que optou por um Aterro Sanitário tradicional, economicamente muito mais caro mesmo sendo  um sistema ecologicamente defasado. 



Foto de Renê Moreira mostrou Drª Joana D'Arc em matéria do site RBA sobre a sua solução para o lixo


Mesmo sendo uma cientista respeitada em outros países, Drª Joana D’Arc Félix de Sousa não foi ouvida em sua própria cidade natal , mesmo sendo uma reconhecida especialista em reaproveitamento de resíduos orgânicos e industriais. No seu projeto, inicialmente, 10 toneladas de lixo doméstico (5% do total) vão virar adubo. Em seis meses, será a totalidade. O resultado prevê a recuperação total até de áreas de aterro. Depois pode ser reaproveitado o lixo gerado por curtumes, indústria calçadista e canaviais. A fórmula para transformar lixo em fertilizante ela não revela em entrevistas (como a que concedeu à Rede Brasil Atual), não revela porque estamos num tempo em que são apresentados no dia a dia mais problemas do que soluções ambientais e que o lixo não é a pior sujeira no ambiente da política e da falta de gestão sustentável das prefeituras em geral, com quase nenhuma exceção. Urgente ampliar os recursos e a implantação do Plano Nacional de Resíduos Sólidos mas também de se optar por tecnologias mais avançadas, como é o caso da proposta por Drª Joana D'Arc. Este acidente revela que anos atrás ela havia indicado uma opção mais econômica e melhor ambientalmente para resolver o drama do lixo em Franca. Por que ela não foi ouvida? Por que os cientistas e ecologistas clamam no deserto de nossa política e não são ouvidos? Por esta e outras, o caos que ainda pode ocorrer e não somente na área de saneamento mas em todo o meio ambiente daqui e do país, o que peço a Deus que não ocorra...(Antônio de Pádua Silva Padinha)

 
 
Fontes: www.comerciodafranca.com.br
              www.ecod.org.br
              www.rba.com.br
              www.folhaverdenews.com


8 comentários:

  1. Logo mais, mais informações e alguns comentários por aqui, aguarde nossa edição.

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  3. Outra opção é enviar a sua mensagem dentro desta pauta direto para o e-mail do nosso editor de conteúdo padinhafranca@gmail.com

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  4. "A minha conclusão é que o lixo fede menos do que a política...Inacreditável o que se fez com esta cientista em Franca": a opinião é de Edvaldo Lopes da Silva, técnico agrícola, Assis (SP), que se prepara para cursar Engenharia Agrônoma na USP.

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  5. "Mais um grande absurdo e uma grande injustiça o que foi feito por autoridades municipais com a cientista Drª Joana, Franca e sua natureza estão pagando por isso": o comentário é de Rubens Faleiros, de Belo Horizonte (MG), que atua no movimento ecológico da UFMG.

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  6. "Pena que este blog tenha ficado uns dias fora do ar, este espaço é fundamental para a informação ecológica": o comentário é de Maria Ana Mendes, de São Paulo (SP), redatora.

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  7. "Na minha ótica, deveríamos substituir no país os políticos pelos cientistas e pelos ecologistas ou gente da cidadania": quem comenta é Rafael Lucas, que nos manda fotos e informações sobre o MPL de que participa em São Paulo (SP).

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  8. "Eu me lembro desta audiência pública sobre solução pro lixo de Franca, foi na Unesp e a EPTV fez uma matéria de mais de 10 minutos, lembro que o Padinha pelo movimento ecológico e a Drª Joana defendiam outra solução melhor que um Aterro Sanitário, que só foi feito porque era mais caro, ou seja, rolou mais dinheiro. Deu no que deu": quem comenta é Maria Luíza Portela, que é de Ribeirão Preto e hoje atua como advogada em Bauru (SP).

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