quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

ESTA SITUAÇÃO MOSTRA MAIS UMA VEZ A URGÊNCIA DA ENERGIA SOLAR OU EÓLICA NO BRASIL

Estudo da Environmental Research Letters alerta para emissões de novas hidrelétricas na Amazônia que emitem tanto efeito estufa como a energia gerada por combustíveis fósseis




Seis das 18 hidrelétricas que o Brasil ergueu recentemente ou está erguendo ou pretende erguer na Amazônia poderão emitir níveis de gases causadores do efeito estufa equivalentes aos de usinas alimentadas por combustíveis fósseis, segundo um estudo publicado na revista científica americana Environmental Research Letters. "Ao invés de petróleo e de CO2 o que precisamos urgentemente é de ampliar ao máximo o uso de energias limpas como Solar, Eólica, Biomassa, para assim evitar o caos do ambiente e do clima", comenta por aqui no blog da ecologia e da cidadania nosso editor de conteúdo, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Silva Padinha, resumindo para você a força destas informações da hora que estão sendo postadas em sites de jornalismo como Terra e BBC. Divulgada ainda em dezembro, a pesquisa desta revista de prestígio mundial entre cientistas (Environmental Research Letters) empregou um método inédito para calcular as emissões de gás carbônico e metano geradas na formação dos reservatórios e construção das usinas. A análise apontou uma mais alta probabilidade de que as hidrelétricas de Cachoeira do Caí (PA), Cachoeira dos Patos (PA), Sinop (MT), Bem Querer (RR), Colíder (MT) e Marabá (PA) gerem emissões comparáveis às de usinas de gás natural, fonte normalmente mais poluente que a hidráulica mas menos poluente que os demais combustíveis fósseis.Em alguns casos, como os de Sinop e Cachoeira do Caí, as emissões poderiam até superar as de usinas de carvão, o mais poluente dos combustíveis fósseis ou as caríssimas fontes de poluição geradas pelas termelétricas, usadas no país para completar a eletricidade gerada pela rede de hidrelétricas, que causam, além do mais, uma série de sequelas socioambientais.


Pesquisadores citam estudo que diz que desmatamento pode reduzir a vazão do Xingu, afetando performance de Belo Monte (acima)
Furo n´água: pesquisadores citam que desmatamento reduz a vazão do Xingu e dos rios do Amazonas a ponto de poder inviabilizar estas novas hidrelétricas monstros, que deveriam dar lugar a usinas de energia mais limpa e renovável





As emissões em hidrelétricas geralmente ocorrem quando a matéria orgânica presente no solo ou na vegetação submerge durante a formação de reservatórios, produzindo gás metano. Gás carbônico produzido no subterrâneo das represas, que inundam áreas nativas de vegetação. Estas usinas cujos reservatórios inundam grandes áreas tendem a gerar mais emissões que hidrelétricas a fio d'água (com reservatórios menores e que aproveitam a velocidade natural do rio para gerar energia). Mas é o caso de sua atenção, mesmo a legislação brasileira atual exigindo a retirada da vegetação de áreas a serem alagadas, ainda assim, segundo o estudo, quantidades significativas de matéria orgânica permanecem no solo. Uma desecologia, para usar uma palavra bem clara, acentua por aqui o ecologista Padinha, ao editar este resumo desta pesquisa. Segundo o Ministério do Meio Ambiente do Brasil, hidrelétricas na Amazônia responderão por 85% da potência hidráulica a ser agregada ao sistema elétrico brasileiro até 2022. A região concentra a maioria dos rios brasileiros com potencial hidrelétrico subexplorado.É, mas com a conclusão deste estudo de especialistas renomados, a hora é de mudar a estrutura energética, sem que isso venha a aumentar as emissões e com a certeza de que estaremos alimentando a economia brasileira  sem provocar o caos do ambiente e do clima. O coautor da pesquisa, que é doutorando na Universidade Carnegie Mellon (EUA), o engenheiro brasileiro Felipe Faria disse que os resultados do estudo ajudam a derrubar a crença de que hidrelétricas necessariamente geram energia limpa, ele mostra que os níveis de emissões variam bastante conforme o projeto.  Assim, defende que, diante das mudanças climáticas, o governo brasileiro passe a considerar o cálculo de emissões antes de decidir construir uma hidrelétrica. Na véspera da última conferência climática da ONU, o Brasil se comprometeu a reduzir em 43% as emissões de gases causadores do efeito estufa até 2030, com base nos padrões de 2005.O cientista Felipe Faria diz que o governo também deveria levar em conta no planejamento do setor mudanças nos padrões climáticos e de uso do solo na Amazônia. Ele cita um levantamento de 2013 conduzido por pesquisadores brasileiros e americanos, segundo o qual o desmatamento pode reduzir bastante as vazões da bacia do Xingu, afetando a usina de Belo Monte (PA) e toda a rede (mal) planejada de megahidrelétricas amazônicas. Para Faria, hidrelétricas são atrativas no Brasil entre outros motivos por terem baixo custo em relação a outras fontes e porque o país tem experiência em construí-las. Porém, ele avalia que "boa parte dos tomadores de decisão do setor elétrico foram formados dentro da indústria hidrelétrica e há por isso um apelo e um lobby muito fortes por essa fonte, quando o país da natureza (que ainda resta) deveria é ser mais agressivo em criar políticas que favoreçam o avanço das fontes eólica e solar (menos poluentes) e, assim, reduzir a necessidade de grandes hidrelétricas.Outros cientistas assinam esta pesquisa que está sendo divulgada em todo o mundo pela Environmental Research Letters, entre eles, Paulina Jaramilo, Henrique Sawakuchi, Jeffrey Richev e Nathan Barros: mas, cá entre nós, a gente questiona aqui com a liberdade da web, o que vale mais, a ciência dos especialistas ou o interesse ou lobby dos políticos? Os consumidores pagam a conta, a natureza paga o pato e quem pagará a destruição da última ecologia made in Brazil?  
 
Não são só os desmatamentos e as mineradoras ou madeireiras que estão acabando com a Amazônia...


Fontes: www.bbcbrasil.com.br
             www.terra.com.br
             www.folhaverdenews.com 

9 comentários:

  1. Hoje as estimativas de emissões de hidrelétricas não são consideradas pelo Ministério de Minas e Energia (MME), que questiona a precisão das medições disponíveis. Estimar emissões de CO2 pelas hidrelétricas antes de elas serem construídas é um desafio porque cada usina e rio tem características singulares, e os modelos já desenvolvidos não garantem nada, mais uma razão pela opção de outra estrutura energética no Brasil, que precisa voltar a ser o país da natureza, para ter futuro e equilíbrio sustentável na sua vida.

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  2. Para aumentar a confiabilidade das medições, os autores do estudo que estamos postando aqui hoje empregaram uma nova fórmula, que combina dois modelos. Em um deles, que tende a superestimar os resultados, eles usaram dados de emissões de usinas já construídas e os aplicaram aos 18 projetos, que estão em vias de construção na Amazônia, levando em conta suas especificidades.

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  3. A matéria orgânica submersa nas represas e que gera CO2, teve a sua quantia medida em cada usina a partir de imagens de satélite. Para não ter erro.



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  4. Mesmo ao se levar em conta o modelo que subestima as medições, apenas uma das 18 hidrelétricas - Ferreira Gomes (AP), apresentou níveis de emissões praticamente nulos, comparáveis aos de usinas eólicas e solares. Outras dez hidrelétricas - entre as quais Belo Monte (PA), Jirau (RO) e Santo Antonio (RO) - apresentaram padrões de emissões superiores aos de eólicas e solares, ainda que abaixo da emissão de usinas de combustíveis fósseis.


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  5. Por sua vez, sobre o assunto, o Ministério de Minas e Energia comenta que estudos iniciados em 2011 a pedido do órgão "desmistificaram que usinas hidrelétricas em regiões tropicais são usualmente fontes relevantes de emissão de gases causadores do efeito estufa". Segundo o MMA, as análises de hidrelétricas brasileiras revelaram emissões entre dez e 500 vezes menores do que nas usinas térmicas a carvão, exceto no caso de Balbina (AM). "A energia hidrelétrica existente no Brasil é energia limpa e renovável", diz o órgão, contrariando a conclusão deste estudo de cientistas que resumimos hoje em nosso blog. Quem está com a razão, o governo ou os cientistas?

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  6. Poste aqui a sua informação ou comentário ou então envie uma mensagem pro e-mail da redação do nosso blog navepad@netsite.com.br e/ou direto para o nosso editor de conteúdo padinhafranca@gmail.com

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  7. O MME afirma ainda que as tecnologias solar e eólica estão em expansão no Brasil, mas são ainda incapazes de substituir as hidrelétricas. As autoridades não se manifestaram sobre o0 eventual uso de várias micros, pequenas e médias hidrelétricas ao invés de usinas gigantescas, que geram mais sequelas, também socioambientais, além do CO2, indicado pela publicação científica agora da Environmental Research Letters.

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  8. "Agora não há mais pretexto nem desculpa para mudar a estrutura energética e ética também da política no Brasil": o comentário é do engenheiro elétrico Adão de Barros Souza, de Salvador, Bahia.

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  9. "Impressionante o conteúdo deste estudo do engenheiro Felipe Faria e esta equipe de cientistas da Carnegie Melon, universidade dos Estados Unidos, feito com as condições mais atuais da tecnologia e da ciência, um tipo de alerta que precisa ser ouvido pelas nossas autoridades": o comentário é de Emanauel Moreira, de Piracicaba (SP), engenheiro agrônomo em atividade no meio rural do interior, "por aqui há muitos problemas socioambientais mal resolvidos, a começar pela poluição dos rios", ele ainda nos informa.

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